• No results found

Developing, running and testing code in Ruby

5 Analysis of the result

5.1 Experiences using Ruby as prototyping language

5.1.1 Developing, running and testing code in Ruby

Para estudar o teatro vicentino e compreender as opções estéticas no ato de confecção de sua obra é indispensável a contextualização do autor e de sua época.

Não são conhecidas as datas de seu nascimento e de sua morte, entretanto, possivelmente, nasceu em 1465 e deve ter morrido entre 1536 e 1540. Escreveu em Portugal, no século XVI, período que vai de 1502 até 1536, registro da criação da última peça. Corrobora com essas informações o que escreveu Saraiva (s.d., p. 153- 4)

O que se sabe a respeito de Gil Vicente reduz-se ao seguinte: nasceu à roda de 1465; iniciou a sua actividade como autor teatral em 1502; foi colaborador do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende. Desempenhou na corte a importante função de

54

organizador das festas palacianas; em especial incumbiu-lhe a recepção de Lisboa à terceira mulher de D. Manuel. [...] O seu último auto data de 1536, e não deu mais sinal de si posteriormente a esta data. Publicou em vida algumas edições em folhetos de autos seus, e preparava uma compilação das suas obras que não chegou a concluir.

Gil Vicente é conhecido como o dramaturgo da Corte, suas peças foram escritas para serem apresentadas nas festas desse ambiente, logo, eram textos dramatizados para os reis, rainhas, nobres e indivíduos que formavam o cimo da hierarquia social portuguesa, ou ainda, para indivíduos que de alguma forma estavam ligados ao paço.

O teatro de Gil Vicente surgiu, portanto, dentro da Corte de D. Manuel I, gozou durante muitos anos dos favores da Rainha Dona Leonor que fora muito importante para a história política de Portugal no final do século XV e início do século XVI, e também para a afirmação do valor do teatro de Vicente.

Denominada a Rainha Velha, D. Leonor era irmã de D. Manuel I e esposa do antecessor deste, D. João II, e uma das pessoas responsáveis pela ascensão do irmão à coroa. Considerando os prováveis mecenas da obra vicentina, significativo destaque deve ser dado a esta rainha que, tendo apreciado muito o Auto da visitação, ou o Monólogo do vaqueiro – primeira representação teatral escrita por Gil Vicente – incentivou futuras produções do poeta. Como bem salienta Maria do Amparo Tavares Maleval (1992, pp. 171-2)

O certo é que nasceu no reinado de Afonso V, sendo, portanto, da geração de D. João II e, como tal, testemunha da grande epopeia lusa das navegações e descobrimentos. E abrilhantou com seus Autos as cortes de D. Manuel - particularmente sob a proteção da Rainha Velha, D. Leonor (viúva de D. João II) - e de D. João III, de que se documenta a doação de tenças e prêmios ao artista.

A corte portuguesa era bilíngue, utilizavam o português e o castelhano, além do latim, por isso, encontramos nos escritos vicentinos certa mistura das línguas. Confirma essa informação Saraiva (s.d., p. 156): “a corte portuguesa era bilíngue, sendo o casal régio, durante a maior parte do século XVI, português e castelhano”.

O teatro vicentino, em relação a sua estrutura formal, pode ser fragmentado em três elementos: a alegoria, a farsa e a comédia narrativa. A alegoria é a expressão de uma ideia sob forma figurada, a farsa é um gênero de origem francesa

que tem como suporte uma ação, um pequeno número de personagens enraizadas em circunstâncias reais num texto pouco extenso com objetivo satírico, destinando- se a provocar o riso através de recursos diversificados, e a comédia narrativa trata- se de textos de comédia nos quais são narradas histórias de amor de cunho cavalheiresco.

Além disso, o texto vicentino está repleto de temas, recursos e tratamentos próprios da tradição medieval. Gil Vicente apresentava diante da corte não apenas personagens que representavam a nobreza, encontram-se em suas peças personagens que representavam também segmentos sociais menos privilegiados com seus comportamentos e valores.

Apoiando-se, ainda, na afirmação de Saraiva (s.d., p. 159),

Cada personagem de Gil Vicente, com a sua linguagem típica, as suas pragas, anedotas e histórias, rezas, cantares, o seu jeito próprio de pegar no interlocutor, evoca todo mundo sobre o palco. Uma serrana que salta no tablado parece trazer consigo a serra florida, e o gado, e um folclore antiquíssimo, e o próprio vento das cumiadas .

Gil Vicente apresenta, também, toda a hipocrisia corrente, considerada como lícita e a busca desenfreada de lucro, conduta muito comum em períodos de mudanças na história.

De acordo com Massaud Moisés (2008 p. 56), didaticamente, o teatro vicentino pode ser dividido em fases:

1ª. de 1502 a 1514, sob a influência de Juan del Encina, principalmente, nos primeiros anos.

2ª. de 1515 a 1527, inicia com Quem tem farelos? e termina com o Auto das Fadas: representa o ápice da carreira dramática de Gil Vicente, neste período, acontece a encenação de suas melhores peças, dentre as quais a Trilogia das Barcas (Auto da Barca do Inferno, Auto da Barca do Purgatório, Auto da Barca da Glória.)

3ª. de 1528, com o Auto da Feira, até 1536, com a Floresta de Enganos, fase em que suas peças apresentam forte influência do classicismo renascentista. Em Compilançam de todaslas obras de Gil Vicente, Luís Vicente (1984) sugere a seguinte divisão:

1. Obras de devoção (Monólogo do Vaqueiro, Auto Pastoril Castelhano, Auto da Alma, Auto da Feira, Trilogia das Barcas);

56

2. Comédias (Comédia do Viúvo, Comédia de Rubena, Divisão da Cidade de Lisboa, Floresta de Enganos);

3. Tragicomédias (Exortação da Guerra, Cortes de Júpiter, Frágoa de Amor, D. Duardos, Templo de Apolo);

4. Farsas (Quem tem farelos?, Auto da índia, O Velho da Horta, Inês Pereira, Juiz da Beira, Farsa dos Almocreves).

Massaud Moisés (2008, p. 56) afirma que essa classificação é incompleta e arbitrária, pois mistura o teatro pastoril com o religioso, o cavaleiresco com o alegórico, separa as tragicomédias das comédias, a comédia e a farsa, quando, na verdade, só existe em grau. Gil Vicente, num documento com a data provável de 1522, provavelmente planejando a compilação de suas peças, classifica-as em três categorias, comédias, farsas e moralidades.