2 GENERAL INTRODUCTION
2.3 Diagnosing IgE-mediated food allergy
2.3.3 Diagnosing peanut allergy
Com os trabalhos e publicações de Schultz, os estudos sobre a TCH ganham adeptos, dentre os quais destacamos Gary Stanley Becker (1930-), discípulo de Schultz, professor de Economia e Sociologia na Universidade de Chicago, autor de Capital Humano (1983), laureado com o Prêmio Nobel de Economia em 1992, atualmente considerado o grande defensor da TCH. Esse autor
sustenta a tese de que o capital humano é parte integral da riqueza das nações e que tanto a educação como o treinamento são os investimentos mais importantes. Para Becker, nenhuma nação moderna se desenvolverá se não investir em pessoas: “Não é possível crescer sem uma base forte de capital humano. O sucesso depende de como uma nação utiliza sua população.” (BECKER, 1983, p. 4).
Quando iniciou suas pesquisas sobre capital humano, Becker, assim como aconteceu com Schultz, sentiu-se receoso de usar a expressão, pelos mesmos motivos apontados por Schultz. Na sua conferência, ao receber o Prêmio Nobel, em 1992, esclarece:
O C a p i t a l H u m a n o é t ã o s e m c o n t r o v é r s i a h o j e e m d i a q u e p o d e s e r d i f í c i l a v a l i a r a h o s t i l i d a d e n o s a n o s 5 0 e 6 0 e m r e l a ç ã o à a b o r d a g e m q u e h o u v e c o m o t e r m o . A l e g o u - s e q u e o c o n c e i t o d e c a p i t a l h u m a n o f o i a v i l t a d o p o r q u e t r a t a v a a s p e s s o a s c o m o m á q u i n a s . A b o r d a r a e s c o l a r i z a ç ã o c o m o u m i n v e s t i m e n t o m a i s p r o p r i a m e n t e q u e u m a e x p e r i ê n c i a c u l t u r a l f o i c o n s i d e r a d o i n s e n s í v e l e e x t r e m a m e n t e l i m i t a d o . C o m o r e s u l t a d o , e u h e s i t e i u m l o n g o t e m p o a n t e s d e d e c i d i r c h a m a r o m e u l i v r o d e C a p i t a l H u m a n o e r e s g u a r d e i - m e d o r i s c o u s a n d o u m l o n g o s u b t í t u l o . ( B E C K E R , 1 9 9 2 )
De Ita, que fez um comentário sobre a obra de Becker, Human Capital: A theoretical and empyrical analysis, with special reference to education, publicado em 1964, desenvolve a tese de que o investimento em capital humano tem produzido uma série de benefícios individuais e tem sido um fator de grande força no aumento da produtividade do povo norte-americano. Para chegar a suas conclusões, Becker teria analisado diferentes tipos de capital humano, tais como educação escolar e educação para o trabalho, e sua análise produziu uma teoria geral de amplas aplicações que cobre desde a distribuição pessoal de riquezas, até os efeitos do desemprego entre as pessoas de pouca educação.
Becker, no verbete Capital Humano que redigiu para The Concise Encyclopedia of Economics, retoma suas principais idéias, como que procurando fazer uma síntese. Pode-se, então, a partir dessa síntese, extrair alguns fundamentos da TCH beckeriana. Ele assim se expressa:
P a r a a m a i o r i a d a s p e s s o a s , o c a p i t a l s i g n i f i c a u m a c o n t a b a n c á r i a , u m a c e n t e n a d e a ç õ e s d a I B M , l i n h a s d e m o n t a g e m o u u s i n a s d e a ç o n a á r e a d e C h i c a g o . E s s a s s ã o t o d a s f o r m a s d e c a p i t a l n o s e n t i d o d e q u e s ã o a t i v o s q u e p r o d u z e m r e n d a e o u t r o s r e n d i m e n t o s ( o u t p u t ) p r o v e i t o s o s p o r l o n g o s p e r í o d o s d e t e m p o . M a s , e s s a s f o r m a s t a n g í v e i s d e c a p i t a l n ã o s ã o a s ú n i c a s . A e d u c a ç ã o e s c o l a r , u m c u r s o d e t r e i n a m e n t o e m c o m p u t a ç ã o , d e s p e s a s c o m c u i d a d o s m é d i c o s e c r í t i c a s s o b r e a s v i r t u d e s d a p o n t u a l i d a d e e h o n e s t i d a d e t a m b é m s ã o c a p i t a l . ( T h e C o n c i s e E n c y c l o p e d i a o f E c o n o m i c s , 2 0 0 3 ) .
O autor, como se percebe, ampliou o conceito de Schultz e este o reconhece, fazendo-lhe destacada menção: “A contribuição de Becker para este empreendimento é da mais alta significância” (SCHULTZ, 1973b, p. 70).
Seguindo com o mencionado verbete, podemos notar a ênfase que Becker dá ao fator educação, sem, no entanto, menosprezar os outros fatores. Escreve: “A educação e o treinamento são os investimentos mais importantes em capital humano. […] Os salários das pessoas mais escolarizadas (educadas) são quase sempre bem acima da média, embora os ganhos sejam geralmente maiores em países menos desenvolvidos”. Esses elementos foram realçados por nós nos autores anteriormente estudados nesta tese.
Na conferência de 1992, Becker volta a destacar com maior ênfase que: A s e v i d ê n c i a s a c u m u l a d a s s o b r e o s b e n e f í c i o s d a e s c o l a r i z a ç ã o e t r e i n a m e n t o t a m b é m p r o m o v e r a m a i m p o r t â n c i a d o c a p i t a l h u m a n o n a s d i s c u s s õ e s p o l í t i c a s . E s s a n o v a c r e n ç a n o c a p i t a l h u m a n o r e m o d e l o u a f o r m a c o m o o s g o v e r n o s a b o r d a m a q u e s t ã o d e e s t i m u l a r o c r e s c i m e n t o e a p r o d u t i v i d a d e [ … ].(BEC KER , 1992).
Outro fator que se destacou nos autores anteriores, também é mencionado na referida conferência – a importância da família nesse processo: “Nenhuma discussão sobre o capital humano pode omitir a influência das famílias no conhecimento, habilidades, valores e hábitos de seus filhos”.
Becker, continuando sua leitura, destaca as relações do desenvolvimento tecnológico e o processo industrial com o Capital Humano:
E a c r e s c e n t e c o n f i a n ç a d a i n d ú s t r i a n o c o n h e c i m e n t o a c e n t u a m u i t o o v a l o r d a e d u c a ç ã o , e s c o l a r i z a ç ã o t é c n i c a , t r e i n a m e n t o e m s e r v i ç o e o u t r o c a p i t a l h u m a n o . O s n o v o s a v a n ç o s t e c n o l ó g i c o s s ã o c l a r a m e n t e d e p e q u e n o v a l o r p a r a p a í s e s q u e p o s s u e m m u i t o p o u c o s t r a b a l h a d o r e s h a b i l i t a d o s q u e s a i b a m c o m o u s á - l o s . O c r e s c i m e n t o e c o n ô m i c o d e p e n d e i n t i m a m e n t e d a s s i n e r g i a s e n t r e o n o v o c o n h e c i m e n t o e o c a p i t a l h u m a n o , p o i s o g r a n d e c r e s c i m e n t o e m e d u c a ç ã o e t r e i n a m e n t o t e m a c o m p a n h a d o o s p r i n c i p a i s a v a n ç o s e m c o n h e c i m e n t o t e c n o l ó g i c o e m t o d o s o s p a í s e s q u e t ê m a l c a n ç a d o c r e s c i m e n t o e c o n ô m i c o s i g n i f i c a t i v o . ( B E C K E R , 1 9 9 2 ) .
Nesta síntese, percebemos claramente a amplitude conceitual que Becker dá à TCH. Para ele, o investimento em capital humano traz benefícios aos indivíduos, à sociedade, às Organizações e aumento da produtividade em geral, desde que acompanhados de um desenvolvimento do conhecimento tecnológico. Em 1998, Becker reafirma essa ideia, escrevendo:
E u n ã o e s t o u d i z e n d o q u e m á q u i n a s e c a p i t a l f í s i c o n ã o t ê m i m p o r t â n c i a n u m a e c o n o m i a m o d e r n a . S e m d ú v i d a , v o c ê p r e c i s a d e b o a s m á q u i n a s , e q u i p a m e n t o s e f á b r i c a s . P o r é m , p r e c i s a t a m b é m d e t r a b a l h a d o r e s e g e r e n t e s i n s t r u í d o s e c a p a c i t a d o s e i n o v a d o r a s f o r m a s d e n e g ó c i o s p a r a u t i l i z a r e s s a s m á q u i n a s c o m e f i c i ê n c i a . ( B E C K E R , 1 9 8 3 , p . 4 ) .
Ainda segundo Schultz (1973b, p. 71), Becker, dentro dessa amplitude teórica, contribuiu de forma significativa, pois “[…] ele introduziu determinadas características fundamentais, a saber: custo da instrução, adestramento operativo, outros investimentos no homem […]”.
Becker divide o capital humano em duas formas, as específicas e as gerais. Segundo ele:
P o r d e f i n i ç ã o , o c o n h e c i m e n t o e s p e c í f i c o é ú t i l n a s e m p r e s a s q u e o p r o p o r c i o n a m , e n q u a n t o q u e o c o n h e c i m e n t o g e r a l é ú t i l t a m b é m e m o u t r a s e m p r e s a s . E n s i n a r a l g u é m a o p e r a r u m c o m p u t a d o r p e s s o a l c o m p a t í v e l c o m a I B M é t r e i n a m e n t o g e r a l , e n q u a n t o q u e a p r e n d e r a e s t r u t u r a d e p o d e r e o s t a l e n t o s d e e m p r e g a d o s n u m a c o m p a n h i a p a r t i c u l a r é c o n h e c i m e n t o e s p e c í f i c o . ( B E C K E R , 1 9 9 2 ) .
Dessa forma, para Becker, a formação geral, também chamada de Capital Humano Geral, é benéfica no presente e/ou no futuro para as empresas que a incentivam, bem como para as outras empresas futuramente. A formação, ou Capital Humano Específico, relaciona-se
ou com a disposição do indivíduo em investir em si próprio, arcando com os seus custos, ou com uma disposição da empresa em investir em seus funcionários, objetivando benefícios presentes e/ou futuros, com o aumento de sua produtividade. A formação geral abarca as habilidades, as qualificações e as técnicas, por vezes mínimas, necessárias para a realização de quase todas as atividades. Esse capital humano é geralmente obtido no sistema educacional fundamental. Entre outros aspectos sobressaem o ler e escrever, operações básicas com a Matemática e conhecimentos gerais básicos de História, Geografia e Ciências. Incluem, ainda, alguns modos de socialização, como o respeito a normas e regras, disciplina, comunicação e convivência social, entre outros. A formação específica – Capital Humano Específico – tem por objetivo desenvolver e aperfeiçoar aptidões, habilidades, qualificações e competências técnicas com o intuito de atender a uma determinada necessidade, atividade ou mesmo uma tarefa. Abrange, ainda, o conhecimento da “cultura profissional”, da ética, do ambiente de trabalho, das relações sociais e trabalhistas, entre outros aspectos. Engloba diferentes níveis de “especialização” e está intimamente ligada ao exercício de uma profissão, ou à execução de uma determinada atividade. Esse capital humano pode ser obtido em cursos de nível médio profissionalizante, em faculdades e universidades. Tal qualificação poderá também ser adquirida por meio do treinamento no posto de trabalho ou fora dele. Depende igualmente de uma motivação e tenacidade por parte do indivíduo e da empresa. Assim, esses capitais humanos estão intimamente relacionados, pois as possibilidades de aumento do Capital Humano Específico implicam um acúmulo de Capital Humano Geral antecipado e qualitativo.
Becker defende a tese de que os investimentos feitos em Capital Humano, principalmente nos Estados Unidos, não só têm causado benefícios para os indivíduos como têm acarretado um aumento de produtividade dos trabalhadores norte-americanos.
Percebe-se, então, que esses capitais humanos – geral e específico – principalmente os aperfeiçoados, adquiridos e
desenvolvidos no sistema educacional formal, passam a ser um fator importante na empregabilidade.
No seu artigo “Human Capital and Poverty” (O capital humano e a pobreza), de 1998, escreve: “O termo capital humano pode não parecer familiar para todos. Capital humano refere-se às habilidades, educação, saúde e treinamento de indivíduos. É capital, pois essas habilidades ou instrução são uma parte integral de nós que dura muito, assim como uma máquina, planta ou uma fábrica dura”. Nesse mesmo artigo defende a posição de liderança da TCH, dizendo que: “Podemos até chamar o século 20 de a Era do Capital Humano, no sentido de que o determinante principal do padrão de vida de um país é o de como este se supera ao desenvolver e utilizar as habilidades, o conhecimento, a saúde e os hábitos de sua população”.
Uma síntese do pensamento de Gary Becker evoca palavras como conhecimento, as habilidades, as qualidades adquiridas, desenvolvidas e incorporadas pelos indivíduos, principalmente por meio da educação formal e do treinamento no posto de trabalho, e que têm por objetivo o aumento da produtividade nas economias modernas.