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Nesta investigação foram empregados os pressupostos das abordagens quantitativa e qualitativa, por compreendê-las como essenciais para o alcance dos objetivos propostos. A literatura especializada tem ressaltado que seu emprego não são excludentes, e sim, complementares (ALMEIDA; FREIRE, 2000; DEMO, 1991; MINAYO; SANCHES, 1993; THIOLLENT, 2007; VIANNA, 2000). Destarte, Stake (1983) enfatiza que os pesquisadores quantitativos, realizam discriminações qualitativas, de modo análogo aos pesquisadores qualitativos quando delineiam aspectos quantitativos em seus estudos.

[...] a relação entre quantitativo e qualitativo, entre objetividade e subjetividade não se reduz a um continuum, ela não pode ser pensada como oposição contraditória. Pelo contrário, é de se desejar que as relações sociais possam ser analisadas em seus aspectos mais “ecológicos” e “concretos” e aprofundadas em seus significados mais essenciais. Assim, o estudo quantitativo pode gerar questões para serem aprofundadas qualitativamente, e vice-versa (MINAYO; SANCHES, 1993, p. 247).

Do ponto de vista metodológico pode-se afirmar, conforme explicitam esses autores, que a investigação quantitativa e qualitativa são de natureza diferentes. A primeira possibilita, por exemplo, o fornecimento de dados, indicadores e tendências observáveis que podem ser utilizados para classificar e tornar inteligíveis diferentes variáveis. A segunda, por permitir aprofundar a complexidade dos fenômenos sociais, investigando-os de forma mais intensiva.

Do ponto de vista epistemológico, nenhuma das duas abordagens é mais científica do que a outra. De que adianta ao investigador utilizar instrumentos altamente sofisticados de mensuração quando estes não se adequam à compreensão de seus dados ou não respondem a perguntas fundamentais? [...] Da mesma forma, uma abordagem qualitativa em si não garante a compreensão em profundidade (MINAYO; SANCHES, 1993, p. 247).

Cabe, portanto, ao pesquisador abandonar a crença dicotômica, entre abordagens quantitativa e qualitativa, compreendendo seu caráter complementar, empregando as diferentes possibilidades que cada uma dessas abordagens proporciona.

Utilizaremos ainda, os caminhos da pesquisa-ação como alternativa para o desenvolvimento de uma proposta de atuação para os professores do AEE. A pesquisa-ação opõe-se às limitações da pesquisa convencional, onde incide o distanciamento entre o sujeito e o objeto de pesquisa, evidenciando a necessidade da introdução e a participação efetiva do pesquisador na população investigada, com vistas à construção de conhecimento (THIOLLENT, 2007). Deste modo, compreende-se a pesquisa-ação como uma estratégia metodológica da pesquisa social, na qual, dentre outros aspectos enfatiza-se o predomínio do caráter participativo ao estabelecer a interação entre pesquisador e os sujeitos do estudo (THIOLLENT, 2007).

Segundo Barbier (2002, p. 106), a pesquisa-ação "visa à mudança de atitudes, de práticas, de situações, de condições de produtos, de discursos [...]". Representa, portanto, uma estratégia que aponta para a promoção de mudanças necessárias a prática cotidiana. A pesquisa-ação constitui um tipo de abordagem investigativa que não se restringe apenas a ação ou participação dos envolvidos. Thiollent (2007, p.24) assevera: “[...] com ela é necessário produzir conhecimento, adquirir experiência, contribuir para a discussão ou fazer avançar o debate acerca das questões abordadas”.

É imprescindível destacar a existência de uma variedade de definições de pesquisa-ação na literatura especializada, demonstrando que de acordo com o vínculo apresentado entre pesquisador e demais atores, obtêm-se uma diferenciação nessa relação (IBIAPINA, 2008). Tal investigação está situada nas diretrizes metodológicas da pesquisa- ação colaborativa, por desenvolver e sistematizar os conhecimentos adquiridos durante a intervenção, e, ainda, promover ações que objetivam transformar a prática docente, propondo a formação continuada em serviço dos envolvidos. Tais diretrizes configuram uma importante estratégia para a investigação e estudo da prática docente: direciona o cotidiano escolar e articula a ação pedagógica e a reflexão.

Convém ressaltar, nesse contexto, a crucial valorização dos saberes teórico- práticos dos participantes. Rausch e Schlindwein nos advertem:

Para que os professores ressignifiquem a sua prática é preciso que a teorizem. E este movimento de teorizar a prática não se efetiva somente com treinamentos, palestras,

seminários, aulas expositivas, mas muito mais, quando há uma relação dinâmica com a prática deste professor a partir de uma reflexão coletiva, auto-reflexão, pensamento crítico e criativo, via educação continuada [...] (RAUSCH E SCHLINDWEIN, 2001, p. 121).

O papel do pesquisador na pesquisa colaborativa contribui para o incremento profissional dos professores ao planejar sessões de formação, auxiliar nas situações educativas vivenciadas por eles no cotidiano, e ainda, possibilitar a reinterpretação da teoria com base na prática. Os professores, por sua vez, cooperam com os pesquisadores ao refletirem acerca de suas práticas, compreendendo as circunstâncias intrínsecas e sua função. Consequentemente, diante do estabelecimento dessas ações interventivas: “[...] os professores, com o potencial de análise, das práticas pedagógicas; e o pesquisador, com o potencial de formador e de organizador das etapas formais da pesquisa” (IBIAPINA, 2008, p.20).

Nessa perspectiva, assume o duplo papel de pesquisador e formador: age equilibrando e norteando a pesquisa (amparado no quadro teórico e epistemológico selecionado) e; trabalhando no campo da pesquisa e da formação - convivendo com esses dois mundos sem necessariamente uni-los. Corroboramos com a autora ao afirmar que

[...] a pesquisa colaborativa transforma a academia e a escola, ajudando essas instituições a enfrentar o desafio de unir os interesses dos pesquisadores aos dos professores no sentido de encontrar os caminhos para mudar as estruturas educativas e sociais, o que perpassa pela utilização da pesquisa como uma atividade de produção de conhecimentos, mas também como uma instancia de formação para o professor (IBIAPINA, 2008, p.51-52).

Segundo Nóvoa (1995), todo processo de formação sugere um projeto de ação e transformação das práticas. Compreende, portanto, que a concretização da mudança se faz durante essa trajetória, no empenho pela busca da transformação da escola.

A preferência por essa metodologia de pesquisa advém da compreensão da necessidade de proporcionar não só uma ampla interação entre todos os participantes da investigação, mas, igualmente, de permitir que a escola seja um espaço privilegiado para formação de professores reflexivos. Assim os princípios e pressupostos da pesquisa-ação colaborativa, brevemente expostos nesse trabalho e vivenciados no cotidiano da escola investigada, evidenciam os desafios e vantagens de se pesquisar colaborativamente.

Delineia-se, a seguir, a metodologia empregada com a intenção de revelar os caminhos percorridos, o levantamento dos dados obtidos e a forma como realizamos o presente estudo.