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Como referimos anteriormente,a adolescência é um período conturbado da vida humana, onde se manifestam dúvidas e incertezas, reforçadas não só pelas mudanças físicas e repentinas, mas também pelo surgimento de pulsões com as quais não sabem lidar. No que respeita à sexualidade esta é vivida de uma forma conflituosa e intensa, uma vez que, o individuo se debate com uma série de mudanças físicas e psíquicas que mobilizam toda a sua carga emocional.
Sendo a adolescência um período da vida em que ocorrem mudanças biofissiológicas, psicológicas, intelectuais e sociais que levam o individuo a enfrentar-se a si e aos outros de uma nova forma, e tendo presente um conjunto tão vasto de mudanças profundas e a ocorrer de forma rápida, será legítimo esperar que o adolescente tenha dificuldades em lidar com elas e que, por vezes, entre mesmo em crise (Fonseca, 2005; López. F. & Fuertes, 1999).
A sexualidade está presente desde o nascimento, não surgindo apenas na adolescência. Há toda uma sexualidade deserotizada já na infância, que irá sendo modificada por factores hormonais, familiares e culturais, sofrendo assim uma grande influência na sociedade. A relação mãe-bébé é o primórdio da construção da sexualidade. Na primeira fase da adolescência, o adolescente assume comportamentos de auto-erotização e auto-experimentação devendo estes serem encarados com naturalidade. Pelos 12/13 anos o adolescente projecta as suas fantasias eróticas em alguém próximo, mas inacessível, como por exemplo um professor, um actor de cinema, entre outros. Numa segunda fase, o adolescente percepciona de forma muito clara as mudanças corporais, assumindo normalmente uma postura muito crítica sobre o seu corpo. É nesta fase que as semelhanças e as diferenças são treinadas, conduzindo, por vezes, a experiências hetero, homo ou bissexuais, podendo mesmo chegar às relações sexuais. Trata-se numa fase em que o adolescente está centrado no seu corpo e no dos outros, mede constantemente as suas capacidades de atracção, de desempenho, está envolto em dúvidas e incertezas, assim como fantasias e a paixão é momentânea e efémera. Numa terceira fase da adolescência pode dizer-se que o adolescente se envolve afectivamente de forma mais estável, entrando no mundo sexual do adulto. As suas vivências permitem-lhe perceber que, no outro, pode encontrar prazer, a intimidade e a partilha. É no final desta fase que o adolescente toma verdadeira consciência da sua orientação sexual. Todo o adolescente passa por estas fases, com mais ou menos sobressaltos. (Fonseca, 2005).
Esta mesma ideia de que as mudanças corporais constituem um dos maiores problemas dos adolescentes também é corroborada por Vaz. Para este autor:
―A sexualidade na adolescência tem de ser compreendida no âmbito do conjunto de mudanças biopsicossoicias que ocorrem nesta fase… a puberdade (maturação no plano biológico) estabelece diferenças qualitativas no desempenho psicossexual, a partir de então. Para além do desenvolvimento global, como por exemplo o aumento de estatura, dão-se alterações hormonais significativas e processa-se a maturação dos órgãos genitais. Esta maturação possibilita ao adolescente a vivencia de novas sensações, claramente eróticas, assim como indica a sua capacidade reprodutiva. (…) O adolescente pensa-se de si próprio nos limites do seu corpo, reflecte quanto aos valores e atitudes «herdados» ou pensa, ainda, sobre o seu pensamento. A abertura de novas realidades, exteriores à família, vai-se fazendo ao ritmo de cada um, nem sempre harmoniosamente. É natural que o grupo assuma um lugar privilegiado, distanciando-se da família, na procura da identidade e autonomia pessoa.‖ (Vaz, 1996: 84,85).
Segundo Wall, os adolescentes no seu caminho para idade adulta têm que enfrentar vários problemas nomeadamente:
―- Aprender a viver com as dramáticas transformações dos seus corpos e promover a aceitação de si próprios… têm de definir um novo conceito de eu físico;
- Aprender a viver com a própria sexualidade e desenvolver o seu eu sexual …; -… Têm de encontrar o eu vocacional…;
- Encontrar o seu eu social… dentro dos grupos maiores ou menores da sociedade adulta, para onde eles se dirigem;
- Encontrar o eu filosófico, um conjunto de ideias, ideais, princípios e interpretações da vida…‖ (Wall, 1983:53).
Para além de todos os problemas inerentes à adolescência, particularmente as transformações físicas, na actualidade os adolescentes têm que se preocupar com outros problemas nomeadamente a gravidez na adolescência e as doenças sexualmente transmissíveis (DST), dado que estes constituem riscos associados à sexualidade.
As DST constituem um grande problema, dado que nos países ocidentais, verifica-se um aumento de pessoas infectadas com DST, incluindo adolescentes. Esta situação é muito preocupante pois algumas DST são incuráveis (por exemplo, a infecção pelo VIH). Assim sendo, é de todo importante apostar na prevenção que se deve basear na mudança de comportamentos e na responsabilidade pessoal. Por isso, é essencial que os adolescentes tomem consciência e adoptem comportamentos que ajudem a prevenir principalmente as DST.
Segundo Suplick (1995) nos últimos 20 anos têm-se assistido a mudanças no comportamento sexual de um grande número de pessoas. Muitas iniciam a vida sexual mais cedo e com vários parceiros, por consequência estes comportamentos conduziram ao aumento das doenças sexualmente transmissíveis. Segundo esta mesma autora:
―O que tornou a situação ainda mais séria foi que, juntamente com essa maior liberdade sexual, as pessoas não receberam educação sexual, não sabiam e não sabem como prevenir as doenças sexualmente transmissíveis e têm vergonha de procurar um médico ou de falar com os pais para pedir ajuda.‖ (Suplick, 1995:139).
Para além das DST, a gravidez na adolescência também é um dos grandes problemas que os adolescentes portugueses têm que enfrentar. Na medida em que Portugal é o segundo país da União Europeia com a maior taxa de mães entre os 15 e os 19 anos, e a taxa de partos em mães com idade inferior a 17 anos não desce há cerca de uma década. De acordo com os dados do Instituto Nacional
de Estatística o número de mães adolescentes com idade inferior ou igual a 15 anos aumentou 11,5% entre 1999 e 2000 (Fonseca, 2005).
A gravidez na adolescência é vista como um mal a evitar ou algo indesejável, quer pelo senso comum quer pela comunidade científica, na medida em que se considere que a gravidez aquando de uma fase precoce do desenvolvimento do indivíduo, em que este não se sente preparado quer social e emocionalmente. Onde todas as suas ambições estão canalizadas em outras direcções, esta pode ser vista como um risco quer para o indivíduo quer para a sua família. Associado à gravidez na adolescência está associada a falta de informação da fisiologia do organismo humano e da contracepção.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (1998) relativamente ao ―Inquérito à Fecundidade e Família‖ os resultados mostraram que existe um desfasamento entre a idade da primeira relação e o uso da contracepção. No que se refere à escolha do método contraceptivo, a pílula é o método mais escolhido por todas as gerações de mulheres (69%), seguindo-se o preservativo masculino (12%). Contrariamente às mulheres, os homens das camadas mais jovens, até aos 20-24 anos, escolhem claramente o preservativo masculino. Na faixa etária dos 15-19 anos (86%) dizem optar pelo preservativo masculino, enquanto (14%) afirmam que a parceira utiliza a pílula. No grupo etário entre os 20-24 anos, (72%) dos homens escolhem o preservativo masculino e (26%) preferem que sejam as suas parceiras a tomar a pílula (INE, 1998).