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Detailed results of the ICES Data Centre User Survey

In document ACE02.pdf (258.4Kb) (sider 24-28)

Léxico Ortográfico

Léxico Auditivo Linguístico Léxico Semântico

Léxico Não-linguístico Auditivo Léxico Não-linguístico Visual

Fonte: Seabra; Capovilla (2011) (adaptado pela autora)

Em suma, déficits em qualquer um dos componentes do processamento fonológico podem se refletir na linguagem escrita como um conjunto de sintomas definidos pelas seguintes características (IANHEZ; NICO, 2002; JARDINI, 2003): inversões e omissões de letras, sílabas, palavras e frases; aglutinações de palavras; trocas espaciais como b/ d, p/ q, 2/ 5, entre outros; escrita espelhada; dificuldade na soletração; troca de palavras durante a leitura, tal como mamadeira/ madeira; neografismos, como o corte na letra d; neologismos como “enfestado” para referir-se a alguém pronto para uma festa; dificuldades com memorização e com a regularidade da letra manuscrita; dificuldades na compreensão de textos e com sequências lógica, temporal e coerência; dificuldades com antônimos e sinônimos; trocas de letras e grupos consonantais baseadas na troca de sons surdos por sonoros, como p/ b ou t/ d; trocas entre os arquifonemas; trocas sonoras entre as vogais; trocas nasais e entre os grupos consonantais. Os pesquisadores também associam baixa-autoestima, desatenção e dispersão a estes sintomas (IANHEZ; NICO, 2002; JARDINI, 2003).

Os estudos acerca do processamento fonológico também têm considerado como seus componentes as seguintes consciências: a consciência sintática, que se refere à habilidade para refletir sobre a estrutura sintática da linguagem, subdividindo-a em componentes morfológicos e gramaticais; a consciência semântica, referida às habilidades para se refletir sobre os significados das palavras; e a consciência pragmática, relacionada à habilidade para refletir sobre os usos das palavras nos diferentes contextos sociais e seus sentidos e significados (CAPOVILLA; CAPOVILLA, 2006; GIUSTINA; ROSSI, 2008).

Quadro 4 – Componentes do Processamento Fonológico PROCESSAMENTO FONOLÓGICO Consciência Fonológica Memória de Trabalho Fonológica Léxico Mental Consciência Pragmática Consciência Sintática Consciência Semântica Consciência

Silábica Executivo Central Léxico Ortográfico Consciência Segmental ou Fonoarticulatória Alça Fonológica ou Componente Fonológico: ● Memória de curto prazo ● Mecanismo de reverberação Léxico Auditivo Linguístico Consciência Intrassilábica ou Suprafonêmica Esboço visual ou Componente Viso-Espacial Léxico Semântico Consciência

Fonêmica Retentor Episódico Léxico Não-linguístico Auditivo Consciência

Fônica Léxico Não-linguístico Visual

. Fonte: Seabra; Capovilla (2011) (adaptado pela autora)

Os estudos sobre o processamento fonológico concebem a aquisição e desenvolvimento da leitura por meio de um modelo denominado Dupla Rota, no qual uma destas rotas é definida como fonológica e a outra como lexical (STIVANIN, 2007; ROCHA, 2009; OLIVEIRA, 2010; GUTIERREZ, 2010; SEABRA; CAPOVILLA, 2011). De acordo com este modelo, a leitura pode ser realizada em qualquer uma destas rotas.

Segundo Seabra e Capovilla (2011), quando a leitura é realizada pela rota fonológica, primeiramente a palavra escrita é analisada pelos sistemas de análise visual e pelo sistema de reconhecimento de palavras. Se ela não for reconhecida, ela passa por um processo de segmentação e decodificação fonológica, seguida por nova combinação fonológica, para fim de ser compreendida pelo léxico. Se ela já foi ouvida antes, sua forma fonológica será buscada

no léxico auditivo linguístico. Se ainda não foi, ela não terá uma representação correspondente armazenada e será emitida de acordo com seus componentes fonológicos.

Já na rota lexical, a palavra escrita também passa pelo sistema de reconhecimento visual de palavras. A seguir, é reconhecida pelo léxico ortográfico como uma palavra e pode ser pronunciada por meio de dois caminhos: pelo sistema léxico-semântico (o leitor conhece o significado daquilo que está pronunciando) ou pela rota lexical direta (quando a pronúncia é dada de forma automática).

Os conceitos do processamento fonológico têm se popularizado de forma significativa entre pesquisadores do campo da educação e entre professores e profissionais afins, assumindo a forma de métodos de ensino como o Treino de Consciência Fonológica proposto por Seabra e Capovilla (2011) e o Método das Boquinhas desenvolvido por Jardini (2003).

Desta forma, mediante o exposto sobre o déficit no processamento auditivo (central ou temporal) e o déficit no processamento fonológico, algumas questões se colocam conjuntamente em razão da possível relação existente entre estes déficits segundo alguns pesquisadores.

Grosso modo, é possível compreender os tais efeitos destes déficits da seguinte forma: a criança ouve os sons da fala de seus interlocutores mas, em razão do déficit auditivo (central ou temporal), apresenta dificuldades em compreender o que lhe foi dito, em estabelecer relações, e construir seus conhecimentos. Estas dificuldades se revelam na oralidade e se refletem na escrita à medida que a criança não consegue estabelecer uma relação entre os sons da fala e os símbolos gráficos que os representa, não conseguindo aprender a ler e a escrever.

Conforme apresento no próximo capítulo – ‘Contraposições ao conceito de dislexia vigente’ – as interlocuções entre a criança e os sujeitos de seu meio permite que ela tenha acesso à comunicação e à oralidade por meio de diferentes formas que constituem e permitem a construção do ato comunicativo. São estas diferentes formas que permitem a compreensão e o entendimento entre os interlocutores (BAGNO, 2009; 2011).

Isto faz com que a criança tenha acesso a experiências bastante diversificadas acerca do manejo da linguagem oral, internalizando esses manejos conforme vai alcançando os significados das relações que vivencia e construindo seus sentidos. Durante a alfabetização, quando faz uso da linguagem oral no processo de mapear os significados da escrita, a criança

percebe as diferenças existentes entre a linguagem oral e a escrita, ao mesmo tempo em que percebe a influência mútua destas e a forma como esta influência implica sobre a fala. E é neste imbricado jogo que a criança caminha no processo de aquisição da linguagem escrita, fazendo experiências com o código e marcando sua escrita de maneira singular.

Neste panorama, os ditos sintomas do déficit no processamento auditivo (central ou temporal) e no processamento fonológico nada mais são do que a configuração de um exercício de experimentações com o código gráfico marcado por um complexo mapeamento dos significados por meio da linguagem oral, a qual também foi (e ainda pode estar sendo) construída pela criança por meio das diferentes formas de comunicação que assume com seus interlocutores.

Neste ínterim, a dislexia enquanto um distúrbio neurobiológico que afeta a aprendizagem da linguagem escrita desaparece e emerge a criança que está aprendendo a ler e escrever. No entanto, para que a criança possa emergir, é preciso reconhecer os processos históricos, sociais e culturais dos quais ela participa e encontra elementos que constituirão a sua subjetividade. É preciso também reconhecer quais interesses podem estar por trás das tentativas de mistificar a aprendizagem e culpar as crianças pelo fracasso no processo de aprendizagem, conforme apresento a seguir.

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