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3. Design/ metode og datautvalg

3.3. Datautvalg

O Minnesota Innovation Research Program (MIRP) foi um projeto de pesquisa longitudinal que teve início em 1983 e cujo objetivo inicial era compreender não a inovação em si, mas sim o processo de inovação. Pretendiam responder às seguintes questões: Como e por que as inovações se desenvolvem, desde a fase de concepção até a implementação das mesmas? Quais os processos

que conduziriam ao sucesso ou fracasso das inovações e em que medida os processos de inovação podem ser generalizados?

Tais questões foram levantadas a partir da crítica do MIRP à maioria da produção científico-literária da época sobre a inovação. Até então, o foco voltava-se para os antecedentes habilitadores e inibidores ou para os resultados isolados da inovação, não de forma integrada pela variável tempo (VAN DE VEN; ANGLE; POOLE, 2000). A decisão de conduzir uma pesquisa longitudional foi importante, pois novas idéias que não são vistas como úteis podem ganhar a conotação de erros e, portanto, seria mandatório acompanhar todo o processo de inovação até que sua implementação fosse levada a cabo, para possibilitar verificar se aquela nova idéia seria realmente inovadora ou um erro .

Os pesquisadores do MIRP formaram quatorze equipes multidisciplinares de pesquisa para estudarem quatorze casos de inovação. Tais casos foram bastante variados entre novas tecnologias, produtos, serviços, processos e estruturas organizacionais, e cada equipe dedicou-se exclusivamente a um estudo de caso. A análise dos dados foi realizada sob diversas perspectivas individual, coletiva, organizacional, setorial e nacional e em organizações com diferentes finalidades privada, pública e terceiro setor , a fim de generalizar ao máximo as conclusões do estudo. Trataram-se claramente de estudos de caso explanatórios, que visaram responder às questões de pesquisa do tipo como e por que as inovações se desenvolvem no decorrer do tempo, a fim de prover aos gestores da inovação um referencial teórico acerca do processo de inovação.

Chegaram, então, a cinco unidades de análise idéias, pessoas, transações, contexto, resultados e que compõem o modelo de referência MIS (Minnesota Innovation Survey, vide Anexo A) para explicar o processo de inovação (Esquema 5):

Esque

ma 5 Dimensões nas medições do modelo MIS Fonte: VAN DE VEN; CHU, 2000, p.56

Nota: os asteriscos (*) indicam as medições sem o uso de modelagem psicométrica

Nota-se no modelo MIS que a natureza da inovação age como moderadora dos resultados da inovação, que é a variável dependente das outras quatro unidades de análise, e que as dimensões externas influenciam os processos internos da inovação bem como os resultados. As observações do MIRP para cada uma das unidades de análise estão apresentadas no Quadro 1 a seguir e ilustram uma realidade deveras diferente da assumida pelo senso comum até o início da pesquisa. Van de Ven e Angle (2000) explicam o processo de inovação de uma perspectiva gerencial em um contexto institucional e organizacional em mudança. O processo de inovação consiste em motivar e coordenar pessoas para desenvolver e implementar novas idéias, engajando-as em transações (ou relacionamentos) com outras pessoas e realizando as adaptações necessárias para atingir os resultados desejados.

Com relação às idéias, uma das constatações do MIRP foi a de que uma inovação é estimulada mediante um choque do ambiente, interno ou externo à organização. Inclusive uma imitação pode ser vista como inovação, caso o grupo de trabalho perceba tal idéia como inovadora (DOSI, 1988). Os pesquisadores do MIRP notaram que a idéia inovadora inicial prolifera-se em várias

outras durante o processo de desenvolvimento e que tal proliferação de idéias ocorre devido a alguns paradoxos que emergem durante um processo de inovação.

Unidade de

análise: Premissas implícitas naliteratura (senso comum): Observações do MIRP: Idéias Invenção única,

operacionalizada Reinvenção, proliferação, reimplementação,descarte e interrupção Pessoas Um empreendedor com uma

equipe dedicada durante todo o tempo

Muitos empreendedores engajam-se e desligam-se ao longo do processo, assumindo diversos papéis na organização

Transações Rede fixa de pessoas/ empresas trabalhando sobre detalhes da idéia

Rede de stakeholders que se expande e contrai ao longo do tempo, divergindo e convergindo quanto às idéias

Contexto O ambiente estabelece oportunidades e restrições no processo

O processo de inovação é restringido por e cria múltiplos ambientes

Resultados Orientação ao resultado final;

nova ordem e estabilidade Resultado final pode ser indeterminado; dinâmicacontraditória entre os gestores da inovação e os controladores de recursos; integração com legado Processo Seqüência simples,

cumulativa de estágios Múltiplos caminhos, convergentes, divergentes eparalelos, alguns relacionados e cumulativos, e outros não

Quadro 1 Comparação entre o senso comum e as observações do MIRP Fonte: VAN DE VEN; ANGLE; POOLE, 2000, p.11

Quanto às pessoas, há uma dinâmica psicológica e social contraditória, pois os indivíduos sentem-se incentivados mais por premiações individuais do que por premiações coletivas. Em contrapartida, os indivíduos são limitados física e psicologicamente para lidar com a complexidade do ambiente inovador e precisam do suporte de outros, sejam eles seus pares, subordinados ou superiores, para desenvolver a inovação.

As transações são iterativas em um processo de inovação e incluem, além dos processos formais de negociação, acordo e administração, também processos informais de entendimento, compreensão e comprometimento. Esses processos informais emergem quanto mais inovadora e complexa for a idéia, pois as pessoas tendem a incorrer mais em processos de tentativa e erro, a fim de atingir os resultados desejados.

Os contextos são regidos pelo seguinte paradoxo: seja entre os setores público e privado, seja entre diferentes empresas privadas, há uma coexistência entre cooperação e competição no processo de inovação. Em contextos cooperativos, as empresas tomam decisões mais arriscadas, por causa de um relacionamento mais transparente com o setor público, e estabelecem mais

facilmente padrões para a indústria, com a anuência dos concorrentes. Em tais contextos não haveria a priori a necessidade de tomar decisões arriscadas visando retornos mais altos, pois os concorrentes e o governo são cooperativos. Por outro lado, em contextos competitivos, as empresas tendem a um maior conservadorismo frente ao setor público e a tomar decisões mais agressivas frente aos seus concorrentes na luta pela participação de mercado. Justamente quando elas deveriam arriscar mais em busca de melhores retornos.

Finalmente, o MIRP observou que os resultados do processo de inovação têm uma dinâmica contraditória que afeta os eventos ao longo do processo e vice-versa. Essa reciprocidade depende do processo de aprendizado individual e dos grupos envolvidos, bem como do risco assumido e da percepção de sucesso ou fracasso, especialmente em função das transações entre os gestores da inovação e dos gestores de recursos que são alocados no processo (VAN DE VEN; ANGLE; POOLE, 2000).

O instrumento de coleta de dados, o questionário MIS (vide Anexo A), foi comum aos quatorze casos de inovação e serviu para mensurar, primeiro, as dimensões internas do processo e do contexto de inovação (Parte I) e, segundo, as dimensões externas relativas às transações e ao ambiente (contempladas nas Partes II e I, respectivamente), utilizando a eficácia percebida com a inovação como variável dependente para validar a pesquisa (VAN DE VEN; CHU, 2000). Devido ao seu paradigma positivista, o questionário MIS aplica procedimentos-padrão de psicometria e é composto de perguntas fechadas e estruturadas em quase sua totalidade. Os fatores situacionais e de contingência, que caracterizam a natureza da inovação, são medidos por meio de outras ferramentas diferentes do modelo psicométrico e servem como moderadores da ação dos fatores internos sobre os resultados.

A lista abaixo contempla, respectivamente, os métodos de medição dos resultados e das outras oito dimensões internas referentes à Parte I do questionário MIS, baseada em procedimentos-padrão de psicometria, e, por último, outras cinco dimensões internas (identificadas por um * no Esquema 5 apresentado anteriormente) cujas medições são feitas de forma direta, sem modelagem psicométrica. Os números das perguntas estão identificadas abaixo por Qn ou por IIQn, sendo que n indica, respectivamente, seu número na Parte I ou na Parte II do questionário MIS. Em alguns casos, os números das perguntas vêm acompanhados de uma letra, a fim de indicar que refere-se a um entre vários itens da pergunta, como por exemplo IIQ3b significa que refere-se ao item b da pergunta 3 da Parte II do questionário MIS.

Dimensões internas, Parte I Medições com modelagem psicométrica:

a) eficácia percebida com a inovação = média das respostas às questões sobre expectativas sobre o processo (Q31, Q33, Q34) e sobre os resultados (Q32, Q35);

b) nível de incerteza que envolve a inovação = média das respostas às questões sobre dificuldade (Q2, Q3) e variabilidade (Q11, Q12);

c) escassez de recursos = respostas às questões sobre carga de trabalho (Q6, Q7) e competição por recursos (Q47a a Q47d);

d) padronização de procedimentos para desenvolver a inovação = média das respostas às questões sobre formalização de e conformidade com procedimentos (Q4, Q5);

e) grau de influência sobre decisões = média das respostas às questões sobre grau de controle percebido pelos membros do grupo sobre o processo de inovação (Q10a a Q10d);

f) expectativas de prêmios e sanções = respostas às questões (Q23a, Q23b, Q24a, Q24b); g) liderança do grupo de inovação = média das respostas às questões sobre o encorajamento

de iniciativas pelo líder (Q15, Q16, Q18, Q19, Q21, Q30);

h) liberdade para expressar dúvidas = média das respostas às questões sobre crenças e opiniões sobre o esforço inovador (Q17, Q20, Q22);

i) aprendizado encorajado = média das respostas às questões sobre clima ou cultura organizacional que favorecem a inovação (Q44 a Q46);

Dimensões internas, Parte I Medições sem modelagem psicométrica: a) tempo alocado em tarefas (Q8, Q9a a Q9h);

b) freqüência da comunicação (Q26a a Q26g); c) problemas identificados (Q13, Q14a a Q14f); d) conflitos (Q25, Q27);

e) procedimentos de resolução de conflitos (Q28a a Q28d).

Complementar às questões sobre as dimensões internas, o modelo MIS compreende as questões sobre as dimensões externas que estão listadas a seguir. Estão contempladas, tanto na Parte II como na Parte I, algumas questões sobre o perfil pessoal, acadêmico e profissional (Q37 a Q43) do entrevistado, e, como mencionado anteriormente, algumas questões sobre os fatores de grau,

tamanho/escopo e estágio/idade que determinam a natureza da inovação (Q1, Q29, Q36, IIQ1, IIQ20).

Dimensões externas sobre o ambiente Parte I:

a) incerteza no ambiente econômico (Q49a a Q49c); b) incerteza no ambiente tecnológico (Q50a a Q50c); c) incerteza no ambiente demográfico (Q51a a Q51c); d) incerteza no ambiente legal/regulador (Q48a a Q48c). Dimensões externas sobre as transações Parte II:

a) dependência de recursos (IIQ5 a IIQ8);

b) formalização no relacionamento (IIQ3a, IIQ3b);

c) eficácia percebida com o relacionamento (IIQ10, IIQ11, IIQ12, IIQ19); d) influência entre grupos (IIQ13, IIQ14);

e) complementariedade (IIQ2, IIQ15); f) consenso/conflito (IIQ4, IIQ9, IIQ17); g) freqüência da comunicação (IIQ16); h) duração do relacionamento (IIQ18).

Há que se destacar que o questionário MIS é extenso, abrangente e foi desenvolvido em fases consecutivas pelo MIRP, em função do caráter longitudinal da pesquisa. Neste trabalho nem todas as dimensões acima relacionadas são utilizadas para a coleta e análise de dados, visto que consiste em um painel de estudos de caso exploratórios, cujo foco é a análise dos fatores internos à organização. O capítulo 3 apresenta a metodologia deste trabalho e as adaptações que foram aplicadas ao questionário MIS.