5.2 Selvledelsesstrategier under krevende forhold
5.2.2 Den indre stemmen
O declínio da taxa de fecundidade no Brasil vem se dando de forma quase vertiginosa nas últimas décadas. O censo de 1970 constatou que a média de filhos para cada mulher em idade reprodutiva era de 5,8; dez anos depois, a média passou a ser de 4,4; já no ano de 1990 a média caiu ainda mais, chegando a 2,9 e no ano 2000 esta média foi de 2,3 filhos (IBGE, 2002b). Desde 1940, a faixa etária da população com idade acima de 60 anos foi a que mais cresceu no País, representando hoje 8,6% da população brasileira.
Assim, analisando estes dados pode-se supor que com a diminuição da fecundidade, menos crianças irão nascer e conseqüentemente menor será o número de crianças com algum tipo de necessidade especial. Por outro lado, com o incremento crescente da população de
idosos e o aumento da expectativa de vida da população, maior será a taxa de doenças crônicas, sendo que estes indivíduos e seus cuidadores precisarão de um atendimento em Educação Especial, sendo um novo ramo de estudo nesta área do conhecimento.
No jogo de valores entre o limite saúde-doença e normal-anormal o que se tem é uma “sociedade impregnada de preconceitos e de um espírito de competição que por prepotência dos ditos normais, procura estabelecer limites do outro, como se este fosse um inválido e, conseqüentemente, um ser digno apenas de caridades marginalizadoras e humanamente humilhantes” (MARQUES, 1992).
Então por intermédio de programas consistentes principalmente no meio universitário devem-se encontrar caminhos para a superação não só das barreiras físicas e educacionais que dificultam o acesso das pessoas com necessidades especiais ao ambiente escolar e social, mas principalmente de barreiras atitudinais que impedem o reconhecimento desta população como seres humanos.
Quem trabalha com formação de recursos humanos em Educação Especial deve estar sempre atento em interagir a prática profissional e o trabalho de pesquisa, assim como, fazer a intersecção entre teoria e prática (PARDO, 2004), para que, a população elegível para a Educação Especial, no caso desta pesquisa, cuidadores de indivíduos com condições especiais de saúde que requeiram a aprendizagem de repertórios especiais para lidar com tais condições, tenham com a interação entre produção de conhecimento e intervenção, melhoria na sua qualidade de vida.
Segundo Duarte e Diogo (2000) treinar pessoas leigas para o cuidado do idoso doente e/ou fragilizado constitui-se numa responsabilidade sem par, considerando-se que o mesmo exige atendimento específico e complexo, na medida em que a evolução de seu estado de vida e saúde pode se tornar progressivamente comprometido.
Reforça-se a importância do trabalho com a família para que se possa refletir sobre a sua vivência, sentimento e dificuldade, auxiliando-a a encontrar alternativas de interação e convivência com as situações enfrentadas (PASKULIN e DIAS, 2002).
O ensino em saúde é uma atividade que permite ao profissional adotar na prática do seu cotidiano a seleção, organização e explicação dos conteúdos, de modo a direcionar as atividades de ensino, descrevendo objetivos, métodos, formas organizativas e meios adequados em favor do bem-estar do paciente, aliando-se ao familiar-cuidador (FREITAS e SANTANA, 2002).
Ao se pensar na dimensão do “cuidar” pode-se dizer que não é uma tarefa fácil, principalmente quando, dependendo da situação, só o carinho, a dedicação, a atenção não bastam. É preciso técnica, é preciso conhecimento científico, e os cuidadores, em sua maioria, não estão preparados, ficando comprometida a assistência à pessoa doente (MELLO, 2002).
Rodrigues e Kaufmann (1996, apud ESSLINGER, 2003) ressaltam que a intervenção do pesquisador deve ocorrer no sentido de deixar o entrevistado seguir a entrevista no seu tempo (subjetiva e objetivamente falando) e que retome, sempre que necessário, alguma colocação do entrevistado que dê margem a interpretações ambíguas.
No estudo de Mendes (1995) sobre cuidadores, constatou-se que as entrevistas foram uma fonte de informação para o cuidador e uma motivação para busca de novas informações sobre a doença e o tratamento a ser administrado ao familiar dependente. As perguntas levavam-no a pensar sobre a doença, sobre os comportamentos que podem despertar no paciente; sobre a extensão da doença e o tipo de tratamento que o paciente necessita; sobre o tempo de recuperação; sobre a importância dos tratamentos em saúde na reabilitação do paciente e a avaliar o atendimento que tem recebido no hospital e nas consultas.
Quando o cuidador é a família pode-se ter intervenções individuais ou em grupo. Elas podem visar três objetivos: apoio, resolução de problemas e desenvolvimento de habilidades de enfrentamento (CARVALHO, 2003).
Uma metanálise sobre programas de intervenção com cuidadores mostrou que a intervenção individual e familiar é altamente efetiva em reduzir o estresse do cuidador comparado com o grupo-controle (KNIGHT, LUTZKY e MACOFSKY-URBAN, 1993). Esses programas, além de fornecer suporte psicológico, educacional, instrumental e financeiro aos cuidadores, também diminui os custos do sistema de saúde por aumentar o uso efetivo dos serviços médicos, reduzindo o número de visitas a esses profissionais.
Como diz Cerqueira e Oliveira (2002), deve-se incentivar, sempre o cuidador a buscar formas de cuidar-se, pedir ajuda, de buscar serviços especializados, estabelecer limites, planejar o futuro e cuidar da própria saúde. Propor formação de grupos de auto-ajuda e a organização em grupos para reivindicação de direitos sociais e à assistência médica.
Tanto nos Estados Unidos como Europa, há grandes investimentos das políticas públicas a fim de construir e manter redes de suporte a idosos, ou diretamente, ou prestando apoio a cuidadores: familiares, voluntários e profissionais. Isto é reconhecido como mostrou a pesquisa de Lechner e Neal (1999) sobre programas públicos e privados a qual constatou que os cuidados oriundos de redes informais de apoio constituem a mais importante fonte de suporte a idosos.
Ao se reconhecer despreparado e, mesmo assim, ter que cuidar do outro, saber-fazer, saber-cuidar se constituem em uma reivindicação do ser cuidador e uma meta a ser alcançada. A necessidade de cuidar com zelo e solicitude é acompanhada, na maioria das vezes, por sensações de fragilidade, insegurança e abandono à própria sorte (SENA et al, 2000).
Zarit (1997) num de seus estudos sobre intervenção com familiares cuidadores obteve como resultado que após um curso, as pessoas ou identificavam melhor seus sentimentos ou
tinham “mais coragem” de expressá-los, talvez pela possibilidade de compartilhá-los com outras pessoas, num clima de acolhimento, identificação e ausência de críticas.
No cuidado domiciliar o profissional de saúde tem a família como um dos pilares do cuidado e é preciso que se respeite as casas das pessoas, suas peculiaridades, suas rotinas, condutas, culturas e crenças (LACERDA, 2000).
Ao estudar o ser cuidador na internação domiciliar Sena et al (2000) coloca que estes situam-se como vínculo entre a unidade de saúde e o paciente, e ressaltam que a internação domiciliar possibilita a humanização da assistência e estimula o crescimento do cuidador.
O cuidador constantemente encontra-se em situações difíceis, senão dolorosas, para auxiliar uma pessoa doente, uma vez que ele próprio necessita de ajuda, apoio e orientação.
Para Lacerda (2000) ensinar a família a cuidar é ação primordial no cuidado domiciliar, e os cuidadores precisam ser ensinados de acordo com seu grau de compreensão e de possibilidade de ação. É preciso respeitar estas diferentes capacidades de aprendizagem e execução dos cuidados realizados pelos familiares.
Para ensinar é preciso conhecer o que ensinar, e este conhecimento busca-se junto ao educando, em sua realidade. Portanto, ambos aprendem, ambos ensinam. O (a) educador (a) necessita buscar a realidade para conhecê-la e codificá-la com o educando, interpretando-a e transformando-a (WALDOW, 1998).
É importante a relação do sujeito consigo mesmo, pois cuidar de si é a primeira relação; depois, e por decorrência, vem cuidar do outro, já que quem sabe cuidar de si adequadamente sabe conduzir-se na relação com e para o outro.
Nesse contexto, Mello (2002) coloca que ao procurar aprender para cuidar, esse cuidador também está cuidando dele próprio, no sentido de que, sanando suas dificuldades, as sensações de insegurança e abandono paulatinamente vão sendo dissipadas, à medida que este
encontre quem o oriente, quem lhe tire as dúvidas, quem compartilhe com ele os momentos vividos no seu fazer diário.
CAPÍTULO VI
Método