1.8 Preeclampsia
1.8.1 Development of preeclampsia
A presente subseção explica as mudanças metodológicas empreendidas para a realização da segunda etapa da presente pesquisa e apresenta os procedimentos de análise utilizados para a classificação dos ILEs com base nas categorias específicas.
Esta etapa da pesquisa foi guiada pelo corpus cujas especificidades tornaram necessária uma reformulação da metodologia até então empregada para que pudessem ser devidamente analisadas. A metodologia adotada nesta segunda etapa buscou subsídios nos Estudos Descritivos da Tradução por meio das categorias propostas em Aixelá (1996) para classificação dos procedimentos de tradução utilizados com os ICEs pelos tradutores. Essas categorias foram denominadas específicas em contraste com as categorias utilizadas na etapa anterior da pesquisa e porque conseguem abranger uma diversidade maior de procedimentos e suas especificidades. O quadro teórico-metodológico doravante adotado inclui as categorias propostas em Aixelá (1996) e traz de Saldanha (2005, 2011a) as categorias omissão e acréscimo.
As categorias criadas por Aixelá (1996), esparsas em seu texto, foram reunidas no Quadro 4, a seguir, juntamente com as duas categorias trazidas de Saldanha (2005, 2011a). Quadro 4: Procedimentos específicos para classificação dos ILEs
Conservação Substituição Acréscimo
Repetição: a referência original é mantida ao máximo.
Sinonímia: sinônimos ou referências paralelas são utilizados para não repetir o ICE.
Acréscimo: ocorrências extras de um ICE já existente são inseridas no TT.
Adaptação ortográfica: inclui
procedimentos como
transcrição ou transliteração.
Universalização limitada: o ICE é considerado muito obscuro e é substituído por outra referência, também da cultura da LF, porém menos específica e mais próxima dos leitores da TL.
Tradução linguística (não cultural): utilização de uma referência denotativa bem próxima da original, já pré- estabelecida na LA, que ainda pode ser reconhecida como pertencendo ao sistema cultural do TF.
Universalização absoluta: procedimento semelhante ao acima, porém a conotação estrangeira é completamente apagada e o ICE é substituído por uma referência neutra para os leitores da TL.
Glosa extratextual: um dos procedimentos acima é utilizado, porém, uma explicação do significado ou implicações do ICE, é inserida separadamente do texto. Pode ser em forma de nota de rodapé, nota final, glossário, comentário ou tradução em parênteses ou itálicos.
Naturalização: o ICE é trazido para o corpus intertextual considerado específico para cultura da TL.
Glosa intratextual:
procedimento semelhante ao acima, porém, a explicação não é separada do texto.
Eliminação: o ICE é considerado inaceitável ideológica ou estilisticamente, ou irrelevante para o esforço de compreensão exigido dos leitores, ou muito obscuro, portanto, é completamente apagado do TT.
Criação autônoma: opção de colocar uma referência cultural no TT que não existia no TF. Omissão: certas ocorrências de um ICE que ainda está presente no TT são deixadas de fora.
Fonte: A autora, adaptado e traduzido a partir de Aixelá (1996) e Saldanha (2005, 2011a)
Diferente de Aixelá (1996) que utilizou o termo estratégias, a presente pesquisa adotou o termo procedimentos em relação às escolhas locais no nível linguístico que irão resultar em estratégias estilísticas no nível global. Assim sendo, a classificação de Aixelá (1996) aloca onze procedimentos nas categorias conservação e substituição; e ordena-os segundo o grau de manipulação intercultural. Essa ordenação das subcategorias foi questionada em estudos como Davies (2003), o qual alega que as divisões entre as categorias nem sempre são distintas, tornando difícil determinar qual delas está além no contínuo. Embora no presente trabalho não se tenha ordenado as subcategorias por grau de manipulação cultural, a preferência dos tradutores por determinados procedimentos pode ser um indicativo de que o TT teve interferência do TF ou foi padronizado.
Os procedimentos propostos em Aixelá (1996), apesar de bastante profícuos para analisar as mudanças encontradas no corpus da presente pesquisa quanto aos ICEs, não contemplaram todos os tipos de mudança verificados. Para dar conta dos casos em que certas ocorrências de um determinado ICE não foram levadas para o TF, foi trazida de Saldanha
(2005, 2011a) a subcategoria omissão. Essa subcategoria foi incluída em substituição porque se assemelha à eliminação, com a diferença que ainda há outras ocorrências do ICE no TT. Para contemplar os casos em que ocorrências inexistentes no TF de um determinado ICE apareceram no TT, foi necessário trazer de Saldanha (2005, 2011a) a categoria acréscimo. Considerou-se que a categoria acréscimo não poderia ser incluída nem em conservação, nem em substituição, portanto, foi considerada uma terceira categoria. Uma vez estabelecidas as categorias de procedimentos a serem utilizadas, as linhas de concordância foram examinadas, classificadas e quantificadas.
As linhas de concordância marcadas conforme o procedimento específico empregado foram organizadas em uma planilha criada com o programa Excel (Microsoft, 2007). Foi criada uma aba para cada texto do corpus na planilha. Em cada aba, criou-se um quadro com três colunas; na primeira coluna foram colocados os procedimentos empregados, na segunda, os ICEs classificados segundo os procedimentos, e, na terceira, as linhas de concordância correspondentes. Aplicaram-se filtros às colunas para mais fácil visualização e contabilização dos resultados.
Inicialmente foi feita a contabilização dos procedimentos de tradução incluindo todas as ocorrências de cada ICE porque se considerou que assim seria possível demonstrar de forma mais clara as mudanças de tradução ocorridas com os ICEs. Porém, o procedimento glosa extratextual não se enquadrou nesse parâmetro; teria sido artificial multiplicar a glosa para um determinado ICE pelo número de vezes que aquele item apareceu no texto, a fim de adequar o procedimento ao parâmetro. O mesmo ocorreu com os procedimentos criação autônoma, eliminação e adaptação ortográfica. Por outro lado, os demais procedimentos puderam ser contabilizados em relação aos ICEs distintos, sem prejuízo à observação de padrões e diferenças, porque todas as ocorrências do ICE foram examinadas, atentando-se para o fato de que a um mesmo ICE poderia ter sido aplicado mais de um procedimento. Essa decisão metodológica foi viável porque o número de ICEs distintos no TF era grande o suficiente para contemplar o emprego de quase todos os procedimentos de tradução propostos na categorização adotada. Portanto, a exemplo de Aixelá (1996), o presente estudo contabilizou os procedimentos específicos de tradução por ICEs distintos, mas acrescentou uma análise descritiva que permite perceber padrões e diferenças. As frequências relativas foram calculadas considerando-se que o total de procedimentos utilizados em cada TT é 100%. Os resultados quantitativos foram organizados em uma tabela elaborada com o programa Word do pacoteOffice (Microsoft, 2007).
Para o procedimento glosa extratextual, o glossário em TFA_Antunes_Rego não foi contabilizado porque ele é uma tradução do glossário existente em TFA_Achebe, e sabe-se, através de fonte com acesso à primeira edição de TFA_Achebe, que nela não existe glossário. A inserção do glossário em edições subsequentes de TFA_Achebe foi uma decisão editorial e o glossário conservado em TFA_Antunes_Rego não apresenta nenhuma mudança em relação ao tratamento de ILEs do TF para o TT. Segundo os tradutores Eugénia Antunes e Paulo Rego (informação pessoal)34, “A escolha de se manter o glossário nem foi questionada, uma vez que serve em português o mesmo propósito que serviu em inglês: elucidar o leitor acerca de termos estranhos à cultura europeia e, especificamente, portuguesa. Para nós era óbvio mantê- lo e a editora terá pensado o mesmo.” Ademais, estudo realizado em Anchieta (2014), mostrou que o glossário em TFA_Achebe é desnecessário para o entendimento dos ICEs que nele constam porque as estratégias de inserção do vocabulário ibo utilizadas por Achebe, descritas na subseção Literaturas pós-coloniais e estratégias linguísticas em textos pós- coloniais, possibilitam o entendimento desses ICEs. Portanto, nesta pesquisa, o glossário em TFA_Antunes_Rego foi utilizado para análise, mas não foi contabilizado como glosa extratextual.
Em conformidade com a decisão metodológica tomada em relação ao item lexical compound na etapa anterior desta pesquisa, devido ao fato de esse item ser um ILE em TFA_CostaeSilva_83 e não em TFA_Achebe, decidiu-se que na classificação baseada nas categorias específicas o item compound seria contabilizado nas categorias repetição, acréscimo e glosa extratextual, mas não seria contabilizado nas categorias sinonímia e omissão. Todas as ocorrências de compound foram analisadas, tanto no TF, quanto no TT para o português brasileiro, para identificação e descrição das mudanças de tradução ocorridas.
A próxima subseção apresenta os procedimentos metodológicos utilizados na análise de coesão pelo recorte dos ILEs/ICEs.
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