3.5 RSF/Avalanche deposits
3.5.2 RSF deposits
Para a elaboração do questionário, seguiram-se, neste estudo, as etapas recomendadas por Malhotra (2001) e Selltiz et al (1965). Para Malhotra (2001, p.275), “o principal ponto fraco da elaboração de um questionário é a ausência de teoria e, como não existem princípios científicos que garantam um questionário ótimo ou ideal, sua concepção é uma habilidade que se adquire com a experiência”. Dessa forma, o conjunto de teorias acerca do tema em estudo, bem como os resultados de pesquisa anteriores constituem-se as principais fontes dos insigths necessários à sua construção.
A primeira etapa para a realização da pesquisa no campo das ciências sociais, segundo Selltiz et al (1965), é a definição e operacionalização dos construtos que correspondem a abstrações que os cientistas sociais consideram nas suas teorias. De acordo com os mesmos autores, para mensurar tais construtos é necessário identificar variáveis e indicadores, aos quais possam ser atribuídos valores, de acordo com um conjunto de instruções.
O constructo de caráter multidimensional foi, então, definido como a “organização orientada para a estratégia” do Balanced Scorecard, tal qual conceito apresentado por Kaplan e Norton (2001). As dimensões desse construto correspondem aos cinco princípios norteadores, previamente descritos no capítulo três e, conforme apresentado na FIG. 8. As suas variáveis são apresentadas no QUADRO 2.
FIGURA 8 – Dimensões do construto Fonte: KAPLAN e NORTON, 1997, p.10
QUADRO 2
Operacionalização do questionário: construtos, objetivos específicos, hipóteses e variáveis.
Construtos Objetivos específicos Hipóteses Variáveis
Princípio 1 - Mobilizar a mudança por meio da
liderança executiva
Analisar a contribuição da adoção do BSC para a mobilização da mudança por meio da liderança executiva
O BSC contribuiu para a mobilização da mudança por meio da liderança executiva. Ho: u ≤ 3 Ha: u > 3 V1 V2 V3 V4 Princípio 2 – Transformar a estratégia em processo contínuo Analisar a contribuição da adoção do BSC para a transformação da estratégia em processo contínuo.
O BSC contribuiu para a transformação da estratégia em processo contínuo.
Ho: u ≤ 3 Ha: u > 3 V5 V6 V7 V8 V9 V10 V11 V12 Princípio 3 – Transformar a
estratégia em tarefa de todos
Analisar a contribuição da adoção do BSC para a transformação da estratégia em tarefa de todos.
O BSC contribuiu para a transformação da estratégia em tarefa de todos.
Ho: u ≤ 3 Ha: u > 3 V13 V14 V15 V16 V17 V18 V19 V20 V21 V22 V23 V24 V25 Princípio 4 – Alinhar a organização à estratégia Analisar a contribuição da adoção do BSC para o alinhamento da organização à estratégia.
O BSC contribuiu para o alinhamento da organização à estratégia. Ho: u ≤ 3 Ha: u > 3 V26 V27 V28 V29 Princípio 5 – Traduzir a estratégia em termos operacionais Analisar a contribuição da adoção do BSC para a tradução da visão e da estratégia da empresa em termos operacionais.
O BSC contribuiu para tradução da visão e da estratégia da empresa em termos operacionais. Ho: u ≤ 3 Ha: u > 3 V30 V31 V32 V33 V34 V35 V36 V37 V38 Fonte: Elaborado pela autora.
Os Princípios da Organização Orientada para a estratégia
1. Mobilização da mudança por meio
da liderança executiva 2. Transformação da estratégia em processo contínuo 3. Alinhamento da organização à estratégia 4. Transformação da estratégia em tarefa de todos 5. Tradução da estratégia em termos operacionais
Já na segunda etapa, foram definidos aspectos quanto ao conteúdo, à redação, à forma (layout) e seqüência das perguntas; ao espaçamento; à disposição e aparência do material; às instruções para os entrevistados além do tipo de aplicação do questionário. Os objetivos consistiram em traduzir a informação desejada em um conjunto de questões específicas que os entrevistados tivessem condições de responder, buscando superar a incapacidade ou má vontade dos mesmos e incentivando-os para que cooperassem e completassem a pesquisa a fim de minimizar os erros na resposta. (MALHOTRA, 2001; SELLTIZ et al, 1965).
Ainda na segunda etapa definiram-se os aspectos relacionados à escala de medição. O escalonamento, segundo Malhotra (2001, p.237), envolve a “geração de um continuum no qual se localizam os objetos medidos”, enquanto a medição consiste na “atribuição de números ou outros símbolos a característica de objetos, de acordo com certas regras predefinidas”. O autor destaca ainda que não se mede o objeto propriamente dito, mas sim algumas de suas características, como as percepções, atitudes e preferências dos entrevistados. Seguindo as recomendações propostas por Malhotra (2001, p.258), a escala foi inicialmente definida da seguinte forma: (1) intervalar que “usa números para classificar objetos, de modo que distâncias numericamente iguais na escala representem distâncias iguais na característica que está sendo medida”; (2) não-comparativa em que o “objeto é escalonado independentemente dos outros no conjunto do estímulo” e Likert (também conhecida como escala somada) de classificação por itens “que apresenta números ou descrições sucintas associadas a cada categoria, sendo as categorias associadas em termos da posição na escala” com cinco categorias de resposta, variando de discordo totalmente a concordo totalmente. Tais categorias exigiriam que os respondentes indicassem um grau de concordância ou de discordância com cada uma de uma série de afirmações; (3) equilibrada, com um número igual de categorias favoráveis e desfavoráveis; (4) número ímpar de categorias; (5) forçada, uma vez que os respondentes seriam obrigados a emitir sua opinião, uma vez que não havia a opção no questionário “sem opinião”; (6) com natureza das respostas de avaliação, e (7) descrição verbal de todas as categorias com gradação em forma de escada.
Selltiz et al (1965) assinalam que as pontuações obtidas por meio do questionário tipo Likert geralmente oferecem uma base para uma ordenação segura dos objetos em análise, ainda que em termos aproximativos. De acordo com os mesmos autores “[...] o problema de saber se é possível atribuir, com significado, o mesmo escore a diferentes combinações de respostas é um problema que se coloca para a investigação empírica” (SELLTIZ et al, 1965, p.64). Para
Malhotra (2001, p.255) e Selltiz et al (1965, p.63), a escala Likert possui várias vantagens, dentre elas: (a) é fácil de construir e de aplicar; (b) os entrevistados entendem rapidamente como utilizá-la; (c) podem ser empregadas afirmações que não estejam diretamente ligadas à atitude estudada; (d) a amplitude de respostas permitidas a cada item, apresenta informação mais precisa quanto à opinião do entrevistado em relação à questão apresentada pelo respectivo item.
Além disso, conquanto não haja um consenso por parte de diversos autores quanto à definição desse tipo de escala como métrica (intervalar) ou não-métrica (ordinal), ela foi tratada nesse estudo como métrica (intervalar). Todavia, conforme se apresentará a seguir, após a realização do pré-teste, houve a necessidade de alteração da escala, devido às restrições colocadas pela empresa para que a pesquisa pudesse ser efetivada.
Já na terceira etapa, o primeiro esboço do questionário, definido na etapa anterior, foi submetido à apreciação crítica de especialistas acadêmicos da área de Administração, dois professores doutores do Centro de Pós-Graduação e Pesquisas em Administração da UFMG, os quais sugeriram algumas modificações quanto a redação, forma, seqüência e número de perguntas. Tais modificações foram incorporadas na quarta etapa da elaboração do questionário.
Na quinta etapa, realizou-se um pré-teste do questionário a fim de verificar se ele estava adequado e se seria necessário realizar modificações, antes do início do estudo completo. Conforme destaca Selltiz et al (1965), em geral o tamanho da amostra do pré-teste é pequena, variando de 15 a 30 entrevistados para o teste inicial, dependendo da heterogeneidade da população. Os autores acrescentam ainda que os entrevistados no pré-teste devem guardar semelhança com os entrevistados da pesquisa real em termos de familiaridade com o assunto, características fundamentais. O pré-teste foi, então, aplicado a dez pessoas da empresa, as quais estivessem envolvidas com o processo de adoção do BSC e que tivessem conhecimento do assunto, por meio de entrevistas pessoais.
Os respondentes do pré-teste indicaram novas mudanças a serem feitas no questionário, dentre elas: modificação de alguns termos quanto ao conteúdo da pergunta; formato e seqüência das perguntas, além da alteração na escala. Dentre as modificações na escala incluem-se os aspectos relacionados às categorias que passaram a ser: (a) não-verificado; (b) não-verificado, mas os gestores já estão já estão discutindo o assunto; (c) verificado apenas em algumas áreas
ou verificado em todas as áreas, porém sem divulgação efetiva para todos os funcionários; (d) verificado em todas as áreas com ampla divulgação para todos os funcionários, entretanto, ainda há alguns problemas; (e) verificado em todas as áreas com ampla divulgação e sem problemas; (f) não tenho informações sobre essa questão; não–equilibrada: com um número diferente de categorias favoráveis e desfavoráveis; não-forçada, uma vez que foi inclusa a opção “não tenho informações sobre essa questão”. Quanto às demais características, permaneceram inalteradas.
Vale ainda ressaltar que a alteração na escala foi uma das condições essenciais colocadas pela empresa para que a pesquisa pudesse se concretizar. Nesse sentido, tornou-se necessário, então, submeter o questionário mais uma vez ao crivo dos especialistas acadêmicos – dois professores doutores do Centro de Pós-Graduação e Pesquisas em Administração da UFMG, além de um doutorando na área de mercadologia e administração estratégica, com o intuito de verificar a adequação da escala. Esses especialistas, então, deram sinal positivo para a continuidade da pesquisa.
Acrescenta-se ainda que a escala foi avaliada quanto à confiabilidade e à validade, conforme será apresentado no capítulo cinco. Já na sexta e última etapa, aplicou-se o survey final, mediante o envio dos questionários aos respondentes por e-mail com uma carta de apresentação anexa contendo explicações quanto à natureza da pesquisa, o objetivo, importância e necessidade na obtenção das respostas, conforme APÊNDICE C. Vale mencionar que, em uma das diretorias, os questionários foram disponibilizados na intranet, com uma carta de apresentação da superintendência anexa, conforme APÊNDICE D, o que propiciou o aumento do índice de respostas. A estrutura final do questionário é apresentada no APÊNDICE E.