2. LA TRANSICIÓ DE L’ANTIC RÈGIM AL LIBERALISME (1802-1837)
2.2. Producció i preus agraris a Menorca (1801-1837). El sector vitícola
2.2.6. Delmes i evolució de la viticultura de Menorca (1788-1837)
Nessa indenização de 2002 a maior parte das pessoas pegaram 20, 15 mil reais. E querendo ser um fazendeiro, pegaram os 20 mil para comprar gado, fazer pasto. Eles fizeram o desmatamento e colocaram três, quatro cabeças de gado e com isso em dois meses já não tinham mais coisas nenhuma e ficou o desmatamento lá. Foi assim que aconteceu (Informação verbal15).
As mudanças da paisagem entendidas desde a perspectiva geográfica e ecológica como as transformações espaciais dos elementos ecossistêmicos e intrinsecamente os culturais do homem, refletem as interações entre o agente transformador e os recursos naturais dos quais usufrui direta ou indiretamente. No caso da paisagem antropizada que forma a RDS Alcobaça, as mudanças podem ser compreendidas através da vegetação persistente, resultado de duas grandes transformações consecutivas. A primeira corresponde à criação do lago que representou a inundação incalculável da biodiversidade refugiada nas florestas ombrófilas densas e ombrófilas abertas, tipos florestais predominantes na região do lago (GOODLAND, 1978). A segunda transformação é consequência da reocupação posterior das ilhas e do entorno do lago por comunidades de diferentes regiões do país, o que significou e continua significando a substituição de vegetação natural por lavouras e pastagens e o desmatamento para venda de madeira. É importante lembrar que com o desmatamento não somente a floresta é prejudicada, ocorrem mudanças na estrutura da paisagem que podem gerar degradação indireta nas florestas remanescentes devido à fragmentação do hábitat e seus efeitos negativos imediatos na manutenção da biodiversidade (LAURANCE et al., 2006).
Além da pressão demográfica, devem ser consideradas as dependências do uso dos recursos naturais com o mercado (NETTING, 1993). O fato de grandes árvores
de determinadas espécies possuírem maior valor comercial e que os produtos frutíferos apresentem um preço mínimo, induz sobre-exploração destes recursos, degradação que não é refletida nos preços do mercado.
Entender como e por que tem mudado a paisagem na área que abrange a RDS Alcobaça promove uma base sobre a qual determinar práticas que permitam controlar e, dependendo das possibilidades, restaurar as áreas degradadas. No caso da degradação (ALMEIDA, 2008) ou da biodiversidade (SANTOS et al., 2005) encontra-se pluralidade conceitual22 que gera controvérsia e que nem sempre podem ser mensuradas com métodos quantitativos; forçando o entendimento do contexto desde as duas perspectivas (conhecimento científico e conhecimento cultural) (LÉVI-STRAUSS, 1989). Com base neste pressuposto, o estudo analisa a informação obtida através dos mapeamentos participantes, transectos históricos e a interpretação das imagens de satélite, com o objetivo de apresentar o mais aproximado possível as transformações negativas das coberturas vegetais a partir do tipo de uso dos recursos naturais, exposto no item anterior.
A transformação da paisagem na RDS Alcobaça replica o padrão do município de Tucuruí, o Estado do Pará e da Amazônia em geral, no qual o desmatamento é o principal agente causador. Embora esta situação devesse ser controlada desde o ano de 2002 com a criação da unidade de proteção, as cifras demonstram que as flutuações do desmatamento continuaram, alcançando nos anos 2004, 2006 e 2008 as maiores extensões (Gráfico 5). Esse resultado confere com os relatos dos moradores, que afirmam que durante os anos de 2004 e 2008 foram transformadas numerosas ilhas para fazendas, principalmente no setor do rio Caraipé. Segundo os dados registrados pelo INPE, na RDS Alcobaça após a criação da unidade de conservação, os anos 2005, 2007, 2009 e 2011 têm apresentado a menor extensão desmatada, oscilando entre 0,1 e 0,2 Km2. No mesmo período de tempo o município de Tucuruí reportou entre 7,6 e 12,4 Km2 de áreas desmatadas. Como se observa no Gráfico 5, não existe tendência de diminuição, as flutuações apresentam o mesmo comportamento antes e posterior à declaração da unidade de conservação.
Embora os dados do INPE registrem uma área de 225,2 Km2 para a RDS Alcobaça, os resultados são comparáveis com os obtidos por Barata (2011); o INPE
22 Para Almeida (2008), a degradação no âmbito cientifico é definida como uma noção operacional e não conceitual, como se fosse uma codificação matemática: ―[...] que serve basicamente para fins operacionais imediatos ou de aplicação genérica e direta‖. ALMEIDA (2008, p. 18).
registrou um total de 28,6 Km2 desmatados desde 1997 até 2011, enquanto Barata
reportou 17,88 Km2 desmatados desde 1998 até 2009 (Gráfico 5). Espacialmente,
os desmatamentos foram espalhados nas diferentes ilhas, concentrados, em parte, no costado leste da RDS, próximos das vias de acesso (BARATA, 2011).
Gráfico 5- Evolução do desmatamento no município de Tucuruí e na RDS Alcobaça
Fonte: *Barata (2011); **INPE (Sistema PRODES) acessado 01-2014.
Em relação aos outros municípios da área de influência do lago, Tucuruí, que apresenta a maior área atingida pelas águas do reservatório, foi o que menos exibiu desmatamento nos anos de 1996 e 2001, não obstante a vegetação nativa foi reduzida em 42,46 Km2, consequência da adaptação de espaço para assentamento, aberturas de estradas, projetos agropecuários e ação dos madeireiros (VANSCONCELOS; NOVO, 2004). Segundo análise dos mesmos autores, para o ano 2001 o município de Tucuruí apresentou 61,37% do território ocupado por vegetação nativa, enquanto a lâmina d‘água representou 29,48% do território (Tabela 4). No ano de 2009, os municípios de Tucuruí e Novo Repartimento foram uns dos polos madeireiros mais importantes do Pará com extração entre 200 e 600 mil m3 de tora, ratificando a importante posição do Estado como produtor de madeira
Tabela 4 Área em Km e porcentagem das classes de uso e ocupação da terra no município de Tucuruí em 1996 e 2001 Classes Área em Km2 para 1996 Área em Km 2 para 2001 % 1996 % 2001 Vegetação nativa 929,78 886,32 64,69 61,37 Vegetação em regeneração 263,52 226,58 18,33 15,69 Água 599,6 611,78 28,9 29,48 Agrosilvopastoril 234,64 302,4 16,32 20,94 Área Alagada com vegetação 19,13 16,34 0,92 0,78 Área urbana 19,64 23,34 1,36 1,6
Fonte: VANSCONCELOS; NOVO (2004)
O constante desmatamento na RDS Alcobaça, que já se encontra fragmentada e com limitações de conectividade entre as ilhas pela lâmina d‘água, gera aceleramento da degradação ambiental, a princípio porque o tipo de solo possui elevada espessura que favorece o desenvolvimento de voçorocas provocando mudanças na umidade do solo e do microclima, além de fragmentar hábitats da fauna silvestre e diminuir a oferta de produtos vegetais.
Embora o tamanho da área convertida para lavoura não seja representativamente grande, no caso hipotético de que os 1.227 domicílios referenciados pela SEMA façam a adequação de duas roças como acostumam, o território estaria representado por uma grande mancha antrópica com pequenos resquícios de floresta secundária, como já se observa em alguns setores.
Quanto à relação com os madeireiros, na localidade 4 identificou-se uma situação particular. Os proprietários continuam vendendo madeira e consideram positiva a presença dos compradores, já que segundo eles a estrada feita para a extração das toras apresenta uso posterior para a comunidade (Fotografia 5). Em alguns casos a madeira não é comprada, trocam por outros serviços como adequação de uma represa ou limpeza de uma área para plantação. Durante o período de baixas precipitações o acesso é por terra conectando com a estrada que de Bom Jesus chega até Tucuruí, quando o lago está cheio o transporte de madeira é fluvial através de balsas. Segundo relato dos entrevistados, a fiscalização da autoridade ambiental não interrompe as atividades dos madeireiros.
Outra atividade que contribui para transformações negativas da paisagem, além da agricultura, pecuária e comercialização de madeira, é a fabricação de carvão vegetal para venda (Fotografia 6), frequente durante o período de baixas precipitações quando entra em vigência a paralisação temporal da pesca. A prática
além de devastar a floresta produz contaminação no ar, afugentando a fauna silvestre que contribui na regeneração das coberturas vegetais.
Fotografia 5- Acessos feitos pelos madeireiros na RDS Alcobaça
Fonte: Elaboração própria (2014).
Fotografia 6- Carvão vegetal para comercialização
Fonte: Elaboração própria (2014).
A partir da interpretação das três imagens de satélite selecionadas, observa-se que desde o ano 1987 a tendência foi a diminuição da cobertura florestal nativa, incrementando a formação de pastagens e solos expostos (Gráfico 6). Em 1987 a floresta nativa representava 38% da área com 13.631 Ha, passando a 13.032 Ha (36%) e 8.246 Ha (23%), nos anos 1996 e 2011, respectivamente. A vegetação secundária é a cobertura vegetal que menos flutuações têm apresentado em relação à área ocupada: em 1987 representava 6%, passando a 8% em 1996 e 6% em 2011 (Gráfico 6).
Considerando que a data das imagens registradas corresponde a julho (mesmo período climático), o notável incremento entre 1996 e 2011 da área ocupada pela água do reservatório pode estar sendo influenciado pelo aumento da cota no ano
2002. Assim, o reservatório passou de 17.844,56 Ha em 1987 a 19.522,64 Ha em 2011, equivalente a 55% da área total da RDS. Se as imagens corresponderam ao período de baixas precipitações - ―seca‖, é provável que os solos expostos apresentassem maior ocupação, isso porque na maior parte do lago o solo das áreas deplecionadas limita o crescimento de qualquer tipo de vegetação.
Gráfico 6- Evolução das mudanças na cobertura vegetal da RDS Alcobaça
Fonte: Elaboração própria (2014).
É importante esclarecer que a resolução das imagens limita o detalhamento da interpretação. Portanto, quando pequenas manchas de um determinado tipo de vegetação se encontraram dentro de uma matriz de outro tipo, foram englobadas pela última. Além disso, pelo tipo de estrutura fundiária com a dominância de pequenas parcelas, os dados condicionam a resolução espacial da área (VANSCONCELOS; NOVO, 2004).
Nos mapas apresentados à continuação, registra-se a distribuição das coberturas vegetais previamente definidas para os anos 1987, 1996 e 2011. Observa-se que os solos expostos embora ocupem pouca área têm aumentado consideravelmente, passando de 326 Ha (0,91%) em 1987 a 1.125 Ha em 2011 (3,14%). Comportamento similar com as pastagens que de 2.080 Ha (6%) aumentaram a 4.753 Ha (13%).
No caso do ano 1987, a quantidade de área ocupada pela floresta nativa localmente chamada de mata fechada possibilitava conectividade entre ilhas e setores, a fragmentação embora estivesse causada pela lâmina d‘água não era alta
enquanto às coberturas terrestres (Mapa 1). A importante representação das coberturas florestais neste ano é influenciada pela recente criação do reservatório e incipiente processo de reocupação das ilhas. As manifestações dos interlocutores indicam a princípio, dificuldades de deslocamento, ausência de infraestrutura de saúde e educação, e misticismo do lugar por ter sido habitado por etnias indígenas, as práticas extrativas predominavam sobre as produtivas, sendo que para as primeiras (caça e extração de madeira) não se precisava morar nas ilhas.
A interpretação do ano 1996 reflete as grandes transformações da paisagem, com numerosos domicílios e famílias assentadas, a cobertura florestal conservada diminuiu aproximadamente 2% em comparação com o ano 1987, os solos expostos com 1.050 Ha representaram 3% do total da área. No costado Leste, pelo setor do canal Km 24, observa-se a substituição de floresta nativa por vegetação secundária e pastos. A diferença das ilhas com domínio de coberturas florestais presentes em 1987, o efeito de borde é um padrão que se repete nos remanescentes florestais das ilhas em 1996 (Mapa 2). Com esta condição, os impactos negativos sobre a biodiversidade incrementaram, afetando desde a microfauna até a produtividade dos solos.
Finalmente, em 2011 a distribuição das coberturas vegetais ajuíza a perda da floresta nativa, pequenos fragmentos localizados entre matrizes de vegetação secundária ou pastagens refletem a paisagem completamente transformada. A extensão das coberturas florestais é insuficiente para a área de vida de espécies faunísticas de grande porte importantes para o equilíbrio do ecossistema. Neste ano se observa que o setor do rio Caraipé foi alterado em sua totalidade, deixando de ser o mais conservado da RDS Alcobaça. Da mesma forma, os remanescentes de floresta que em 1996 existiam no setor do canal Km 24 foram devastados para adequação de pastagens e em alguns casos, posterior crescimento de vegetação secundária (Mapa 3).
O histórico de perturbações levou a processos de fragmentação maiores, com pequenos remanescentes de floresta que representam aproximadamente 23% do total da área, resultado que difere com o estudo de Araújo (2009), quem verificou por meio de geoprocessamento com base imagens Landsat 7TM datadas de 2001, que as florestas cobrem 49,64% da RDS Alcobaça.