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De finske prosjekter

In document Klassisk Forum, 1989:1 (sider 36-40)

Como toda pesquisa qualitativa exige, os dados deste trabalho foram coletados através de diversas fontes. As principais foram os Diários de Campo, as Entrevistas e, por fim, as Histórias de Vida. Além destes recursos, que apresentaremos detalhadamente em seguida, foram utilizadas também gravações em áudio das reuniões realizadas com os grupos de estágio e a professora responsável pela disciplina, a fim de ratificar ou complementar algumas informações relatadas por eles nos Diários.

2.3.1 Diários de Campo

No início do semestre, foi solicitado que os licenciandos relatassem em um pequeno caderno tudo o que julgassem relevante no momento do estágio e/ou das aulas na universidade: angústias, sentimentos, reflexões, enfim, qualquer coisa que lhes inspirasse, ou que achassem que era importante que refletissem naquele momento. A idéia de se fazer um Diário partiu da professora que, em anos anteriores, utilizou-se deste mesmo instrumento com os alunos e obteve resultados muito satisfatórios, em termos de reflexão e aprendizagem. Os alunos produziram materiais riquíssimos e alguns deles foram utilizados como fonte de dados para outras pesquisas. Assim, achamos interessante utilizar este instrumento neste trabalho também, pois conhecíamos o seu potencial, que transcende a mera observação. Além disso, é sobejamente confirmado pela comunidade científica o uso desses documentos em uma pesquisa de caráter qualitativo, como é o caso desta (ALVES, 2004).

Zabalza (1994) trabalhou com os “Diários de Aula” de professores em exercício. Dentre outros aspectos, ele destaca a escrita e a reflexão como as grandes dimensões dos diários. Sobre isso, ele diz que

O próprio fato de escrever, de escrever sobre a própria pratica, leva o professor a aprender através da sua narração. Ao narrar sua experiência recente, o professor não só se constrói linguisticamente, como também a reconstrói ao nível do discursoprático e da atividade

profissional.(…) Quer dizer, a narração constitui-se em reflexão. (p. 95)

Podemos transferir essas colocações de Zabalza para o nível dos licenciandos que, ao relatarem nos Diários suas experiências no estágio, refletem sobre elas e têm a oportunidade de reconstruí-las, empregando seus próprios conhecimentos e traçando suas trajetórias e seus padrões de identificação com a profissão.

Porém, o Diário de Campo pode não fornecer todas as informações acerca da vivência de quem o escreveu, seja por inibição, ou mesmo pela perda de detalhes, devido ao registro tardio das experiências. Para contornarmos esta dificuldade, optamos por realizar entrevistas com os licenciandos, pois consideramos que este poderia ser um meio que viesse complementar as informações do Diário de Campo.

2.3.2 Entrevistas

Como forma de complementar os dados dos Diários de Campo, relizamos entrevistas semi-estruturadas com os licenciandos. As entrevistas foram realizadas individualmente, após o término do primeiro estágio e a duração de cada uma delas foi, em média, de 40 minutos. O roteiro (APÊNDICE I) funcionou como um norteador, já que algumas perguntas poderiam ser alteradas, outras poderiam ser acrescentadas, de acordo com a fala de cada um. Isso permite que o investigador obtenha dados descritivos na linguagem do próprio sujeito (BOGDAN & BIKLEN, 1994). O assunto das entrevistas foi a escolha da docência e os saberes construídos no decorrer do estágio.

A vantagem da entrevista sobre as outras técnicas é que ela “permite a captação imediata e corrente da informação desejada, praticamente com qualquer tipo de informante e sobre os mais variados tópicos” (LÜDKE & ANDRÉ, 1986).

2.3.3 Histórias de Vida

As Histórias de Vida dos licenciandos surgiram quando já não mais tínhamos intenção de coletar dados para esta pesquisa. Elas foram solicitadas pela professora responsável pelo segundo semestre de Estágio Supervisionado, como um dos elementos para o fechamento do semestre. Quando tomamos conhecimento deste material, percebemos que muitas das questões que não conseguimos responder com os elementos dos diários e das entrevistas, estavam respondidas nas escritas de si dos licenciandos. Decidimos, então, incorporar as Histórias de Vida no conjunto de dados desta pesquisa,

a fim de enriquecer os dados que já possuíamos, permitindo, assim, uma reflexão mais ampla e uma interpretação mais legítima dos processos de busca da identidade profissional de cada um deles.

A História de Vida se define como “o relato de um narrador sobre sua existência através do tempo, tentando reconstituir os acontecimentos que vivenciou e transmitir a experiência que adquiriu” (QUEIROZ, 1988, p. 20). Esses relatos podem ser orais (gravados e transcritos) ou escritos, como é o caso desta pesquisa. De acordo com alguns autores (JOSSO, 2004; SOUZA, 2006; PINEAU, 2003 e outros), a forma mais correta para se trabalhar com Histórias de Vida é, primeiramente, obter um relato oral do sujeito. Feito isso, o próximo passo é pedir que ele escreva sua História de Vida. O último passo é o questionamento do pesquisador sobre essa História, para tentar preencher as possíveis lacunas que ainda restaram, episódios que o sujeito não descreveu, a fim de se obter o mais completo relato possível. Porém, por ser este um trabalho de cunho naturalístico, não conseguimos seguir estas etapas, já que as Histórias de Vida foram produzidas após o início da pesquisa e à realização das entrevistas. Portanto, as Histórias de Vida não são necessariamente complementares à entrevistas. Algumas delas versam sobre outros aspectos da vida do sujeito. Mas, ainda assim, julgamos pertinente a utilização delas para auxiliar na interpretação das trajetórias dos licenciandos.

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