4. Empiri / funn
4.1. Samtaler med styreledere
4.2.4. Betraktninger rundt digitalisering i næringslivet, i selskapet og fokuset til styret
Em função da pequena amostra, os dados necessários para este trabalho são eminentemente qualitativos e primários, tendo sido coletados a partir das entrevistas mencionadas. A coleta de dados e as entrevistas deveriam seguir fidedignamente o projeto de pesquisa, no qual as entrevistas durariam originalmente cerca de uma hora e meia (tempo que se mostrou inviável na negociação com os entrevistados e pelo teste do roteiro) e seriam todas conduzidas da mesma maneira pelo entrevistador, com o objetivo de, respectivamente, ter tempo suficiente para coletar informações que enriquecessem a análise e manter a equivalência de estímulos. Por fim, as entrevistas seriam pessoais, a fim de reforçar a confidencialidade do processo e obter uma melhor qualidade na gravação do áudio dessas entrevistas.
Diferentemente do questionário MIS, que é uma ferramenta estruturada baseada em perguntas fechadas, a coleta de dados foi feita por meio de entrevistas semi-estruturadas baseadas em
perguntas de fim aberto. Decidiu-se por esse método de coleta porque a quantidade total de entrevistados estimada era baixa, e os resultados do trabalho poderiam ser invalidados. Caso se optasse pela condução de entrevistas estruturadas com base em respostas fechadas de múltipla escolha, de escala de classificação contínua, etc., os resultados poderiam não representar precisamente os casos de inovação, devido à falta de significância estatística.
Para a elaboração do roteiro de entrevista (Apêndice A) utilizou-se o modelo MIS (Anexo A) como ponto de partida e o aconselhamento de um ex-presidente de uma das empresas estudadas, que serviu como teste da primeira versão elaborada. Projetou-se as perguntas a partir da modificação e adaptação das perguntas-padrão do MIS, atribuindo-se relevância à Parte I do MIS e desconsiderando-se toda sua Parte II. Visando manter, primeiro, a coerência das perguntas originais do MIS e, segundo, a duração das entrevistas aceitável, tanto para o rigor metodológico quanto para a pouca disponibilidade dos entrevistados, as dimensões foram agrupadas tanto quanto possível conforme a unidade de análise a que estavam relacionadas. Isso foi feito de tal forma que atingissem um número próximo de vinte perguntas e possibilitassem entrevistas com duração por volta de uma hora. Assim o tempo médio para cada resposta seria de três minutos, um mínimo razoável para coletar relatos, pensamentos, impressões e opiniões dos entrevistados. As perguntas elaboradas estão representadas a seguir por Pn, sendo que n é o número ordinal da pergunta dentro do roteiro de entrevista:
a) escopo/tamanho da inovação uma pergunta sobre a percepção de número de pessoas e montantes de recursos envolvidos (P1 projetada a partir de MIS Q1);
b) eficácia percebida com a inovação duas perguntas, sendo uma sobre expectativas sobre o processo de inovação e outra sobre expectativas sobre os resultados da inovação (P12 e P13 projetadas a partir de MIS Q31 a Q35);
c) nível de incerteza que envolve a inovação duas perguntas, sendo uma sobre a clareza das idéias inovadoras e a facilidade de especificar antecipadamente a implementação da inovação e outra sobre as variações e exceções ocorridas em relação às idéias inovadoras originais (P2 e P14 projetadas a partir de MIS Q2, Q3, Q11, Q12);
d) escassez de recursos duas perguntas, sendo uma sobre carga de trabalho e outra sobre competição por recursos e o planejamento das atividades a primeira insere o aspecto do tempo alocado em tarefas (P3 e P15 projetadas a partir de MIS Q6, Q7, Q8, Q9a a Q9h, Q47a a Q47d);
e) grau de influência sobre decisões uma pergunta apenas sobre a influência e autonomia do grupo de inovação nas tomadas de decisão ao longo do processo de inovação aqui a pergunta do MIS foi substancialmente modificada e optou-se por eliminar o caráter pessoal da pergunta original (P4 projetada a partir de MIS Q10a a Q10d);
f) expectativas de prêmios e sanções duas perguntas, sendo uma sobre prêmios e sanções coletivas e individuais que o entrevistado vivenciou e outra sobre como tais prêmios e sanções foram efetivos na melhoria de performance do trabalho da organização aqui a pergunta do MIS foi substancialmente modificada e optou-se por minimizar o caráter pessoal das perguntas originais, bem como tentar obter maior transparência do entrevistado em uma segunda pergunta, tentando obter as impressões sobre a eficácia de tais medidas para a organização (P8 e P9 projetadas a partir de MIS Q23a, Q23b, Q24a, Q24b);
g) liderança do time de inovação duas perguntas, sendo uma sobre qual a percepção sobre os líderes do processo de inovação e outra sobre os relacionamentos humanos do trabalho (P6 e P16 projetadas a partir de MIS Q15, Q16, Q18, Q19, Q21, Q30);
h) liberdade para expressar dúvidas duas perguntas, sendo uma sobre o encorajamento por parte da organização para críticas dos participantes do processo de inovação e uma sobre a percepção da liberdade de expressão de dúvidas e críticas pessoais e de outrém (P7 e P17 projetadas a partir de MIS Q17, Q20, Q22);
i) aprendizado encorajado duas perguntas, sendo uma sobre a valorização do risco e a aceitação de erros e uma sobre a priorização da aprendizado pela organização (P18 e P19 projetadas a partir de MIS Q44 a Q46);
j) tempo alocado em tarefas essa dimensão foi inserida no contexto de uma das perguntas sobre escassez de recursos (P3) e, portanto, não tem pergunta específica;
k) freqüência da comunicação uma pergunta sobre a comunicação tanto interna quanto externa à organização (P10 projetada a partir de MIS Q26a a Q26g);
l) problemas identificados uma pergunta sobre que dificuldades ou problemas foram encontrados (P5 projetada a partir de MIS Q13, Q14a a Q14f);
m) conflitos uma pergunta sobre desentendimentos sobre o processo de inovação e quais os métodos de resolução de conflitos utilizados de acordo com a resposta, por meio de
uma tréplica, buscava-se detalhar melhor um ou mais métodos utilizados (P11 projetada a partir de MIS Q25, Q27, Q28a a Q28d);
n) procedimentos de resolução de conflitos essa dimensão foi inserida no contexto da pergunta sobre conflitos (P11) e, portanto, não tem pergunta específica.
Além da primeira pergunta, que diz respeito ao escopo/tamanho (natureza) da inovação, a lista acima contempla 18 perguntas que abrangem todas as cinco unidades de análise do modelo MIS: idéias, pessoas, contexto, transações e resultados. Para sete das dimensões estudadas (eficácia, incerteza, escassez de recursos, expectativas, liderança, liberdade e aprendizado), a coleta de dados foi feita por meio de duas perguntas, contemplando, portanto, quatorze perguntas. Isso foi feito intencionalmente, a fim de permitir que as perguntas permeassem o roteiro das entrevistas, em algumas vezes intercalando-as com perguntas relativas a diferentes dimensões, e que, aos pares, possibilitassem checar uma eventual inconsistência entre as respostas dos entrevistados. Outras quatro dimensões (influência, comunicação, problemas e conflitos) contaram com apenas uma pergunta.
O roteiro de entrevista contemplou ainda 2 perguntas adicionais, totalizando 21 perguntas. As perguntas P20 e P21 foram incluídas no roteiro na tentativa de identificar, respectivamente, os fatores habilitadores e inibidores preponderantes em cada estudo de caso. P20 foi elaborada originalmente por este autor, a fim de salientar, com uma maior espontaneidade por parte dos entrevistados, os pontos fortes no desenvolvimento das inovações organizacionais, e a P21, ao contrário, foi adaptada a partir da Q36 do MIS, a fim de salientar as fraquezas das organizações nos casos estudados.
Dentre as dimensões internas previstas no modelo MIS, somente foi desconsiderada a padronização de procedimentos, pois, segundo Van de Ven e Chu (2000), este é um aspecto relacionado à organização do trabalho da unidade ou área inovadora da empresa. Está intimamente ligada às inovações tecnológicas de produto e de processo, porém tem menor relevância no caso de uma inovação organizacional, que por si só é uma mudança ou reorganização tanto da empresa, que visa melhores performances e resultados (comerciais, financeiros, operacionais), quanto do trabalho que executa.
A fim de deixar claras as adaptações que foram feitas no questionário MIS para obter um roteiro de entrevista adequado ao intuito deste trabalho, é salutar montar um quadro sintético que evidencie as relações entre as dimensões internas e suas respectivas questões e unidades de análise. Resgatando o modelo de referência MIS apresentado no Esquema 5, pode-se associar
facilmente as unidades de análise às questões elaboradas pelo projeto MIRP (Qn) para as dimensões internas citadas há pouco e na seção 2.1.4 e, assim, montar tal quadro sintético, apresentado a seguir (Quadro 5).
Esse é sucedido pelo Quadro 6, o qual também apresenta sinteticamente a relação entre as dimensões internas e suas respectivas unidades de análise; porém, lista as perguntas elaboradas para o roteiro de entrevista deste trabalho (Pn), ao invés das questões elaboradas pelo projeto MIRP. Deve-se notar que as últimas três perguntas deste quadro não guardam relação com as questões do MIS listadas no Quadro 5 que o precede, pois referem-se à primeira pergunta do roteiro (P1), que aborda a natureza da inovação, e às duas últimas perguntas do roteiro (P20 e P21) destacadas com fundo azul, que buscam destacar os fatores internos preponderantes em cada estudo de caso.
Dimensão interna [inclusive relacionada aos
resultados e à natureza da inovação]: Questões da Parte I do MIS: Unidade deanálise: Eficácia percebida com a inovação Q31, Q33, Q34, Q32, Q35 Resultados Incerteza que envolve a inovação Q2, Q3, Q11, Q12 Idéias Escassez de recursos carga de trabalho e
dificuldade de planejamento Q6, Q7, Q47a a Q47d Contexto Padronização de procedimentos Q4, Q5 Transações Grau de influência sobre decisões Q10a a Q10d Pessoas Expectativas de prêmios e sanções Q23a, Q23b, Q24a, Q24b Contexto Liderança do grupo de inovação Q15, Q16, Q18, Q19, Q21, Q30 Pessoas Liberdade para expressar dúvidas Q17, Q20, Q22 Contexto
Aprendizado encorajado Q44 a Q46 Contexto
Tempo alocado em tarefas Q8, Q9a a Q9h Pessoas Freqüência da comunicação Q26a a Q26g Transações Problemas identificados Q13, Q14a a Q14f Transações
Conflitos Q25, Q27 Contexto
Procedimentos de resolução de conflitos Q28a a Q28d Transações Quadro 5 Associação entre as dimensões internas, as questões elaboradas pelo MIRP e as unidades
de análise Fonte: elaboração própria.
Dimensão interna [inclusive relacionada
aos resultados e à natureza da inovação]: Perguntas do roteiro de entrevista[questões do MIS]: Unidade deanálise: Eficácia percebida com a inovação P12 [Q31, Q33, Q34];
P13 [Q32, Q35] Resultados Incerteza que envolve a inovação P2 [Q2, Q3]; P14 [Q11, Q12] Idéias Escassez de recursos trabalho/tempo e
dificuldade de planejamento P3 [Q6, Q7, Q8, Q9a a Q9h]; P15 [Q47a a Q47d] Contexto/Pessoas Padronização de procedimentos n/a [Q4, Q5] Transações Grau de influência sobre decisões P4 [Q10a a Q10d] Pessoas Expectativas de prêmios e sanções P8 [Q23a, Q23b]; Contexto
P9 [Q24a, Q24b]
Liderança do grupo de inovação P6 [Q15, Q16, Q18];
P16 [Q19, Q21, Q30] Pessoas Liberdade para expressar dúvidas P7 [Q17]; P17 [Q20, Q22] Contexto Aprendizado encorajado P18 [Q44]; P19 [Q45, Q46] Contexto Tempo alocado em tarefas dimensão inclusa em P3 Pessoas
Comunicação P10 [Q26a a Q26g] Transações
Problemas identificados P5 [Q13, Q14a a Q14f] Transações Conflitos/Procedimentos de resolução de
conflitos P11 [Q25, Q27, Q28a a Q28d] Contexto/Transações Procedimentos de resolução de conflitos dimensão inclusa em P11 Transações
Escopo/tamanho da inovação P1 [Q1] Natureza
Fatores habilitadores preponderantes P20 _________ Fatores inibidores preponderantes P21 [Q36] _________ Quadro 6 Associação entre as dimensões internas, as perguntas do roteiro de entrevista, as questões
do MIS e as unidades de análise Fonte: elaboração própria.
Há que se destacar que alguns cuidados foram tomados para não desvirtuar nem enviesar o questionário do MIS como ferramenta de coleta e de análise de dados. Ao formular as perguntas do roteiro de entrevista, além de buscar o ponto ótimo entre a riqueza de detalhes e o melhor aproveitamento da disponibilidade dos participantes, tentou-se a todo custo manter a proporcionalidade das quantidades de questões por unidade de análise em relação às quantidades das respectivas questões no MIS. Por exemplo, o número de perguntas sobre idéias no roteiro de entrevista é de 2 em 18, enquanto no MIS são 5 em 37.
Com o intuito de maximizar o uso do escasso recurso de tempo das entrevistas, evitou-se o uso freqüente de perguntas de caráter pessoal do tipo o que você diria? conforme prevê o MIS. Dessa forma, as pessoas puderam ficar mais à vontade para fazer análises da inovação na terceira pessoa (sobre a organização), ao invés de serem inquiridas na primeira pessoa (como indivíduos na organização). Caso contrário, os entrevistados poderiam se constranger, adotar posturas defensivas frente às perguntas e, assim, reduzir o rendimento do tempo projetado para as entrevistas.
Enfim, visto que os estudos de caso deste trabalho referem-se a casos desenvolvidos e implementados no passado, outro ponto que exigiu esmero foi o trato do caráter longitudinal do MIS. Notadamente as questões sobre o processo ou o progresso da inovação tiveram que ser cuidadosamente adaptadas, pois a metodologia deste trabalho foi essencialmente distinta da do projeto MIRP, que contou com a observação, por assim dizer, em tempo real. Os pesquisadores retornavam repetidas vezes às empresas, em intervalos de seis a nove meses, para retomar as
pesquisas, (re)fazendo entrevistas, coletando dados tanto primários quanto secundários, e contando com a colaboração participativa dos gestores da inovação.
Este trabalho, ao contrário, baseia-se na coleta de dados eminentemente primários e em entrevistas únicas e de curta duração, nas quais os entrevistados tiveram postura reativa. É razoável comparar a diferença entre o MIRP e este trabalho à diferença entre um filme de cinema e uma fotografia. No primeiro, o tempo é contínuo e uma história é contada com o passar do tempo; na segunda, o tempo é discreto e não há uma história a ser contada, mas, sim, uma situação imediata que é descrita pela ótica do entrevistado, que faz o papel da lente da máquina fotográfica.