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4 Diskurs og praksis

4.4 De ulike diskursenes objekter og fenomen

O trabalho imaterial e intelectual, o conhecimento e seus atores sociais colocam-se no lado do trabalho improdutivo mesmo com a produção da mais-valia, pois não intervêm na transformação da natureza, portanto, na sua conversão em meios de produção e de subsistência. Ao contrário, esse fato acontece apenas com o trabalho produtivo manual do proletário.

Em contrapartida, Braverman (1980) afirma que

Embora o trabalho produtivo e o improdutivo sejam tecnicamente distintos, embora o trabalho produtivo tenha tendido a decrescer na razão do aumento de sua produtividade, enquanto improdutivo tenha aumentado apenas como consequência do aumento dos excedentes jorrados pelo trabalho produtivo – a despeito dessas distinções, as duas massas de trabalho não estão absolutamente em flagrante contraste e não precisam ser contrapostas uma à outra. Elas constituem uma massa contínua de emprego que, atualmente e diferentemente da situação nos dias de Marx, têm tudo em comum. (BRAVERMAN, 1980, p.357, grifos do autor)

Os processos de transformações para exploração do trabalho material ou imaterial no Brasil, por meio da acumulação flexível, ocorreram através do aumento da possibilidade da exploração do trabalho abstrato. Fato que intensificou o limite da auto-exploração do trabalhador orientado pela nova sociedade produtiva.

Segundo Lazzarato (1997) no aspecto objetivo das relações sociais, a mais-valia [...] se esconde sob a ilusão de uma sociedade de produtores independentes de mercadorias, uma sociedade de vendedores de trabalho materializado. Uma sociedade sem vendedores de força de trabalho, posto que o contrato de compra e venda de força de trabalho está metamorfoseado num contrato de fornecimento de mercadorias. (LAZZARATO, 1997, p. 34)

O autor demonstra que o processo ideológico torna velado o fetichismo da mercadoria força de trabalho e a negação da intensificação humana. E ainda nos possibilita refletir sobre a condição do professor pesquisador a partir do trabalho imaterial quando afirma que

No contexto do trabalho imaterial, o contrato trabalhista não estabelece uma relação imediata entre “produtividade” e “improdutividade”; ao contrário, hoje é redimensionado por novas formas de controle do capital, essencialmente a partir de sua subjetividade criativa e participativa no processo de produção. Em dimensão não inédita, no caso do artista em geral [e do professor em particular], altamente qualificado, isso se aprofunda por meio de elementos como a intensificação do trabalho, a precarização das relações de produção (carreira, prestação de serviço, etc.) no interior das instituições às quais prestam serviços. Em resumo, um trabalho que já dependia da subjetividade produtiva [o do professor] do trabalhador resulta, no atual processo de estratégias de mudanças no trabalho produtivo, em profunda sujeição da subjetividade do artista [professor] aos meios e controles do capital. (COLI, 2006, p. 317)

Para Braverman (1980) a desqualificação do trabalho docente é entendida como uma “perda na capacidade de realizar todas as etapas e tarefas da profissão docente, e pelas formas descontrole sobre o coletivo docente instituídas com o tecnicismo” (BRAVERMAN, 1980, p.235). O autor afirma que

Toda a fase do processo do trabalho é divorciada, tão longe quanto possível, do conhecimento e preparo especial, e reduzida a simples trabalho. Nesse ínterim, as relativamente poucas pessoas para quem se reservam instrução e conhecimento são isentas tanto quanto possível da obrigação de simples trabalho. Desse modo, é dada uma estrutura a todo o processo de trabalho que em seus extremos polariza aqueles cujo tempo é infinitamente valioso e aqueles cujo tempo quase nada vale. Esta poderia até ser chamada a lei geral da divisão do trabalho capitalista. Não é a única força atuando sobre a organização do trabalho, mas é certamente a mais poderosa e geral (BRAVERMAN, 1980, p.80).

Porém, quando se trata da posição de classes, Braverman (1980) coloca a categoria docente em posição igual à dos engenheiros, técnicos, supervisores e gerentes, que ocupam

um lugar intermediário na estrutura de classe capitalista. Essa posição de intermédio participa dos interesses e das características tanto da força de trabalho operária, como os da burguesia. Nesse contexto, essa posição seria determinada “por sua relação com o poder e a riqueza que os comandam de cima, e com a massa de trabalho sob eles, que eles, por sua vez, ajudam a controlar, comandar e organizar” (BRAVERMAN, 1980, p. 343).

No entanto, de acordo com Braverman, mesmo essas chamadas classes médias sociais também estariam sujeitas a um processo de proletarização, pois iniciariam “a despeito dos privilégios que restam, a conhecer aqueles sintomas de dissociação popularmente chamados de ‘alienação’ com que tem vivido a classe trabalhadora por tanto tempo (...)” (BRAVERMAN, 1980, p.345).

Ferreira (2002) afirma que a proletarização promoveu um abandono do docente da identificação com categorias mais profissionais, através da substituição do sistema associativo utilizado no início do século XX, por um modelo sindical aos moldes dos sindicatos operários. Porém, Enguita (1991) afirma que nada leva a crer que os professores se convertam em um grupo profissional nem que se transformem em um grupo proletariado.

O autor coloca que para se falar de professores é importante realizar uma maior especificação para não ocultar as grandes diferenças que separam os diversos grupos de professores, “diferenças que dizem respeito a seus salários, suas condições de trabalho, seu prestígio, suas oportunidades de promoção e outros bens e vantagens sociais desejáveis” ( ENGUITA, 1991, p. 55). Para Séron (1999), nesse debate entre a profissionalização e a proletarização, existe ainda uma outra possibilidade que é a colocação da ocupação docente como um grupo de status, ou seja, “um grupo de pessoas com uma mesma imagem social, que dispõem de senhas de identidade próprias, expressas pelos mesmos estilos de vida, e uma morfologia de conjunto, produto de uma similar e homogênea imagem social” (SÉRON, 1999, p.50).