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Begrensninger og fremtidig arbeid

O pré-evento é a fase anterior ao evento, momento este em que a cidade está se preparando para sediar um evento. Dependendo do tamanho do evento, essa fase pode durar alguns meses ou até mesmo anos. No caso da Copa do Mundo e Olimpíada, essa fase dura em média, de 4 a 6 anos, senão mais.

De forma geral, pode-se observar que na fase do pré-evento é onde estão concentrados efetivamente os investimentos realizados pelas empresas privadas e pelo Governo, seja no âmbito federal, estadual ou municipal. Esses investimentos são realizados alguns anos antes do evento uma vez que muitas dessas obras levam anos para serem finalizadas. Como exemplo podem ser citados: a construção de estádios, reformas dos portões de entrada (aeroportos, portos, rodoviárias), melhoria do transporte, investimentos em capacitação, comunicação, entre outros. Segundo Domingues (2006),

A construção civil é a mais beneficiada na fase de implementação das obras (4,05%). Com menos destaque, têm-se os setores de máquinas e equipamentos (1,72%), produtos de minerais não-metálicos (1,72%) e material elétrico (1,11%). Portanto, o impacto da Copa- 2014 na fase de implementação dos investimentos afeta positivamente os setores de bens intermediários e de capital na economia. Note-se que este impacto reflete os investimentos em todas as cidades-sede da Copa. (DOMINGUES ET AL, P. 14, 2006)

Essa é uma fase certamente com muitas transformações na cidade, mas como impacto de curto prazo não se pode deixar de citar, os ruídos e congestionamentos devido a obras em diversos

pontos da cidade. O planejamento previsto para essa etapa tem um impacto direto no legado do evento, pois é justamente nesse momento que são executados os projetos previstos no acordo firmado entre a entidade promotora do evento e as organizações envolvidas. Muitas dessas obras que ocorrem nas cidades sede exigem um significativo recurso de investimento, sendo necessário em alguns casos recorrer às contas públicas estaduais e federais. Nessa fase são gerados diversos empregos em obras de construção civil. Em algumas atividades contrata-se trabalhador local, mas também empresas de engenharia de grande porte que participam de processo de licitação na construção de estádios e estradas, por exemplo.

É justamente nessa fase que deve-se estar atento aos gastos, dado que o risco para a corrupção é alto, tal como Herzenberg (2010), Higham (1999) e outros autores alertam. Ao ocorrerem atrasos nas obras, maior se torna o custo do evento, sendo necessário desembolso adicional das contas públicas para que o evento ocorra. Isso aconteceu, por exemplo, no Pan-Americano em 2007, quando o governo federal teve que desembolsar significativas quantias para o Maracanã ficar pronto no Rio de Janeiro, dado que houve problemas com a construtora responsável, que atrasaram e encareceram as obras.

São diversos os legados que justificam os investimentos de altas cifras para a realização desses megaeventos e quanto mais próximos da data do evento, maior a expectativa dos diferentes atores envolvidos, sejam os atletas, patrocinadores, organizadores, população local, turistas ou visitantes. Nos meses que antecedem ao evento, maior também o número de pessoas que chega a cidade, em decorrência da divulgação e do marketing do destino na economia global. De certa forma, são geradas novas receitas pelas pessoas que chegam à cidade antes do evento. Mas como já apontado, deve-se ter cuidado em relação a essa estimativa, pois muitas vezes os números de pessoas que chegam antes do evento são superestimados nas notícias divulgadas.

No pré-evento, existe ainda um gasto significativo com candidatura que não foi ainda citado nesse estudo. Dependendo do tamanho e da marca do evento, o destino precisa investir significativos valores de recursos, muitas vezes com ajuda do setor público, para participar do processo de candidatura onde o destino tem que cumprir diversos requisitos, de acordo com o caderno de encargos, o BID Book.

Matias (2008) alerta que para uma cidade sediar um megaevento esportivo ela participa de um longo processo de eleição2 que se divide em várias fases. Mesmo antes de ser escolhida como cidade sede inicia-se um processo de articulações dos diversos segmentos da sociedade civil para mobilizar esforços para conseguir conquistar o objetivo que é o evento. Paralelamente, começa-se a pensar nas intervenções, e se iniciam as pesquisas por espaços físicos para a construção de instalações e infra-estrutura urbana de apoio ao evento, isto é, terrenos e imóveis que poderão ser desapropriados, criando transtorno para proprietários e inquilinos ou oportunidade de investimentos para outros, como também a possibilidade de urbanização de espaços deteriorados. (MATIAS, 2008)

Hall (1989) apud Allen et al (2008) conclui que o papel das comunidades é quase sempre marginalizado e que os governos freqüentemente tomam a importante decisão de aceitar o evento sem uma consulta adequada a comunidade. A participação publica então se torna uma forma de conciliação feita para legitimar as decisões do governo e dos desenvolvedores, em vez de uma discussão ampla e aberta das vantagens e desvantagens de se acolher eventos.

2 Matias (2008) expõe detalhadamente em seu estudo, todas as fases de candidatura da cidade sede para um evento

Matias (2008) ressalta que caso a cidade candidata3 consiga ser eleita cidade sede, essas inter- relações ficam cada vez mais evidentes na fase do pré-evento, pois é quando se inicia a implementação de tudo que foi previsto no dossiê4. Nessa fase do planejamento e organização do evento é onde as inter-relações ambientais, culturais, econômicas, políticas e sociais principalmente as negativas ficam mais evidentes, como por exemplo, a remoção dos excluídos socialmente (mendigos, pedintes, crianças abandonadas, moradores de rua e outros) para evitar a divulgação de uma imagem negativa da cidade.

É também durante esse período anterior ao evento que as cidades e os países sedes são expostos de forma mais intensa na mídia, estimulando turistas e visitantes a viajarem para participar da Copa e residentes a ficarem no destino, seja para explorarem oportunidades de negócios ou para aproveitarem o evento.