oppstilling over endringer i egenkapital
Note 14 Det internasjonale valutafondet (IMF)
Esta modificação seguinte do procedimento construtivo pode ser compreendida, fundamentalmente, como um resultado da necessidade imanentemente determinada de renovação da substancialidade – renovação estética da resistência objetiva e do momento expressivo, no procedimento compositivo. “Pois, para que a síntese da construção tenha êxito ela deve, apesar de toda a aversão, ser escolhida entre os elementos que em si mesmos jamais obedecem puramente ao que lhes é imposto”.161 Daí sua fixação pelas deformidades
anteriormente ignoradas e/ou interditadas, porque excepcionalmente resistentes à formalização, pela construção perspectivística; e quando estas deixaram de ser suficientes, pela produção deliberada do “choque”, a partir do corte e aproximação inusitada de elementos da realidade, individualmente já assimilados, pelo esforço representativo dos tantos séculos anteriores. Aliás, a censura adorniana à montagem está relacionada justamente com a requentada substancialidade desse procedimento – da “produção do inassimilado”, a partir de elementos assimilados.
“A montagem... lida com elementos da realidade do entendimento humano indiscutivelmente são, para lhes impor uma tendência diferente ou despertar, nos casos mais conseguidos, a sua linguagem latente. No entanto, ela é impotente, na medida em que não faz explodir os próprios elementos. Haveria mesmo que censurar-lhe um resto de irracionalismo complacente, adaptação ao material que, já pronto, é fornecido à obra a partir de fora.”162
O que Adorno parece perceber é que o corte e disposição dissonante dos materiais, pela montagem, não seria suficiente para provocar uma intensificação qualitativa do estado da produção e modificação estética desses materiais, objetivamente necessária, uma vez que partia da mesma intencionalidade representacional – ou seja, da mesma relação entre sujeito e objeto estéticos – observada na composição. Em todo caso, observe-se que a montagem talvez tenha sido bem sucedida, porque adequada ao estado das forças produtivas estéticas, em mais ocasiões do que Adorno está disposto a admitir. Ao menos enquanto a concessão desse resquício de substancialidade representacional aos materiais estéticos pôde corresponder
161 ADORNO, 2006, p. 73. 162
a um resquício (concedido à subjetividade extraestética pelo “corpo social”163) daquela
individualidade soberana, clássico-liberal, intimamente significativa; antes que se radicalizassem os mecanismos de liquidação do sujeito, sob a realidade extremamente impositiva do capitalismo industrial tardio, como destacamos na introdução deste capítulo.164
3.4.3. CONSTRUÇÃO
Na construção, propriamente dita, o momento racional está definitivamente constituído e hipertrofiado. Portanto, a subjetividade encontra-se radicalmente autorreferida, e a objetividade radicalmente modificada – agora sim reduzida a mero “material”, desprovido de qualquer resistência e referência (direta) significativa à realidade empírica –, no interior da esfera estética. Reproduzindo-se então, esteticamente, a instauração totalitária da racionalidade. E como à mais extrema dessubstancialização dos materiais estéticos – o antigo valor das suas qualidades sensíveis é substituído pelo “ideal do negro na arte” – corresponderá, necessariamente, o mais extremo direcionamento autorreferente da atenção subjetiva, a própria racionalidade tornar-se-á, no interior da esfera estética, uma espécie de nova realidade substancial, a ser assimilada. Ou seja, na construção, a subjetividade determinar-se-á enquanto expresse (o absurdo) da própria racionalidade (estética) totalitária, por um lado... E enquanto corrija e pacifique essa racionalidade totalitária, por outro lado, restaurando sua efetiva dialeticidade: uma vez que, não podendo recorrer a nenhum princípio de determinação prévia e exterior, exatamente por seu plus, obrigar-se-á (a racionalidade subjetiva intraestética) a constituir-se, de cada vez, apenas através das indicações, únicas disponíveis, dos materiais intraestéticos – restituídos, por sua vez, em sua substancialidade, ou seja, novamente resistentes, porquanto seus materiais, agora infinitamente disponíveis e
163 “A ponta que arte volta para a sociedade é, por seu turno, algo de social, reação contra a pressão opaca do
'corpo social'; tal como o progresso intraestético, progresso das forças produtivas, especialmente da técnica, está ligado ao progresso das forças produtivas extraestéticas”. (Ibid., p. 46.)
164
Daí, por exemplo, a irresistível (por isso “demoníaca”) construção do moderno a partir de citações, em Baudelaire; cujo procedimento literário, acredito, seja identificável com a “montagem”. (cf., a respeito,
Ciência e Poesia da Citação no Trabalho das Passagens. em: OEHLER, Dolf. Terrenos Vulcânicos.
modificáveis, autonomamente determináveis, por isso mesmo já não oferecerão qualquer indicação substancial heterônoma (representacional, pseudo-substancial ou utilitária) para a determinação do procedimento compositivo. “Unívoca ou ambígua, esta lei é estabelecida pelo nascimento de toda obra [radicalmente autônoma e construtiva]; qualquer uma, em virtude da sua constituição”,165 obrigará a racionalidade subjetiva estética a tal
condicionamento e correção, materialmente determinados.
*
Corroborando aquela já citada tese adorniana, de que “a ponta que arte volta para a sociedade é, por seu turno, algo de social, reação contra a pressão opaca do 'corpo social'”166,
pode-se sugerir, por fim, uma correspondência entre esses três estados da construção
(composição, montagem e construção, propriamente dita), e os estágios correspondentes da
intensificação da modificação e fragmentação do sentido unitário da substancialidade representativa dos materiais estéticos; e os três seguintes estados básicos da categoria do “sujeito” moderno, considerada conforme a síntese proposta por Stuart Hall (desde que descontemos algo do seu otimismo, que o faz, no final das contas, encontrar um grande potencial emancipador na própria desagregação do sujeito moderno):167
“[1º]O 'indivíduo soberano', [surgido] entre o Humanismo Renascentista do século XVI e o Iluminismo do século XVIII... centrada em dois significados distintos: o sujeito é 'indivisível – uma entidade que é unificada no seu próprio interior e não pode ser dividida além disso; por outro lado, é também uma entidade que é 'singular, distintiva, única'... [da qual] as formas da sociedade eram derivadas. (…)
[2º] O sujeito sociológico... [cada vez mais] formado subjetivamente através de sua participação em relações sociais mais amplas; e, inversamente, do modo como os processos e as estruturas são sustentados pelos papéis que os indivíduos neles desempenham.
(…)
[3º] O sujeito desagregado... produto da primeira metade do século XX, quando um quadro mais perturbado e perturbador do sujeito e da identidade estava começando a emergir dos movimentos estéticos e intelectuais... a figura do indivíduo isolado,
165 Ibid., p. 123. 166
Ibid., p. 72.
167 HALL, Stuart. A Identidade Cultural na Pós-Modernidade. Tradução Tomaz Tadeu da Silva, Guacira Lopes
exilado ou alienado, [diante de uma mecanismos sociais desagregadores].”168
Fiquemos por aqui.
Desejando retomar logo, o trato sistemático destes elementos conceituais.
168
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