2.18 Merking ved utlevering av legemidler
2.18.2 Departementets vurderinger og forslag
Este estudo tentou compreender o pensamento crítico dos alunos quando comparam narrativas ficcionais e históricas. Pareceu-nos adequado a utilização de um método de indução analítica para a análise dos dados empíricos obtidos pelos diferentes instrumentos, uma vez que este processo é, segundo Bogdan e Biklen (1994: 98), um método em que se procede “ à recolha e análise dos dados a fim de desenvolver um modelo descritivo que englobe todas as instâncias do fenómeno”. Segundo estes investigadores, este método tem sido largamente utilizado na análise de entrevistas abertas, mas poderá também ser aplicado na observação participante bem como na análise documentada.
Foi igualmente utilizado em vários estudos do âmbito da educação histórica,
designadamente Barton (1996, 2001, 2001a ); Barton e Levstik ( 2001) e Wineburg (1991)
e Melo (2003). Os dados empíricos foram cruzados e sujeitos a uma constante comparação para se obter um conjunto de generalizações descritivas sobre o pensamento crítico dos estudantes.
Na fase de análise e codificação dos dados recolhidos empiricamente desenhou-se um trajecto de análise subdivido em quatro domínios, uma vez que as questões foram construídas de forma a proporcionar indicadores de construtos específicos. Para cada momento de análise tomaram-se as seguintes decisões:
O primeiro domínio de análise consistiu na recolha e análise dos dados referentes
ao domínio da compreensão e tipos de narrativas construídas pelos alunos (Ver Quadro 8). Os dados deste domínio eram provenientes de três questões do Questionário “Contextualização” (QC) acerca das três imagens apresentadas; da Narrativa Aberta (NA) acerca do filme e de um conjunto de questões formuladas nas quatro fichas de trabalho sobre os documentos escritos (Ver Quadro 6).
Relativamente à compreensão e tipo de narrativas construídas pelos alunos a partir das imagens, procedeu-se numa primeira fase a uma análise de conteúdo das respostas dos
alunos, através de uma categorização simples e indicação da frequência das respectivas ocorrências. A análise de conteúdo segundo Bardin (1995:42), “é um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens”. Consideraram-se oito categorias substantivas, nomeadamente: espaço, personagens, vestuário, mobiliário, alimentação, entretenimento, funções, juízos de valor e elaborações.
Posteriormente, utilizou-se uma categorização baseada num estudo de Wineburg (1991), no qual delineou um esquema de análise para documentos pictóricos composto por quatro categorias: descrição, referência, análise e qualificação. Esta categorização proposta por Wineburg foi reformulada a partir dos dados empíricos. As categorias de análise das narrativas construídas a partir de imagens foram as seguintes: Descrição, Opinião e Qualificação. A apresentação dos indicadores por categoria serão enunciados no capítulo da análise de dados (Ver Cap. V, p.160).
De seguida, realizou-se o tratamento das respostas dos alunos às questões directamente relacionadas com a compreensão da mensagem do filme (Narrativa Aberta) e com os documentos escritos. Procedeu-se a uma análise de conteúdo através do método das categorias que nos permitissem a classificação dos elementos constitutivos da mensagem. Estabeleceram-se as seguintes categorias substantivas: espaço, tempo, personagens, vida quotidiana, contexto, valores e elaborações. A apresentação dos indicadores por categoria serão enunciados no capítulo análise dos dados (Ver Cap. V, p.165).
As categorias substantivas criadas são mutuamente exclusivas, mas ocorreram respostas que emitiram mais do que uma ideia e foram consequentemente categorizadas em mais de uma categoria. Neste caso, a unidade de análise é uma proposição com um conteúdo semântico distinto, podendo assumir a forma de uma resposta total, uma frase ou uma expressão (Melo, 2003).
No segundo momento de análise procedeu-se à recolha e análise dos dados
referentes ao segundo domínio: Explicação e opinião (Ver Quadro 9). Neste momento de análise, procedeu-se à listagem das razões, motivos, disposições e causas apresentadas pelos alunos para responder às questões de teor explicativo sobre determinadas acções, acontecimentos e situações do passado. Algumas respostas apresentaram justificações que
se incluíram em mais de um tipo, o que levou que o total de aspectos mencionados fosse, por vezes, superior ao número dos participantes no estudo.
Para a sistematização dos dados empíricos deste domínio baseámo-nos num estudo de Isabel Barca (2000), designadamente nos núcleos conceptuais utilizados para o enquadramento das ideias dos alunos sobre explicação provisória em História. Apenas utilizámos dois dos núcleos: a estrutura explicativa e a consistência explicativa. O núcleo verdade e objectividade não foi considerado uma vez que neste domínio não estava em causa a provisoriedade do conhecimento histórico.
No terceiro momento de análise trataram-se em primeiro lugar os dados empíricos obtidos das respostas às questões relacionadas com as semelhanças e diferenças entre documentos. As semelhanças e diferenças foram listadas e colocadas em tabelas para indicar a frequência das mesmas. Posteriormente, analisaram-se as respostas às questões estritamente ligadas à avaliação das duas narrativas com suportes diferentes (Ver Quadro 10). Foram também consideradas as respostas da Entrevista realizada à posteriori e as do Questionário “O papel do historiador e do realizador” (QHR), que constituíram um “espaço” de reflexão e de complementaridade.
Com estes dados pretendeu-se categorizar as ideias dos alunos acerca das narrativas históricas e ficcionais, tendo como referência conceptual as propostas de Peter Lee (1996 e 2001a). Nestes estudos intitulados “None of us was there’. Childrens’ ideas about why historical accounts differ” (1996) e “Understanding History” (2001a), o investigador analisou as ideias dos alunos sobre o conceito de segunda ordem: narrativa histórica.
No estudo definitivo, o sistema de categorias de Peter Lee foi adaptado e confirmado pelos dados do estudo piloto, pela leitura interpretativa dos dados empíricos e pela natureza dos suportes utilizados. O sistema de categorias utilizado neste estudo para análise das ideias dos alunos sobre narrativas históricas e ficcionais foi o seguinte: Natureza do suporte narrativo; Construção das narrativas; Diferenças do conteúdo das narrativas; Verdade das narrativas; Intenção das narrativas e Autoria das narrativas. A descrição dos indicadores por categoria serão apresentados no capítulo análise dos dados (Ver Cap. V, p. 207).
A unidade de conteúdo utilizada foi a resposta global. Para simplificar a tarefa de categorização e melhorar o grau de fiabilidade criaram-se indicadores por categoria. Em algumas respostas obtidas surgiram dúvidas quanto à sua categorização. Nestes casos
optámos por integrar a resposta na categoria que nos pareceu mais próxima da ideia principal expressa, como foi o caso da Bárbara que escreveu o seguinte: “Eu acho que o filme é mais verdadeiro, porque explica as coisas e vê-se mesmo como elas eram na realidade. O texto explica pior as coisas. Também existem algumas diferenças entre o texto e o filme.” Este enunciado suscitou dúvidas, já que a aluna se referiu à natureza do suporte narrativo e fez uma alusão genérica a diferenças no conteúdo das narrativas. Optámos por incluir este enunciado na categoria “Natureza do suporte narrativo”, uma vez que a aluna não referiu nenhuma diferenças explícita entre os dois suportes narrativos.
O quinto momento de análise correspondeu ao tratamento das respostas às
questões relacionadas com a Imaginação histórica (Ver Quadro 11). Procedeu-se a uma análise de conteúdo dos enunciados dos alunos, para identificar as inferências e o suporte evidencial utilizado.