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2. Teoretiske referanseramme

2.3 NRS 19 immaterielle eiendeler og egen FoU

2.3.1 Definisjon av immaterielle eiendeler – 2 krav

Infelizmente, à obra de Claparède não foi dada a devida consideração ao longo da história da Psicologia e, ao que tudo indica, também da Psiquiatria. Perguntamo-nos se isso decorre do fato de não se ter compreendido bem o seu pensamento, colocando-o, em geral, como um teórico da infância e da educação. Ou se haveria uma dificuldade relacionada à aceitação de trabalhos da língua francesa, especificamente advindos da Suíça, sempre considerado um país neutro. Contudo essa nos parece uma hipótese remota, já que tantos outros suíços se destacaram no cenário científico, como o próprio Rousseau, por exemplo. Parece-nos, principalmente, que Jean Piaget teria eclipsado Claparède devido as suas inúmeras pesquisas e conseqüente ascensão científica em âmbito mundial, a partir dos estudos realizados por ele no Instituto Jean Jacques Rousseau. É importante lembrarmos que muitas dessas pesquisas pautaram-se, inclusive, sobre alicerces teóricos já propostos por Claparède, os quais foram, então, colocados em experimentação por Piaget.

Segundo o próprio Piaget (1974), apesar de Claparède dizer-se um empirista, ele próprio teria se mostrado um anti-empirista e notadamente construtivista ao criticar o associacionismo em seu livro L’association des idées (1903) e também em La genèse de l’ hypothèse (1924), apesar dele não ter se dado conta disso. Piaget acredita que Claparède seria um empirista por utilizar o método empírico, mas não a filosofia empirista. Concordamos com Piaget no que diz respeito ao estilo construtivista do pensamento de Claparède, que se evidencia em várias passagens da sua obra, mas, ao que tudo indica, Claparède foi um interacionista e foi Piaget quem continuou o pensamento daquele na direção do construtivismo. Dessa forma, Piaget é quem teve seus trabalhos postos em evidência, muito mais do que os do seu mestre, tendo em vista a aplicabilidade da teoria piagetiana.

Mas, da forma como o apreendemos nesse trabalho de tese, Claparède tem uma dimensão muito maior, oferecendo-nos uma teoria dinâmica ou genético-funcional (como ele assim a denominou) sobre o indivíduo. A escolha pela criança como objeto do seu estudo, deve-se a sua visão de que a infância é a raiz de onde cresce a árvore. Todo esse arsenal teórico não se restringe a uma teoria da infância, mas refere-se a uma teoria sobre o psiquismo humano, a qual deveria ser aproveitada, aprofundada e desenvolvida como recurso científico para lidarmos com o desenvolvimento humano e os seus desvios. Nesse sentido, a obra de Claparède tem tanta importância quanto às dos seus contemporâneos, como por exemplo, a de Sigmund Freud, na medida em que nos oferece uma visão dinâmica do sujeito e ferramentas teóricas que podem muito bem serem cientificamente estudadas, como o fez Piaget, em prol do entendimento da natureza humana e não só da criança ou da educação.

Infelizmente, Claparède não se aprofundou nos aspectos patológicos do interesse. Se o tivesse feito, poderia ter nos proporcionado, ainda, maiores recursos para compreendermos transtornos psíquicos importantes como os transtornos do humor, as psicoses ou o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. A perda de interesse que ocorre nos dois primeiros é conhecida desde há muito, como podemos ver nas teorias de Pinel, por exemplo (ALEXANDER; SELESNICK, 1980). Sobre o transtorno de déficit de atenção e

hiperatividade, não conhecemos estudos que o relacionem ao interesse e, por isso mesmo, propomos que isso seja feito, inclusive, a partir da teoria genético funcional de Claparède como ela é apresentada aqui. Em algumas passagens, Claparède menciona a importância de se captar o interesse da criança para que ela fixe a atenção “se se incluir, no exercício por fazer, na tarefa por cumprir, a alegria e o interesse que só o jogo lhe proporciona” (CLAPARÈDE, 1920 / 1959, p. 115).

Outra questão que nos apresenta com esse trabalho de tese é a necessidade de se construir formas mais efetivas de formação de professores, dada a responsabilidade deles ao serem o veículo por excelência da arte de educar e, portanto, como nos diz Claparède, da arte de curar. É importante frisarmos que nossos professores encontram-se em um cenário preocupante em relação à educação, se nos reportamos à avaliação do PISA143, na qual o Brasil ficou em 52º lugar em Ciências, 48º em leitura e 53º em Matemática, em um ranking de 57 países. Considerando que o PISA enfatiza a interpretação de experiências e a resolução de problemas, torna-se fundamental que o professor adquira competências para desvincular-se da teoria e dar chance à criatividade, à curiosidade e ao interesse das crianças e adolescentes frente à necessidade de se resolver algum problema. Parece-nos que Claparède concordaria com o que nos diz Madeira (apud ARANHA, 2007, p. 62), gestor de projetos educacionais do Instituto Ciência, ligado à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, sobre esse resultado do Pisa: “o bom professor de Ciências é um bom perguntador. Ele não dá respostas, ensina o aluno a investigar suas curiosidades”.

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O Programme for International Student Assessment é um programa internacional de avaliação comparada, cuja finalidade é produzir indicadores sobre a efetividade dos sistemas educacionais, avaliando o desempenho de alunos na faixa dos 15 anos, idade em que se pressupõe o término da escolaridade básica obrigatória na maioria dos países. É desenvolvido e coordenado internacionalmente pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), havendo em cada país participante uma coordenação nacional. No Brasil, o PISA é coordenado pelo Inep – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais “Anísio Teixeira”.

Os processos de psicoterapia, principalmente as correntes da Psicoterapia Cognitiva, poderão também se beneficiar desse estudo, uma vez que nossos interesses e sentimentos (emoção) parecem constituir a chave para a nossa representação do mundo (cognição).