3 Delprosjektenes aktiviteter
3.2 Delprosjekt 2: Finere tidsskritt og alternativ modell
Observemos alguns pontos do caso que me chamaram a atenção: - pai bebia muito e tinha temperamento violento.
- primeiro irmão – vida irregular – falece de afecção sifílica cerebral. - segundo irmão – interesse especial, desempenha um papel na etiologia da doença do irmão – parece ser histérico.
- terceiro irmão desapareceu, desertou do exército. - quarto e quinto irmãos morreram na tenra idade.
- sexto – paciente – com oito anos é atropelado – sofre ruptura do tímpano direito, déficit de audição do ouvido direito, doença que sofria com desmaios por vários meses mais ou menos dois anos.
- Falava muito a favor de seu caráter o fato de que permaneceu como empregado do mesmo mestre durante dez anos.
- Pensamentos de uma pessoa unicamente voltados para a perfeição de seu ofício, privando-se de relacionamentos e divertimentos.
- Quando se via obrigado a refletir sobre si mesmo e de suas ambições, caia num estado de excitada fuga de idéias.
- Foi acusado de roubo por uma mulher, apresentando depois disso, sintomas de depressão e pensamentos de suicídio, havendo um tremor intenso tomando conta de seus membros esquerdos.
A doença começou num desentendimento com um irmão que levava uma vida desregrada – como Freud narra “Este teve papel importante na
etiologia da doença do paciente” .
Sintomas –
- Medo, zumbido na cabeça como se fosse estourar, corre para casa e cai no chão, tem espasmos, e por duas horas, falara da cena com o irmão.
- Sente-se fraco por seis semanas seguidas (não podemos deixar de lembrar que eram seis irmãos).
- Alteração de sensibilidade em toda parte esquerda do corpo, piora quando o paciente é acusado de roubo por uma mulher.
- Tremor intenso no lado esquerdo.
- Violentas dores no joelho esquerdo e planta do pé esquerdo.
- Quando caminha tem sensação peculiar na garganta, como língua presa, ouve zumbido.
- Memória prejudicada devido aos acontecimentos da doença, este fato aconteceu também na infância quando ficou doente (embotamento intelectual), assim como indisposição.
Notemos que entre as figuras masculinas da família, somente nosso paciente era o que se destacava quanto a se diferenciar na conduta em relação aos outros.
Esforçava-se em seu ofício, assumia compromissos o que depunha favoravelmente com relação a seu caráter, bem como a permanência a serviço de um mestre de ofício, ao contrário de seus três irmãos desregrados e o pai bêbado e violento.
O desentendimento com o irmão, o coloca numa posição que antes era passiva para ativa, ou seja, quando cobra do irmão o dinheiro emprestado, brigando para rever esse dinheiro, aqui o paciente sofre um golpe do irmão e é ameaçado com uma faca, esta cena o deixa mal e por duas horas fica falando da cena da briga com o irmão, fez um sintoma que podemos acompanhar numa passagem apresentada por Freud no texto de Comunicação Preliminar (1893):
“O esmaecimento de uma lembrança ou perda de seu afeto de vários
fatores. O mais importante é se houve uma reação energética ao fato capaz de provocar um afeto. Pelo termo “reação” compreendemos aqui toda classe de reflexos voluntários e involuntários – das lágrimas aos atos de vingança – nos quais, como a experiência nos mostra, os afetos são descarregados. Quando essa reação ocorre em grau suficiente, grande parte do afeto desaparece como resultado. O uso da linguagem comprova esse fato de observação cotidiana em expressões como” desabafar pelo pranto” e desabafar através de um acesso de cólera, literalmente “esvair-se em cólera”. Quando a reação é reprimida, o afeto permanece vinculado à lembrança. Uma ofensa revidada, mesmo que apenas com palavras, é recordada de
modo bem diferente da outra que teve que ser aceita. A linguagem também reconhece essa distinção, em suas conseqüências mentais e físicas; de maneira bem característica, ela descreve uma ofensa sofrida em silêncio como” uma mortificação”, literalmente um fazer adoecer. – A reação da pessoa insultada em relação adequada – como por exemplo uma vingança. Mas a linguagem serve de substituta para a ação; com a ajuda, um afeto pode ser ab-reagido quase com a mesma eficácia” (págs. 43 -44)
Outro fato, o de ser acusado de roubo, mostra o quanto seu caráter que até então esforçava-se em zelá-lo, foi manchado, colocando –o portanto como mau caráter, assim como seus irmãos e o pai, podemos perceber aí uma identificação com os homens da família.
Assim como nos casos de histeria apresentados por Freud, em que o afeto se desloca da representação e fica convertido este afeto em zonas erógenas imprimidas no corpo, podemos entender esta conversão. Freud propôs em Estudos sobre a Histeria (1893-1895), um conceito seguindo o caso Elisabeth Von R, em que articula que “um paciente que se encontra
num estado psíquico especial – A ligação desse estado com seus sentimentos eróticos e suas dores parece possibilitar a compreensão do que aconteceu segundo a teoria da conversão” (pág. 187).
Pensemos na questão de que o paciente anula de sua vida os prazeres, ou seja, “de relacionamentos sociais e divertimentos”, nem de uma companhia feminina se dá o direito, reprimindo com isso sentimentos que passavam em sua mente conforme é narrado – “via-se obrigado a refletir muito acerca de si mesmo e de suas ambições e, por fazê-lo com tanta freqüência; caía num estado de excitada fuga de idéias no qual ficava alarmado a respeito de sua saúde mental...”.
Aqui podemos fazer uma comparação com o caso Elisabeth Von R, ou seja, dos devaneios como foi citado no início do trabalho. Em que também ela, sentada num banco pensa na vida que poderia ter tido, acompanhada de um marido, ser feliz, assim como sua irmã o era, e que logo após esses pensamentos suas dores na perna e a dificuldade em andar começam a se intensificar.
Freud (1893) dará aqui a seguinte explicação:
“Mas como poderia ocorrer que um grupo representativo com tanta força emocional fosse mantido tão isolado? – em geral o papel desempenhado nas associações por uma idéia aumenta, proporcionalmente à quantidade de afetos que há nela” (pág. 189).
O que dizer então das hemianestesias no lado esquerdo de nosso paciente e que na gênese da histeria, o afeto e a representação, forneceriam um caminho para pensar melhor o caso e seus sintomas, o que não é possível, uma vez que faltam mais informações sobre o paciente.
Podemos encontrar, no entanto, algumas pistas, revendo alguns dos traumas da vida do paciente: perdeu o pai, a mãe, dois irmãos e mais dois irmãos desregrados, portanto era sozinho e levava uma vida reclusa, vivendo apenas para o trabalho, poderíamos supor na etiologia dos traumas e os sintomas de conversão o seguinte conceito de Freud (1893 – 1895):-
“Conforme o próprio conceito de “histeria de defesa”, a conversão não
se deu ligada a suas impressões enquanto novas, mas sim em conexão com suas lembranças das mesmas” (Freud, 1893-1895 - pág. 191).
Mais adiante ele acrescenta: –
“Ao considerarmos a questão mais detidamente, devemos reconhecer
que um processo dessa natureza é mais a regra de que a exceção na gênese dos sintomas histéricos... o que tenho encontrado não é uma única causa traumática, mas um grupo de causas semelhantes... foi possível comprovar que o sintoma em causa já aparecera por um breve período após o primeiro trauma e depois passara, até ser novamente provocado e estabilizado por um trauma subseqüente. Não existe, contudo, nenhuma diferença entre o fato de o sintoma surgir dessa forma temporária após sua primeira causa provocadora e o fato de estar latente desde o começo. Com efeito, na grande maioria dos exemplos, verificamos que um primeiro trauma não deixa
nenhum sintoma, ao passo que um trauma posterior da mesma espécie produz um sintoma, só que este último não pode ter esclarecido sem se levarem em conta todas as causas provocadoras.
Enunciados em termos da teoria da conversão, esse fato indiscutível da soma dos traumas e da latência preliminar dos sintomas nos ensina que a conversão pode resultar tanto de sintomas novos quanto dos que são relembrados. Essa hipótese explica inteiramente a aparente contradição que observamos entre os fatos da doença da Srta. Elisabeth Von R, e sua análise” (Freud, 1893 – 1895 - pág. 195).
Podemos pensar o mesmo para o caso de August P. devido à complexidade de seus sintomas conversivos, conforme Freud conceitua.
O que aqui gostaria de mencionar da análise freudiana é o fato de que numa base orgânica, ou seja, um trauma físico, como no caso do nosso paciente, uma lesão no ouvido direito, decorrente de um acidente de carro na infância e mais uma doença não diagnosticada na mesma época, traz em si um conteúdo, em que a histeria desempenha um papel particular, pois a dor com mais alguns fatores emocionais formam uma conexão associativa, tornando-se então um símbolo mnêmico.
6.2 Uma possível semelhança com outro caso de Freud