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6. Why reindeer husbandry in Greenland did not succeed

6.4 Desire for self-determination in reindeer husbandry: the Sámi leave

Conversar com os cuidadores é permitir que eles exponham suas idéias. Os cuidadores são capazes de contribuir para o levantamento das possíveis causas para as complicações relacionadas à DRC, apontando indiretamente, o grau de responsabilidade que têm com relação aos cuidados com o paciente, bem

como para tantos outros aspectos. Com os relatos dos cuidadores, percebe-se como estão envolvidos e como são importantes para a construção de melhorias, onde o maior beneficiado poderá ser a criança, o adolescente, a família, e mesmo, a instituição de saúde que assiste o paciente.

Acredita-se que o acréscimo destes relatos, tenha auxiliado no levantamento das falhas na aplicação da técnica de diálise peritoneal assim como de seus determinantes, situações que facilitam ou dificultam o processo terapêutico de substituição da função renal.

Segundo Miorin (2001), embora as complicações não infecciosas não sejam as mais freqüentes da diálise peritoneal, o conhecimento de adequação e a conseqüente individualização de cada tratamento, aliado à menor incidência de peritonites e aos cuidados na preservação da função renal residual, tornam-se mais importantes.

A partir das possíveis causas atribuídas pelos cuidadores, das complicações por eles informadas, apresentadas na tabela 8, pg 58, verificou-se que eles acreditavam que:

• a situação clínica geral do paciente em si (ingestão inapropriada de alimentos com sal acima do permitido levando à hipertensão arterial, manipulação do cateter pelo paciente ou por outras crianças, não aceitação dos medicamentos prescritos, inquietude, dentre outros fatores), estava associada com a ocorrência das complicações citadas e conseqüentes internações.

• o excesso de tarefas a serem desempenhadas pelo cuidador, assim como falhas no processo de diálise peritoneal executado pelo mesmo, podiam contribuir para o aumento do risco de intercorrências clínicas,

e complicações mais graves.

• condições inadequadas do ambiente (falta de higiene, espaço físico inapropriado, casa com poeira, mofo, umidade ou em construção) representavam um perigo para a execução da técnica de diálise peritoneal e para o paciente, possibilitando o aparecimento de complicações.

Todos esses aspectos são, sem dúvida, fatores que concorrem com os problemas de saúde apresentados pelos pacientes.

Especialmente as crianças têm muita dificuldade em aceitar os medicamentos prescritos, normalmente não compreendem a importância de seu uso e rejeitam a ingestão, jogando fora ou vomitando o medicamento administrado.

Os cuidadores, muitas vezes não conseguem modificar esta situação, daí a importância em se criar estratégias para reduzir a má adesão medicamentosa, como por exemplo, uso próximo às refeições ou junto com algum alimento do gosto do paciente.

Dentre os medicamentos prescritos está o carbonato de cálcio e a vitamina D que previnem a osteodistrofia, problema que pode ocorrer entre os portadores de DRC se não contornado em tempo hábil. Estes medicamentos melhoram a doença óssea associada à DRC e reduzem os riscos de fraturas e deformidades.

O nível de eritropoetina, hormônio produzido pelos rins (responsável pelo controle da produção dos glóbulos vermelhos), está reduzido nos pacientes portadores de DRC, e o medicamento deve ser administrado via subcutânea ou venosa, o que representa um problema adicional para crianças menores. Receber

uma “agulhada”, 3 vezes por semana representa mais um sofrimento, não só para os pacientes, mas para os cuidadores. Apesar de saber de sua importância, o cuidador fica consternado com a obrigação de submeter o filho a mais este tormento.

Ao excesso de tarefas a serem desempenhadas, principalmente pelas mães, assim como, a existência de outros filhos, soma-se a obrigação da rotina, além da limpeza rigorosa do quarto da diálise, com higienização de paredes até o teto, chão e dos utensílios, pelo menos uma vez por semana, necessidade que leva o cuidador a um grande cansaço físico e, às vezes, psíquico, que pode originar falha no processo diálise e dano para o paciente.

Nas visitas de algumas casas pode-se verificar mofo nas paredes e teto, assim como umidade, condições consideradas inadequadas para a realização da DP. Quando isso ocorria havia sempre uma explicação que era principalmente a dificuldade de recursos financeiros para melhorar a condição da casa; esta situação gera grande transtorno para a vida do paciente e de toda a família e também compromete outras necessidades básicas de saúde, por exemplo, a alimentação.

No presente estudo houve também 7 (23%) casos sem relatos de complicações clínicas pelos cuidadores, representados pelos pacientes com menos de 1 ano de tratamento dialítico e pelos pacientes que foram favorecidos com o transplante renal, em um período entre 1,3 a 3,5 anos, após o início do tratamento de substituição da função renal.

Verrina et al. (2000) em seu trabalho, apresenta estratégias baseadas em evidências e opiniões que minimizam os fatores de risco para peritonites em pacientes pediátricos, dentre estas, relata a importância da presença de

treinamento adequado. Ilha & Proença (1999) apresentam ainda, não só ações preventivas, como ações corretivas para reduzir as complicações da DP.

As enfermeiras do Serviço de Nefrologia Pediátrica do HC/UFMG, atuam prontamente na assistência direta ao paciente, não apenas treinando os cuidadores para a realização da DP em casa, mas também atendendo o paciente na consulta mensal de enfermagem que consta de exame físico, medidas de peso e estatura, avaliação do desenvolvimento e crescimento, do balanço hidroeletrolítico, necessidade de se usar uma solução de diálise concentrada, além de realizar os cálculos de PET e KTV.

Utilizam ainda as visitas domiciliares relâmpago para a verificação das condições reais do ambiente, para rever a realização da técnica de diálise no domicílio, re-treinando os cuidadores, sempre que necessário. Este artifício é também usado quando os episódios de peritonite se tornam mais recorrentes com o objetivo de se detectar as causas das infecções de repetição.

7.4.3.3. Levantamento de Falhas e dos Determinantes que Dificultam e