6.1 Hverdagsutfordringer og praktiske tiltak
6.1.4 Den gode samtalen
O recurso da linguagem teatral para trabalhar diversos assuntos relacionados com a saúde junto à população é uma das grandes estratégias de atuação do Mops/SE140.
A Revista Aracaju (2003, p. 4), apresenta uma matéria sobre o trabalho realizado pelo Mops/SE num canteiro de obras de uma das grandes construtoras do Estado; o sket teatral desenvolveu a temática Prevenção de Acidentes e, o engenheiro de segurança da empresa garante que esse tipo de trabalho consiste numa alternativa para os ensinamentos que necessitam serem apreendidos pelos funcionários durante os treinamentos.
140 Durante a entrevista, Marques militante do Mops/SE (natural de Salvador/BA, bonequeiro, mamulengueiro, autodidata e artista) destacou a grande importância do teatro no processo de formação, pois à medida que o teatro entretém trabalha conteúdos. Relatou ainda que confeccionou bonecos para serem utilizados durante uma campanha educativa, promovida por uma construtora da cidade, com o objetivo de despertar em seus funcionários a necessidade dos mesmos se inserirem na educação formal. O trabalho foi apresentado no canteiro de obras durante o horário do almoço. O recurso de bonecos “foi muito proveitoso, houve uma receptividade fantástica porque o boneco fala por si” enfatiza Marques.
Alguns skets de grande repercussão no trabalho do movimento, foram produzidos pelo militante Marcelo Marques, a exemplo de “Quem vê cara não vê Aids”, foram realizadas em torno de 40 apresentações em vários locais: garagens de empresas de transportes rodoviários, Moinho de Sergipe, Petrobrás, presídio feminino, este último a convite do Movimento de Direitos Humanos; em Lagarto/SE no dia da Diversidade Sexual em 2007 e tinha por objetivo falar do crescimento da epidemia entre os casados; “Tira a mão da minha Saúde”, ato em defesa do SUS, dá relevância a questão dos princípios básicos, a carta de direitos dos usuários, as garantias constitucionais relativas a saúde. “Fim da Picada”, um alerta sobre a epidemia da Dengue e tem duas versões (prosa e cordel).
A militante do Mops/SE Margarida Souza, atriz e integrante do coletivo de teatro, ressaltou os benefícios da linguagem teatral nos trabalhos realizados pelo movimento:
O teatro eu diria assim: que era para as pessoas carentes quem não tinha televisão, tinha que fazer teatro lá e passar a informação através do teatro. Porque na realidade o teatro, a parte lúdica é mais fácil memorizar do que palestra, do que conversa; porque a gente falava sobre as doenças sexualmente transmissíveis, mostrava a camisinha, aí muitas vezes a gente ia passando e o povo dizia assim, o pessoal das palafitas dizia: ‘passe por aqui nós também somos gente’, aí nós fomos fazer teatro lá nas palafitas.
O coletivo de teatro também produz músicas nas quais suas mensagens objetivam esclarecer a população sobre vários aspectos da saúde. Assim, de forma lúdica, os conteúdos relativos aos cuidados, prevenção e sintomas das doenças são trabalhados e com mais chances de serem apreendidos, enfatiza os militantes.
Sobre as Doenças Sexualmente Transmissíveis – DST/Aids: Bom dia, boa tarde, boa noite
Uma idéia...
Quem usa camisinha Não tem Aids e gonorréia É fácil de usar
É fácil de tirar Quem usa camisinha Bota e mexe sem parar.
Com relação ao mosquito da dengue: Eu sou bem pretinho De manchas branquinhas Eu nasço na água Que está paradinha
Começo com os ovos nas lavanderias Em baldes e calhas
Em qualquer vasilha
Eu saio voando Em qualquer lugar Quando vejo gente Começo a picar Eu dou muita febre Enjôo e fadiga Pareço com gripe E dor de barriga
Mais um alerta sobre a dengue: O mosquito entrou na roda Pra matar população, população Vem de lá, oh! Minha
Gente eliminar esse Mosquitão
Ele pica a gente Que a gente não sente Passam quatro dias pra Ficar doente
Venha minha gente Vem colaborar
Não deixe o mosquito te infectar.
A busca de parcerias para o desenvolvimento de suas ações levou o Mops/SE a organizar um trabalho coletivo junto a outras entidades, o que
proporcionou um diferencial no seu trabalho ligado ao teatro popular, destaca a militante Julielba Santos:
Tem alguns momentos assim que são bem marcantes no Mops. O primeiro momento foi a construção de um projeto coletivo com outras instituições pra gente trabalhar a prevenção das Dsts/Aids nas comunidades carentes. Eu acredito que com o Mops houve um avanço por ter trabalhado junto com outras entidades, na época o Dialogay, o movimento de moradia, o movimento negro, o movimento comunitário, um projeto coletivo. A gente não só queria levar a prevenção das Dsts/Aids, a gente queria dar uma cara nova aos questionamentos nas comunidades, é tanto que nós discutimos um teatro popular e, esse teatro popular ele leva prevenção das Dsts/Aids, mas também levava uma crítica ao sistema de saúde existente, tinha uma fila que o pessoal reclamava da demora do Posto de Saúde, então não era só levar a prevenção das Dsts/Aids, mas também discutir a saúde de forma diferente, o questionamento da realidade. E esse projeto deu uma cara nova ao Mops, a gente conseguiu outros contatos através desse projeto de Dsts/Aids, conseguimos entrar nas escolas, conseguimos entrar nas empresas, conseguimos entrar em fábricas e trabalhar a saúde pública e despertar nas pessoas uma saúde diferente através da prevenção.
Para o Mops/SE, é de grande importância o trabalho teatral junto as comunidades, porque o movimento consegue chegar aonde o Estado não chega, relata a coordenadora do Mops/SE Simone Leite. O entendimento é de que o Estado com a sua face repressora não consegue entrar, por exemplo, no mercado Albano Franco porque as cobranças são muitas. Outra questão, o movimento faz trabalhos aos sábados, domingos, feriados, de dia e de noite, já para o Estado é mais difícil ter esse alcance. Para a militância o teatro do Mops/SE tem um grande diferencial, por exemplo, com relação ao teatro do Centro de Educação Permanente da Saúde (órgão municipal), esse teatro oficial faz a sua apresentação num único formato para todas as realidades, a comunidade entenda se quiser, ressalta Simone Leite. Já com relação ao teatro do Mops/SE ocorre uma modificação na linguagem e na forma de interação com o público a depender da comunidade onde se apresenta, há uma interação muito grande com o público e ao término da apresentação abre-se um debate para dúvidas e orientações. A coordenadora destacou que anteriormente o movimento só dava palestras, mas a partir de uma pesquisa realizada em conjunto com o Ministério da Saúde identificou-se que o conhecimento adquirido pelo público era muito reduzido, diferentemente de uma apresentação teatral onde o processo de assimilação é muito maior, foi aí que o movimento fez a transição da metodologia de trabalho
com a utilização da linguagem teatral. A parceria com o Ministério da Saúde garantiu uma Kombi para o transporte do grupo e do material facilitando o deslocamento para a realização do trabalho educativo em diversas comunidades.