No nosso país a produção de frango, fortemente industrializada, com uma capacidade total de alojamento que ronda os 22 milhões de aves, encontra-se estruturada num modelo de integração vertical que se distribui por um número reduzido de operadores/integrações (inferior a 2 dezenas), que detêm cerca de 95% da produção. O sistema de produção, maioritariamente, aplicado nas explorações nacionais de frangos (cria, recria e engorda) é o sistema intensivo, cujos pintos provêm, na sua quase totalidade dos aviários de multiplicação
N.º de explorações N.º de bandos N.º de explorações N.º de bandos
2012 137 833 3 3 4 5 2013 137 813 4 4 4 4 2014 122 887 1 1 0 0 Ano N.º de explorações controladas N.º de bandos controlados
Positividade a S. Enteritidis, S. Typhimurium
nacionais. O abate dos frangos ocorre, normalmente, às 5-6 semanas, quando atingem um peso vivo entre 1,7 Kg e 1,95 Kg. Os frangos destinados a serem consumidos como frango de churrasco, forma tradicional no nosso país, obedecem a um ciclo de produção mais curto e portanto, com menor peso vivo. Por razões comerciais ocorrem vários desbastes ao longo do ciclo de produção dito normal das aves para abate, em que o primeiro desbaste é feito por volta dos 23 dias e o último por volta dos 42 dias de idade. Na produção em sistema de extensivo, em que cerca de 30% dos pintos é proveniente do mercado intracomunitário, ocorrem também alguns desbastes ao longo do ciclo de produção, que normalmente se estendem até aos 81-84 dias (idade das aves ao abate) (DGAV, 2014a).
O PNCS em bandos de frangos para abate pretende, em conformidade com o Artigo 1.º do Regulamento (UE) n.º 200/2012, da Comissão de 8 de março, reduzir a prevalência de S. Enteritidis e de S. Typhimurium, incluindo os serótipos com a fórmula antigénica 1,4,[5],12:i:- (S. Typhimurium monofásica), em bandos de frangos para abate, para 1% ou menos (DGAV, 2014a).
No que se refere à base de amostragem, esta cobre todos os bandos de frangos existentes em território nacional e destinados a abate. A amostragem é realizada nas três semanas que antecedem o abate, exceto para os bandos de frangos a serem mantidos durante um período superior a 81 dias ou abrangidos pela produção biológica, de acordo com o Regulamento (CE) n.o 889/2008, da Comissão de 5 de setembro, sendo neste caso, realizada nas últimas seis semanas prévias à data de abate (Tabelas n.ºs 4 e 5). São excluídas do programa as explorações cujos produtos são destinados, na totalidade, ao autoconsumo ou à venda direta num mercado rural. A DGAV procede à amostragem de pelo menos um bando de frangos por ano, em 10% das explorações com mais de 5000 aves (DGAV, 2014a).
Previamente à implementação do PNCS foi realizado, ao abrigo do n.º 1, do Artigo 1.º, da Decisão n.º 2005/636/CE, um estudo base sobre a prevalência de S. Typhimurium e de S. Enteritidis nas explorações nacionais de frangos, cujo resultado foi de 39,3%. Este PNCS em bandos de frangos para abate foi aprovado pela primeira vez para o ano de 2009 (Decisão da Comissão n.º 2008/897/CE) (DGAV, 2014a).
Nesse ano foram amostradas pelo controlo oficial 23% das explorações existentes, tendo-se registado 2,92% de bandos positivos. De acordo com os dados resultantes da implementação do PNCS em 2010 e 2011 a taxa de infeção por S. Typhimurium e S. Enteritidis nos bandos de frangos para abate foi, respetivamente, de 0,42% e 0,4% (DGAV, 2014a).
No ano de 2012, o PNCS foi aplicado a 99,82% dos bandos, abrangendo 10.929 dos 10.949 bandos de frangos para abate existentes em Portugal (Tabela n.º 9). Neste ano foram controlados pelos serviços oficiais, 148 bandos, tendo o autocontrolo englobado os 10.929 bandos cobertos pelo PNCS. Foram identificados, no total, 24 bandos positivos para os serótipos alvo do PNCS, distribuídos pela região Centro (15 bandos), região de LVT (3 bandos) e pelas RAM (1 bando) e RAA (5 bandos), representando 0,22% de positividade a
Salmonella. Os 24 bandos positivos, sujeitos a despovoamento, englobaram 257.561 animais,
que tiveram como destino final o abate. Foram ainda detetados outros serótipos de Salmonella em 103 bandos (Tabela n.º 10), nas regiões Norte, Centro, LVT e na RAM e RAA, com um total de 2.106.392 animais que à semelhança dos bandos positivos aos serótipos visados no PNCS, foram todos sujeitos a despovoamento e os animais abatidos em matadouro (DGAV, 2013a).
Tabela n.º 9 – Resumo dos dados do PNCS em bandos de frangos para abate (controlo oficial e autocontrolo) entre 2012 e 2014 (adaptado de DGAV, 2013a, 2014f, 2015g).
Tabela n.º 10 – Ocorrência de Salmonellae em bandos de frangos para abate entre 2012 e 2014 (controlo oficial e autocontrolo) (adaptado de DGAV, 2013a, 2014f, 2015g).
Em 2013 foram controlados 99,83% dos bandos, referentes a 11.130 dos 11.149 bandos de frangos para abate existentes no nosso país (Tabela n.º 9). Foram controlados, pelos serviços oficiais, 147 bandos, tendo o autocontrolo abrangido 10.983 bandos da totalidade coberta pelo PNCS. Neste ano identificaram-se, no total, 11 bandos positivos para os serótipos alvo do PNCS, que se distribuíram pela região Norte (2 bandos), Centro (5 bandos), LVT (1 bando) e pela RAA (3 bandos), representando 0,10% de positividade a Salmonella, o que corresponde uma descida comparativamente ao ano anterior. Os 11 bandos positivos, todos sujeitos a despovoamento, englobaram 207.612 animais, que se destinaram a abate. Foram ainda detetados outros serótipos de Salmonella em 31 bandos (Tabela n.º 10), nas regiões Norte, Centro, LVT e nas RAM e RAA, com um total de 533.241 animais, que à semelhança dos bandos positivos aos serótipos visados no PNCS, foram todos sujeitos a despovoamento e os animais abatidos em matadouro (DGAV, 2014f). No ano de 2014 registou-se um aumento no
2012 10.949 10.929 99,82 24 0,22 257.561 257.561 257.561 Centro, LVT, RAM e RAA 2013 11.149 11.130 99,83 11 0,1 207.612 207.612 207.612 Norte, Centro, LVT e RAA 2014 11.776 11.773 99,97 10 0,08 283.282 283.282 283.282 Centro e RAA N.º total de animais abatidos Regiões de Portugal com resultados positivos Bandos controlados (%) Bandos positivos (%) Ano N.º de bandos existentes N.º de bandos controlados N.º de bandos positivos (serótipos visados no PNCS) N.º de animais de bandos positivos (serótipos visados no PNCS) N.º de total de animais de bandos positivos abatidos ou eliminados/destruídos
Positividade a S. Enteritidis, S.
Typhimurium ou S. Typhimurium-Like Positividade a outras Salmonellae
N.º de bandos N.º de bandos 2012 10.929 24 103 2013 11.130 11 31 2014 11.773 10 47 Ano N.º de bandos controlados
controlo dos bandos, com 99,97% referentes a 11.773 de um total de 11.776 bandos de frangos para abate (Tabela n.º 9). Foram sujeitos a autocontrolo 11.639 bandos, tendo o controlo oficial incidido sobre 135 bandos. Registou-se 0,08% de positividade a Salmonellae, com um total de 10 bandos positivos para os serótipos alvo do PNCS, que se distribuíram pela região Centro (5 bandos) e pela RAA (5 bandos). Todos os bandos positivos (283.282 animais) foram sujeitos a despovoamento e os respetivos animais abatidos em matadouro. Detetaram- se ainda outros serótipos de Salmonella em 47 bandos (Tabela n.º 10), nas regiões Norte, Centro, LVT e nas RAM e RAA, com um total de 780.225 animais, que à semelhança dos bandos positivos aos serótipos visados no PNCS, foram todos sujeitos a despovoamento e os animais abatidos em matadouro (DGAV, 2015g).