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É difícil imaginar que seres humanos possam ter sido tratados des- sa forma, porém a escravização dos africanos no continente americano não aconteceu sem resistências e conflitos. Desde o início, os africanos não aceitaram ser escravos e, entre o período de 1690 a 1845, há rela- tos de pelo menos 55 revoltas de escravos a bordo dos navios. Entre

1750 e 1788, as revoltas aumentaram, mas não intimidaram os merca- dores, que continuaram por muito tempo o lucrativo comércio de se- res humanos.

Nas 13 colônias inglesas do norte do continente, os escravos só co- meçaram a ser utilizados em massa na última parte do século XVII. A mão-de-obra usada no início da colonização nas 13 colônias inglesas da América era dos servos contratados, vindos da Inglaterra, entre eles, desempregados, criminosos, prostitutas, prisioneiros de guerra, além dos perseguidos por questões religiosas. Os senhores estabeleciam as horas e condições de trabalho, além de determinarem as punições por desobediência. Quando seus contratos terminavam, esses servos geral- mente mudavam-se para pequenas fazendas.

Entre escravos e servos, havia também os trabalhadores livres no mundo colonial das 13 colônias inglesas do norte da América, exer- cendo as mais variadas atividades, como: corretores, comerciantes va- rejistas, quitandeiros, advogados, escrivães, mestres do açúcar, feitores, ferreiros, médicos, vendedores ambulantes, capitães do mato, vaquei- ros, militares, lavradores, padres, artesãos, lavadeiras, administrado- res, cirurgiões-barbeiros, arquitetos, dentistas, escultores, cozinheiros, músicos, acrobatas de circo e instrutores de meninos brancos, enfim, eram pessoas especializadas em suas funções, compondo a sociedade escravista colonial do novo mundo. Esta situação se repetia na Améri- ca Portuguesa.

Documento 3

JEAN-BAPTISTA DEBRET. Bar- beiros ambulantes, c. 1834.

Litogravura, Estampa 61, Prancha 11. DEBRET, 1989 [1834]. n

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Transição do trabalho escravo para o trabalho livre: a mão-de-obra no contexto de consolidação do capitalismo nas sociedades brasileira e estadunidense

Os africanos e seus descendentes desempenharam as mais diver- sas tarefas: trabalharam na lavoura, nos engenhos, nas minas, no trans- porte de cargas de pessoas e de dejetos malcheirosos e na indústria da construção. Os escravos africanos participaram ativamente da constru- ção da riqueza brasileira e as demais riquezas do Novo Mundo.

O trabalho escravo encheu os anos do período colonial do Brasil e, como prolongamento, os anos do império. Começou no Nordeste da cana-de-açúcar, caminhou para o centro, na mineração, e prosseguiu para o centro-sul, na expansão do café.

Apesar do tratamento desumano, a sociedade escravista do Brasil e das 13 colônias da América do Norte não se resumiu apenas em ca- tivos e senhores. Havia escravos alugados para a prestação de serviços a terceiros e escravos de ganho. Os senhores permitiam que os escra- vos fizessem seu ganho, prestando serviços ou vendendo mercadorias, em troca dessa permissão, recebiam de seus cativos uma quantia fixa por semana ou por dia.

Humilhados e submetidos diariamente a vexames e aos castigos corporais, os negros africanos, sempre que puderam, reagiram ao es- cravismo: fugindo, assassinando, suicidando-se, rebelando-se, como na Revolta dos Malês, ocorrida em Salvador em 25 de janeiro de 1835. Jamais aceitaram pacificamente a sua condição de escravo. O negro “foi um bom trabalhador e um mau escravo”. (LOPEZ, 1988, p.43).

Texto 7

Jean Baptiste Debret (1768-1848).

Era filho de um modesto funcionário público. Na sua família existiam alguns ar- tistas, o que facilitou o seu processo de formação como pintor e desenhista. Es- teve particularmente ligado ao pintor e líder revolucionário Jacques-Louis David,

que era seu primo. Este tornou-se o mais importante pintor encarregado de re- tratar Napoleão. Debret, protegido por seu primo, tornou-se pintor histórico e

oficial do imperador.

Quando Napoleão foi derrubado, em 1815, Debret pensou em deixar a França.

O Brasil era famoso por um verão que durava o ano inteiro e encontrava- se numa fase de grandes transformações desde a chegada da Corte portuguesa, em 1808. Essas con- siderações levaram Debret a escolher o Brasil e a participar da chamada Missão Francesa, que a servi- ço do governo português, devia realizar vários trabalhos artísticos e arquitetônicos, além de criar, no Rio de Janeiro, uma academia de belas artes.

Depois de permanecer no Brasil durante quinze anos, Debret retornou à França em 1831, levando os seus desenhos, que foram transformados em litografias e publicados em álbum. Ele havia observa- do e retratado: a natureza, o mundo oficial, vários fatos relativos ao processo de independência, o Rio

de Janeiro, a então pequena cidade de São Paulo, os sertões e as fazendas do Sul do país, os negros, as casas, as ruas, índios mestiços e brancos.

O autor revela, em várias passagens, um pensamento eurocêntrico. Mesmo assim, a maior parte da obra pictórica e textual desse artista francês continua a ser um dos mais importantes documentos so- bre um período crucial da história do Brasil. (Adaptado de CAMPOS, 2001, pp. 19-21).

Documento 4

JEAN-BAPTISTE DEBRET. Vendedor de palmitos – Vende-

dor de samburás, c. 1834. Litogravura, Estampa 65, Prancha 17. DEBRET, 1989 [1834].

n

Documento 5

Documento 6

JEAN-BAPTISTE DEBRET. O Colar de Ferro (casti- go dos fugitivos), c. 1834. Litogravura, Estampa 89, Prancha 42. DEBRET, 1989 [1834].

n

JEAN-BAPTISTE DEBRET. Negros no Tronco, c. 1834. Litogravura, Estampa 92, Prancha 45. DEBRET, 1989 [1834].

n

As gravuras, do artista Debret, que estão neste Folhas foram produzidas por meio da técni- ca da litografia, que consiste na gravação a partir de pedra ou metal. Você pode pesquisar mais sobre o uso dessa técnica artística e sobre artistas que fizeram uso dela.

A partir da análise dos documentos 3, 4, 5, 6 e 7, responda: a) Quais são os personagens retratados nessas obras de Debret? b) Como eles são retratados?

c) Em que cenários estão retratados?

d) Quais eram as intenções do artista ao retratar esses personagens?

e) A partir desses documentos, o que você pode afirmar sobre o negro no Brasil naquele contexto

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Transição do trabalho escravo para o trabalho livre: a mão-de-obra no contexto de consolidação do capitalismo nas sociedades brasileira e estadunidense

No caso das fugas coletivas, quase sempre os escra- vos se escondiam em locais de difícil acesso, onde ter- minavam por se fixar, fundando pequenas comunidades conhecidas como quilombos, que acabavam se tornan- do a forma mais significativa de luta do negro contra a sua condição de escravo. O quilombo não era um sim- ples refúgio de escravos ou mero acampamento. Ele

Documento 8

Documento 7

HERCULE FLORENCE, Engenho de Cana - São Carlos,

1840, aquarela, c.i.d. 21 x 31,5 cm. n

JJEAN-BAPTISTA DEBRET. Negros serradores de tábuas, c. 1834. Lito-

gravura, Estampa 66, Prancha 18. DEBRET, 1989 [1834]. n

a) Relacione o contexto sócio-histórico da produção das imagens presentes nos documentos 6 a 8 com os conteúdos das mesmas. Quais as representações das relações de trabalho são pro- postas por Hércules Florence (1804-1879) e por Jean-Baptiste Debret, respectivamente? b) Estas representações possibilitam que você perceba o motivo das várias revoltas escravas ocor-

ridas no Brasil e no resto da América neste período? Por quê?

ATIVIDADE

A Abolição da escravidão nos Estados Unidos