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Nesta dissertação servimo-nos de um misto metodológico que considerámos pertinente para estudar a acção social no ensino superior durante o Estado Novo. Recorreu-se, como referenciámos em secção própria, como método de pesquisa central, a técnicas documentais, ao qual se associou informação obtida através de inquérito por questionário e por entrevista.

Porém, diversas estratégias de recolha de dados, delineadas no início deste trabalho, tiveram que, ao longo do tempo, ser redefinidas e reajustadas. É caso para lembrar o poeta António Machado para quem «o caminho se faz caminhando». Não esquecemos que deixámos claro nas questões iniciais desta investigação a possibilidade de transgressão como inovação por parte de alguns actores sociais relativamente à política vigente. Não é possível encontrar uma regularidade a este propósito uma vez que não falámos com ex-reitores ou outros líderes do período estudado e a entrevista aos políticos ficou pela entrevista realizada ao Professor José Veiga Simão. Mesmo assim, temos de salientar a sua reflexão sobre o modo de ser político em conjunturas muito pouco favoráveis. Tanto em Moçambique, onde foi reitor da Universidade de Lourenço Marques, como enquanto último ministro da Educação Nacional, antes do golpe militar do 25 de Abril de 1974, podemos assinalar práticas e decisões que de alguma forma ficaram na história não só pessoal mas também estatal como sendo reformas criativas e que se devem à sua capacidade de inovação assente na transgressão calculada mas de risco. Daí termos intitulado a secção que trata a sua entrevista como «Do outro lado da

política: o político em carne viva». Vale a pena lembrar Paulo Ferreira (1994: 136) que

nos diz que «Há no mundo três tipos de pessoas: as que não sabem o que está a

acontecer; as que observam o que está a acontecer; as que fazem com que as coisas aconteçam». Nesta taxinomia e do nosso ponto de vista, José Veiga Simão enquadra-se

neste último modelo, não só do ponto de vista do investigador como do próprio investigado.

As entrevistas realizadas, como aquela que acabámos de referir, pretenderam ir um pouco além da casca da árvore de que fala Antoine de Saint-Éxupery no célebre livro «O Principezinho». Elas permitiram-nos conhecer um pouco a dimensão

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escondida, o sentir da acção social no Estado Novo por parte dos próprios agentes sejam eles políticos ou beneficiários.

Salientamos que, para termos acesso a algumas fontes, fizemo-lo, muitas vezes, por conta própria, contactando directamente a Instituição da qual eram pertença, mas não raros foram os casos em que se optou por recorrer ao sistema de referência e a pedidos interbibliotecas, tendo em conta que este procedimento se poderia revestir de maior celeridade e eficácia. Todavia, quer de uma forma, quer de outra, diversas foram as respostas evasivas94. Aos pedidos de esclarecimento, direccionados para estas Instituições, seguiam-se longos e intermináveis períodos de espera não havendo, para alguns deles, ainda qualquer resposta.

Não deixaram de nos surpreender, também, os valores monetários associados por diversas Instituições aos empréstimos de obras, bem como à reprodução de alguns documentos o que procurámos que não inviabilizasse a prossecução do presente estudo, mas que não podemos deixar de realçar como obstáculo à investigação em Portugal.

Constatámos ainda que alguns dados estatísticos, embora existentes, não estão reunidos nem tratados por qualquer Instituição. Os indicadores que revelam a natureza das desigualdades ou da marginalidade social são quase inexistentes. Por exemplo, são escassos os dados estatísticos referentes à origem social e económica dos estudantes do ensino superior, bem como aos benefícios sociais de que usufruíram enquanto frequentaram o sistema de ensino.

Salienta-se, ainda, que este trabalho de investigação foi realizado com base num universo relativamente reduzido de ex-estudantes do ensino superior, tendo em conta, como referenciámos anteriormente, o contexto actual de reforma do ensino superior em Portugal, nomeadamente a definição de um período temporal de oito meses para elaboração de novos estatutos para aquelas Instituições, processo entretanto já concluído pelo Instituto Superior A, bem como a qualificação do quadro docente, têm concentrado os docentes num assinalável volume de trabalho, o que poderá ter condicionado a participação de alguns docentes no presente estudo, considerando as diversas manifestações de interesse, bem como os comentários inerentes à escassez de tempo disponível. Depois de encerrado o estudo empírico recepcionámos ainda diversos

94 Como por exemplo: «O seu pedido será redireccionado para a secção própria», ou «Acusamos a recepção do seu pedido. Foi efectuado o devido encaminhamento».

questionários, o que nos obrigou a tomar a difícil decisão de já não os considerar tendo em conta que implicaria uma reanálise de todos os dados, podendo comprometer o respeito pelo prazo de entrega da presente dissertação. Por outro lado, como não assumimos uma perspectiva global e representativa do universo português, observados os questionários recepcionados recentemente constatámos que em pouco ou nada produziriam alterações ao texto que agora se discute.

Porém, considerando o carácter exploratório da presente investigação, a focalização da nossa atenção nesse universo permitiu evidenciar o interesse e a pertinência de que se pode revestir a análise e desenvolvimento de diferentes visões e representações dos sujeitos, através da constituição de amostras representativas da população de ex-estudantes, abrangendo todos os diferentes grupos e segmentos em que esta população se subdivide amostras representativas, permitindo aprofundar as proposições aqui apresentadas, através de estudos mais pormenorizados.

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