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5. Makroøkonomiske perspektiver

5.2 Den urbane fristelse

No início da elaboração e aplicação desta proposta didática, não havia a intenção de se aplicar uma diagnose final. Contudo, ao longo do desenvolvimento das atividades, foram surgindo várias reflexões e foram sendo despertadas novas ideias para o encerramento da aplicação desta proposta. A observação e análise das respostas e atitudes dos estudantes, a constatação ou a negação de hipóteses levaram a professora-pesquisadora a reconhecer a necessidade da aplicação de uma das atividades desenvolvidas anteriormente, com algumas adaptações. O objetivo desta segunda aplicação foi perceber se o ensino dos pronomes demonstrativos, respeitando o perfil sociolinguístico dos participantes, simulando situações de uso real da língua e a partir de textos do dia a dia, havia sido mais produtivo que o ensino por meio dos materiais pedagógicos tradicionais.

Com o objetivo de fazer uma diagnose de como o conteúdo linguístico foi apreendido pelos estudantes participantes da pesquisa, retomamos alguns textos da ATIVIDADE 3 – SEGUNDA PARTE, na qual os estudantes reconheceram as funções dos pronomes demonstrativos em sete diferentes textos.

Para a diagnose final, escolhemos 5 entre os 7 textos – um texto narrativo, uma tirinha, uma notícia de jornal e dois anúncios – e acrescentamos uma pergunta: Você considera que essa forma de estudar os PRONOMES DEMONSTRATIVOS gerou bons resultados? Você se apropriou desse conhecimento? Justifique.

Foi feita uma exposição aos alunos sobre o motivo pelo qual fariam a atividade de diagnose, a ATIVIDADE 6: seria feita uma análise comparativa entre as primeiras respostas dadas nessa atividade, em momento anterior ao aprofundamento dos estudos dos pronomes demonstrativos, e as repostas que seriam dadas na finalização da proposta, para que a professora-pesquisadora analisasse se houve ou não a apropriação do conteúdo, da forma como foi ensinado. Os estudantes demonstraram surpresa ao entenderem a orientação, pois não se lembravam de alguma vez terem realizado uma proposta dessa maneira.

O bimestre tem, em média, 40 aulas de Língua Portuguesa e, destas, 28 foram utilizadas para a aplicação de toda a proposta didática. Durante a realização das atividades, os estudantes demonstraram mais segurança e autonomia, quase não fizeram perguntas. Consideramos que essa atitude demonstrou que já estavam mais habituados tanto ao tipo de atividade reflexiva quanto aos usos da língua.

A análise das respostas revelou que houve progresso no reconhecimento das funções dos demonstrativos, embora nenhum estudante tenha reconhecido totalmente as funções que

tais pronomes exercem em cada um dos textos. A maturidade das respostas foi muito maior que na primeira vez em que fizeram a mesma atividade. Contudo, as respostas à segunda pergunta, que acrescentamos à diagnose– Você considera que essa forma de estudar os PRONOMES DEMONSTRATIVOS gerou bons resultados? Você se apropriou desse conhecimento? Justifique. –é que nos chamou a atenção, realmente.

Obtivemos respostas significativas, dentre as quais destacamos:

►Aluna A1: “Sim, geraram. Sim, eu me apropriei desse conhecimento, porque nessa forma de estudar se faz a atividade sem a explicação completa e depois novamente com a explicação, medindo e mostrando sua evolução e coisas que entendeu.”

►Aluna A2: “Sim. Esses resultados foram o reconhecimento de saber que sempre usamos algumas palavras para um monte de coisas sem saber o que é.”

►Aluna A4: “Sim, a explicação e a teoria trabalhada em sala de aula ficava um pouco difícil de entender. Mas a partir do momento em que foi aplicada (a proposta) as mesmas, ficou tudo mais claro, compreensível. Eu particularmente aprendi bastante.” ►Aluna A5: “Sim, pois além de ter me dado entendimentos e conhecimento, facilitou fazer as atividades propostas com mais cautela, mais sabedoria do que está sendo proposto. Posso entender também que os pronomes demonstrativos são recursos que podem auxiliar muito na construção dos mais diversos textos.”

►Aluno A10: “Estudar dessa forma os pronomes demonstrativos é bom porque você percebe claramente os bons resultados. Eu tenho uma pequena dificuldade em português mas com essa matéria nem tanto, eu tive algumas dúvidas, mas já resolvi e quase não tenho dúvidas, então, pode-se dizer que eu apropriei desse conhecimento.” ►Aluno A11: “Sim, ótimos! Me ajudou a escrever textos melhores, ter um domínio maior, pois antes usava muito ELES/ELAS, na maioria das vezes quando se falava de um grupo, agora consigo usar outras formas.”

►Aluno A12: “Sim, em parte, não entendi tudo, mas com esse jeito de estudar, com prática e estudo, vou entender mais.”

Essas respostas demonstram avanço e crescimento dos alunos em relação ao estudo de tópicos linguísticos sob a forma de atividades inovadoras, diferentes das tradicionais. Mesmo tendo a certeza de que a apropriação do conteúdo não foi alcançada plenamente, os participantes conseguiram perceber que as reflexões propostas foram apreendidas, conforme a resposta do aluno A12, ao afirmar que “com esse jeito de estudar, com prática e estudo, vou entender mais”, em outras palavras, pode levar a um ensino produtivo.

A resposta da aluna A5, quando afirma que “facilitou fazer as atividades propostas com mais cautela, mais sabedoria do que está sendo proposto”, demonstra que ela não se apropriou de termos como “reflexão”, “pesquisa”, “análise”, as quais tenta substituir por “cautela” e “sabedoria”. Mesmo assim, fica claro que percebeu que essas ações produzem melhores resultados.

Esta foi a primeira proposta à luz da sociolinguística educacional e da pedagogia da variação linguística elaborada pela professora-pesquisadora. Foi a primeira vez que esses estudantes tiveram aulas nesse modelo, aliando teoria e prática, pesquisando, refletindo e comparando os usos da língua às prescrições da gramática normativa e do livro didático. Reconhecemos que muito há que ser melhorado e muito a ser feito. O ideal é que toda a análise linguística seja realizada dessa maneira, desde o 1º ano do Ensino Fundamental, assim como propõe Mendonça (2007), visto que as várias funções dos recursos linguísticos só se tornam um princípio claro para os alunos se há um trabalho que promova a reflexão.

Após as análises da diagnose final, ficou muito evidente que cada tópico linguístico a ser ensinado deve ser escolhido a partir da observação do professor sobre a maturidade linguística da turma, não sendo necessário explorar um tópico, totalmente, somente em uma série, mas promover a reflexão nos momentos em que isso for necessário, durante o estudo de qualquer gênero textual e não somente nas aulas de “gramática”.

Reconhecemos que o pleno domínio dos usos dos pronomes demonstrativos pode não ter sido alcançado. Contudo, reiteramos que foi a primeira abordagem de análise linguística à luz da sociolinguística educacional e da pedagogia da variação linguística desenvolvida pela professora-pesquisadora e pelos alunos participantes e, mesmo assim, foi perceptível um maior progresso da apropriação do conteúdo pelos alunos do que nas atividades tradicionais de análise sintática.

Todos os professores de Língua Portuguesa devem assumir abordagens reflexivas em suas aulas: desde a leitura do título de um texto é possível orientar uma prática de análise linguística cotidianamente, objetivando formar estudantes reflexivos e atentos aos usos da língua, reconhecedores de que esta se encontra em constante variação.

A partir dessas práticas, consideramos que os estudantes passarão a ter maior facilidade na elaboração e na compreensão dos diversos textos presentes em suas práticas sociais, pois saberão entender os efeitos de sentido causados pelos diversos recursos linguísticos de que a língua dispõe e que, estudados da maneira tradicional nas salas de aula das escolas públicas brasileiras, não têm alcançado o resultado almejado.

Os estudantes da turma em que as atividades foram aplicadas mostraram-se mais autônomos. Foi uma evolução perceptível, inclusive nas atitudes relacionadas às aulas de Língua Portuguesa, visto que todos os dias algum participante da pesquisa perguntava se iria haver atividade da proposta, pois não queria faltar às aulas, para participar. Essa foi uma das diferenças positivas que notamos. Contudo, as mais contundentes foram mesmo em relação ao hábito da nova prática, não havendo a espera de uma resposta pronta, certa, sob as prescrições da gramática normativa, mas sim com reflexão sobre os usos em textos diversos e com reflexões constantes a respeito da língua. Assim, acreditamos que mais uma de nossas questões de pesquisa foi respondida:

“- Atividades propostas a partir da Sociolinguística Educacional podem contribuir para uma visão mais reflexiva acerca do uso desses pronomes e, por extensão, da língua de modo geral?”

Em face de tal questionamento, acreditamos que sim, pois os estudantes, depois da aplicação da proposta, adquiriram uma visão mais reflexiva acerca do uso dos pronomes demonstrativos e, por extensão, da Língua Portuguesa.

Embora não tenhamos trabalhado, isoladamente, o eixo “produção textual”, orientado pelos PCN (BRASIL, 1997, 1998), entendemos que o estudo dos fenômenos linguísticos constitui um dos recursos principais para a produção de textos orais e escritos, pois, uma vez que o indivíduo saiba utilizar adequadamente os recursos linguísticos, tornar-se-á mais eficiente em sua capacidade de ler, redigir e produzir textos, escritos e orais, melhorando, assim, sua competência comunicativa.

Antunes (2013) trata da urgência de se trabalhar com a variação linguística, valorizando as especificidades dialetais, o que já acontece com a oralidade, e que precisa ocorrer também com os textos escritos, deixando de se cobrar, na escola, um texto padronizado, numa língua única que não é real, que não existe de fato. As produções de textos dos alunos provam que o desempenho está aquém do desejado. O ensino da língua escrita deve privilegiar a produção, a leitura e a análise dos diferentes gêneros textuais, de cuja circulação todos somos agentes e testemunhas. A autora afirma, ainda, que o foco da competência em escrita deixaria de ser a correção gramatical e ortográfica, passando a ser um estímulo à compreensão, à fluência, à participação na construção de um mundo, inclusive linguisticamente, mais solidário e mais libertador. Nossa proposta foi elaborada seguindo, entre outros, esses preceitos, usando gêneros textuais diversos, já estudados pela turma de alunos na qual a proposta didática foi aplicada, propondo a análise linguística por meio da reflexão sobre os usos reais que são feitos dos pronomes demonstrativos.

Ao concluir toda a aplicação desta proposta e fazer sua análise, podemos afirmar, com Freire (2008, p.47), que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou sua construção”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quando do início do curso de Mestrado Profissional, havia um desejo da professora- pesquisadora de trabalhar com ensino de análise linguística, uma vez que sabemos que é um dos eixos de ensino sugeridos pelos documentos oficiais – PCN – e também, ao longo da carreira de 20 anos, como professora regente de Língua Portuguesa, há a clara percepção de que, da forma como esse ensino é realizado nas salas de aula das escolas públicas brasileiras, não é produtivo: os estudantes apreendem pouco ou quase nada a respeito dos tópicos linguísticos estudados.

Dessa forma, levando em consideração o que apregoam os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997, 1998), as contribuições da Sociolinguística Educacional (BORTTONI-RICARDO, 2005, 2012, 2014; BAGNO, 2009,2012, 2015,), da Pedagogia Culturalmente Sensível (BORTONNI-RICARDO; DETTONI, 2001; FREIRE, 2008, 2017; SOARES, 1993, 1998), da Pedagogia da Variação Linguística (FARACO, 2008; FARACO; ZILLES, 2015, 2017; CYRANKA, 2007, 2015), de estudos linguísticos (MARINE, 2004, 2009, 2016; CAVALCANTE, 2002; ASSIS, 2010) e de estudos que tratam de ensino de análise linguística (ANTUNES, 2003, 2007, 2013, 2014; BARBOSA, 2014; BECHARA, 2000, 2015; CASTILHO, 2002,2016; MENDONÇA, 2007) para o ensino de Língua Portuguesa, elaboramos uma proposta didática que contemplou o ensino do tópico linguístico “pronomes demonstrativos”, uma vez que observamos que o ensino desse tópico, realizado da maneira tradicional, por meio de metalinguagem e análise sintática de frases soltas, não se mostra produtivo.

Assim, apresentamos, aqui, algumas considerações sobre o que resultou das análises do desenvolvimento da nossa proposta de intervenção, fazendo uma relação dessas análises com o objetivo principal deste trabalho: produzir um caderno de atividades, contemplando o uso dos pronomes demonstrativos na escrita do Português Brasileiro Contemporâneo, em contextos mais e menos monitorados, pautado pelas contribuições da Sociolinguística Educacional e pela Pedagogia da Variação Linguística e disponibilizando essas atividades para todos os professores de ensino básico de escolas brasileiras, como um complemento ao livro didático.

Para alcançar esse objetivo maior, elencamos, ainda, os objetivos específicos: estudar as diretrizes propostas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (BRASIL, 1997, 1998), sobretudo daqueles relacionados ao Ensino Fundamental II; estudar as Diretrizes Curriculares Municipais (UBERLÂNDIA, 2011), observando, principalmente,

as orientações quanto ao tema da variação/diversidade linguística; revisar a literatura relacionada ao ensino de Língua Portuguesa no Brasil, do ponto de vista teórico e aplicado, enfocando aquelas que abordem questões atreladas à variação linguística e à Pedagogia da Variação Linguística; pesquisar estudos linguísticos relacionados ao sistema pronominal dos demonstrativos no Português Brasileiro à luz da Sociolinguística Variacionista; diagnosticar como os alunos fazem uso dos pronomes demonstrativos na escrita; propor atividades didáticas aos alunos pesquisados, elaboradas à luz das importantes contribuições da Sociolinguística Educacional para o ensino da Língua Portuguesa no Brasil, enfocando, principalmente, os usos do Português Brasileiro Contemporâneo; propor atividades de pesquisa em sala de aula, também à luz da Sociolinguística Educacional; contribuir para a elaboração de materiais didáticos de Língua Portuguesa, voltados à Educação Básica, concebidos à luz da Sociolinguística Educacional; contribuir para a formação de estudantes críticos, reflexivos e pesquisadores da língua que usam em seu dia a dia.

Nossas análises foram relacionadas, ainda, às nossas questões de pesquisa: o conteúdo programático relacionado aos pronomes demonstrativos tem sido trabalhado no Ensino Fundamental? Se sim, como tal conteúdo é abordado? Em consonância com as diretrizes dos PCN (BRASIL, 1997, 1998) e das DCM (UBERLÂNDIA, 2011)?; qual é a melhor maneira desse conteúdo ser abordado? Em que nível? De que forma?; os alunos (re)conhecem e mostram-se competentes quanto ao usos dêiticos e fóricos desses pronomes em suas produções escritas?; atividades propostas a partir da Sociolinguística Educacional podem contribuir para uma visão mais reflexiva acerca do uso desses pronomes e, por extensão, da língua de modo geral?

Conforme discutimos ao longo do capítulo 5, na análise dos dados, percebemos que a maioria dos alunos não (re)conhece ou mostra-se competente quanto aos usos dêiticos e anafóricos dos pronomes demonstrativos em suas produções escritas, porque o estudo que já haviam feito desse tópico linguístico, somente a partir das prescrições do livro didático, não se mostrou produtivo.

Sendo assim, viemos a constatar que foi muito importante trabalhar esses pronomes, embasando-nos nas teorias da Pedagogia da Variação Linguística e da Sociolinguística Educacional, visto que, assim como afirmamos diversas vezes ao longo desta pesquisa, o ensino da análise linguística deve se pautar na reflexão sobre os usos, considerando a heterogeneidade da língua, induzindo a observação e a comparação entre aquilo que realmente se usa e as prescrições normativas tradicionais. Como consequência dessa prática de intervenção, pudemos perceber maior interesse por parte dos alunos naquilo que diz respeito à

participação na realização das atividades, principalmente porque não se depararam com um manual de regras a seguir e puderam participar das discussões, observando e refletindo sobre aquilo que, até então, consideravam estático e inquestionável, visto que as regras apresentadas pelos livros didáticos reproduzem as prescrições da gramática normativa.

Para além disso, outra constatação relevante foi a de que os participantes afirmaram não ter tido aulas de Língua Portuguesa que oferecessem a noção de língua em uso ou de Português Brasileiro Contemporâneo, que se mostra, evidentemente, muito diferente daquilo que é ensinado da forma tradicional. Sendo assim, percebemos que nosso trabalho foi ao encontro de um modelo de ensino que precisa ser desenvolvido e, lamentavelmente, quase não ocorre.

Constatamos, então, que muitos problemas relativos à capacidade de entender e produzir enunciados decorrem de um modelo de ensino que privilegia classificações de termos e “análise sintática” – caracterizada por atividades meramente metalinguísticas e sem análise/reflexão sintática –, em detrimento da observação e análise reflexiva dos usos.

Outro ponto relevante foi a constatação de que os alunos reconheceram que o uso dos pronomes demonstrativos, no Português Brasileiro Contemporâneo, segue a configuração binária, conforme atestam as pesquisas linguísticas desenvolvidas atualmente no país.

É muito significativa, ainda, a percepção de amadurecimento e autonomia adquiridos ao longo da aplicação desta proposta didática, visto que se evidenciou, consideravelmente, a evolução do raciocínio reflexivo dos participantes que, no início das atividades, demonstravam incertezas e insegurança até para fazer perguntas, esperando um modelo pronto de “certo e errado”, e, ao final, já conseguiram perceber, por meio de observações e pesquisa, que na língua há usos dinâmicos e heterogêneos e compará-los às regras prescritivas tem muito mais sentido do que explicar o motivo pelo qual “este” ou “esse” está sendo usado.

Dessa forma, reafirmamos nossa crença de que o ensino de Língua Portuguesa não deve continuar se pautando em uma metodologia transmissiva, baseada somente na exposição. Desde os primeiros anos do Ensino Fundamental, os professores precisam levar os alunos a refletirem sobre os aspectos linguísticos que permeiam os eventos das aulas, diariamente, comparando os usos reais da língua às prescrições da gramática normativa e privilegiando o entendimento das funções dos recursos linguísticos nas diversas situações possíveis.

Outra constatação significativa foi feita pelos próprios alunos, quando reconheceram que essa forma de estudar um fenômeno linguístico pode não ter proporcionado uma apropriação total, mas que, se estudarem dessa forma em outras ocasiões, terão mais êxito no

uso da língua portuguesa nas mais diversas situações comunicativas, sejam elas de fala ou de escrita.

De uma maneira geral, concluímos, então, que a resposta a uma de nossas questões de pesquisa, possivelmente a mais relevante delas, acerca do fato de atividades propostas a partir da Sociolinguística Educacional poderem contribuir para uma visão mais reflexiva acerca do uso dos pronomes demonstrativos e, por extensão, da língua de modo geral, foi ao encontro do que esperávamos: essa visão mais reflexiva acerca do uso desses pronomes contribuiu, indubitavelmente, para um ensino mais produtivo.

Entendemos que esta proposta pode (e deve) ser aprimorada, que os participantes da pesquisa não se apropriaram totalmente de todos os usos que podem fazer desses recursos textuais-coesivos. Contudo, demonstraram mais progresso do que quando o ensino é pautado somente na prescrição e, o que consideramos fundamental, esses alunos perceberam que a pesquisa, a reflexão e a observação dos usos da língua os tornaram mais próximos da disciplina Língua Portuguesa estudada na escola, além do fato de que ninguém deve ser estigmatizado devido aos usos que faz dessa língua, uma vez que ela é heterogênea e que se realiza em situações mais ou menos formais, mais ou menos monitoradas.

Concluímos, ainda, que o objetivo principal desta pesquisa – contribuir para um ensino sociolinguístico da Língua Portuguesa, elaborando, como suporte ao livro didático, uma Proposta Didática à luz da Sociolinguística Educacional e da Pedagogia da Variação Linguística, contemplando os usos reais e contemporâneos dos pronomes demonstrativos – foi alcançado, e evidenciou-se, de forma muito significativa, a necessidade de elaboração de outras propostas didáticas para trabalhar os demais tópicos linguísticos, à luz dos mesmos preceitos teóricos que nortearam as atividades desenvolvidas ao longo desta pesquisa, objetivando plena melhora na competência comunicativa do alunado.

Está claro que os alunos de escolas públicas periféricas, das médias e grandes cidades brasileiras, têm pouquíssimo, ou mesmo nenhum, acesso às práticas letradas e que o tempo que passam na escola, no formato que as aulas são ministradas, é pouco para a obtenção dos bens culturais que essas práticas proporcionam. Portanto, é dever do professor proporcionar uma otimização desse tempo. A Sociolinguística Educacional, atrelada às práticas de