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Den sosiale kapital i den norske mikromodellen

In document Den norske mikromodellen (sider 34-37)

Em Franz (2007), há a preocupação em listar e detalhar as demandas contidas em cada um dos componentes do índice. Como a abordagem aqui tende em maior grau para a explicação teórica, preferiu-se apenas levantar os temas a serem monitorados, não havendo qualquer indicação de que o índice esteja concluído e pronto para aplicação imediata sem, como explicitado nas recomendações finais, uma reunião e discussão entre representantes dos partidos, de organizações e das diferentes camadas sociais para a elaboração de possíveis decisões e aperfeiçoamentos.

O indicador proposto nada tem a ver com o Índice de Identificação Ideológica proposto por Singer que “utiliza a autolocalização dos eleitores no contínuo esquerda/direita (a partir de respostas de survey) para definir esta identificação” (CARREIRÃO, 2002b, p. 55). Não há preocupação com a caracterização da demanda, mas, sim, a possibilidade de que a demanda, qualquer que ela seja, possa interferir nas características da oferta. Objetiva-se que, com custos de aquisição de informação menores, a força de sinalização dos eleitores para com suas preferências de políticos e partidos seja reforçada e possa criar padrões de exigência mais sofisticados. A partir do cumprimento das metas básicas medidas pelo índice, supõe-se a intensificação do cuidado na elaboração das propostas apresentadas pelos candidatos. Se correto, o raciocínio poderia levar tanto a um acirramento ideológico quanto a uma dispersão em torno de pragmatismos e rotinas. Espera-se, portanto, que tenha ficado clara a explicação de que não há, e sugere-se que não deve haver, componente ideológico a ser monitorado pelo índice proposto. Preferências por políticas econômicas ou sociais e uma medição do quanto são defendidas pelos políticos se encontram fora do campo calculado pelo índice, sendo alguns dos pontos envolvidos nestes temas já alvos de monitoramento por grupos organizados da sociedade civil. Acredita-se que tais debates devem ser realizados em ocasião posterior à aplicação da proposta.

Outra necessidade inicial para seu funcionamento reside no fato de que o índice político não poderia ser afetado pelo histórico dos candidatos e partidos no período anterior à aplicação dos cálculos. Poderiam surgir complicações,

imprecisões e mesmo pressão política contra a sua implantação, por parte daqueles supostamente prejudicados se tais informações demandadas fossem exteriorizadas. Conforme destaca Pinho (2001, p. 12):

Na área da política, inovações principalmente de ruptura se posicionam contra interesses cristalizados historicamente e, assim, sofrem campanhas de crítica e desmoralização por parte destes. É interessante notar que Schumpeter aponta que as “forças do hábito” se voltam contra o “projeto em embrião”, ou seja, quando ele está ainda no nascedouro. Na área pública, pelas razões expostas, muitos projetos são torpedeados mesmo na fase de proposição, de lançamento da idéia, por contrariarem interesses instalados e consagrados. (...) Não só no campo da economia mas também da gestão pública é possível aceitar que seja “necessário uma força de vontade nova e de outra espécie para arrancar, dentre o trabalho e a lida com as ocupações diárias, oportunidade e tempo para conceber e elaborar a combinação nova e resolver olhá-la como uma possibilidade real e não meramente como um sonho”.

A intenção da proposta não é a de caçar e explorar práticas irresponsáveis e ilegais do passado (ações cabíveis somente à polícia e ao judiciário), mas evitar sua manutenção e manifestação futura, incentivando, portanto, uma governança exemplar no mundo democrático. Abre-se, assim, a possibilidade de profissionalização da política, que ainda sobrevive amadoramente até hoje. Processo esse que não deve ser temido. Conforme discorre Schumpeter (1961, p. 339), “numerosos expoentes da doutrina democrática fizeram o possível para despir a atividade política de qualquer conotação profissional. Sustentaram veementemente, algumas vezes apaixonadamente, que a política não deve ser uma profissão e que a democracia degenera logo que se torna meio de vida. Mas isto é puro idealismo”. Para o autor, só uma atitude profissional, desligada de outras atividades paralelas, traz êxito pessoal na política. Assim, “se desejamos enfrentar os fatos honestamente, devemos reconhecer que, nas democracias modernas de todos os tipos, a política inevitavelmente será uma carreira”.

Verifica-se já a existência de duas sugestões para a construção do índice político. Franz (2007) realiza uma análise das condições sociais brasileiras e discorre sobre a necessidade de implantação de um índice político como ferramenta de fortalecimento da democracia, avaliando itens como transparência, nível de corrupção, presença em sessões e independência dos partidos. Da mesma maneira, o projeto do Movimento Voto Consciente de avaliação dos políticos procura

classificá-los de acordo com requisitos como fidelidade partidária, presença em comissões e número de leis aprovadas. A diferença fundamental entre os dois se dá na abordagem, visto que o primeiro preza pela competição interpartidária e o segundo pela transparência das ações de cada político individualmente. Esclarece- se, aqui, que o presente trabalho enfatiza o enfoque de Franz (2007) por motivos já explicados no tocante à dinâmica de oferta e demanda no mercado da democracia.

Por fim, não há nesta proposta, o que é igualmente válido para todo o trabalho, a sugestão de implementação de qualquer tipo de reforma política, o que caberia, por sua complexidade e extensão, a mais uma dezena de trabalhos. Para observar a amplitude do tema, recomenda-se observar a listagem feita por Maciel (2005, p. 39) de uma série de propostas de Fleischer, não cabendo ao índice a pretensão de dispensar tais medidas. A figura dos lobistas e a constatação de problemas no financiamento privado de campanha não sugerem de forma alguma a defesa pelo exclusivo financiamento público ou qualquer outro meio possível. Busca- se somente a constatação de deficiências no sistema que demandem maior transparência e accountability no método democrático. A proposta apresentada visa apenas ao aumento dessa força de demanda e ao acirramento da competição interpartidária para a observação dos supostos benefícios dela derivados.

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