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A reforma dos cursos de Licenciatura da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), orientada pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para Formação de Professores do Ensino Básico, ocorreu concomitantemente à definição de diretrizes institucionais para a reformulação dos cursos de graduação.

Na UFU, o processo de reforma dos cursos de formação de professores iniciou- se com a organização do Fórum das Licenciaturas que gerou alguns desdobramentos: “seminários, oficinas, reuniões nas Unidades Acadêmicas e nos Colegiados de curso, entre outros” (SILVA, 2007, p. 65). De maneira semelhante ao ocorrido na UFMG, houve, na UFU, a intensificação dos debates e discussões em torno da reformulação dos projetos pedagógicos dos cursos de Licenciatura, relatados na Introdução do Projeto Institucional da UFU:

O debate interno manteve-se intenso em 2002 e 2003. Nesse espaço de discussões, o conjunto dos coordenadores dos dezesseis Cursos de Licenciatura da UFU, juntamente com professores e alunos, membros ou não de Colegiados de Curso, a Faculdade de Educação e a Diretoria de Ensino analisaram não só as exigências legais, mas também, deram início a um diálogo sobre os possíveis caminhos da formação de professores (UFU, 2006, p. 12 citado por Silva, 2007, p. 64).

A organização curricular dos cursos de Licenciatura da UFU deu-se por meio de três núcleos, citados pelo autor: Núcleo de Formação Específica; Núcleo de Formação Pedagógica e Núcleo de Formação Acadêmico-Científico-Cultural.

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O núcleo de formação específica se define pelos conhecimentos da área científica de referência de cada curso. (...) Cada colegiado de curso deve estabelecer os elementos curriculares que compõem esse Núcleo27. O núcleo de formação pedagógica privilegia o tratamento dos conhecimentos teórico- práticos do campo da educação e do ensino, de modo que no processo formativo do futuro professor sejam assegurados conhecimentos que conduzam à compreensão da educação e da escola, sua função social e política, à análise da realidade e ao domínio dos conhecimentos no campo da didática e das metodologias de ensino28. O núcleo de Formação Acadêmico- Científico-Cultural compreende um grande leque de atividades de “enriquecimento curricular – acadêmica, cultural e artística, científica ou tecnológica – que complemente a formação do estudante... (SILVA, 2007, p. 68).

O autor esclarece que a carga horária do Projeto Integrado de Prática Educativa (PIPE), cujas atividades culminam com a realização do “Seminário de Prática Educativa” que ocorre entre o 5º e o 6º períodos do curso, integra o Estágio Supervisionado. Tal Projeto foi considerado o principal feito dos esforços dos grupos envolvidos na reforma dos cursos de Licenciatura na UFU que tinha como objetivo a construção de “novos percursos e práticas curriculares”, atribuindo relevância “aos princípios orientadores definidos no Projeto Institucional de Formação e

Desenvolvimento do Profissional da Educação”29.

Com base nas orientações das DCNs de 2002, estabeleceu-se, na UFU, a Comissão Permanente de Formação de Professores, diretamente vinculada à Pró- Reitoria de Graduação e composta por membros representantes dessa Pró-Reitoria, de cursos de Licenciatura, da Faculdade de Educação e do Instituto de Psicologia. Destacam-se como principais atribuições da Comissão Permanente de Formação de Professores da UFU:

o acompanhamento, a avaliação e os eventuais encaminhamentos para o desenvolvimento dos projetos pedagógicos dos cursos de formação de professores, a condução do processo coletivo de discussão, de reflexão e de reelaboração do Projeto Institucional de Formação e desenvolvimento de profissionais da Educação. À Comissão cabe, ainda, estabelecer permanente interlocução com as demais instâncias que articulam os processos de

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Nesse núcleo, estão reunidos os componentes curriculares relativos aos conteúdos específicos, em articulação com os conteúdos da área de formação pedagógica e a formação para a pesquisa. Cada colegiado de curso deve estabelecer os elementos curriculares que compõem esse Núcleo.

28 As disciplinas de formação pedagógica incluíam Didática Geral (60 horas), Política e Gestão da Educação (60 horas), Psicologia da Educação (60 horas), metodologia de ensino na área específica do curso (mínimo de 60 horas) e mais uma disciplina a critério do colegiado de cada curso e ainda o Projeto de Prática Educativa (PIPE) e o Estágio Supervisionado. Por meio desses componentes curriculares, pretendeu-se assegurar que o licenciando teria uma inserção na análise sistemática de conceitos, temas e questões educacionais.

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formação continuada de professores (UFU, 2006, p. 33 apud SILVA, 2007, p. 69).

Porém, a Comissão Permanente de Formação de Professores da UFU, após dois anos de sua institucionalização, ainda não havia dado início às suas atividades. Silva (2007, p. 70) ressalta ainda outras limitações que constrangeram mudanças mais profundas na UFU: “o próprio imaginário pedagógico-formativo de muitos alunos e professores, que ainda é muito marcado pela separação entre a formação do bacharel e a formação do licenciado” e a resistência motivada pelo fato de que a “compreensão da prática educativa e da pesquisa como elementos orientadores e articuladores do processo formativo ainda não está suficiente e definitivamente sedimentada” (p.70).

Observa-se que os processos de reformulação dos cursos de Licenciaturas, tanto na UFMG quanto na UFU, ainda enfrentam vários desafios no interior de seus respectivos campos universitários. Entretanto, seria interessante perguntar sobre as condições sociais de produção dos processos de reforma das Licencituras nessas Universidades, mas não sendo este o objetivo desses relatos, resta-nos direcionar essa questão para o contexto de investigação do presente estudo.

1.5 O processo de reestruturação das Licenciaturas da UFOP como objeto de