5.4 Refleksjon rundt gjennomføring av masterprosjektet
5.4.3 Erfaringer
Pronunciado na cerimônia de “Distribuição de Prêmios” do Colégio São João, no encerramento do ano letivo, dia 04 de agosto, de 1880, o objetivo deste discurso é demonstrar “o que a religião acrescenta às amáveis virtudes da infância”32. A acusação em voga na imprensa e nas tribunas da Câmara, naquele ano, era que “a moral cristã é imperfeita”33 e que “a educação cristã não é adequada para produzir a virtude”34. Dehon se propõe a comparar os princípios da moral cristã com os relatos concretos de virtudes cultivadas por alunos de
28 OSC IV, p. 315.
29 Sobre a relação de Leão XII com a obra de Léon Harmel: G.GUITTON, Léon Harmel, pp. 202-226. 30 OSC IV, p. 319. Ao falar das missões no Congo exalta a obra de alfabetização dos “padres jesuítas”. 31 OSC IV, p. 320.
32 OSC IV, p. 270. O registro deste evento está em L’Aigle de Saint-Jean 102 (1880) pp. 817-819. 33 OSC IV, p. 332.
escolas católicas, recolhidos em uma espécie de “Livro de Ouro”35. Diante das acusações, reveste sua defesa de um caráter explícito de reparação.
Pela primeira vez o próprio bispo local presidiu a cerimônia. Em fevereiro daquele ano, Leão XIII havia publicado a Encíclica Arcanum divinæ sapientiæ36 sobre o matrimônio cristão e contra o divórcio. As leis de Jules Ferry avançavam na direção de laicizar o ensino. O principal alvo eram os jesuítas. Assim como no ano anterior, Dehon acompanha atentamente a evolução das leis discutidas e aprovadas na Câmara. O “Ministério da Instrução” já se encontrava totalmente laicisado. A situação era, de fato, muito delicada. Em 29 de março de 1880, Jules Ferry havia conseguido aprovar os decretos que acabariam por expulsar os jesuítas após três meses. Todas as Congregações “não autorizadas” corriam o mesmo risco. Mas a situação não era pacífica. A Igreja e um grupo de magistrados reagiam contra este tipo de postura do governo. Dehon vivera estes meses de angústia, apesar de sua Congregação ser pequena, pouco numerosa e não ser facilmente percebida, escapando de ser alvo de perseguição. De qualquer maneira, estas circunstâncias o fizeram decidir em transportar o Noviciado para outro país na primeira oportunidade37. É compreensível que o discurso comece com estas palavras:
No intervalo de um ano, o laço que nos une sofreu mais de um golpe. O erro e a ignorância tentaram desfazer esta unidade: pais e mães que confiam no ensino cristão. Quantas vozes procuram fazer vacilar vosso sentimento. O ataque é constante na força e varia na forma. Nós aproveitamos a ocasião desta festa anual para dispersar as nuvens que levantam os inimigos;
proclamamos juntos a nossa fé e renovamos o nosso entusiasmo38.
O discurso é bastante simples, na mesma linha de argumentos que Dehon utilizara nos anteriores. Demonstra que as virtudes da infância encontram, na fé e na educação cristã, uma sólida base para se desenvolver. Segundo ele, as principais virtudes que fazem a “perfeição da infância” são a piedade, o afeto, a caridade, o respeito e a pureza. Inicia mostrando como estas virtudes estão presentes em tantos santos e mártires que marcam a história do cristianismo.
35 Dehon recolheu biografias de alunos virtuosos publicadas por Colégios Eclesiásticos de Nîmes, Toulouse,
Poitieurs e outros. Cf. NHV XIV, p. 9; OSC IV, p. 325, nota 1.
36 ASS 12 (1879) pp. 385-402. Dehon faz a seguinte consideração sobre esta Encíclica: “Não é ao Estado,
mas à Igreja, que pertence o direito de legislar sobre o matrimônio cristão”. NHV XIV, p. 12.
37 NHV XIV, p. 13. De fato, em julho de 1880, foram fechadas 261 casas religiosas e expulsos 5.643
religiosos da França.
Porém, depois se volta para os exemplos concretos do cotidiano para mostrar que os alunos das escolas cristãs recebem uma educação que os habilita a viver estas virtudes.
A piedade é própria de quem é educado em um ambiente de fé e de oração. Conforme o pensamento de Dehon, o ambiente de piedade conduz a um afeto saudável que se manifesta tanto no cultivo de amizades como no carinho para com seus pais e para com as pessoas mais idosas. Sobre o cultivo da caridade para com os pobres, o discurso de Dehon é intencionalmente breve e claro: “Somente as casas de educação cristã conhecem as associações de caridade através das visitas às famílias necessitadas e dos sacrifícios diários feitos em seu favor”39. Sabemos que as Conferências de São Vicente de Paulo ocupavam um lugar importante na educação oferecida no Colégio São João.
O argumento seguinte é que uma vida religiosa, vivida na piedade, caridade e afeto, conduz necessariamente à virtude do respeito. Dehon destaca a importância de reconhecer o valor da autoridade e de respeitar a hierarquia, seja na família, na Igreja ou na sociedade. Ali nascem outras virtudes complementares como a confiança, a docilidade, o hábito do trabalho, a seriedade e a força do caráter.
O discurso termina com a demonstração de que a fé cristã estimula a virtude da pureza, desejável para o desenvolvimento saudável de uma criança, adolescente e jovem. Ele lamenta uma “educação indiferente”, que desvincula a formação do caráter do ensino das ciências e que, em nome de uma “liberdade”, deixa o adolescente sozinho, sem os auxílios que a educação cristã poderia oferecer para superar as dificuldades próprias desta idade.
Segundo Dehon, a fé cristã, longe de deixar o jovem enfraquecido, o fortalece na virtude. Uma Educação Integral precisa pensar seriamente o modo como são transmitidos os valores e como se formam as virtudes. Isto tem incidência sobre a vida moral do jovem. Pensar uma educação que ignore a formação para as virtudes é fragmentar o ser humano, reduzindo-o a apenas uma parte de seu ser, seja a inteligência teórica ou prática. A crítica de Dehon nos leva a pensar na forma como a escola pode educar para valores como a paz, a solidariedade, a justiça e a tolerância. No mundo violento e intolerante em que vivemos esta perspectiva de uma educação para as virtudes é necessária e urgente.
39 OSC IV, p. 329. Parte do discurso, o início e a conclusão, está registrado nas Memórias: NHV XIV, pp. 88-