lik 1. Fortegnet på ulikhetsandelen er det samme som fortegnet på iteraksjonskoeffisienten
4. Samlet inntekt blant yrkesaktive
4.2. Dekomponering av ulikheten
De acordo com Amossy (2005, p.09), todo ato de tomar a palavra implica a construção de uma imagem de si. Dessa forma, não é necessário que o locutor
fale sobre sua pessoa, apresente suas qualidades; embora ele queira apresentar-se como digno de confiança, de apreciação, esses aspectos serão percebidos pelo público a partir do ato da enunciação. Segundo a autora (2005, p.69), a noção de ethos pertence à tradição retórica. Ligado ao orador, diferencia-se do discurso (logos) e do auditório (pathos).
O conceito do ethos apresentado por meio da enunciação vem de Benveniste, demonstrando que o ato de produzir um enunciado remete necessariamente ao locutor que mobiliza a língua (AMOSSY, 2005, p.11). Kerbrat-Orecchioni analisou os “procedimentos linguísticos”, por meio dos quais o locutor imprime sua característica ao enunciado. Pêcheux também aborda a questão da imagem dos interlocutores, ilustrados numa “cadeia de comunicação”: o emissor A faz uma imagem de si mesmo e de seu interlocutor B; reciprocamente, o receptor B faz uma imagem do emissor A e de si mesmo.
De acordo com Amossy (2005), a produção de uma imagem de si nas interações começou a receber mais atenção por meio de Erving Goffman. O sociólogo, adotando uma metáfora teatral, aborda o conceito da “representação”, um artifício pelo qual o indivíduo recorre a atividades diversas a fim de influenciar, sob certo aspecto, um dos participantes da interação. Trata também dos “papéis” ou “rotina”, modelos de comportamento pré- estabelecidos, como o professor comporta-se em sala de aula, por exemplo. Nenhum dos autores citados até o momento, porém, fez uso da palavra ethos. Segundo Amossy (2005, p.14), a vinculação desse termo às ciências da linguagem encontra uma primeira expressão na teoria polifônica da enunciação, de autoria de Ducrot. O autor afirma que a enunciação corresponde à aparição de um enunciado, e não ao ato de um sujeito que o produz. Para tanto, faz uma distinção entre locutor – sujeito empírico – do enunciador, origem das posições expressas pelo primeiro; nesse caso, o ethos está ligado ao locutor, um ser do discurso.
Maingueneau (2008, p.57), ao tratar desse aspecto, também relembrando a retórica, afirma que este se consiste em causar boa impressão mediante a forma com que se constrói o discurso, em dar uma imagem de si capaz de
convencer o auditório, ganhando sua confiança; para tanto, o orador pode jogar com três qualidades fundamentais: a “phronesis”, ou prudência, a “areté”, ou virtude, e a “eunonia”, ou benevolência. Dessa forma, perante a sociedade, é construída a imagem do professor por meio da sua entidade de classe. O autor destaca, ainda, o aspecto discursivo da noção de ethos, salientando que ele implica uma experiência sensível do discurso, mobiliza a afetividade do destinatário (2008, p.57). Dessa forma, o ethos é constituído junto à cena de enunciação, ou seja, o ethos emerge no acontecimento, no discurso, por isso ethos discursivo. No nosso caso, é construído por meio da publicação do editorial no jornal da sua entidade.
A noção de ethos discursivo é um princípio composto por vários planos. Um primeiro plano de análise é o tom, responsável por fazer emergir essa instância corporificada que serve de fiador do que se diz. Maingueneau diz (2008: p. 64):
Isso quer dizer que optei por uma concepção mais “encarnada” do ethos, que, nessa perspectiva, recobre não somente a dimensão verbal, mas também o conjunto de determinações físicas e psíquicas associadas ao “fiador” pelas representações coletivas. Assim, acaba- se por atribuir um “caráter” e uma “corporalidade”, cujo grau de precisão varia segundo os textos. O “caráter” corresponde a um feixe de traços psicológicos. Quanto à corporalidade, ela é associada a uma compleição física e a uma forma de se vestir. Além disso, o ethos implica uma forma de mover-se no espaço social, uma disciplina tácita do corpo, apreendida por meio de um comportamento. O destinatário o identifica apoiando-se em um conjunto difuso de representações sociais, avaliadas positiva ou negativamente, de estereótipos, que a enunciação contribui para reforçar ou transformar.
Isso implica dizer que o co-enunciador vai construindo, a partir dos seus modelos estereotipados de indivíduos que compõem o seu mundo de
representações, a imagem daquele que lhe fala por meio do texto. No imaginário da memória discursiva, o co-enunciador pode começar a construir a imagem mais efetiva do enunciador, um modo de se vestir e de circular na sociedade que possa contemplar o seu tom. Para Amoussy (2005: p. 125), tais representações são estereotipadas e
para serem reconhecidas pelo auditório, para parecerem legítimas, é preciso que sejam assumidas em uma doxa, isto é, que se indexem em representações partilhadas. É preciso que sejam relacionadas a modelos culturais pregnantes, mesmo se constestatórios (...) Na perspectiva argumentativa, o estereótipo permite designar modos de raciocínio próprios a um grupo e os conteúdos do setor da doxa na qual ele se situa.
Podemos confirmar, então, o corpo que o enunciador assume no discurso. Esse corpo toma uma existência que é partilhada por sua comunidade de co- enunciadores e que orienta modos de raciocinar típicos desse grupo, o que faz com que tais co-enunciadores possam aderir e incorporem tal imagem estereotipada.
Esse processo de incorporação passa por três registros indissociáveis (MAINGUENEAU, 2005: p. 99)
- a enunciação leva o co-enunciador a conferir um ethos ao seu fiador, ela lhe dá corpo;
- o co-enunciador incorpora, assimila, desse modo, um conjunto de esquemas que definem para um dado sujeito, seja a maneira de controlar o seu corpo, de habitá-lo, uma forma específica de se inscrever no mundo;
- essas duas primeiras incorporações permitem a constituição de um corpo, o da comunidade imaginária dos que comungam-na adesão de um mesmo discurso.
Assim, retomamos a centralidade da noção de adesão e de posicionamento. Como mencionamos, não se adere a uma ideia, mas a um ethos, um fiador, um maneira de ser e de estar no mundo, que carrega uma série de traços físicos e psicológicos, mas a percepção disso tudo está no nível de uma interação interdiscursiva e não de uma interação simplesmente linguística.