A utilização dos princípios da Prática Baseada em Evidências (PBE) para fundamentar as decisões diagnósticas tem sido discutida na literatura. A PBE emergiu da necessidade de minimizar a lacuna existente entre os avanços científicos e a prática clínica. Essa abordagem envolve a delimitação do problema, busca e avaliação crítica das evidências disponíveis, implantação das evidências na prática clínica e a avaliação dos resultados obtidos (POMPEO; ROSSI; GALVÃO, 2009).
No movimento da PBE há necessidade de produção de métodos de revisão de literatura, os quais permitem a busca, a avaliação crítica e a síntese das evidências disponíveis do tema investigado; dentre estes se destacam: a revisão sistemática e a revisão integrativa (WHITTEMORE; KNAFL, 2005).
A revisão sistemática tem como propósito principal avaliar a eficácia de um tratamento ou uma intervenção, por meio da revisão de estudos experimentais, mais comumente estudos randomizados controlados (GALVÃO; SAWADA; TREVISAN, 2004; WHITTEMORE; KNAFL, 2005). A meta-análise destaca-se como um método estatístico utilizado na revisão sistemática para integrar os resultados dos estudos incluídos e aumentar o poder estatístico da pesquisa primária (SOUSA; RIBEIRO, 2009).
Nesse cenário, a revisão integrativa emerge como uma metodologia que proporciona a síntese do conhecimento e a incorporação da aplicabilidade de resultados de estudos significativos na prática. É um método de revisão mais amplo, pois permite incluir literatura teórica e empírica, bem como estudos com diferentes abordagens metodológicas e propósitos: definição de conceitos, revisão de teorias e evidências, e análise de problemas metodológicos de um tópico particular (WHITTEMORE; KNAFL, 2005). Por conseguinte, pesquisadores recomendam, antes da etapa de validação de conteúdo, a elaboração de uma Revisão Integrativa da Literatura (POMPEO; ROSSI; GALVÃO, 2009).
Portanto, uma revisão de literatura sólida e específica visa identificar as teorias que subjazem no construto e embasam a formulação de cada item da ferramenta em construção (LOBIONDO-WOOD; HABER, 2001). Viegas (2007) complementa ao mencionar que a revisão de literatura proporciona uma nova visão sobre uma área, ao trazer concepções convergentes, divergentes e, até mesmo, escassas, sobre determinado tema.
Em virtude da quantidade crescente e da complexidade de informações na área da saúde, tornou-se imprescindível o desenvolvimento de artifícios no contexto da pesquisa cientificamente embasada, capazes de delimitar etapas metodológicas mais concisas e de propiciar aos profissionais melhor utilização das evidências elucidadas em inúmeros estudos (SILVEIRA, 2005).
A ampla amostra, em conjunto com a multiplicidade de propostas, deve gerar um panorama consistente e compreensível de conceitos complexos, teorias ou problemas de saúde relevantes para a enfermagem (WHITTEMORE; KNAFL, 2005), e para a sua execução devem-se seguir padrões de rigor metodológico, os quais permitirão gerar uma fonte de conhecimento atual, verificar a aplicabilidade na prática clínica, além de oferecer subsídios para o avanço da enfermagem (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008).
A revisão adotada neste estudo seguiu as seis etapas descritas por Ursi e Galvão (2006) e Mendes, Silveira e Galvão (2008), conforme mostra a Figura 1 abaixo. Ressalta-se que a seleção desses autores decorreu da atualidade de seu trabalho e da apresentação de um detalhamento metodológico de cada etapa.
Figura 1. Componentes da revisão integrativa da literatura
Fonte: MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008.
1º Passo: Estabelecimento da hipótese ou questão de pesquisa – Elaboração da questão de
pesquisa do tema delimitado para a construção da revisão integrativa e definição das palavras- chave para a estratégia de busca dos estudos. Esta é a etapa que irá nortear todo o processo da revisão e, por isso, o tema deve ser definido de forma clara e específica, para que a busca siga um raciocínio teórico e confiável (POMPEO; ROSSI; GALVÃO, 2009, WHITTEMORE; KNAFL, 2005).
2º Passo: Amostragem ou busca na literatura – É a busca nas bases de dados para
identificação dos estudos que serão incluídos na revisão. Whittemore e Knafl (2005) asseguram que a seleção dos estudos para a avaliação crítica é fundamental com vistas a se obter a validade interna da revisão e é um indicador para atestar a confiabilidade, amplitude e poder de generalização das conclusões da revisão. Segundo Pompeo, Rossi e Galvão (2009), esta fase deve ser claramente documentada, incluindo os descritores utilizados, as bases de dados consultadas, as estratégias de busca e os critérios de inclusão e exclusão delimitados para determinar pesquisas primárias relevantes. Para Ursi e Galvão (2006) é desejável incluir todos os estudos encontrados na busca, entretanto, caso o número de pesquisas seja muito grande, pode-se fazer uma seleção randomizada ou a utilização de outros métodos de amostragem.
3º Passo: Categorização dos estudos – Consiste na definição das informações a serem
extraídas dos estudos selecionados, utilizando um instrumento para reunir e sintetizar as informações-chave. Geralmente as informações devem abranger a amostra do estudo (sujeitos), os objetivos, a metodologia empregada, resultados e as principais conclusões de cada estudo. O nível de evidência dos estudos deve ser avaliado a fim de determinar a confiança no uso de seus resultados e fortalecer as conclusões que irão gerar o estado do conhecimento atual do tema investigado (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008; POLIT, BECK, 2011).
4º Passo: Avaliação dos estudos incluídos na revisão da literatura – É o momento em que
os estudos passam por uma análise detalhada, quanto aos critérios de autenticidade, qualidade metodológica, importância das informações e representatividade (WHITTEMORE; KNAFL, 2005). A competência clínica do revisor contribui na avaliação crítica dos estudos e auxilia na tomada de decisão para a utilização dos resultados de pesquisas na prática clínica. A conclusão desta etapa pode gerar mudanças nas recomendações para a prática (SILVEIRA, 2005; MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008).
5º Passo: Interpretação dos resultados – Corresponde à fase de discussão dos principais
resultados na pesquisa convencional. O revisor, fundamentado nos resultados da avaliação crítica dos estudos incluídos, realiza a comparação com o conhecimento teórico, a identificação de conclusões e implicações resultantes da revisão integrativa (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008). Os trabalhos podem ser classificados de acordo com o nível de evidência. Pode-se adotar, por exemplo, a proposta de Melnyk e Fineout-Overholt (2011).
6º Passo: Síntese dos estudos analisados – Consiste na elaboração do documento que deve
contemplar a descrição das etapas percorridas pelo revisor e os principais resultados evidenciados da análise dos estudos incluídos, bem como declarar possíveis limitações metodológicas para a construção da revisão. É um trabalho de extrema importância, já que produz impacto devido ao acúmulo do conhecimento existente sobre a temática pesquisada (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008).
Ao final da revisão integrativa buscou-se construir um material com todas as definições conceituais e os referentes empíricos para os indicadores propostos por Moorhead et al. (2010), para os resultados relacionados ao Estado da deglutição e à Prevenção da aspiração.
Após a elaboração desse instrumento era fundamental observar se ele atendia a todos os pré-requisitos de validade e confiabilidade, logo foi utilizada a Psicometria para fazer essa avaliação.