6 Discussion
6.3 Development of International Students’ Cultural Identity
2.1.
Breve enquadramento histórico da instituição de acolhimento
A instituição de acolhimento do estágio foi o Arquivo Nacional Torre do Tombo
(ANTT). O Arquivo Nacional é um arquivo definitivo, ou histórico, que abarca conteúdo
documental de valor histórico ou cultural, que fazem parte do património cultural do país.
São, por isso, preservados, conservados e disponibilizados para consulta os fundos aí
arquivados, de modo a facilitar a investigação e a promover o acesso à informação. A
prioridade do Arquivo histórico é assegurar serviço público, assegurar a disponibilização
da documentação, bem como conservá-la, e garantir a sua integridade para a futuras
gerações (Mundet, 2001: pp. 96), e o ANTT é um dos arquivos históricos de maior valor
histórico e cultural, de Portugal.
O Arquivo Nacional da Torre do Tombo constitui o principal depositário da
documentação que fundamenta a memória coletiva de Portugal e suas colônias
ultramarinas. Nele podemos encontrar documentos do século IX ao século
XX, escritos em línguas que vão do latim ao português atual, passando pelo
árabe, persa, bengalli, chinês e utilizando suportes como pergaminho, o papel
e até folhas de palmeira.
(Neves, 1992, p. 194)
O ANTT tem quase 640 anos, e compreende mais de 1000 fundos documentais. O início
da história do arquivo remete-nos, segundo a maioria dos autores e a informação
disponibilizada no próprio site institucional do ANTT, para 1378. Contudo, existe quem
considere que a sua história começa ainda antes, até quase 100 anos antes, no reinado de
D. Dinis I.
Antes do terramoto de 1755, o arquivo – que na altura era considerado o arquivo
do rei
37– encontrava-se localizado no Castelo de São Jorge, em Lisboa, nomeadamente,
uma das torres mais fortificadas do castelo (Porto, 2013, p. 36). Após o terramoto, o
arquivo teve de se relocalizar, porque a torre onde se encontrava ruiu. Como refere
Ribeiro (2003, p.2), os livros sofreram não só danos exteriores, nas encadernações, como
37
Ver site do Arquivo Nacional da Torre do Tombo (2018). Homepage. Identificação Institucional.
Consultado a 22 de março de 2018. Disponível em: http://antt.dglab.gov.pt/inicio/identificacao-
institucional/6-2/
42
também de organização, porque as folhas se espalharam e separaram, e os documentos
não mantiveram a sua ordem original. E também não foi esta última a preocupação na
época, cujo foco se prendia com classificações não orgânicas.
Foi, no entanto, possível salvar uma parte da documentação e armazená-la no que
seria a casa da Torre do Tombo até 1990, o Mosteiro de São Bento da Saúde. Sabe-se
que, em 1892, foi transferido para a rua ao lado do mosteiro, e que as condições eram
desfavoráveis à conservação do arquivo. Desde 1990 até à atualidade, o ANTT encontra-
se na Alameda da Universidade.
O nome Torre do Tombo deriva do fundo inicialmente guardado pelo arquivo,
nomeadamente, antigo livro de Recabedo Regni, ou Tombos da Coroa, que eram livros
que continham o registo dos bens da coroa, e da sua localização. Torre por referência à
sua localização, na torre do Haver, no castelo de São Jorge, em Lisboa. Tombo por
referência ao Registo da Chancelaria Régia.
38Era um arquivo de funções régias,
sobretudo, de administrações e posses do reino, bem como relações entre reinos.
2.2.
DigitArq
O software de descrição usado pela entidade de acolhimento é o DigitArq. O DigitArq
é um software com uma estrutura que se baseia na ISAD (G), na normalização de
descrição arquivística, e que nos apresenta os campos de descrição segundo a ISAD (G)
e as ODA. No entanto, não é totalmente fiel à normalização, porque campos e divisões
hierárquicas são, em alguns casos, indivisíveis por uma classe menor, o que na ISAD (G)
é possível, por exemplo. Isto condiciona as decisões tomadas no processo de descrição,
nomeadamente, na decisão de que campos de descrição se deve preencher, de modo a que
a descrição seja eficiente e eficaz, mas não exagerada, tendo em conta os recursos de que
se dispõe.
Assenta, maioritariamente, em três normas internacionais
39: ISAD – International
Standard Archival Description; EAD – Encoded Archival Description; e OAI-PMH-
Open Archives Initiative Protocol for Metadata Harvesting.
38
Silva C. G. (2008). Lisboa Medieval: a organização e a estruturação do espaço urbano.Lisboa:
Edições Colibri.
39