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7.2 Kommentarer til artiklene
8.1.2 det første designet (vedlegg I)
Embora cientes da importância da SAE na organização do serviço de enfermagem, o processo de implantação, assim como a escolha de um referencial teórico e de uma metodologia adequada, na prática, ainda carece de estratégias e subsídios/evidências operacionais eficazes e comprometedoras, capazes de nortear um novo perfil assistencial.
Tem-se percebido, empiricamente, uma dicotomia entre ensino e prática de trabalho nas instituições, gerando inseguranças e descrédito nos estudantes e profissionais em carreira, uma vez que muitas situações de ensino se situam no nível do ideal, sistematizado, buscando a qualidade, enquanto os serviços deixam de atentar para estas condições (ANDRADE; VIEIRA, 2005).
A falta de relação entre os conceitos teóricos e a prática profissional cria uma dissonância e gera conflitos na assistência de enfermagem no que se refere ao uso da metodologia que, ao ser aplicada, se torna de modo fracionada e distorcida dos princípios teóricos (TEIXEIRA; PAIM; SANTO, 2004).
A formação acadêmica dos enfermeiros, muitas vezes contribui para que estes não busquem nem apliquem uma assistência sistematizada, pois durante aulas práticas, pode- se perceber uma preocupação maior, tanto por parte de alguns docentes, quanto pela maioria dos alunos, em adquirir habilidades técnicas. Assim, deixam de levantar os problemas de enfermagem do paciente e de planejar os cuidados, ficando a assistência,
neste caso, limitada a ações isoladas no decorrer de suas atividades (ANDRADE; VIEIRA, 2005).
Para o desenvolvimento da SAE, muito mais do que competência técnica, é preciso que os enfermeiros tenham sensibilidade para captar as necessidades emergentes, habilidade para empreender e estimular ações inovadoras e, principalmente, conhecimento e capacidade estratégica para envolver e comprometer, criativamente, os demais profissionais da equipe de saúde (TEIXEIRA; PAIM; SANTO, 2004).
A lei do exercício profissional (no 7.498/ 1986), prevê como atribuição do enfermeiro ligada à metodologia da assistência de enfermagem o desenvolvimento da SAE, porém mesmo com respaldo legal para a execução da metodologia da assistência, poucos efeitos têm-se observado no cotidiano da prática.
Hermida e Araujo (2006), relatam que um trabalho de fiscalização do COREN- SP nas instituições de saúde do Estado, após investimento desse órgão em capacitação dos enfermeiros para a realização da SAE, revelou que 65% das instituições não souberam como implantar a SAE, 38% estavam em fase de implantação, em 15% houve relutância e/ou impedimento dos profissionais de saúde e em 10% houve impedimento por parte da instituição para o desfecho desta (HERMIDA; ARAÚJO, 2006).
Teixeira, Paim e Santos (2004), colocam como dificuldades para o desenvolvimento da SAE as condições de trabalho do enfermeiro, tais como: desproporção enfermeiro/leito, ausência de uma filosofia de trabalho, distorção entre a formação e a prática, problemas referentes às atribuições do enfermeiro, preocupação em conceder uma assistência de qualidade, sobrecarga de trabalho.
Backes e Schwartz (2005), acrescentam que as resistências mais comuns para a implementação da SAE são os próprios profissionais de enfermagem, ou seja: os profissionais com mais de dez anos de formados em virtude do desestímulo a criação de estratégias ousadas, e para os profissionais com poucos anos de formação, associadas à inexperiência e despreparo técnico e gerencial.
Ainda como problema decorrente da não utilização de uma metodologia assistencial, é possível considerar o desgaste de recursos humanos. Nestes casos no momento em que o enfermeiro percebe problemas e dificuldades no funcionamento e rendimento da sua equipe de trabalho, pode em alguns casos passar a desacreditar no seu potencial de líder e gerente, produzindo sensações de impotência e frustração, o que, por
sua vez, proporciona maior desgaste físico e, consequentemente, má produtividade. (ANDRADE; VIEIRA, 2005).
A carência de pessoal de enfermagem/enfermeiros dificulta também a implementação da SAE, portanto se faz necessário salientar a responsabilidade das instituições propiciarem todas as condições necessárias ao enfermeiro para executar de forma efetiva o planejamento da assistência, pois, não basta fazer, é preciso fazê-lo bem; não basta exigir, é preciso oferecer condições (HERMIDA, 2004).
Contribuindo para esta reflexão Backes e Schwatz (2005) acrescentam que o tipo de organização dos serviços, associado ao modelo de gestão tradicional, gera contradições em virtude de sua estrutura rígida, excessivamente especializada, com funções rotineiras e pouco desafiadoras. Neste sentido, a enfermagem conformou-se, basicamente, com uma cultura do “fazer”, sem, contudo, refletir acerca de novas possibilidades do ser e agir na prática assistencial e gerencial.
Para a elaboração e implementação de um modelo assistencial em um serviço hospitalar, acredita-se ser necessário a realização de um diagnóstico do trabalho da equipe de enfermagem, ressaltando seu preparo técnico-científico sobre o processo de enfermagem, bem como a existência de problemas decorrentes de uma assistência não sistematizada (ANDRADE; VIEIRA, 2005).
Nascimento e colaboradores (2008), relatam que é possível perceber, na prática, a insatisfação de membros da equipe, quanto o ter que fazer a SAE ou a exclusão dos profissionais de nível médio que apenas executam as prescrições sem participar de sua elaboração; existe um grande desencontro de informações, entre o que é relatado pelo paciente a outro profissional e o que o enfermeiro anotou como avaliação ou evolução.
A falta de tempo para realizar a metodologia ou uma melhor assistência direta ao paciente é uma constante no discurso do enfermeiro. O trabalho na instituição, muitas vezes compartimentalizado, pouco reflexivo, força o enfermeiro a ocupar um espaço que não favorece a percepção da totalidade do seu trabalho. Aliado a isto, o saber médico hegemônico institucionalizado faz com que a prática de enfermagem lhe sirva de esteio
(GARCIA-SANTOS; WERLANG, 2013), (BENEDET; GELBCKE; AMANTE, 2016).
Em um ambiente de trabalho onde não existe planejamento das atividades, nem determinação de prioridades, há um uma perda de tempo significativa no processo de gerenciamento, levando os profissionais a refazerem as atividades realizadas sem êxito. Assim, perde-se tempo em resolver problemas inerentes a outros profissionais da equipe
e, quando realmente se trata de atividades que competem ao enfermeiro, este não mais dispõe de tempo para realizá-las (ANDRADE; VIEIRA, 2005), (MEDEIROS; SANTOS; CABRAL, 2013).
É importante salientar que as próprias prescrições de enfermagem também podem contribuir para dificultar a implementação da SAE nos espaços de saúde, já que muitas vezes estas não refletem uma análise justa do caso, sendo elaborada contendo somente cuidados rotineiros, de forma repetitivas, perdendo a credibilidade junto a equipe (SHIMIZU; CIAMPONE, 2002).
A enfermagem, por se caracterizar como uma profissão dinâmica, necessita de uma metodologia que seja capaz de refletir tal dinamismo. O processo de enfermagem é considerado a metodologia de trabalho mais conhecida e aceita no mundo, facilitando a troca de informações entre enfermeiros de várias instituições (BORK, 2003).
Conhecer o aspecto subjetivo que permeia toda essa problemática configura-se um importante investimento acadêmico a ser explorado do ponto de vista psicossocial. Para uma efetiva implantação do PE, é necessário haver primeiro um comprometimento da chefia de enfermagem com a proposta, promovendo reuniões e elaborando um plano de ação que incluiria: a sensibilização da equipe para a importância dessa metodologia; o desenvolvimento de um estudo aprofundado do tema com o envolvimento de toda a equipe; e a construção coletiva dos meios para viabilizar a execução do processo (HERMIDA, 2004), (ANDRADE; VIEIRA, 2005).
Para que o enfermeiro realize o PE, é necessário que este assuma o compromisso com sua aplicação na prática e a responsabilidade em executar suas etapas, orientar a equipe, aprimorar e atualizar seus conhecimentos. Exigirá tempo e determinação de todos que compartilharem desta jornada, porém o resultado se traduz em crescimento individual e, consequentemente, qualidade da assistência.
É necessário investimento nas condições materiais de trabalho, no treinamento de pessoal, na promoção de sessões de estudo, entre outras, e posteriormente, em questões mais qualitativas, com a adoção de novas posturas profissionais para melhoria da qualidade do atendimento (MOURA; RAMOS; SOUSA; SILVA; ALVES, 2008)