6. Presentasjon og drøfting av resultater
6.4 Det levde liv
Encerramos a seção anterior afirmando que a Física é uma atividade humana e é a este aspecto que voltaremos nossa atenção com maiores detalhes.
Para o idealista o mundo é fruto da consciência do homem sobre ele; para o materialista ingênuo o mundo pré-fabricado é que determina o pensamento o pensamento humano. Mas para o materialismo dialético? Quem determina quem? A realidade e o pensamento humano determinam-se reciprocamente.
A fo a pela ual os ho e s p oduze seus eios de ida depe de sobretudo da natureza dos meios de vida já encontrados e que eles precisam reproduzir. Não se deve, porém, considerar tal modo de produção de um único ponto de vista, ou seja, a reprodução da existência física dos indivíduos. Trata-se muito mais de uma forma determinada de atividade dos indivíduos, de uma determinada forma de manifestar sua vida, um modo de vida determinado. Tal como os indivíduos manifestam sua vida, assim são eles. O que eles são coincide, portanto, com sua produção, tanto com o que produzem, como o modo como produzem. O que os indivíduos são, por conseguinte, depende das condições materiais de sua p oduç o (MARX & ENGELS, 2005, p. 44).
Na perspectiva do materialismo dialético existe uma realidade que independe do ser humano, por exemplo, quando se afirma que a Terra originou-se muito antes da existência humana, ou que os dinossauros existiram e foram extintos antes dos seres humanos tivessem consciência da existência deles. Ressaltamos a utilização do artigo i defi ido u a – u a ealidade; e o o a tigo defi ido a - a realidade. Estamos afirmando que a realidade, em si, não é absoluta, não é única, mas se manifesta em suas múltiplas facetas. Existe um aspecto da realidade que independe do ser humano, mas a atividade humana é que determina a complexidade do real apreendida pelo pensamento humano, ao passo que a realidade dialeticamente determina a existência humana.
Para Lênin:
O ho e te dia te de si u a ede de fe e os da atu eza. O homem instintivo, primitivo, não faz distinção entre si e a natureza. O homem consciente o faz, e as categorias são níveis dessa distinção, i.e., são níveis de conhecimento do mundo, pontos de confluência na
rede, que ajudam a conhecê-la e dominá-la LÊNIN apud KOPNIN, 1978, p. 91).
Neste sentido, ao tomar consciência da realidade dos fenômenos que o cerca, o homem vai se constituindo como um ser práxico, capaz de conhecer e dominar os fenômenos por meio de sua atividade e de atribuir sentidos ao mundo. Bakhtin vem afi a ue ada a po de iati idade ideol gi a te seu p p io odo de o ie taç o pa a a ealidade e ef ata a ealidade sua p p ia a ei a BAKHTIN, 2006, p. 31.). A física, a química, a biologia etc. então, constituem campos de atividade ideológica refletindo e refratando a realidade da sua própria maneira, constituem-se como uma esfera ideológica com suas linguagens, suas práticas, seus participantes, seus rituais, suas crenças, como os estudiosos do campo da sociologia da ciência tem encarado a comunidade cientifica (LATOUR & WOOLGAR, 1997). É desta maneira então que entendemos a ciência e seus conceitos como produtos ideológicos, signos que somente possuem significados quanto mergulhados numa ideologia. Segundo Marx e Engels:
A p oduç o das id ias, das ep ese taç es e da o s i ia est , a princípio, direta e intimamente ligada à atividade material e o comércio material dos homens; ela é a linguagem da vida real. As representações, os pensamento, o comércio intelectual aparecem aqui ainda como uma emanação direta de seu comportamento material. O mesmo acontece com a produção intelectual tal como se apresenta na linguagem da política, nas leis, da moral, da religião, da metafísica etc. De um todo um povo. São os homens que produzem suas representações, suas idéias etc., mas os homens reais, atuantes, tais como são condicionados por um determinado desenvolvimento de suas forças produtivas e das relações que a elas correspondem, inclusive as mais amplas formas que estas podem tomar. A consciência nunca pode ser mais que o ser consciente; e o ser dos
ho e s o seu p o esso de ida eal MARX & ENGELS, , p. 51).
Assi , a ealidade Físi a o os dada pela si ples o templação do concreto sensório, do primitivo que nos é apresentado sem a mediação do pensamento teórico objetivado pela história da humana, sobretudo, pelo pensamento científico anterior. É por meio da atividade produtiva do homem que a realidade Física é objetivada e é capaz de abrir novos caminhos para a evolução do pensamento. Lembramo-nos das categorias empírico e teórico que determinam-se reciprocamente e o acesso àquilo que é empírico no atual estágio de desenvolvimento é devido ao pensamento teórico acumulado pela experiência humana passada. Como nos aponta Vázquez:
Os p o le as filos fi os fu da e tais t ue se fo ulados e relação à atividade prática humana, que passa assim a ter a primazia não só do ponto de vista antropológico - posto que o homem é o que é em e pela práxis - , histórico - posto que a história é em definitivo, história da práxis humana - , mas também gnosiológica - como fundamento e objetivo do conhecimento, e critério de verdade - e ontológico - visto que o problema das relações entre o homem e natureza, ou entre o pensamento e o ser, não pode ser resolvido à
a ge da p ti a VÁZQUEZ, , p. .
Isto significa que o ser humano constitui-se por meio de sua atividade práxica, e não simplesmente por meio de uma prática no qual o pensamento teórico não desempenha nenhum papel – a prática pragmática, utilitarista. É na práxis que os problemas fundamentais científicos podem originar-se e a física pode constitui-se como um modo de ser no mundo e entendida como uma resposta aos problemas relacionados à existência material humana.
Por problemas entendemos:
... a uilo ue o foi ap ee dido pelo ho e as ue necessário apreender. (...) No entanto, não é todo o não-conhecido que constitui o problema científico, que não é simplesmente um não conhecimento, mas um conhecimento do não conhecimento. Não se escolhe como problema qualquer objeto que o pesquisador queira conhecer, o que este objeto constitui, as leis a que ele se subordina, mas só um objeto sobre o qual o conhecimento é realmente possível sob as condições vigentes. (Kopnin, 1978, p.230).
Aqui novamente entendemos que a realidade não nos é dada simplesmente pelo contato dela com o sujeito cognsocente. Nem tampouco a sua característica de problemática é-nos dada independente da atividade produtiva – a categoria problema surge do contínuo desvelar das relações materiais que se apresentam ao homem e que determinam reciprocamente sua capacidade conhecer-produzir a realidade. É neste sentido que a Física se torna a resposta para muitos problemas humanos, ao passo que suscita uma infinidade de outros. Compreender a Física como manifestação humana no mundo e de compreensão da realidade (e na criação dela) traz consequências importantes sobretudo para o ensino de ciências, que tem sido dogmático e que vê e propaga a ciência como a-histórica e portanto longe da vida que se vive. Porém, é importante ressaltar que em determinadas situações, a ciência tem se constituído como produtora e reprodutora de uma estrutura alienada tipicamente capitalista e que serve aos propósitos de capital - do lucro e da manutenção de relações de exploração - ao invés da promoção da emancipação humana, que deveria ser inerente a toda atividade não exploratória.