5. Metodologi – vitenskapsteori og vitenskapsfilosofi
5.3. Vitenskapsteoretisk ramme
5.3.2 Det empiriske materialet
Nas teorias que abordam o comportamento destaca-se o modelo proposto pela Escola Nórdica de Negócios Internacionais, cuja origem está na Escola de Uppsala. Dos estudiosos da Escola Nórdica, uma atenção especial foi dada aos estudos conduzidos por Johanson e Wiedersheim-
Paul (1975) e Johanson e Vahlne (1977; 1990), os quais pressupõem a percepção de distância psíquica ou psicológica entre o país de origem e os países estrangeiros no processo de internacionalização da empresa. (HEMAIS; HILIAL, 2004; 2005). Um fato introduzido pela Escola de Uppsala foi o modo de se fazer negócios internacionais, que, além das vertentes econômicas, deveriam olhar sob o prisma e a perspectiva da Teoria do Comportamento Organizacional.
Johanson e Vahlne (1977) desenvolveram um modelo para explicar os processos de internacionalização baseados na gradual aquisição e uso do conhecimento nos mercados estrangeiros, bem como o aumento sucessivo do comprometimento nesses mercados. O comprometimento aumenta à medida que o conhecimento cresce. O comprometimento é, pois, medido de acordo com a quantidade de recursos investidos e cresceria em função da experiência acumulada. Assim, a percepção do risco diminui e o envolvimento tende a crescer. Para Hemais e Hilal (2002), na percepção do modelo da Escola de Uppsala, a empresa internacional seria uma organização que se caracterizaria por aprendizagens em uma estrutura complexa e difusa de recursos, competências e influências, incrementando as fases da internacionalização.
A incrementação seria decorrente de racionalidade limitada e de objetivos de redução de risco. De acordo com o modelo de Uppsala, a falta de conhecimento sobre mercados estrangeiros é um importante obstáculo para o desenvolvimento de operações internacionais e este conhecimento é adquirido principalmente por meio das operações internacionais. A internacionalização de uma empresa seria entendida como uma alternativa para se sair da saturação inicial de um mercado ou de uma estratégia. Então, ao partir para o exterior, a empresa encontraria maiores incertezas e, portanto, buscaria situações de mercado mais próximas possíveis das que já conhece.
Dois fatores foram considerados, por Johanson e Vahlne (1977), como fundamentais na tomada de decisão de internacionalização: a distância psíquica e o tamanho de mercado potencial. Entende-se por este último um mercado potencial grande ou pequeno; já a distância psíquica foi definida pelos autores Johanson e Wiedersheim-Paul, em 1975, como fatores que impedem ou perturbam os fluxos de informação entre a empresa e o mercado, como idioma, hábitos, sistema político, geração de renda, nível educacional de cada mercado, entre outros.
Já Nordström e Vahlne (1994) conceituaram a distância psíquica como o conjunto de fatores que dificultam ou impedem o aprendizado e o entendimento das empresas acerca de um ambiente no exterior.
McDonald et al. (2003), ao analisarem o Modelo de Uppsala (JOHANSON; VAHLNE, 1990; JOHASON; WIEDERSHEIN, 1995) e a literatura da Distância Psíquica (NORDSTRÖM; VAHLNE, 1992), reforçaram que o processo de internacionalização segue caminhos e sequências de desenvolvimento que vão da simples atividade de negócio internacional com países que são geografica e psicologicamente próximos, para operações mais complexas e com países mais distantes, contribuindo com o aprendizado da empresa para ultrapassar as barreiras das atividades dos negócios internacionais.
Os estudos sobre a internacionalização das empresas brasileiras testaram o Modelo de Uppsala, por exemplo o de Hilal e Hemais (2001), que exemplificaram, com quatro estudos brasileiros sobre internacionalização, como o modelo permitia um entendimento mais claro da diversidade de evidências empíricas na área de Negócios Internacionais. Para os autores, o entendimento da internacionalização das empresas brasileiras ainda deveria considerar o conceito de distância psíquica no nível individual, em vez do nível nacional originalmente proposto; a existência de processos de internacionalização descontínuos; e o importante papel desempenhado tanto via networks quanto pelos empreendedores.
Críticas à teoria comportamental também são encontradas na literatura:
• padrões de internacionalização e dos processos de firmas individuais seriam únicos e muito dependentes das especificidades da situação. É muito determinístico. (REID, 1981);
• este modelo é relevante apenas em relação aos estágios iniciais da internacionalização, quando a falta de conhecimento de mercado e a falta de recursos ainda seriam fatores limitadores. (ADERSEN, 1993; FORSGREN, 1989);
• determinantes estratégicos não são considerados pelo modelo;
• a generalização dos processos de internacionalização, das indústrias e dos mercados tornaria o conhecimento do mercado não mais um limitador aos padrões de internacionalização das empresas. (HEDLUND; KVERNELAND, 1985);
• da mesma forma, a distância psíquica teria diminuído. O mundo tornou-se muito mais homogêneo, o que levaria novas empresas a desejarem e serem capazes de entrar diretamente em mercados maiores. (NORDSTRÖM, 1991);
• o modelo não considera a interdependência entre os mercados de diferentes países. (JOHANSON; MATTSSON, 1986).
Em 2003, Johanson e Vahlne identificaram que os modelos de internacionalização incremental, anteriormente apresentados, não faziam mais sentido, pois o fato de o mundo estar estruturado em entidades nacionais com arranjos culturais e institucionais diferentes seria, na verdade, menor do que haviam pensado e proposto nos estudos anteriores. As razões para essa mudança seriam o processo da globalização, que aproximaria os países em termos culturais e institucionais e a maneira tendenciosa dos observadores da internacionalização com base em maneiras preexistentes de entendê-la e explicá-la, como as explicações econômicas.
Johanson e Vahlne (2003), ainda revendo o modelo tradicional, acrescentaram a perspectiva de network e do empreendedor. O processo empreendedor estaria ligado a aprendizado por experiência e por fazer uso de alguns relacionamentos previamente existentes (network). Conquanto mais próxima à PME que a vertente econômica para explicar os processos de internacionalização, ainda há muitas lacunas para serem preenchidas nos negócios internacionais. Com essa revisão, os autores acataram as críticas à Teoria comportamental e incrementaram à Teoria aspectos de Network. Para os autores (Ibid., 2003) um processo de internacionalização pode ser não sequencial, mas por meio de network que também traz conhecimento para a empresa na expansão internacional. (JOHANSON; MATTSSON, 1988; VATNE, 1995). Os autores concordaram com as críticas quando mencionaram que o modo de entrada em países estrangeiros, embora sendo ainda grande parte do esforço dos autores da área, seria menos importante na análise da internacionalização do que a subsequente expansão internacional.
Burgel e Murray (2000) apontaram que a decisão do modo de entrada é necessariamente um trade-off entre os recursos disponíveis e as necessidades de suporte ao consumidor. A inovação da tecnologia e a experiência histórica da empresa no mercado doméstico seriam determinantes na escolha do modo de entrada. Empresas que vendem produtos que
incorporam tecnologias inovadoras e aquelas que já estão em grandes mercados, que já usassem intermediários em seus mercados domésticos, tenderiam a confiar mais em distribuidores estrangeiros. A exportação direta, em contraste, seria escolhida quando os gerentes apresentassem experiência de trabalho internacional prévia ou quando um produto requeresse uma significativa adaptação específica aos clientes. Os autores consideraram que uma perspectiva de capacitações organizacionais sobre o comportamento deste tipo de empresa explicaria melhor as decisões de entrada do que a abordagem de custo de transação ou a teoria de estágios.
Para a Escola de Uppsala, a empresa se internacionaliza investindo recursos (financeiros e outros) de maneira gradual até aprender com o novo mercado. Isto permite que a empresa construa a estratégia dos modos de entrada partindo do menor para o maior envolvimento. (CAVULSGIL, 1980; ROOT, 1987; VATNE, 1995). Mas, quando se trata de empresas de países emergentes, ou também chamados de late movers, a Escola de Uppsala não é completamente aplicada. São considerados late movers os países que se internacionalizaram tardiamente em comparação com países desenvolvidos. O Brasil é considerado um late mover, enquanto países como a Itália, França, Alemanha, EUA são considerados first movers. (FLEURY; FLEURY, 2005).
Isto se deve ao fato de as empresas não terem o mesmo tempo para ingressar no mercado externo e/ou decidir sobre o próximo passo. (MATHEWS, 2006). Em países emergentes, e ainda em PMEs, o que muitas vezes explica o aumento do grau de internacionalização é a oportunidade e as redes de relacionamento a que a empresa pertence. (ANDERSSON; FORSGREN, 2000).
O Modelo de Uppsala é considerado por muitos autores o ponto teórico inicial para explicar a internacionalização das PMEs. (ANDERSSON et al., 2004; ETEMAD, 2004).
As teorias econômicas e os modelos de estágios de internacionalização representam um ponto de vista econômico e comportamental das estratégias de expansão internacional. (BENITO; WELCH, 1994). Outros autores têm acrescentado a estes modelos e teorias a importância das relações interorganizacionais, como governo, clientes, fornecedores, concorrentes ou qualquer pessoa que possa ter impacto no sucesso da empresa. (COVIELLO; McAULEY, 1999).
A limitação dessas teorias é o que concerne à PME, pois de forma geral essas teorias foram desenvolvidas focando grandes multinacionais. (BARBAT, 2007; TODD, 2006). Um resumo das principais abordagens é apresentado no Quadro1, que mostra as ideias fundamentais de cada teoria abordando aspectos vinculados a PME.
Quadro 1 - Principais abordagens teóricas da internacionalização das PMEs Abordagem teórica modelos e de Exemplo de
trabalhos Exemplo de autores Ideias fundamentais
Econômica
Foco em
recursos Penrose (1959), Mills et al.(2002)
Os recursos e as competências da PME, determinantes nos diferentes níveis de internacionalização, são passíveis de explicar a passagem de um ao outro, de estagnar ou de retornar às etapas anteriores. Foco no custo de transação Bucley e Casson (1995) Dunning (1977;1988;1998) Willianson (1975)
Análise de custo e beneficio. O aproveitamento de vantagens competitivas ou comparativas pode explicar a internacionalização das PMEs.Não identificam a importância do conhecimento e da informação para explicar o processo de internacionalização. Os autores assumem que a informação antecede a internacionalização (LIESCH; KNIGHT, 1999).
Foco no país Porter (1990) As PMEs podem se diferenciar pela vantagem do país onde nasceu e se internacionalizar por essa vantagem.
Foco no poder
monopolístico Hymer (1960; 1976)
Foco na concentração industrial e no poder de mercado. Não há, no foco desta abordagem, vinculação com a PME, visto que é difícil para uma empresa deste porte dominar o mercado.
Comportamental Modelo de Uppsala
Johanson e Wiedershein-Paul (1975), Johanson e Vahlne (1977; 1990), Nordström e Vahlne (1994) A internacionalização é um processo de aprendizagem progressiva e incremental. O empreendedorismo e o network foram posteriormente abordados, aportando justificativas ao processo de internacionalização das PMEs. O aprendizado gerencial sobre mercados externos influencia fortemente a expansão internacional
As teorias apresentadas tentam explicar os processos de internacionalização, que por sua vez são estabelecidos por meio de diferentes estratégias, processos, modo e/ou também chamados de grau de internacionalização. O Grau de Internacionalização, denominado neste trabalho de GRI, se apresenta sob duas vertentes: alguns autores utilizam o GRI por meio de métricas financeiras únicas ou multivariádas, e outros autores, ao identificar a evolução da etapa da internacionalização, identificam o GRI em que a empresa se encontra. No próximo item
apresenta-se o conceito de GRI e as suas principais métricas, bem como os trabalhos mais significativos que as utilizaram.