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3. METHODOLOGICAL THEORY

3.1 O UTCOME MEASURES

3.1.1 The development of outcome measures

Em relação ao cruzamento das variáveis sociais, isto é, o fator idade e

sexo, com as variáveis linguísticas escolhidas que puderam ser quantificadas, o

Teste estatístico ANOVA aplicado não revelou nenhum grau de significância no

cruzamento entre os grupos.

No emprego da pessoa gramatical, o cruzamento com o fator idade

revelou que, dos três grupos, o grupo B foi o que concentrou o maior emprego

das formas plenas em quase todas as pessoas analisadas, menos no emprego

da expressão A gente, forma mais utilizada pelo grupo C (cf. tabelas e gráficos

correspondentes). Nesse sentido, podemos dizer que, no emprego dos pronomes

sujeito plenos no PU, está havendo uma variação estável, uma vez que o grupo

B, o intermediário, concentrou o maior número de emprego da forma inovadora,

neste caso o preenchimento do sujeito. Lembremos que conforme Scherre (1988)

este é o grupo que representa a idade que está em plena atividade e no mercado

de trabalho, por conseguinte, poderíamos dizer que é o que tem mais contato com

a forma inovadora. Por outro lado, no que se refere ao emprego das formas

nulas, o grupo C se destaca por empregar as formas nulas na primeira pessoa

Eu e na terceira pessoa do singular e plural; o grupo B concentrou um maior

emprego das formas nulas Tu e Nós. Em relação ao grupo A, ou seja, ao grupo

dos mais jovens, cabe observar que no emprego das formas plenas sempre

apresentou o menor número de preenchimento dos três e, no que se refere às

formas nulas, sempre ocupou o segundo lugar, atrás dos grupos C e B. Este

resultado esta sugerindo que o grupo dos mais jovens tendeu mais ao emprego

das formas nulas do que das plenas. Neste caso, nos perguntamos o que está

acontecendo no PU? Será que no PU está começando a haver uma mudança

contrária?

Vimos até agora que os resultados indicam que os falantes do PU

apresentam uma variação estável, dado que uma das variáveis se concentrou no

grupo intermediário, entretanto, vemos que o grupo dos mais jovens também

apresentou o emprego das formas plenas, porém tendeu a usar mais as formas

nulas. A nossa interpretação desse resultado é de que o grupo dos mais jovens

do PU, nessa fase, ainda está exposto à norma padrão da escola, neste caso a

língua espanhola

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, uma vez que muitos deles ainda estavam cursando o 2º grau.

Mas vejamos o que indicam os outros fatores linguísticos que

correlacionamos como o fator idade.

No que se refere ao fator sexo, observamos no geral um

comportamento equilibrado. As mulheres tenderam a usar mais a forma plena

Tu do que os homens e estes, mais a forma plena Nós do que as mulheres.

No modo e tempos verbais, observamos que o grupo B, novamente

lidera o emprego das formas plenas, desta vez, apresentando um maior índice no

emprego das formas plenas no presente do MI (com o paradigma verbal de P e

de E), no presente do MS, conjuntamente com o grupo A, no pretérito do MI,

também conjuntamente com o grupo A, e no pretérito do MS (com o paradigma

42 Cabe lembrar que os falantes do PU não são alfabetizados na sua língua materna, eles entram na escola e são

alfabetizados numa L2, neste caso o espanhol, que é a língua oficial do país. Além disso, quando entram na escola, essas crianças sofrem um estigma muito grande por parte de alguns professores que não aceitam que elas falem o chamado dialeto “portunhol”. Nesse sentido, as crianças crescem sentindo o rechaço pela sua própria língua materna e são alfabetizadas na língua de prestigio da região. Outro fato social e político a destacar é que nos últimos 20 anos houve um incremento dos meios de comunicação (TV e rádios FM) na região, isto é, com a TV a cabo, os jovens da cidade de Rivera passaram a ter mais contato com a cultura uruguaia por meio dos canais uruguaios e argentinos que antes não chegavam até a fronteira. A fronteira riverense sempre recebeu muita influência dos meios de comunicação brasileiros, da poderosa televisão brasileira, com as suas novelas, programas de Talk show etc. Nesse sentido, os jovens fronteiriços tinham uma carência muito grande de identidade, dado que os jovens que eles viam na televisão não falavam nem tinham a mesma cultura que a deles. Por tudo isso, acreditamos que, com a vinda das TVs uruguaias, os jovens como que recuperaram a sua identidade através da língua espanhola e, na atualidade, procuram falar mais essa língua de prestigio que lhes trouxe a identidade, e, por essa razão, quiçá, se resistem a empregar as formas de sujeito pleno. Esse resultado será visto também nos próximos fatores condicionantes linguísticos que analisamos.

verbal do P e do E). Quanto às formas nulas, quem lidera novamente é o grupo

C, que apresentou um maior numero de ocorrências no presente e pretérito do MI

(paradigma verbal de P e E), no presente do MS, conjuntamente com o grupo B, e

no pretérito do MS. Como vemos, esse resultado continua revelando que no PU

há uma variação estável, dado que a variável inovadora está concentrando-se no

grupo B. O grupo C é o mais conservador dos três grupos, como deveria ser, uma

vez que, conforme vimos, segundo Naro (2003), as pessoas de maior idade são

as que costumam preservar as formas mais antigas. Em relação ao grupo A,

neste fator podemos dizer que a tendência foi a de empregar mais as formas

plenas do que as nulas. No que se refere ao fator sexo, conforme apontamos na

análise, não observamos nenhuma diferença significativa, ou seja, ambos os

grupos apresentaram um comportamento equilibrado.

Quanto às desinências verbais com morfema zero, o grupo B lidera

novamente no emprego das formas plenas e apresentou, conjuntamente com o

grupo C, formas plenas junto ao morfema zero empregado nas 1ª e 3ª pessoas

do singular do imperfeito do MI e MS, no presente do MS e no futuro do pretérito e

utilizou também formas plenas junto ao morfema zero com uma forma

indeterminada Um/Un/Uno e A gente e também com a forma Nós. O grupo C

apresentou mais formas plenas no emprego da forma Tu. Em relação às formas

nulas, o grupo B se destaca também neste fator, dado que apresentou mais

formas nulas no emprego da forma Tu, conjuntamente com o grupo A, e no

emprego da forma Nós com morfema zero.

No emprego das desinências distintivas, observamos o mesmo padrão

que viemos vendo até agora, ou seja, se destaca o grupo B quanto à presença

das formas plenas com todas as desinências distintivas. No emprego das formas

nulas o comportamento entre os grupos é variado. No que se refere ao fator sexo,

novamente não observamos nenhuma diferença significativa no emprego das

desinências distintivas e de morfema zero.

Em relação aos fatores elementos adjuntos ao sintagma flexional (IP) e

na estrutura do sintagma complementizador (CP), prevalece novamente o

grupo B no emprego das formas plenas e o grupo C e B no emprego das

formas nulas no mesmo contexto. Em relação ao grupo A, cabe salientar que,

nestes dois fatores, também apresentou um maior número de formas plenas do

que nulas. Quanto ao fator sexo, ambos os gêneros empregaram mais as

formas plenas do que as nulas em ambos os contextos.

Como podemos observar até aqui, em todos os condicionantes linguísticos

que correlacionamos com o fator idade, o grupo B lidera no emprego das formas

plenas. Nesse sentido, podemos dizer que no PU há uma situação de variação

estável,

uma vez que, como já apontamos anteriormente, quando, na

correlação das variáveis, o ápice de uma variante, neste caso a forma plena,

se localiza em um grupo intermediário o processo de mudança se estabiliza.

Vimos que o grupo A tendeu a usar mais a formas nulas do que plenas em alguns

contextos e, em outros, mais as plenas do que as nulas, por conseguinte, este

resultado não confirma o que expusemos anteriormente, de que talvez no PU se

estivesse instaurando um processo de mudança inverso, ou seja, que os mais

jovens estivessem liderando uma mudança a favor do sujeito nulo.