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3 Teorier om kundetilfredshet

3.1 Definisjon

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Neste sentido, o esquema não é um plano (prescrição) que o sujeito segue à risca, pois as inferências são justamente a adaptação da ação à circunstância do momento, de forma flexível e situada.

20A organização e o desenrolar de seus gestos é uma pura maravilha: durante a corrida com a vara, no momento

onde ele planta a vara e onde ele se eleva em direção à barra a atravessar, no momento onde ele deve se elevar ainda para um movimento de todo o corpo que vai lhe permitir de atravessar a barra em torno do obstáculo, e enfim, durante a queda de maneira a não se machucar. Esta organização é um esquema. Em seguida, a conduta de Bubka é destacadamente regrada e consiste em um conjunto bem-planejado de tomadas de informação, de ações, de controles. Este conjunto não é, portanto, um puro automatismo e certo ajustamento intervêm a cada fase: há então um cálculo em pensamento no curso do desenrolar do salto: um esquema comporta inferências. Enfim, nada será possível sem uma representação operatória das distâncias, das forças, da elasticidade da vara, do decurso temporal dos movimentos, da repartição das massas dos corpos (VERGNAUD, 1996, p. 279).

40 Na Didática Profissional, os invariantes operatórios são chamados de conceitos pragmáticos: “O domínio dos conceitos pragmáticos constitui um eixo essencial em torno do qual o desenvolvimento das competências se efetua. Por isso a importância desses conceitos pragmáticos, quando se trata de formação” (PASTRÉ, 2010, p. 111).

Os conceitos pragmáticos têm a função de organizar a ação eficaz, permitindo um acoplamento forte entre as tomadas de informação efetuadas pelo sujeito e as operações que ele executa. São mais importantes para a organização da ação que as regras de ações, pois:

A multiplicidade, o emaranhado e a indeterminação dessas regras de ação são tais que seu domínio não é suficiente para fornecer aos operadores todos os elementos, lhes permitindo determinar a conduta a adotar. Somente um diagnóstico do estado presente do sistema e de sua evolução permitirá escolher as regras de ação pertinentes em relação à situação (PASTRÉ, 2010, p. 106).22

Por isso os conceitos pragmáticos são tão importantes, pois é seu domínio que orienta a escolha das ações pertinentes para o problema posto. Como organizadores da ação que fundamenta um diagnóstico da situação, possuem quatro características. A primeira diz respeito à sua associação aos indicadores, isto é, ao real sobre o qual o sujeito realizará o diagnóstico da situação. Sua presença é percebida no valor dado aos indicadores da situação, como um barulho, o movimento fortuito da máquina, o aparecimento de uma alteração no produto, etc. E mesmo que o conceito não seja explícito na representação do operador, ele não é menos presente, uma vez que significa os elementos da situação úteis para sua ação (PASTRÉ, 2011). A segunda característica é que ele é construído na ação, no uso, e não a partir de uma definição verbal, como os conceitos cotidianos de Vigotski. A terceira diz respeito ao seu caráter socialmente situado, próprio de um métier profissional. E por último, ele é tácito, todo mundo sabe de que se trata, mas ninguém toma a iniciativa de definir o conceito.

Mas Pastré (2011) ressalta que os conceitos organizadores da ação não são sempre pragmáticos, podendo ser conceitos pragmatizados, como os conceitos científicos e técnicos usados como meio da ação em determinada situação prática. Nas pesquisas em centrais nucleares, os novatos passam 13 semanas aprendendo os princípios de funcionamento de um reator nuclear mediante a apresentação de conhecimentos técnicos e científicos, imprescindíveis para embasar os diagnósticos dos problemas (PASTRÉ, 2011). Neste caso, os

41 sujeitos aprendem a pragmatizar – usar como instrumento da ação – os conhecimentos científicos e técnicos para fazer um diagnóstico da situação em dado instante. O que é comum a ambos é o fato de orientarem a ação, o que ver, perceber e fazer é guiado por este conhecimento.

Os conceitos pragmáticos ou pragmatizados compõem, junto a outros três elementos, a estrutura conceitual de uma situação, objeto a ser investigado na análise da atividade. Assemelha-se ao esquema de Vergnaud e é estruturado em torno de um tripé que conduz conceitualmente a ação: conceitos pragmáticos ou pragmatizados, indicadores23 e classes de

situações. Em relação às classes de situações: “Todos os sujeitos que agem constituem empiricamente classes de situações para melhor orientar sua ação. Na maioria dos casos, estas classes são acessadas de maneira empírica e vão variar segundo os critérios que se vai reter” (PASTRÉ, 2011, p. 177). Além deste tripé, as estratégias almejadas pelos sujeitos também constituem guias preciosos para a análise da atividade propriamente dita.

A estrutura conceitual de uma situação é objetiva, faz parte da situação de trabalho e não de uma análise intrínseca da atividade dos atores. A cognição dos sujeitos é definida por Pastré como modelo operativo. Este modelo “representa a maneira na qual um autor se apropria mais ou menos bem, mais ou menos completamente, da estrutura conceitual de uma situação” (PASTRÉ, 2011. p.179). Ele pode ser “completo ou incompleto, empírico (tratando cada situação como um caso particular) ou racional (usando conceitos)” (PASTRÉ, 2011. p.179). A competência de um ator será medida quando se compara seu modelo operativo com a estrutura conceitual da situação característica da tarefa.

Pode-se dizer em geral que um profissional competente tem um modelo operativo fiel à estrutura conceitual da situação, então um iniciante ou um sujeito em aprendizagem tem um modelo operativo em defasagem em relação à estrutura conceitual (PASTRÉ, 2011, p.179) 24.

O modelo operativo é o que se deve buscar compreender com a análise da atividade, a partir das entrevistas em autoconfrontação, ao passo que a estrutura conceitual da situação é obtida a partir da análise da tarefa. Na primeira análise, busca-se conhecer os conceitos

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A relação conceitos-indicadores é essencial, pois se trata de uma semântica da ação, baseada em relações de significação. Os indicadores são naturalmente observáveis, mas o que faz seu valor é sua união aos conceitos, mesmo quando os conceitos são invisíveis na representação dos atores: sem esta relação, estes são apenas indícios, interessantes, mas insuficientes para guiar a ação (PASTRÉ, 2011, p.176).

42 organizadores (pragmáticos ou pragmatizados) da atividade dos atores; na segunda, identificar a estrutura conceitual da situação, para em seguida compará-las a fim de compreender a eficácia ou a não eficácia dos atores. O passo seguinte é diminuir esta defasagem entre o modelo operatório dos menos competentes e a estrutura conceitual da situação, por meio da transmissão de conceitos e representações que leve ao acoplamento do modelo à situação.

Não basta formalizar apenas conceitos pragmáticos ou pragmatizados para serem transmitidos aos menos competentes, é preciso também formalizar o julgamento pragmático presente na atividade dos atores. Segundo Pastré (2011), para alcançar um mesmo objetivo, há vários modos operatórios a empreender e, portanto, nada garante que os agentes mobilizam exatamente os mesmos conceitos organizadores para agir. A estrutura conceitual da situação representa nada mais que um esqueleto ou uma gramática, que não permite mais aceder sozinha à organização da atividade dos agentes (PASTRÉ, 2011).

Pastré (2011) introduz na análise da atividade o termo “julgamento pragmático”, que são meta-regras utilizadas pelos atores para embasar suas regras de ação em dado momento, já que “toda operação é efetuada em referência a uma regra de ação, implícita ou explicita, [...] subordinada à uma meta-regra que permite descrever a estratégia mobilizada pelo ator (PASTRÉ, 2011, p.193). Sua análise permite compreender as diferentes estratégias mobilizadas em cada um dos atores em relação à uma mesma situação, complementando a análise dos conceitos que geralmente oculta “as diferenças individuais na organização da atividade dos atores por reter apenas o que é comum aos atores competentes” (PASTRÉ, 2011,p.192).

Assim, além da formalização dos conceitos pragmáticos ou pragmatizados exigidos pela tarefa para ser competente, a análise deve contemplar também as meta-regras que embasam a escolha do conceito em dado momento no curso da ação. Esses julgamentos são identificados nas entrevistas em autoconfrontação mediante enunciados colhidos, ou quando são implícitos, “o pesquisador deve formular o julgamento pragmático que lhe parece fundar o conjunto de enunciados” (PASTRÉ, 2011, 192). A atividade de serviços face a face é um exemplo deste tipo de análise. Como estas atividades exigem decidir e escolher o que fazer de acordo com as regras, normas e o comportamento do cliente no momento da interação face a face, os conceitos organizadores que estruturam a atividade, como os pragmáticos,

43 (...) não indicam mais que uma gramática, que é preciso respeitar, mas que não diz grande coisa sobre os modelos operativos empregados pelos interlocutores. É por isso que nessas atividades, a compreensão da atividade dos interlocutores se apoia na identificação dos julgamentos pragmáticos, proposições tidas como verdadeiras pelos autores, que orientam e guiam sua ação (PASTRÉ, 2011, p.204) 25.

Com isso, os conhecimentos postos em ato que tornam a ação de um competente eficaz devem ser formulados e transmitidos àqueles que não possuem o mesmo modelo operatório de acordo com as características da situação, e nisso resulta a importância do acoplamento esquema-situação para a ação eficaz. Mesmo que esses conhecimentos não sejam explicitados pelos atores, devem ser formulados pelo observador analista da atividade, pois somente sua apropriação pelos menos experientes permite levá-los à condição de competentes.

3.3 A ARTICULAÇÃO ENTRE CONHECIMENTOS EMPÍRICOS E ABSTRATOS NA