KAPITTEL VIII: AVSLUTNING – MILITÆR PROFESJONSIDENTITET I EN TID MED
8.2 Vurdering av funn mot Forsvarets omstilling
Uma sociedade de iguais, como imaginam os socialistas, foi idealizada desde o século XVI, com Thomas Moore (Utopia) e Campanella (Cidade do Sol). No século XVIII, o movimento dos niveladores, constituído de artífices e pequenos proprietários, pertencentes ao exército de Cromwell, reivindicaram uma igualdade econômica e o direito de participação da lei por meio de representantes.
No século XVIII, a grande massa que realizou a Revolução Francesa ficou frustrada quando a burguesia resolveu exercer o poder sozinha, dando origem à primeira ideologia comunista, com Gracchus Babeuf, cujo princípio fundamental foi a igualdade, levado até às últimas consequências com a ideia de abolição da propriedade privada e servindo de bandeira de luta dos socialistas utópicos.
No século XIX surgiram várias mudanças sociais que alteraram o quadro social: expansão da economia, passagem à grande indústria e ao capitalismo monopolista, nascimento das organizações e do proletariado. Concomitantemente, observando as explorações do sistema capitalista, surgem teóricos que vão propor uma sociedade mais igualitária, as quais são denominados por Marx e Engels de socialistas utópicos que se contrapõem ao socialismo científico. Na França destacam-se: Saint-Simon, Fourier, Proudhon, Louis Blanc e Auguste Blanqui.
Para Saint-Simon (1760-1825), a sociedade divide-se em: os industriais, que intervêm diretamente na produção dos bens, e os ociosos, antigos privilegiados da nobreza e do clero,
70 Abordagem político-filosófica para a política dos EUA. A favor do livre mercado, a presença do Estado
Mínimo, combina princípios do conservadorismo e objetivismo (Disponível em: www. Wikipédia. org/neolibertarismo).
que vivem da renda da terra. Simon cria um plano cujo objetivo era melhorar a sorte da classe mais numerosa, mais pobre. Fourier (1772-1837) fez uma crítica muito grande ao sistema capitalista. Tinha como plano criar um falanstério71, proposta que não pode ser confundida com o comunismo. Respeitava a herança e achava natural ter ricos e pobres. Proudhon (1809- 1865) desconfia do Estado, tem aversão a qualquer tipo de autoridade e à burocracia. Propõe uma sociedade anárquica em que o poder político deverá ser substituído por livres combinações entre trabalhadores.
No socialismo inglês destaca-se Owen (1771-1858), o qual deseja uma reforma profunda na sociedade. É com ele que aparece a ideia de que o trabalho gera riqueza, e que esta não é usufruída pelo trabalhador, e sim extorquida.
O socialismo foi esboçado por Karl Marx nos manuscritos Econômico-Filosóficos, redigidos em 1844, em que ele escreve sobre um socialismo humanista, preocupando-se com a alienação do homem e sobre a compatibilidade ou não deste humanismo com o marxismo posterior. No Manifesto do Partido Comunista, publicado em 1848, Marx e Engels expressam uma teoria da revolução socialista proletária. A crítica de Marx aos socialistas utópicos se dá no sentido de não perceberem a importância do movimento histórico da sociedade.
Os fundadores desses sistemas compreendem bem o antagonismo das classes, assim como a ação dos elementos dissolventes da própria sociedade dominante. Mas não percebe no proletariado nenhuma iniciativa histórica, nenhum movimento político que lhe seja próprio. (MARX; ENGELS, 1963, p. 58).
A burocracia no Estado Socialista está relacionada à parte administrativa do Estado nos países em que predominam o socialismo. Deutscher (1960) analisa que o fortalecimento da burocracia como grupo social, distinto nos países capitalistas, está voltado para o período de declínio do aparelho estatal nos combates enfrentados.
Quando nas sociedades burguesas mais desenvolvidas, as lutas sociais chegam a uma espécie de impasse quando as classes em luta adormecem, prostradas por combates sociais e políticos esgotantes, então a direção política passa quase que automaticamente, para as mãos da burocracia. (DEUTSCHER, 1960, p. 11).
Nesse caso, a burocracia impõe o seu poder no funcionamento do Estado. Com base nesta análise, o desabrochar da burocracia de Estado se deu quando o feudalismo estava
71 pequena unidade social organizada de acordo com a natureza humana, abrangendo de 1.200 a 5.000 pessoas
enfraquecido e o capitalismo não era forte o suficiente para dominar. Tal processo de enfraquecimento das lutas de classe deixou abertura para que a monarquia agisse livremente. O autor ressalta que esse caso foi diferente na Rússia, pois a grande força do Estado e da burocracia foi consequência do subdesenvolvimento das duas camadas sociais, onde nem o feudalismo nem a burguesia tiveram poder para atingir o Estado.
Dessa forma, a burocracia foi considerada como classe que se coloca acima do Estado, como afirmou Marx. Então, os socialistas vão propugnar a sua não existência no socialismo, a exemplo de Engels (1971) que ao escrever no Anti-Dhuring, apontou para a inexistência da burocracia nesse sistema de governo: “O proletariado apodera-se do poder do Estado e transforma-se, lentamente, os meios de produção, em propriedade do Estado. Nesse caso, destrói a si próprio como proletariado, suprime todas as diferenças e antagonismos de classe” (ENGELS, 1971, p. 343).
Se o Estado existe nas sociedades capitalistas como meio de opressão das classes trabalhadoras, no socialismo ele se torna supérfluo por não haver necessidade de exploração, pois não haverá subjugação entre o homem e o trabalho. A burocracia serviria para a administração das coisas, pois devido ao desenvolvimento desse Estado, os seus bens deverão ser administrados sem a exploração de uma classe sobre a outra.
Na Comuna de Paris, Marx observou alguns cuidados para que a burocracia não se tornasse uma classe poderosa acima da sociedade. Nesse sentido,
Estimulava a descentralização, no seu próprio seio, através dos mairies, as subprefeituras, que continuavam responsáveis pelas funções de abastecimento e defesa, e através de diversas comissões, que em primeiro momento são representações da Comuna, embora tenha tentado também fazer o universo: fazer com que a Comuna fosse um apêndice – ao estilo de uma Assembléia Geral de delegados – das comissões comunais, que, de fato eram os órgãos que herdavam as tarefas “ministeriais”: educação, justiça, trabalho, finanças etc. (GONZÁLEZ, 1989, p. 80-81).
Outros aspectos a serem notados por Marx na Comuna foi a criação de eleições gerais, a destituição do exército, a substituição da milícia popular. Todos os funcionários deveriam ganhar o mesmo salário. Assim, acabariam os privilégios de classe, e com eles, a burocracia. Na análise deutcheriana sobre Engels, havia um menosprezo aos perigos da burocracia, pois considerava a revolução socialista uma abundância de bens para todos os membros da sociedade, garantindo-lhes o desenvolvimento e o exercício das aptidões físicas e intelectuais. O Estado exerceria apenas a ditadura do proletariado, cujo objetivo era representar os
interesses não de uma minoria, mas de uma massa de trabalhadores, os verdadeiros produtores das riquezas da sociedade.