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Den som har gjort noe galt har alt å frykte?

In document ’Gull og gråstein’ (sider 134-145)

Kapittel 7. Identitetsregistrering i fortid, nåtid og fremtid

7.7 Den som har gjort noe galt har alt å frykte?

Por sua vez, a análise tecnológica permite compreender os gestos e as técnicas por detrás da produção dos recipientes. Esta considerou a compacidade e textura das pastas, assim como a proporção e dimensão dos elementos não plásticos. No caso concreto dos ENP, como frisado anteriormente, a sua identificação foi realizada macroscopicamente, não se registando elementos a destacar ao longo das três fases.

No caso da compacidade e da textura das pastas, estas evidenciam uma manutenção tecnológica entre as fases 1 e 2, com um domínio claro das pastas compactas e homogéneas nas duas primeiras fases, corroborando as considerações previamente reconhecidas. No entanto, na terceira fase, enquadrável já na transição para a Idade do Bronze, observa-se uma alteração evidente em relação às fases anteriores. As pastas compactas e homogéneas mantêm-se preponderantes com uma ligeira redução, ascendendo os números das pastas de consistência média e de textura granular. Esta tendência está também patenteada no leve aumento dos recipientes de pastas friáveis.

Os elementos não plásticos (ENP), ostentam a mesma imagem geral das pastas. Entre a fase 1 e a fase 2 observa-se um ligeiro aumento das proporções fracas e dimensões pequenas dos ENP, seguindo-se uma abrupta alteração, na fase 3. As pastas com proporções de ENP fracas e a sua dimensão inferior a <1mm rondam os 50% do conjunto em ambos os casos, acentuando-se a presença de pastas com proporções médias e elementos com ≤3mm, que variam entre os 30% e os 40%. Esta situação, aliada à alteração sublinhada nas pastas, aponta para uma quebra evidente com as tradições produtivas calcolíticas, que podem ser cronologicamente justificadas. O afastamento que os dados deixam reconhecer, levanta questões, em primeira instância, essencialmente tecnológicas, como a possível alteração nas áreas de aprovisionamento de argilas, que podem conter (naturalmente) diferentes padrões de ENP, assim como tratamentos específicos consoante as funcionalidades e utilizações a dar aos recipientes. As modificações nas morfologias

65 sustentariam as alterações funcionais dos recipientes, contudo, como enfatizado para a componente morfológica, não se evidenciaram alterações significativas nas formas dos recipientes.

Os tratamentos de superfície, ainda que relacionados com as morfologias dos recipientes, mostram as mesmas tendências nas três fases. A 1ª fase conta com uma distribuição homogeneizada entre os recipientes alisados (1), o engobe interno (7) e o engobe total (9). Já a segunda e terceira fases, contam genericamente com o mesmo padrão, existindo um domínio total (cerca de 65% e 70%) das superfícies alisadas, com os mesmos picos anteriormente verificados, as superfícies com engobe interno (aproximadamente 15% em ambas as fases) e engobe total (20% na 2ª e 3ª fases). Estes dados encontram-se influenciados pelo estado das superfícies dos fragmentos, predominantemente em bom estado (com 96.3% na 1ª fase e 98.6% na segunda), especialmente na terceira fase, onde se verifica o mesmo padrão descrito para os elementos não plásticos e para as pastas, com uma descida nas superfícies sem sinais de erosão (80,4%), observando-se o aumento dos fragmentos com alguns sinais de erosão (16.8%). Os sinais de erosão são úteis para a compreensão da vida das peças e fragmentos, servindo ainda como indicadores de intencionalidade na inclusão destas peças nos contextos em estudo. De facto, se considerarmos que a fase 3 representa os últimos momentos do sítio dos Perdigões, é compreensível a presença de 49 fragmentos, em 291, com sinais de erosão. Estes são na sua maioria provenientes dos depósitos [415], [444] e [531], encontrando-se distribuídos pelas formas 1- pratos, 2- taças, 4- tigelas e 6- globulares, com treze, seis, um e dois elementos respectivamente, que ilustram a inclusão de peças provenientes de outros depósitos ou estruturas, quer seja esta inclusão intencional ou involuntária. O sítio dos Perdigões foi também alvo de vários estudos petrológicos, que apoiam

Os restantes sítios arqueológicos identificados na região parecem apontar para uma situação idêntica, em especial para os sítios do Moinho de Valadares e o Monte do Tosco (Dias et al., 2013, p. 189), onde análises químicas permitem sustentar as tendências identificadas no sítio dos Perdigões. Em oposição encontra-se o Porto das Carretas, onde se verifica um domínio geral das pastas grosseiras, atestando-se um ligeiro aumento para a segunda fase. Para o caso concreto do sítio do Porto Torrão, os dados disponíveis indicam para uma produção local, quer nos estratos com Campaniforme, como sem (Arnaud, 1993, p. 47), indo de encontro com os resultados dos sítios da margem esquerda.

Adicionamos ainda outro dado que enfatiza as ideias apresentadas, a presença de marcas de molde na superfície externa dos recipientes de tipo prato. Esta presença ilustra o recurso a esta técnica concreta de produção destes recipientes, apresentando valores muito semelhantes em todas as fases (abaixo dos 50%). Verifica-se um aumento dos recipientes com estas marcas entre

66 a fase 1 (41,2%) e a 2ª fase (49.3%), voltando a diminuir na terceira fase (44,3). Esta manutenção das técnicas suporta a ideia de que a alteração pode estar mais relaciona com o tratamento das pastas, ou até o próprio barreiro, e não propriamente com novas maneiras de fazer os recipientes, enfatizando-se a manutenção relacionada com as morfologias dos recipientes.

Numa apreciação global podemos mencionar que o conjunto se mostrou bastante coerente, indo de encontro com os padrões já identificados. As pastas podem ser caracterizadas como cuidadas e finas nas duas primeiras fases, resultando possivelmente da utilização das mesmas áreas de aprovisionamento, ainda que estes dados careçam de confirmação. Sublinha-se, sem dúvida, que existe uma continuidade tecnológica entre estes intervalos cronológicos, expressando processos de aprendizagem que se estenderiam por diversas gerações. As tradições aqui identificadas são perpetuadas por comunidades coesas entre si, que parecem partilhar um mesmo espaço e uma mesma paisagem, não sendo possível diferencia-las, pelo menos em termos materiais. Todavia, esta monotonia produtiva é interrompida na fase 3 estabelecida para os conjuntos em estudo, observando-se uma ruptura com a tecnologia anterior já no advento da Idade do Bronze. Diversas questões se levantam: novas comunidades? Uma quebra com a funcionalidade/sentido atribuído anteriormente ao sítio? Ou uma simples alteração das matérias primas? Estas questões têm necessariamente de ser articuladas com os restantes contextos do sítio, ainda que pouco sejam os que apresentam uma cronologia tão avançada.

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