Design for Motivation: Evaluation of a Design Tool
14.2 DEMO: A tool to design for motivation
Há divergências sobre fontes e localizações de MMPs e TIMPs em tecidos neoplásicos. Questiona-se se células neoplásicas produzam MMPs ou estimulem
células do estroma a produzi-las, via interação parácrina. 37 Discrepâncias podem ser observadas entre a localização do material genético responsável pela transcrição das MMPs e sua expressão protéica.
Muitos dos resultados de pesquisas dependem do tipo de técnica empregada para a identificação dessas proteínas, que podem ser quantificadas no soro dos pacientes e localizadas nos tecidos. Entre as técnicas teciduais, algumas fazem uso de homogenados, proporcionando estudo do material genético celular e expressão protéica, mas não possibilitando visão espacial de sua disposição nos tecidos. Já, modelos “in situ” proporcionam preservação da arquitetura tecidual. Estudos têm demonstrado que a fonte celular das MMPs também pode diferir de acordo com o tipo de câncer e a MMP específica estudados. 104 Seguem alguns exemplos.
Já se relatou presença de MMPs em células neoplásicas de carcinomas de mama por alguns autores, 114 mas também em células do estroma, por outros. 115
Em carcinomas de colo de útero, MMP-2 foi identificada tanto em células neoplásicas como do estroma em um terço de amostra analisada e, em metade da amostra, foi encontrada em células neoplásicas ou estromais. Em cerca de metade dos casos, TIMP-2 foi identificado em ambos os tipos celulares e, em número semelhante de casos, em células neoplásicas ou do estroma. Em um terço dos casos demonstrou-se presença de MT1-MMP em células do estroma ou do tumor e, em um pouco mais de 40% dos casos, em ambos os tipos celulares. 116
Em carcinomas cólon-retais, MMP-2 foi identificada em células do estroma, enquanto que TIMP-2 foi encontrado em enterócitos de amostras de mucosa sadia e, em pequena quantidade, em enterócitos neoplásicos. Sua presença no estroma foi menos pronunciada em casos mais avançados.Entre sete espécimes de metástases,
quatro apresentaram fortes sinais para TIMP-2 à hibridização “in situ”, porém sinais para MMP-2 no estroma foram menos intensos, quando comparados com os tumores primários. 117
Em estudo 118 de carcinomas epidermóides de língua, MMP-2, MT1-MMP e TIMP-2 foram identificados principalmente em células neoplásicas. Algumas células endoteliais e alguns fibroblastos no estroma adjacente aos tumores também apresentaram colorações positivas para as proteínas estudadas.
Okada et al. 119 demonstraram, através de “probe” de DNA (molde pré- fabricado de seqüência específica de material genético), que MT-MMPs são transcritas em fibroblastos do estroma adjacente a carcinomas de cólon, mama e cabeça e pescoço, mas não em células neoplásicas, embora, à imuno-histoquímica, a enzima já tenha sido detectada nas células neoplásicas. Em carcinomas primários de cólon, maior expressão de MT-MMP foi observada em frentes de invasão neoplásica. Já, em carcinomas de mama e cabeça e pescoço, células expressando MT-MMPs estavam distribuídas através do estroma dos tumores. Os autores assumiram que, quando o componente extracelular das MT-MMPs é imunodetectado na superfície das células neoplásicas, esse poderia ter sido liberado pelos fibroblastos, onde a proteína é transcrita, e ligado a receptores de superfície das células neoplásicas. A mesma possibilidade foi aventada para MMP-2. Entretanto, MT-MMPs sem um domínio transmembrana podem não ter poder de ativação da pró-MMP-2, o que sugere que os ectodomínios das MT-MMPs imunodetectados nas células neoplásicas possam readquirir capacidade de ativar MMPs latentes ou ter, simplesmente, outra função.
Em diferentes carcinomas de glândulas salivares, MMP-2, MT1-MMP e TIMP-2 foram imunolocalizados em células tumorais, porém, atividade gelatinolítica só foi identificada em ninhos neoplásicos de espécimes de carcinomas mucoepidermóides. 120
Quanto à glândula tireóide, demonstrou-se que a principal fonte de MMP-2, MMP-9, TIMP-1 e TIMP-2 no carcinoma papilífero são as células neoplásicas, em detrimento das células do estroma. Células foliculares não-patológicas, bem como células do estroma de áreas sadias, também foram positivas para a pesquisa destas enzimas. Expressões foram maiores em células foliculares sadias quando comparadas às do estroma, mas menores em relação às células neoplásicas. 121
Em análise de valores séricos de VEGF e MMP-9 em portadores de carcinomas papilíferos da tireóide, Lin et al. 122 propuseram hipótese das próprias células neoplásicas serem responsáveis pela produção destes fatores, ao basearem-se no progressivo aumento de suas concentrações à progressão do estádio da doença.
Através de técnicas de hibridização “in situ” em espécimes de carcinomas papilíferos, foram observadas as presenças de RNA de MT1-MMP tanto em células neoplásicas como em células do estroma ao redor de ninhos neoplásicos invasivos, embora células do estroma, em tecidos tireóideos sadios, não apresentassem sinais correspondentes à enzima. A expressão do RNA específico deve refletir a produção da proteína, que foi imunolocalizada em ambos os tipos celulares, coloração não observada nos casos de adenomas foliculares e controles. MMP-2 também foi imunolocalizada em células neoplásicas e em células do estroma, mas a coloração foi fraca ou ausente em estroma distante do carcinoma. Forte atividade gelatinolítica para MMP-2 foi identificada, através de zimografia “in situ”, em células da neoplasia
maligna, mas fraca atividade foi observada em componentes do estroma adjacente ao tumor e nenhuma atividade no estroma distante do câncer. Foram resultados compatíveis com os observados pela técnica de IH. Foi também demonstrado que, entre MT-MMPs, MT1-MMP é predominante no carcinoma da tireóide e seus níveis de mRNA correlacionaram-se diretamente com a ativação da pró-MMP-2. 123
Zedenius et al. 124 estudaram espécimes de carcinomas papilífero, folicular e anaplásico da tireóide, através de técnicas de hibridização “in situ” para o mRNA de MMP-2 e MMP-11. Os sinais para MMP-2, quando presentes, foram observados no estroma ao redor das frentes de invasão neoplásica, mas não no estroma tireóideo de áreas sadias. Todos os quatro casos de carcinomas anaplásicos e quatro, de cinco casos de carcinomas papilíferos, apresentaram sinais intensos, enquanto que em 10, de 14 casos de carcinomas foliculares, foram observados sinais de graus variados. Nenhum adenoma folicular apresentou sinais de MMP-2, com exceção de dois casos de adenomas atípicos. Em nenhum caso, sinais de hibridização para MMP-11 foram demonstrados.
Tomita 125 analisou três casos de hiperplasias de células “C” e 10 casos de carcinomas medulares da tireóide corados para MMP-2, MMP-9, TIMP-1 e TIMP-2, além de CT, cromogranina A e CEA, através de IH. Todas as células “C” não- patológicas coraram-se intensamente para as MMPs e os TIMPs estudados. Nos casos de HCC, menor quantidade de células “C” coraram-se para MMPs e poucas para TIMPs. Células malignas dos CMTs obtiveram coloração relativamente menor em relação às células “C” não-neoplásicas, embora metade dos casos de câncer apresentasse células neoplásicas fortemente imunocoradas. As margens das neoplasias sofreram coloração mais intensa em relação aos centros das lesões.
Em estudo de 22 espécimes de CMT, Cvejić et al. 37 localizaram, através de IH, expressão intensa de MMP-2 no citoplasma da maioria das células malignas de todos os casos analisados. Também foi observada, mas em intensidade inferior, talvez por sua menor celularidade, positividade em células do estroma neoplásico, em células endoteliais e na interface entre células malignas e tecido sadio adjacente. Não se notou diferença de imunocoloração entre centro e periferia das neoplasias, como observado no estudo citado anteriormente. Células epiteliais de folículos adjacentes às neoplasias não foram coradas.