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A avaliação das perceções subjetivas representa um elemento chave do trabalho efetuado. A função objetivo do trabalho é minimizar o erro na previsão das perceções dos ambientes interiores. Sendo esses erros sempre calculados tendo como referência os resultados proporcionados pelos inquéritos de avaliação subjetiva. Desta forma, são as avaliações subjetivas que definem a métrica de adequação dos resultados obtidos. Mas as implicações da forma como são concebidos os inquéritos e nomeadamente as escalas de voto vão muito para lá da simples recolha de um valor numérico correspondente ao voto expresso. O número de classes do voto usada em cada uma das escalas e a interpretação do significado de cada uma delas em termos do conforto humano determinam de forma irrevogável a agregação dos resultados e posterior tratamento dos mesmos para o cálculo das percentagens de insatisfeitos com determinado ambiente. A interpretação das escalas de votos pelos inquiridos deve ser feita de tal forma que em nenhuma circunstância possam ser suscitadas dúvidas de interpretação do pretendido.

Desta forma, os questionários foram desenvolvidos especificamente para os ensaios de campo efetuados tendo sido previamente testados em ensaios preliminares. Foi considerado que o inquérito não poderia ultrapassar as duas páginas, por forma a que pudesse ser impresso numa única folha (frente e verso). Mesmo num ambiente em que há uma propensão para aceitar melhor a participação num estudo através do preenchimento de um inquérito, existe sempre algum nível de receio de que a anuência relativamente ao seu preenchimento se transforme numa tarefa longa e fastidiosa. Considerou-se como tal extremamente importante para a voluntária colaboração das pessoas, mencionar previamente que o inquérito é constituído por apenas uma folha, podendo ser preenchido em pouco mais de um minuto. Para tal foi também necessária a adoção de uma estrutura gráfica que permita a imediata identificação do ponto de resposta face à pergunta formulada.

Foram ainda definidas duas outras premissas de base para a conceção do inquérito e das escalas de voto:

— Todas as classes presentes em cada uma das escalas de voto deveriam traduzir, de forma

simples e com expressões comuns à oralidade e à escrita, aquela que seria descrição qualitativa expectável do ambiente considerado, naquelas circunstâncias.

— Nas escalas de voto não deveria existir nenhuma zona de indefinição relativamente à

caracterização do ambiente em causa. O objetivo é impossibilitar que o inquirido possa expressar o seu voto sem que previamente seja obrigado a refletir qualitativamente acerca do ambiente em questão. Ou seja, a inclusão de classes como "neutro" ou "indefenido" foi rejeitada na maioria das escalas de voto consideradas, com apenas duas exceções que serão ainda devidamente justificadas.

Os inquéritos são anónimos, sendo apenas colocadas algumas questões de índole pessoal como sejam a idade, o género, altura e peso. O nível de vestuário é inquirido através da utilização de uma checklist das peças individuais de vestuário que a pessoa enverga no momento do preenchimento. A lista das peças individuais de vestuário não comporta de forma alguma todas as que se encontram descritas em normas

internacionais em que o nível de isolamento das mesmas é referenciado (ANSI/ASHRAE Standard 55, 2010; ISO 7730, 2005)

Figura 3.2 - Avaliação dos dados pessoais e peças individuais de vestuário dos inquiridos

A limitação do número de peças individuais de roupa apresentadas no inquérito foi ajustada em função da observação detalhada das indumentárias envergadas pela população e causa. Esta lista de peças de vestuário individuais foi ainda testada nos 233 inquéritos efetuados na fase preliminar de ensaios. No caso da avaliação subjetiva do conforto térmico a escala de voto usada apresenta um esbatido de cores entre o azul e o vermelho, que são as duas cores usualmente associadas às sensações térmicas correspondentemente apresentadas nos subtítulos da escala. O número de classes patente nesta escala foi definido de acordo com as indicações da escala de McIntyre (McIntyre, 1978).

A expressão da perceção de conforto térmico é efetuada através da marcação por um (X) no ponto correspondente da escala contínua e a sua tradução numérica é efetuada através da sobreposição de uma régua graduada entre -500 e +500. Este mesmo tipo de metodologia para a tradução numérica do voto expresso foi já testada de forma bem sucedida em alguns estudos (Alcobia, 2006; Silva et al., 2006).

Figura 3.3 - Escala de voto do conforto térmico

Os resultados das votações de cada uma das pessoas no interior da sala foram convertidos em valores compreendidos entre -500 e +500 colocando uma régua graduada transparente em cima das escalas contínuas nas quais os votos foram expressos de acordo com a mesma metodologia usada em estudos semelhantes (Alcobia, 2006; M.C. Gameiro da Silva et al., 2006). Esta graduação não se encontra visível para as pessoas aquando do instante da votação. A régua de leitura de resultados não foi colocada até à extremidade das escalas de voto porque a experiência mostra que os extremos das escalas não são usados para exprimir as preferências de voto.

Figura 3.4 - Escalas de votação do ambiente acústico.

Para permitir a imediata interpretação das escalas apresentadas e a expressão da avaliação do ambiente interior foram usadas cores e subtítulos de apoio. As cores empregues devem permitir ao inquirido identificar imediatamente qual o ponto da escala que traduz a sua perceção reduzindo o tempo de tomada de decisão. É indesejável que o inquirido tenha que refletir e interpretar os termos empregues, se isso significar que eles são complexos, ambíguos ou distintos daqueles que são usados no dia a dia para caracterizar esses ambientes. Neste contexto, as escalas usadas para os ambientes acústico, luminoso e de qualidade do apresentam legendas qualitativas desde o "Muito mau" ao "Muito bom". Considera-se que esta é a taxonomia mais simples, objetiva e próxima da que é usada no dia a dia pelas pessoas.

Uma questão importante para a agregação de resultados é o facto de as escalas adotadas para estes três ambientes corresponderem a seis classes distintas: três classes no domínio do "mau" e três classes no domínio do "bom". Foi excluída a existência de uma classe correspondente a "Neutro" ao centro da escala. No âmbito destes três ambientes o "neutro" é ambíguo e poderia ser interpretado como "indiferente". Considere-se por exemplo o ambiente luminoso. São aceites duas hipóteses: (1) O ambiente ou é adequado para a realização das tarefas que estão a ser desempenhadas no espaço interior e nesse caso deve ser considerado como pertencente a um dos domínios do "bom" ou seja a tradução numérica da resposta será um valor positivo; (2) Caso a pessoa o considere "desadequado" ou "incómodo" a resposta deve pertencer a um dos domínios do "mau" com a consequente tradução numérica num resultado negativo. Claro que sendo as escalas contínuas, o resultado da tradução numérica do voto pode ser zero. Do ponto de vista do utilizador isso significa que o voto foi colocado exatamente a meio entre as classes "Ligeiramente mau" e "Ligeiramente bom". A interpretação do processo cognitivo que desencadeou esta resposta pode significar que o indivíduo considera que o ambiente luminoso é ligeiramente mau, mas no limite superior deste patamar ou então que o indivíduo considera que ele é ligeiramente bom, mas no limite inferior do mesmo patamar. A discussão em torno da interpretação do processo cognitivo que desencadeou este voto em particular, é interessante para o ponto de vista da ergonomia ambiental apenas num aspeto: Independentemente da situação, a pessoa foi obrigada a tomar uma decisão sem ambiguidade na resposta escolhida.

No caso da avaliação global do ambiente interior o voto da perceção subjetiva resulta da ponderação de vários elementos díspares entre si, que o caracterizam. Pode facilmente conceber-se uma situação em que a avaliação de um determinado ambiente interior é negativa, mas anulada pela avaliação positiva de outro ambiente. Desta forma, optou-se por incluir uma classe central de neutralidade para acomodar este tipo de situações e patente na Figura 3.5.

Figura 3.5 - Escala de votação do ambiente interior (avaliação global)

Após a avaliação de cada um dos quatro fatores usados para caracterizar o ambiente interior cada participante efetua a sua avaliação global do ambiente interior numa escala de voto semelhante. No entanto, nos ensaios realizados em situações de exame, o questionário inclui ainda uma pergunta adicional onde cada participante efetua uma autoavaliação da sua performance em função daquelas que eram as suas expectativas iniciais. A escala contínua bipolar apresentada na Figura 3.6 inclui subtítulos de auxílio à votação, onde são definidas cinco áreas. Estas incluem uma zona neutra (ao centro), duas zonas claramente negativas e duas outras claramente positivas.

Figura 3.6 - Escala de votação da autoavaliação, da performance no exame.