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6 Drøfting og analyse

6.1 Maktstruktur

6.1.5 Delkonklusjon polaritet

A Intervenção Psicomotora (IPM) parece ser uma prática interventiva essencial em diversos tipos de diagnóstico, dado partir do movimento consciente e pensado, da ação, da experimentação, privilegiando a experiência concreta, para posteriormente, se atingir o plano do abstrato e do simbólico (Valente et al, 2011). A IPM baseia-se, sobretudo, em propostas de caráter motor (praxias), associadas a propostas de caráter conceptual (gnosias), maximizando o desenvolvimento global do indivíduo (Fonseca, 2007). Trabalha a estimulação global das vias sensoriais e percetivas (visual, auditiva, tátil, vestibular e

cinestésica) para potenciar a capacidade de processamento da informação para respostas mais adaptada e funcionais (Fonseca, 2007).

No caso da DID, população-alvo do estágio, a intervenção psicomotora é uma prática interventiva essencial porque recorre a experiências motoras concretas para, posteriormente, atingir o plano do simbólico e do abstrato (Valente et al, 2011).Qualquer pessoa que apresente dificuldades psicomotoras, corporais (e.g. dispraxias), cognitivas (e.g. défice de atenção) ou relacionais (e.g. agressividade) tem na intervenção psicomotora a ferramenta para aprender ou reaprender a organizar as suas ações (Boscaini, 2003, 2004; Martins, 2001).

De acordo com Novais (2004), as pessoas com DID vêem-se confrontadas diariamente com um leque abrangente de dificuldades nas tarefas do quotidiano, em termos de funcionalidade, capacidade de adaptação e recurso a estratégias para a participação social, devendo ser estas áreas em que a intervenção psicomotora deve incidir, identificando e compensando os comportamentos desadaptados, e estimulando competências de autonomia e autodeterminação para a participação ativa na comunidade (Santos e Morato, 2008; Valente et al., 2011).

A IPM vai atuar ao nível dos sete fatores psicomotores, mas não só. Paralelamente a um trabalho motor com incidência no planeamento e organização da ação, consciencialização do eu, entre outros, este tipo de intervenção incide também no domínio relacional e comunicacional (Fonseca, 2007; Martins, 2001).

A vertente terapêutica e reeducativa da intervenção psicomotora é, talvez, o campo mais desenvolvido na DID. Esta população vive um comprometimento funcional e, através de experiências motoras, estimulação sensorial e percetiva, enfoque na capacidade de processamento, torna-se possível que aprendam a adaptar respostas, comportamentos e ações. Quando mais atempada for a intervenção maiores serão os seus benefícios no potenciar da capacidade adaptativa e funcional da pessoa, e minimizadas serão as dificuldades sentidas (APP, 2012; Valente et al., 2011).

Ao longo da literatura, são referidas estratégias passíveis de serem utilizadas com a população com DID, como: adaptação individual das atividades, descoberta guiada, transfer para a prática, ajudas físicas parciais ou totais, feedback e reforço positivo (Coelho et al., 2003; Rodrigues, 1991).

De uma forma geral, para uma intervenção bem-sucedida, as pessoas necessitam de uma boa estrutura de apoio, que conheça o seu nível de funcionamento, o seu grau de variabilidade de desempenho, bem como os seus pontos fortes e a desenvolver (Coelho et al, 2003); para além disso, devem considerar-se os diversos sistemas onde a pessoa se insere, planeando as ações tanto ao nível do microssistema (autodeterminação, comportamento adaptativo e AVD´s), do mesossistema (qualidade da educação, saúde e reabilitação), avaliando os seus resultados e do macrossistema (QV nas políticas nacionais e avaliar os resultados da sua implementação) (Simões e Santos, 2012).

No seguimento do abordado anteriormente, entende-se que a figura do psicomotricista é central no processo de mediação relacional, enquanto alicerce comunicativo (Fonseca, 2001). É um agente ativo no processo terapêutico, em relação ao qual a sua formação pessoal e profissional desempenham um papel essencial (Martins, 2001). É crucial destacar a importância do estágio curricular, tanto no 1º como no 2º Ciclo, como forma de dar ao Psicomotricista um contacto direto com a realidade, uma ferramenta de experiência prática, para que este aprenda, evolua, consolide e cresça como pessoa e como profissional.

De acordo com Llauradó (2008), o psicomotricista deve adotar uma particular capacidade de escuta, ser sensível a aspetos emocionais, sem, no entanto, se envolver

nestes, assim como ter a capacidade de observação e avaliação, envolvendo-se nessa realidade, sem se deixar absorver por ela. Boscaini (2004) acrescenta a importância de o psicomotricista saber olhar do ponto de vista funcional (contacto com a realidade através da perceção e da representação) e emocional/relacional (para se estabelecer um diálogo tónico-emocional), enfatizando aqui as duas possíveis vertentes de intervenção, relacional e instrumental. No estágio em causa, a vertente funcional, prática e instrumental, foi o foco da intervenção, apelando a um tipo de prática mais dirigida.

Neste tipo de população, no contexto interventivo, além das características individuais, é também preponderante ter em conta o contexto no qual a pessoa se insere, pelo que os serviços de apoio formais, informais e a família desempenham um papel de extrema importância em todo o processo, e devem ter uma participação ativa no mesmo (Santos, 2003). Esta multidisciplinaridade e envolvimento da família é ainda um ponto a melhorar na AACCNEE, apesar de se sentirem já alguns progressos nas dinâmicas de partilha, ponto também referido nos próximos Capítulos.

A IPM na DID surge como um apoio no desenvolvimento de estratégias para ultrapassar as barreiras diárias, facilitando a resolução de problemas, a adaptação de condutas e comportamentos adaptativos com a participação ativa na comunidade (Novais, 2004; Fonseca, 2001).

Toda a intervenção deve ser planeada de acordo com as necessidades, gostos, interesses e desejos dos sujeitos (Santos, 2003; Santos e Santos, 2007), e a família e os serviços têm um papel fundamental. No que diz respeito à AACCNEE de Velas esta participação multidisciplinar ainda carece de ser trabalhada: são escassas as reuniões em que todos os responsáveis legais comparecem e são poucos os que se mostram interessados em participar ativamente nas atividades dinamizadas pela Associação, bem como em continuar em casa o trabalho desenvolvido pelos Técnicos e Ajudantes de Reabilitação. Este é um ponto em que a Associação tem de melhorar, dada a necessidade do transfer nas múltiplas vertentes da vida das pessoas (APP, 2012; Martins, 2001).

Na DID, a intervenção psicomotora centra-se na diminuição do repertório motor desadequado, desenvolvendo as competências sociais, relacionais, de AVD´s, e fazendo, à posteriori, a generalização para o quotidiano. O aumento do repertório comportamental, a assertividade, a afirmação do Eu e a autodeterminação constituem alguns pontos a trabalhar (Santos e Morato, 2012). Os indivíduos com dificuldades psicomotoras, de incidência corporal (e.g. dispraxias, instabilidade postural, perturbações do esquema corporal), relacional (e.g. agressividade, instabilidade, dificuldades de concentração) ou cognitiva (e.g. défices de atenção e memória), tem assim a oportunidade de se organizar, de (re)encontrar um equilíbrio para as suas ações e reações, atitudes, posturas e relações, através da IPM (Boscaini, 2004; Martins, 2001).

Depois de descritas as principais dificuldades experienciadas pela população-alvo do estágio é importante pensar qual o tipo intervenção mais adequada. É importante perceber também quais os domínios a estimular considerando o contexto ecológico, os interesses, aspirações e gostos da pessoa. Assim, no âmbito da atividade motora, os planos de intervenção foram ao encontro de duas vertentes: aptidão física e habilidades motoras, visando os transfers funcionais (Abellán e Vicente, 2002; Polastri e Barela, 2002).

Importa mencionar também que a intervenção psicomotora deve basear-se principalmente em atividades que estimulem o desenvolvimento das capacidades remanescentes, e não se limitem a minimizar as limitações (Polastri e Barela, 2002). Vão ser referidos os principais domínios a desenvolver dentro da intervenção psicomotora, ao longo do estágio. No domínio da motricidade, e dada a hipotonia, a intervenção centrou-

se no controlo postural, através do treino de funções de suporte, estabilização e equilíbrio, melhorando a coordenação motora global (Abellán e Vicente, 2002; Coppede, Campos, Santos e Rocha, 2012). Do ponto de vista cognitivo há a realçar a necessidade de vivências concretas e nos contextos reais para um transfer efetivo das aquisições. A sistematização, a instrução simplificada, a criação de rotinas e ambientes securizantes, a atratividade das atividades e o recurso ao lúdico e o reforço foram um conjunto de estratégias consideradas na intervenção psicomotora (Trancoso e Cerro, 2008).

A questão da afetividade e o seu papel nas relações interpessoais é algo a considerar, interferindo diretamente no tipo, qualidade e quantidade de relações que estabelece com os pares refletindo-se na autoestima e confiança (Morato e Gonçalves, 2001; Paasche et al., 2010).

Parece preponderante fazer referência à influência das atitudes dos pais/prestadores de cuidados ao longo do desenvolvimento da pessoa com necessidades especiais de apoios, uma vez que surge como uma das principais barreiras ao desenvolvimento do estudo de caso. O comportamento parental inclui proporcionar um ambiente adequado ao desenvolvimento cognitivo, motor e social da criança, promovendo-lhe interações sociais e experiências estimulantes, responder aos seus pedidos e controlar os seus comportamentos disruptivos, estimulando ao máximo o seu desenvolvimento (Figueiredo et al., 2008). Este é um tema que será um tema explorado mais à frente no Capítulo – Projeto de Intervenção. Em suma, urge a necessidade de uma intervenção individualizada com o objetivo principal de aumentar a funcionalidade, participação e QV dos indivíduos (Figueiredo et al., 2008).