Para facilitar a caracterização do Currículo do Estado de São Paulo, identificou-se três categorias: Universalidade, Princípios Centrais e Princípios Pedagógicos.
1) Universalidade: o currículo é unificado, ou seja, o mesmo para todo o Estado. 2) Princípios Centrais: conforme apresentado pela própria proposta.
[...] o Currículo da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo tem como princípios centrais: a escola que aprende; o currículo como espaço de cultura; as competências como eixo de aprendizagem; a prioridade das competências de leitura e de escrita; a articulação das competências para aprender; e a contextualização no mundo do trabalho (FINI, 2010, p. 10). No princípio “uma escola que também aprende” a proposta é que a própria escola deve evoluir, aprendendo e reaprendendo a ensinar a todo o tempo. Que seus participantes formem uma comunidade de aprendizagem, onde haja trocas de experiências e reflexões, onde gestores dão suporte aos docentes, se tornando agentes formadores e para isso, devem aplicar as mesmas práticas de ensino que cobram que os docentes tenham para com seus alunos. Este princípio pressupõe condições de trabalho favoráveis e a existência de díades verdadeiras, conforme apontado por Bronfenbrenner (2011), fator esse de grande importância para o desenvolvimento humano.
“O currículo como espaço de cultura” é o princípio que traz sentido as ações realizadas na escola e as colocam dentro de um contexto e a serviço dos participantes deste contexto. A cultura é criada na escola a cada atividade curricular e toda atividade, deve ser curricular. “Currículo é a expressão do que existe na cultura científica, artística e humanista transposto para uma situação de aprendizagem e ensino” (FINI, 2010, p. 11). Neste princípio, percebe-se a visão de ser humano integral, situado em um macrossistema e também em um microssistema em que as coisas acontecem, onde se dão as interações, sempre transpassadas pelas influências deste macrossistema.
Para o princípio “as competências como referência” o destaque é sobre uma mudança de paradigma, onde gestores e professores deverão construir uma nova visão, a de que o foco
da educação moderna recai sobre o que os alunos irão aprender e não, sobre o que os professores irão ensinar. Isto significa que, processos como planejamento e execução de aulas não devem partir de uma lista conteúdos a serem ensinado, mas sim da percepção do aluno, com suas características diversas, pensamentos e habilidades que, na relação, serão mobilizadas a fim de criar um conjunto mínimo de competências, ou, conforme Perrenoud (1999b), de esquemas complexos, que os deixem prontos para atuarem na sociedade.
O princípio “prioridade para a competência da leitura e da escrita” representa a importância da comunicação para a formação de cidadãos, tornando os alunos capazes de utilizarem eficazmente a língua em situações diversas.
“Articulação das competências para aprender” significa preparar os alunos para que aprendam a aprender, característica fundamental nos dias de hoje, onde as mudanças são muito rápidas, o ambiente muda, os conhecimentos mudam e a forma de interagir com o mundo também muda. Por isso, todos devem continuar aprendendo, mesmo depois de saírem da escola.
“Articulação com o mundo do trabalho” princípio que enfoca a preparação para o trabalho por meio de construção de competências básicas.
3) Princípios Pedagógicos: conforme proposta
A maneira como o aluno é envolvido no processo de aprendizagem em Biologia é determinante para o estímulo e a manutenção do interesse em
aprender. Por esta razão, é necessário promover uma “aprendizagem ativa”,
por meio de atividades significativas, que ultrapasse a memorização e a mera
observância de receitas para pretensamente “descobrir” princípios biológicos
(FINI, 2010, p. 71).
Junto ao modelo de aprendizagem ativa a proposta curricular busca promover discussões, permitindo que os alunos construam sua compreensão do tema, criem modelos explicativos e conduzam uma linha de argumentação a respeito do tema. Para isso, utilizarão uma variedade de linguagens e recursos e estarão aptos a explorar o meio natural e social.
Com o estabelecimento deste princípios curriculares, surge o desafio de implementá- los, em todas as sala de aula da rede estadual. Como instrumento de apoio a implementação, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo disponibiliza para professores e alunos os cadernos didáticos de apoio ao currículo.
Para cada disciplina, foi criado um conjunto de cadernos, um para cada bimestre de cada ano do ensino médio. Assim, a disciplina de Biologia, por exemplo, possui quatro
cadernos do professor para cada ano do ensino médio, além de quatro cadernos do aluno para cada ano, ou seja, são doze cadernos do professor e doze cadernos do aluno.
O Caderno do Professor propõe diversas situações de aprendizagem e dicas ao professor para a aplicação de atividades que levam o aluno a compreender determinados objetivos de aprendizagem existentes no currículo. Já, o Caderno do Aluno, possui as mesmas atividades propostas no Caderno do Professor, porém aqui estão formatadas para o aluno, que pode realizar anotações e fazer exercícios.
Em geral, as situações de aprendizagem constituem-se como um plano de aula e possuem uma ficha técnica, contendo: tempo previsto para a aplicação da atividade, conteúdos e temas abordados, competências e habilidades que serão trabalhadas, estratégias de ensino, recursos necessários e forma da avaliação. Estas situações de aprendizagem estão organizadas em cinco etapas, conforme indicado no próprio Caderno do Professor.
Basicamente, são cinco etapas no processo de aprendizagem de um conteúdo:
1. Conhecer as pré-concepções dos alunos sobre o tema que está em
estudo.
2. Provocar um desafio para que o aluno repense suas representações e as
questione.
3. Estimular a busca de dados para que o aluno tire conclusões.
4. Sistematizar os conteúdos, organizando-os.
5. Avaliar o processo de aprendizagem.
(FINI, 2009b, p. 9).
Os cadernos foram construídos com base nos princípios e conteúdos do novo currículo do Estado de São Paulo e devem servir como apoio ao trabalho do professor. Portanto, ao realizarem o plano de aula, o professor delineia como serão suas aulas, que recursos didáticos irá utilizar e que estratégias de ensino irá aplicar. Neste momento, as propostas de atividades existentes nos cadernos podem ser incluídas no plano de aula.
Os planos de aula são muito particulares, mas isso não significa que eles estejam descolados dos planos de curso e planos de ensino.
Uma vez definidos os planos de ensino por séries (anos)/bimestres, os professores devem articular os procedimentos de sua aplicação em situações explícitas de aprendizagem em sala de aula (MURRIE, 2010, p. 10).
Os Cadernos do Professor fazem isso com muito critério. Alguns livros didáticos apresentam também essa organização. Mas é de responsabilidade da escola e de seus professores a organização final dos planos de aulas. Em algumas escolas é prática comum a análise e o acompanhamento semanal, pelos coordenadores pedagógicos, dos planos de aula dos professores. O objetivo final é maximizar a aprendizagem do aluno (MURRIE, 2010, p. 11).
Há também o Caderno de Orientações para professores da Educação de Jovens e Adulto (EJA) com roteiros que adequam o conteúdo do Caderno do Professor e do Aluno às características da EJA. “Roteiros foram desenvolvidos para adequar o conteúdo do ensino regular às especificidades e necessidades dos estudantes desse nível de ensino” (SÃO PAULO/SEE, 2011).
Por fim, tem-se o Caderno do Gestor destinado aos diretores, gestores, assistente técnico-pedagógicos, professores coordenadores e supervisores, este possui informações de como auxiliar o corpo docente e preparar a escola para a implementação da nova proposta curricular. Também foram criados outros instrumentos para que gestores e professores garantam que o currículo seja cumprido da forma em que foi proposto: a Proposta Pedagógica da Escola, o Plano de Gestão e o Plano de Aula.