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02. Teori

03.03 Metodisk tilnærming

03.03.05 Datainnsamlingsmetode

Uma vez que esta etapa contou com diferentes procedimentos para localização dos colaboradores e para a coleta de dados, serão apresentados tópicos em separado com o intuito de facilitar o acompanhamento das ações realizadas.

a) Convite e Pactuação: Após um contato oficial via email com a coordenadora de saúde mental de Rio Claro, em que foram apresentados os objetivos gerais do estudo, foi agendada reunião para apresentação do projeto de pesquisa. A reunião de apresentação contou com a presença das coordenadoras dos serviços de atenção em saúde mental para crianças e adolescentes e com a coordenadora municipal de saúde mental. Foram apresentados os objetivos iniciais do projeto em princípio delineado enquanto um estudo de caso das ações intersetoriais estabelecidas entre pontos de atenção em saúde mental infantojuvenil e a educação e também a justificativa para seu andamento.

Em seguida as coordenadoras apresentaram um breve histórico da constituição das ações e do campo de cuidado da atenção psicossocial para crianças e adolescentes no município, bem como também fizeram um importante resgate sobre as frequentes estratégias de aproximação com a educação realizadas ao longo dos anos.

Em seguida apresentaram sobre o início do delineamento de um trabalho intersetorial de articulação entre educação e saúde mental com o objetivo de favorecer a troca de informações e otimizar o fluxo de encaminhamentos entre os setores bem como produzir um

137 alinhamento nas considerações sobre a saúde mental de crianças e adolescentes. Foi então feito um convite por parte das coordenadoras para que a pesquisadora pudesse integrar a equipe de trabalho deste projeto, ofertando com isso campo de aprofundamento para a pesquisa e em contrapartida o apoio ao projeto no sentido do alinhamento às premissas do Sistema Único de Saúde e à Atenção Psicossocial, constituindo-se então um Projeto-Piloto Intersetorial16.

Paralelamente a este momento, e também como indicação do próprio grupo da saúde mental, a pesquisadora entrou em contato com Coordenadoria de Educação Especial para aproximação. Em reunião realizada com esta secretaria em agosto de 2015 apresentou o projeto de pesquisa e a possibilidade de trabalho conjunto no Projeto Piloto Intersetorial. O contato com a coordenadoria de Educação Especial se deu por conta da participação efetiva desta coordenadora na construção do Projeto Piloto Intersetorial conjuntamente com a equipe de coordenação da saúde mental de crianças e adolescentes. Neste município, a Coordenadoria de Educação Especial tem se ocupado de participar das discussões acerca da saúde mental de crianças e adolescentes na escola e do fluxo e compartilhamento de ações com o CAPSij e o ambulatório.

Ainda que idealmente a pesquisa-ação pudesse implicar em uma construção inicial de uma proposta de ação, e de participação, no caso deste estudo, quando do convite do município para a participação da pesquisadora, já havia sido iniciado o desenho de uma proposta intersetorial. Foi a partir desta proposta inicial que se produziram todas as ações, dados, reflexões e pactuações pertinentes à pesquisa-ação, aqui denominada de Projeto-Piloto Intersetorial, das quais a pesquisadora teve a função de mediar, facilitar, oferecer recursos e instrumentos, fomentar debates e convidar para o exercício reflexivo das trabalhadoras engajadas nesse processo.

Nesta oportunidade foi também delineada coletivamente entre pesquisadora e coordenadora da Educação Especial a proposição de contato com as escolas municipais da cidade e a composição do universo de pesquisa para a coleta de dados com o setor da Educação, uma vez que o fluxo de encaminhamentos e de contato entre escolas e serviços de saúde mental tem sido mediado por essa coordenadoria. A composição do grupo de escolas

16 Ainda que este nome tenha sido cunhado pelas coordenadoras dos serviços de saúde mental, neste estudo, denominação Projeto-Piloto Intersetorial será utilizada para nomear as ações relativas ao projeto que estava em curso no município, como também sobre as ações compreendidas a partir do convite para a composição do projeto e execução do estudo. O Projeto-Piloto Intersetorial foi então durante o curso da pesquisa-ação incrementado com outras ações que sustentaram a viabilidade e a problematização das ações específicas de ida às escolas por parte das trabalhadoras da saúde mental.

138 para as entrevistas representou uma indicação por parte desta coordenação no sentido de que fossem comtempladas escolas que mantêm diferentes intensidades de contato com os serviços de saúde mental infanto-juvenis.

b) Contato inicial com equipes/dimensionamento da problemática: Após o momento do convite inicial, foi agendada reunião com todas as trabalhadoras do CAPSij e do CRIARI para apresentação da pesquisadora e início do projeto de pesquisa. Nesta reunião estiveram presentes também trabalhadores de todos os diferentes equipamentos estratégicos de saúde mental do município (CAPS ad; CAPS III, Ambulatório de Saúde mental Adulto). Para o encontro a pesquisadora propôs uma apresentação dialogoda sobre Saúde Mental e Intersetorialidade. Posteriormente neste mesmo encontro a pesquisadora convidou as trabalhadoras da saúde mental a preencherem um questionário auto-aplicável que objetivava conhecer as percepções acerca da Intersetorialidade no que se refere à identificação dos desafios, potencialidades e situações que mais demandam esse tipo de ação. Participaram 14 trabalhadoras, sendo 8 do CRIARI e 6 do CAPSij. Na oportunidade foi realizada a leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para todos os colaboradores, incluindo as trabalhadoras da atenção à infância e adolescência, que seriam acompanhadas durante todo o desenvolvimento do projeto.

c) Acesso às escolas: tal como pactuado com a Secretaria Municipal de Educação, a Coordenadoria de Educação Especial ofertou para a pesquisadora uma listagem com as 15 escolas que deveriam participar do estudo por meio de entrevistas a serem realizadas com os diretores e/ou coordenadoras pedagógicas das unidades educacionais. De acordo com o proposto, esse grupo selecionado incluía as 05 escolas que mais encaminhavam crianças para os serviços de saúde mental, as 05 que menos encaminhavam e as 05 escolas que já estavam selecionadas para participarem do Projeto Piloto Intersetorial. Segundo a coordenadoria, esta indicação visaria abranger as diferentes modalidades de relação que as escolas do município mantém com os serviços estratégicos de saúde mental, de acordo com um levantamento feito por esta gestão em relação ao fluxo de encaminhamento para o CAPSij e CRIARI. Ainda, a amostra assim constituída com os colaboradores do Projeto Piloto Intersetorial poderia também indicar como estas unidades educacionais têm percebido o início das ações intersetoriais.

139 De posse da listagem contendo o contato telefônico das escolas e as informações sobre a equipe de direção, procedeu-se o contato e o convite para as escolas. O contato com as escolas foi primeiramente realizado via telefone, no qual a pesquisadora apresentava a proposta do estudo e esclarecia que o contato decorria também de indicação da Secretaria Municipal de Educação. Após este contato uma reunião de apresentação do projeto e de concessão da entrevista era agendada. Embora 15 escolas tenham sido selecionadas previamente, a amostra foi concluída com a participação de 16 escolas, uma vez que uma das equipes de direção entrevistadas respondia por dois estabelecimentos escolares em um distrito do município. As entrevistas ocorreram durante o segundo semestre de 2015. Apenas uma escola preferiu responder textualmente a entrevista, não permitindo a gravação e nem o encontro com a pesquisadora para a coleta presencial dos dados. As entrevistas com as escolas contempladas pelo projeto-piloto ocorreram primeiramente, no mês de setembro, e foram realizadas antes da ida dos trabalhadores da saúde mental para o espaço escolar.

d) Seminários de Alinhamento: encontros que tiveram como objetivo fazer um alinhamento prático, programático e teórico (THIOLLENT, 2011) acerca das demandas decorrentes do projeto-piloto, ocorreu mensalmente entre os meses de agosto de 2015 e junho de 2016. Assim como descreve Thiollent (2011) as tarefas principais dos seminários consistem em:

“1. Definir o tema e equacionar os problemas para os quais a pesquisa foi solicitada 2. Elaborar a problemática na qual serão tratados os problemas e as correspondentes hipóteses de pesquisa

3. Constituir os grupos de estudos e equipes de pesquisa. Coordenar as atividades 4. Centralizar as informações provenientes das diversas fontes e grupos

5. Elaborar interpretações

6. Buscar soluções e definir diretrizes de ação 7. Acompanhar e avaliar ações

8. Divulgar os resultados para os canais apropriados.” (THIOLLENT, 2011, p. 68).

Nos sete encontros de seminário estiveram presentes cerca de quinze trabalhadoras do CAPSij e do CRIARI, em reuniões que tinham duração média de duas horas17. Todo o conteúdo destes momentos foi gravado, transcrito e como atribuição da pesquisa, atas foram

17 Ao longo das atividades e dos meses, a presença das trabalhadoras foi frequente, à exceção de duas destas, nas quais uma esteve de licença maternidade e outra de licença médica. Como os encontros ocorreram ao longo de um ano, férias anuais e atendimentos de urgência também impediram em singulares momentos a participação.

140 construídas que revelavam o conteúdo das discussões disparadas. A cada novo encontro a ata relativa ao seminário anterior era lida e as colaboradoras validavam o conteúdo apresentado. Outras atribuições da pesquisadora nestes eventos incluíam a oferta de conhecimentos de ordem teórica em relação à temática (THIOLLENT, 2011), discussão sobre as experiências de forma mais articulada com as políticas e normativas ministeriais, além da construção de estratégias, produção de ferramentas, instrumentos e recursos para o trabalho, especificamente sobre as modalidades de articulação com a Educação.

e) Reuniões de coordenação: em momentos distintos da ação foram necessárias reuniões com as coordenadoras do CAPSij e do CRIARI conjuntamente com a coordenação municipal de saúde mental. Outras reuniões também incluíram as Coordenadorias de Educação Especial, de Educação Infantil e de Ensino Fundamental. Objetivaram estas reuniões o planejamento, problematização e reordenação das atividades realizadas decorrentes dos momentos institucionais vividos na realidade da gestão municipal. O conteúdo destas reuniões foi gravado, posteriormente transcrito gerando um relatório da pesquisadora que compõem o Diário de Campo. As contribuições desta modalidade são apresentadas ao longo do texto, favorecendo outras interpretações e sustentações para o que é apresentado.

f) Processos de avaliação: ainda que avaliações tenham sido efetivadas após cada encontro; com o objetivo de convidar as colaboradoras a realizarem reflexões que pudessem apoiar a avaliação do andamento das atividades do Projeto Piloto Intersetorial, foram utilizados próximo ao encerramento da coleta de dados, questionários de avaliação do processo. Os questionários foram respondidos pelas profissionais da saúde mental bem como pelas da educação. Os questionários para as trabalhadoras de saúde mental foram preenchidos durante o seminário de alinhamento do mês de março de 2016, em decorrência da necessidade, apontada pela equipe, de reavaliação das condutas exercidas até o momento. Participaram 14 trabalhadoras dos dois serviços, bem como as coordenadoras de cada um destes. Para o setor da educação, foi pactuado com a gestão municipal de que este questionário, elaborado pela pesquisadora, seria enviado para avaliação da gestão municipal de educação. Após parecer positivo em relação a este instrumento, as unidades escolares e as coordenadoras da Secretaria municipal de Educação - SME (Educação Infantil, Educação Especial e Ensino Fundamental) foram contatadas e convidadas a participar. Os questionários foram enviados por email,

141 conjuntamente com cópia do parecer da SME, e versavam sobre a percepção das colaboradoras em relação ao desenvolvimento das ações entre os dois setores no período destacado.

II.1.5 Análise e tratamento dos dados

Para os resultados advindos dos Diários de Campo, das Relatorias dos Seminários de Alinhamento e das Entrevistas, após a leitura exaustiva desses conteúdos, foi realizada análise temática (BARDIN, 2011). O objetivo é que das leituras em intensidade sejam revelados blocos de sentido que figurem como elementos importantes à análise conjuntural do objeto de estudo e das ações decorrentes, no que se denominam unidades de sentido. Do conjunto de análise posterior das unidades de sentido, conjuntos que as aglutinam são definidos por categorias temáticas, que se inter-relacionam com os objetivos da pesquisa bem como com as propostas metodológicas adotadas, todavia tendo como foco principal as ideias, conceitos, perspectivas e sentidos formulados pelos participantes.

Os referenciais utilizados para tanto, versam principalmente a respeito das políticas públicas de saúde mental para infância e adolescência; educação especial na perspectiva da educação inclusiva; bem como acerca da atual discussão a respeito das políticas públicas intersetoriais como forma de administração e gestão das políticas e dos problemas sociais presentes nos territórios. Outros aportes para a discussão dos resultados referem-se também às contribuições relacionadas ao conjunto teórico que compõem os desenhos de pesquisa do tipo pesquisa-ação.

Quanto aos dados provenientes dos diferentes Questionários, foram analisados por meio de análise categorial (BARDIN, 2011). A análise categorial é também uma modalidade de procedimento analítico e de reflexão frente aos dados obtidos, descrito por Bardin (2011) em sua obra. Com formato menos elaborado que os processos que constituem a análise temática, a análise categorial é realizada mediante o tratamento em razões de “unidades de codificação/registro” (ibid, p.42) que em virtude do trabalho apresentado situaram também “unidades de contexto” das narrativas apresentadas pelos trabalhadores colaboradores, que visam descrever as situações e opiniões emitidas para além dos recursos linguísticos empregados.

142 II. 2 RESULTADOS