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In document Glasstaket slår sprekker (sider 25-30)

Passamos a expor um breve panorama acerca das duas modalidades de coesão propostas por Koch (1991), com a finalidade de contextualizar como a coesão referencial e sequencial funcionam como mecanismos que articulam, em primeiro lugar, o tópico a seus subtópicos e, em segundo lugar, os subtópicos entre si.

A autora se fundamenta em Halliday e Hasan (1976), que distinguem cinco mecanismos de coesão - referência, substituição, elipse, conjunção, coesão lexical -, para propor duas grandes modalidades de coesão: a referencial e a sequencial. Esclarecemos, desde já, que não nos detivemos numa descrição minuciosa da proposta

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de Koch (1991), mas temos por objetivo principal delinear como concebemos a coesão referencial e sequencial, ao lado dos mecanismos propostos por Pinheiro, como responsáveis, em grande medida, pela construção da coerência.

3.2.2.1 Coesão referencial

O conceito de coesão referencial é apresentado por Koch (1991, p. 31) como aquele “em que um componente da superfície do texto faz remissão a outro(s) elemento(s) nela presentes ou inferíveis a partir do universo textual”.

Koch (1991, p. 31) denomina o primeiro elemento de forma referencial e o segundo, referente textual, que “se constrói no desenrolar do texto, modificando-se a cada novo ‘nome’ que se lhe dê ou a cada nova ocorrência do mesmo ‘nome’. Isto é, o referente é algo que se (re)constrói textualmente”. A respeito da (re)ativação de referentes dentro do texto, pode ocorrer de forma anafórica, com remissão para trás, ou catafórica, com remissão para frente.

Os estudos sobre coerência referencial mantêm em comum uma preocupação com questões de cunho semântico, na medida em que partem do pressuposto de que sempre haveria identidade de referência entre a forma e o referente, fenômeno identificado como correferencialidade. No entanto, essa discussão já foi suplantada por teóricos que observaram que nem sem sempre há correspondência de categoria ou de função entre forma e referente.

Koch (1991) faz um levantamento das principais formas referenciais e as classifica em formas gramaticais e formas remissivas lexicais. Estas, além de fazerem referência a elementos no mundo “extralinguístico”, podem fornecer instruções de concordância em que se enquadram expressões ou grupos nominais definidos, nominalizações, expressões sinônimas e hiperônimos/indicadores de classe; ao passo que aquelas só fornecem instruções de conexão por meio, por exemplo, de concordância de gênero e de número, e são subclassificadas em presas e livres.

Formas gramaticais presas dizem respeito a artigos, pronomes adjetivos, numerais (cardinais e ordinais) que acompanham nomes, e formas gramaticais livres se referem a pronomes pessoais de 3ª pessoa, elipse, pronomes substantivos (demonstrativos, possessivos, indefinidos, interrogativos, relativos), numerais

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(cardinais, ordinais, multiplicativos e fracionários), advérbios “pronominais”31,

expressões adverbiais e formas verbais remissivas que substituem nomes.

3.2.2.2 Coesão sequencial

A segunda grande modalidade é denominada por Koch (1991, p. 53) como coesão sequencial e diz respeito “aos procedimentos linguísticos por meio dos quais se estabelecem, entre segmentos do texto (enunciados, partes de enunciados, parágrafos e mesmo sequências textuais), diversos tipos de relações semânticas e/ou pragmáticas, à medida que se faz o texto progredir”.

A pesquisadora afirma que o texto é composto de partes interdependentes, sendo necessário considerar cada uma delas para a compreensão das demais, e, segundo Koch (1991, p. 53), “esta interdependência é devida, em parte, aos diversos mecanismos de sequenciação existentes na língua”. A autora divide tais mecanismos em sequenciadores frásticos, que ocorrem sem procedimento de recorrência estrita, e parafrásticos, que apresentam recorrência.

Os sequenciadores parafrásticos participam da progressão do texto por meio de recorrência de termos (reiteração de um mesmo item lexical), de estruturas (paralelismos), de conteúdos semânticos (paráfrases), de recursos fonológicos (segmentais e/ou suprassegmentais), de tempo e de aspecto verbal.

Segundo Koch (1991, p. 62), os sequenciadores frásticos possuem esse estatuto em virtude de garantirem a “manutenção do tema, o estabelecimento de relações semânticas e/ou pragmáticas entre segmentos maiores ou menores do texto, ordenação e articulação das sequências textuais”.

O primeiro mecanismo de sequenciação frástica é nomeado de procedimento de manutenção temática, em que Koch (1991, p. 62) afirma que “a continuidade de sentidos do texto é garantida, em grande parte, pelo uso de termos pertencentes a um mesmo campo lexical”. O segundo mecanismo é denominado de progressão temática e diz respeito à organização e hierarquização das unidades semânticas de um texto. Koch (1991) retoma a perspectiva funcional e afirma que a estrutura textual pode se dar de cinco maneiras: 1) progressão temática linear, em que o rema do enunciado anterior passa a ser o tema do enunciado seguinte; 2) progressão

31A autora utiliza esse termo entre aspas em virtude de os advérbios “pronominais” fazerem remissão notadamente a grupos dotados do traço semântico [- animado], mas também podem remeter a grupos dotados do traço semântico [+ animado] quando, por exemplo, esses grupos possuírem o traço [+ localizável].

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temática com um tema constante, em que novas informações são acrescentadas a um mesmo tema; 3) progressão com tema derivado, quando um tema gera derivados; 4) progressão por desenvolvimento de um rema subdividido, em que o rema é subdivido; e 5) progressão com salto temático, em que há omissão de um termo entre as sequências de progressão temática.

O terceiro sequenciador frástico é denominado de encadeamento. Esse mecanismo trata das relações semânticas e/ou discursivas que ocorrem entre as partes do texto. Podem ocorrer por justaposição, quando ocorre por meio de marcadores demarcatórios/sumarizadores, espaciais e conversacionais; e por conexão, quando ocorre por meio de relações lógico-semânticas (expressas por conectores que exprimem condicionalidade, causalidade, mediação, disjunção, temporalidade, conformidade e modo) e argumentativas (expressas por conjunção, disjunção argumentativa, contrajunção, explicação/justificativa, comprovação, conclusão, comparação, generalização, especificação/exemplificação, contraste e correção/redefinição).

Após apresentarmos cada uma das modalidades de coesão textual descritas minuciosamente por Koch (1991), passamos a explicar como as concebemos na relação com os mecanismos de articulação tópica de Pinheiro (2003) e de ambos com nossos objetivos nesta pesquisa.

3.2.3 Mecanismos coesivos de articulação tópica no processo interpretativo da

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