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No aspecto intelectual, esses referenciais, partilhados com outros pesquisadores e professores da Universidade Estadual do Ceará do curso de

Medicina e Mestrado em Saúde Pública, permitiram o ingresso da pesquisadora no Grupo de Cultura, Saberes e Práticas em Saúde dessa universidade e a sua colaboração na disciplina de Ciências Sociais e Saúde do curso de Medicina pela inclusão do role play como estratégia pedagógica no desenvolvimento da habilidade comunicacional na relação médico-paciente. Como resultado deste trabalho em dois

semestres do curso, com alunos no terceiro semestre, foi realizada pesquisa com os estudantes e elaborado artigo científico em fase de publicação. Os alunos respaldam a importância desta discussão e necessidade do desenvolvimento das habilidades de escuta e comunicação para a prática clínica desde muito cedo, recomendando o role play como uma das estratégias viáveis e profícuas para o

ensino de atitudes humanizadoras. Recomendam que sejam feitos mais laboratórios de prática em todo o decorrer do curso.

Ainda é necessário sensibilizar professores e alunos do curso para o fato de que uma mudança de paradigma requer tempo e experimentações constantes, mas

essas produções auxiliam na percepção da importância de tais conceitos para a formação de profissionais críticos, éticos e comprometidos com as necessidades e bem-estar de quem é cuidado. É notória a necessidade em se investir numa formação globalizante que integre ciência e subjetividade, que dialogue com os

significados e sentidos dos sujeitos humanos nos processos de adoecimento e desenvolva as atitudes éticas e as habilidades relacionais dos profissionais.

Os primeiros artigos produzidos servem para o auxílio nas aulas e discussão entre os alunos da perspectiva do paciente sobre a relação com o profissional. Além disso, no âmbito da Política Nacional de Humanização, esta divulgação é feita,

sendo adotada em outras faculdades, a exemplo da Universidade Federal do Piauí, no curso de Serviço Social.

A ampla divulgação destes resultados dentro e fora do Estado do Ceará leva a se repensar condutas de atenção e gestão em saúde, adotando como referencial a voz do usuário, tão pouco considerada numa prática de saúde que se faz ainda

autoritária. Gestores e trabalhadores parecem estar cada vez mais convencidos de que é preciso incluir o ponto de vista do usuário no processo de assistência como condição de percebê-lo em sua dimensão de autonomia, significados culturais e cidadania, sendo fundamental para a constituição de valores, atitudes e práticas

É importante registrar a ideia de que essas descobertas contribuem para a elaboração do Projeto de Formação do Técnico de Apoio ao Acolhimento em Saúde – TAAS, no qual a pesquisadora participa como especialista pedagógica. Consiste em um acordo de cooperação entre o Governo do Estado do Ceará, Prefeitura de

Fortaleza, Prefeitura de Sobral e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) com a Agência Canadense de Desenvolvimento Internacional (ACDI), Província de Quebec. Referido acordo foi celebrado em abril de 2007, com o Consórcio Internacional de Desenvolvimento da Educação (CIDE). Consiste na

oferta de seis programas de estudos profissionais e técnicos por competências de acordo com as necessidades do SUS (o TAAS é um deles) e na melhoria da capacidade de planejamento e gestão da formação de trabalhadores para o setor saúde da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza e da Secretaria de Saúde e Ação Social de Sobral.

O avanço nas discussões com professores e orientadoras levou a se trabalhar a experiência da roda de conversa como estratégia pedagógica no conhecimento e entendimento dos trabalhadores e gestores de dois hospitais de Fortaleza sobre o Código de Direitos do Paciente Hospitalizado. Esse trabalho impulsionou a perspectiva de investir na formação como potência de vida e

aprendizado que se faz no próprio trabalho. Portanto, ampliar a noção de que tanto os trabalhadores nos serviços quanto os aprendizes em formação na academia ou cursos técnicos precisam ter desenvolvida a sua capacidade crítica, de dialogar com as diferenças e refletir sobre o próprio trabalho e atitudes cotidianas.

facilitador desse processo de aprendizagem para uma ação humanizada no dia-a- dia dos atendimentos.

Outros avanços foram conquistados também no aspecto social, pois o hospital público, com o conhecimento da etnoavaliação dos seus usuários, seguiu

uma série de medidas como: implantação do acolhimento na emergência, organização de fluxos, criação de projeto para acolhimento dos acompanhantes e familiares, e intensificou capacitações em humanização do cuidado e divulgação dos direitos dos usuários com o corpo funcional do hospital. Essas iniciativas

permitiram aumentar a resolubilidade e rapidez no atendimento, classificar o risco e a vulnerabilidade na emergência e desenvolver princípios de corresponsabilidade, escuta qualificada e vínculo, indispensáveis na atenção e gestão humanizadas.

Do ponto de vista pessoal, considera-se que os estudos e aprofundamentos sobre humanização no doutorado propiciaram o ingresso da pesquisadora no grupo

de consultores do Ministério da Saúde que trabalham na Política Nacional de Humanização a partir do início de 2008 (PI, Natal, São Luiz). Outra importante meta atingida foi alcançar a defesa com cerca de 36 meses de curso, decorridos desde a preparação do projeto até a redação da tese e dos artigos. Deve ser aqui novamente ressaltada a contribuição interdisciplinar ensejada pela organização e

flexibilidade multicêntrica do PPGCSA/UFRN, permitindo o acúmulo de uma visão mais integral dos achados e possibilitando outras visões para aplicação prática dos resultados.