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Existem escolas ligadas às comunidades de imigrantes e de seus

descendentes que tiveram origem na imigração maciça para o Brasil nos séculos XIX e XX. O fundamento destas escolas está ligado aos anseios de preservação dos valores culturais de seus países de origem por estas comunidades, e o ensino da língua original ganhou destaque. Ainda hoje, estas escolas ensinam a língua de origem na forma de ensino bilíngue, ou como disciplina obrigatória, ou mesmo, opcional, e se utilizam do ensino dessas línguas e dos valores culturais como seus diferenciais.

As escolas de comunidades utilizam-se atualmente de distintas estratégias de comunicação. Entre elas, pode-se perceber:

1. Uso do nome na língua de origem – identificação verbal para a comunidade.

2. Uso de termos que identifiquem a escola como sendo da comunidade, escrito na língua de origem (principalmente, as alemãs).

3. Uso de nomes da escola relacionado a personagens da cultura de origem, como grandes escritores ou pensadores.

4. Uso de símbolos gráficos relacionados às comunidades de origem – remetem a laços culturais e afetivos – jardim japonês, ideogramas japoneses, por exemplo.

5. Uso de símbolos gráficos relacionados aos símbolos nacionais de origem – bandeiras, cores das bandeiras, brasões, entre outros.

Algumas destas estratégias serão abordadas a seguir.

Das escolas de ensino básico, ligadas à comunidade japonesa, podem-se citar o Colégio Oshiman (figura 21, imagem A), Pioneiro (imagem B) e Heisei (imagem C).

O Colégio Oshiman e a Escola Heisei, por causa de seus nomes, trazem relação direta com a comunidade japonesa. No caso da Oshiman, que traz um ideograma japonês como signo visual, esta referência é reforçada. A Oshiman divulga que três línguas estrangeiras (japonês, inglês e espanhol) são disciplinas obrigatórias na escola.

No caso do Pioneiro, não existe nenhum signo visual que faça referência à sua comunidade, mas a comunicação geral está voltada para sua comunidade, como se pode observar pela imagem do jardim japonês (figura 22) no site da escola.

Figura 21 - Marcas gráficas do (A) Colégio Oshiman. Fontes no rodapé43.

Figura 22 - Site do Pioneiro. Fontes no rodapé44.

A B

Figura 23 - (A) Site do Colégio Oshiman; (B) site da Escola Heisei. Fontes no rodapé45.

43 Fontes: (A) <http://www.oshiman.com.br>; (B) Centro Educacional Pioneiro, fonte: <

http://www.pioneiro.com.br>; e (C) Escola Heisei, fonte: <www.escolaheisei.com.br>. Acessos em 21 jan. 2015.

44 <http://www.pioneiro.com.br/site/?page_id=50>. Acesso em 21 jan. 2015.

45 Fontes: (A) <http://www.oshiman.com.br>; (B) < http://www.escolaheisei.com.br/quem-somos/>.

No Colégio Oshiman (figura 23, imagem A), o site divulga imagens de

crianças do ensino fundamental fazendo “origami” (dobradura em papel), sentadas à moda japonesa no “tatame” (piso tradicional japonês, feito de palha de arroz) e a Escola Heisei (imagem B) divulga imagens de crianças fazendo contas no “soroban” (ábaco japonês) em mesas com bandeiras do Brasil e do Japão.

As escolas, no entanto, podem ser classificadas de várias formas. Por exemplo, o Centro Educacional Pioneiro comunica em seu site (2015) que:

As práticas pedagógicas do Centro Educacional Pioneiro partem do respeito ao educando, ao seu estágio de desenvolvimento e aos seus conhecimentos para garantir que o aluno desenvolva suas melhores qualidades e domine as competências necessárias no futuro para o exercício de cidadania, para o ingresso no ensino superior e para a inserção ativa no mundo do trabalho.

Em reportagem da Folha Online46 (sem data), com o título Conheça 31

escolas indicadas por especialistas, encontra-se como autodefinição da escola:

“Segue a linha psicogenética (de Piaget), depois adaptada para o construtivismo”. Ou seja, o Pioneiro poderia ser classificado dentro do grupo de escolas

construtivistas, no entanto, como dirige a sua comunicação para a comunidade de origem japonesa está inserida neste grupo.

As escolas ligadas à comunidade alemã, como o Colégio Benjamin Constant – identifica-se em seu site como Villa Marianna Schule -, e o Colégio Humboldt – apresenta-se em seu site como Colégio Humboldt - Deutsche Schule / São Paulo - trazem junto às suas marcas gráficas, alguns signos visuais que as identificam como escolas que ensinam a língua alemã.

O Colégio Benjamin Constant (figura 24, imagem A) informa no histórico do seu site que a escola foi fundada em 1901, por iniciativa de um grupo de imigrantes alemãs que “acreditavam em uma educação de qualidade para seus filhos, atrelada à cultura de origem”. A bandeira da Alemanha é exibida na frente da escola

(imagem B).

O Colégio Humboldt informa em seu site que foi fundado em 1916 do encontro de um grupo de alemães que queriam oferecer aos filhos uma escola na qual pudessem aprender a ler e escrever em alemão, com uma educação nos

46 Disponível em < http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/colegios11.htm>. Acesso em 27 dez

moldes da Alemanha. Com a Primeira Guerra Mundial, em 1917, o colégio foi fechado, sendo reaberto quatro anos depois, em 1921.

Embora sua marca gráfica não contenha signos visuais da cultura alemã, nem as cores, o nome de escola refere-se a Alexander von Humboldt (1769 – 1859), geógrafo, naturalista e explorador alemão. Humboldt viajou pela América do Sul entre 1799 e 1804, explorando e descrevendo aspectos geográficos e espécies animais e vegetais sob o ponto de vista científico. À Humboldt, é atribuído as bases de ciências como a geografia, a geologia, a climatologia e a oceanografia.

Figura 24 - Colégio Benjamin Constant: (A) marca gráfica, e (B) foto da fachada. Colégio Humboldt: (C) página frontal do site, (D) marca gráfica e (E) selo de excelência. (F) Marca gráfica da central de coordenação de escolas alemãs. Fontes no rodapé47.

O site exibe o selo de Exzellente Deutsche Auslandsschule (excelência de escola alemã no exterior) – imagem E -, administrado pela ZfA - Zentralstelle für das

Auslandsschulwesen (central de coordenação para escolas estrangeiras) – selo da

imagem F -, sob responsabilidade da Bundesverwaltungsamt (escritório federal alemão de administração). A Deustche Auslandsschule refere-se a escolas alemãs

47 Fontes: (A e B) <http://www.colegiobenjamin.com.br>; (C, D e E) <http://www.humboldt.com.br>; (F)

<http://www.bva.bund.de/DE/Organisation/Abteilungen/Abteilung_ZfA/zfa_node.html>. Acessos em 21 jan. 2015.

situadas em países cuja língua não é o alemão, caracterizando-se pelo ensino em alemão, senão em todas as matérias, ao menos, em parte, com reconhecimento do governo da Alemanha. O site apresenta textos em alemão como a frase: herzlich

willkommen im neuen Schuljahr! (sejam bem-vindos ao novo ano letivo!) – figura 24,

imagem C.

O Colégio Visconde de Porto Seguro, classificado anteriormente como de múltiplas unidades com administração central, é também uma escola de origem alemã, mas que se consolidou fora da comunidade. Existe o ensino da língua alemã e a escola exibe em seu site a marca gráfica da DAS – Deutsche Auslandsschulen (escolas alemãs do exterior) – figura 25, imagem A -, além de manter viva a história das suas origens.

Figura 25 - Colégio Porto Seguro: (A) página de site, e (B) marca gráfica.

Fontes: <https://www.portoseguro.org.br/conteudo/detalhe/quem-somos/nossa-histria>. Acesso em 21 jan. 2015.

No histórico de seu site48 (figura 25), junto a uma foto antiga que mostra um

edifício com a placa escrita Deutsche Schule, existe o texto:

Em 22 de setembro de 1878, o cônsul honorário da Alemanha, Bernhard Staudigel, e um grupo de compatriotas fundaram a Sociedade Mantenedora da Escola Alemã. Superadas as dificuldades iniciais, a Deutsche Schule, instalada em um prédio alugado, na Rua Florêncio de Abreu, no Centro de São Paulo, abriu suas portas a 52 alunos em 7 de janeiro de 1879.

48 Disponível em <https://www.portoseguro.org.br/conteudo/detalhe/quem-somos/nossa-histria>.

Os selos referentes à educação alemã criam ligação entre estas escolas.

Figura 26 - Selos relacionados à educação alemã: (A) Deutsche Auslandsschulen

International, (B) Schulen: Partner der Zukunft, (C) Exzellente Deutsche Auslandsschule, e

(D) Weltverband Deutscher Auslandsschulen. Fontes no rodapé49.

O principal é o selo da DAS, que, às vezes, aparece com a variante ZfA, mas que se trata do mesmo selo conferido pela Bundesverwaltungsamt (escritório federal alemão de administração) – figura 26, imagem A. A imagem B é o selo da Schulen:

Partner der Zukunft (escolas: uma parceria para o futuro) que é uma iniciativa do

governo alemão para promover parcerias com escolas no exterior para o ensino da língua alemã.

A WDA - Weltverband Deutscher Auslandesschulen (figura 26, imagem D) é a Associação Mundial de Escolas Estrangeiras Alemãs, e o selo de Exzellente

Deutsche Auslandsschule (escola alemã no exterior de excelência) – imagem C - é

conferido por uma comissão federal de educação escolar que visita as escolas alemãs no exterior em um programa de gestão na qualidade de ensino.

A Escola Waldorf Rudolf Steiner (figura 27) também tem sua origem na comunidade de imigrantes alemães e ensina o alemão. Ela também está listada como uma escola alemã no exterior no Vertretungen der Bundesrepublik

Deutschland in Brasilien (Representação da República Federal da Alemanha no

Brasil), mas não divulga estes selos.

Figura 27 - Marca gráfica da Escola Waldorf Rudolf Steiner. Fonte: <www.ewrs.com.br>. Acesso em 15 set. 2014.

49 Fontes: (A) <http://www.ds-shanghai.de/>; (B) <http://de.academic.ru/dic.nsf/dewiki/656045>; (C)

<http://www.gess.sg/page.cfm?p=557>;

(D) <https://www.auslandsschulnetz.de/wws/home.php?sid=23642431320040114242283268326410>. Acessos em 21 jan. 2015.

De escolas da comunidade italiana, apresentam-se a Scuola Italiana Eugenio Montale e o Colégio Dante Alighieri, que já foi classificado como de unidade única.

A Eugenio Montale, fundada em 1982, apresenta-se em seu site como Scuola Eugenio Montale, tendo abaixo da sua marca gráfica, o texto “escola internacional”, ladeado das bandeiras em referência às línguas portuguesa e italiana, ensinadas na escola.

Seu site é bilíngue, com acesso a todas as informações em português e em italiano. Segundo informações do site, a escola é classificada como “Escola

Paritária” pelo governo italiano que garante o trânsito dos seus alunos para as escolas e universidades europeias, sendo a única do estado de São Paulo que possui este título.

Figura 28 - Marcas gráficas: (A) Scuola Italiana Eugenio Montale, (B) Colégio Dante Alighieri e (C) site do Dante. Fontes no rodapé50.

As referências italianas na marca gráfica da Eugenio Montale (figura 28, imagem A) são evidentes nas cores – verde e vermelho -, como no próprio nome da escola - do poeta e jornalista Eugenio Montale (1896-1981), ganhador do prêmio Nobel de literatura em 1975. “Ossos de Sépia”, de sua autoria, é considerado um dos maiores livros de poesia do século XX.

O Colégio Dante Alighieri (figura 28, imagem B) informa em seu site (imagem C) que a sua trajetória começou no início do século XX com a comunidade italiana que percebeu a necessidade de uma instituição de ensino que preservasse as suas raízes e a sua cultura. Em 9 de julho de 1911, com o conde Rodolfo Crespi, nascia o Instituto Medio Italo-Brasiliano Dante Alighieri, construída próximo à Avenida

50 Fontes: (A) <http://www.montale.com.br/>; (B e C) < https://www.colegiodante.com.br>. Acessos

Paulista, ainda com chácaras, árvores e alguns casarões. Segundo o site51: “Hoje,

com mais de 4.400 alunos, o Colégio Dante Alighieri é uma das mais tradicionais escolas de São Paulo”.

As referências italianas estão presentes em seu próprio nome Dante Alighieri (1265-1321), considerado o maior poeta da língua italiana com sua obra-prima, Divina Comédia. A marca gráfica - um brasão - faz referência à lenda da fundação da cidade-estado de Roma na figura lendária da loba amamentando os gêmeos Rômulo e Remo. O brasão traz o nome da escola na parte de cima que, por questão de proporção entre texto e brasão, ao ser reduzido, prejudica a legibilidade, e a marca gráfica traz do lado o logotipo com o nome do colégio, repetindo a

informação.

As duas escolas com origem na comunidade italiana, se por um lado não têm alinhamento visual entre si, trazem ícones da cultura literária italiana que as ligam à sua própria comunidade.

Das escolas que atendem à comunidade judaica, são apresentadas três, o Colégio Itzhouk Leibush Peretz, a Escola Beit Yaacov e o Colégio Renascença. Por causa de seu direcionamento, poderiam ser classificadas também quanto à

orientação religiosa. “Há mais de seis décadas, o Colégio I. L. Peretz vem

colaborando com a comunidade judaica e com todos aqueles que se harmonizem com os princípios do Judaísmo” (Carlos Dorlass, diretor geral do Peretz52).

Acessa-se o catálogo institucional do Colégio I. L. Peretz (figura 29, imagens A e D), pelo seu site, em que se pode ler sua afirmação do que significa a educação judaica:

Educamos nossos alunos para que estejam em contato constante com a textura da vida judaica e tenham o Estado de Israel como ponto de referência fundamental de sua identidade como judeus, ao mesmo tempo em que desenvolvem e fortalecem sua atuação como cidadãos brasileiros (fonte no rodapé53).

O Colégio Renascença (figura 29, imagem C) apresenta em sua página

frontal do site, textos em hebreu que faz a ligação com sua comunidade. Os colégios Peretz e Renascença utilizam-se em suas marcas gráficas de signos visuais que aludem ao “menorá” - candelabro de sete braços -, um dos principais símbolos do

51 Disponível em < http://www.colegiodante.com.br/100-anos-de-historia-3/>. Acesso em 21 jan. 2015.

52 Disponível em <http://peretz.com.br/site/?p=7>. Acesso em 21 jan. 2015.

53 Disponível em <http://www.youblisher.com/p/956604-Manual-de-Matriculas-2015/>. Acesso em 21

judaísmo. No Renascença, a visualização do candelabro é mais direta, com os sete braços representados graficamente.

A Escola Beit Yaacov (figura 29, imagem B) constrói a sua marca gráfica com figuras - seres humanos de braços e pernas abertos - que, na composição, formam internamente uma figura implícita de uma estrela com seis pontas que remete à estrela de Davi, símbolo do judaísmo.

As marcas gráficas de todas estas escolas são em azul, cor que, juntamente com o branco, compõe as cores da bandeira de Israel.

Figura 29 - Marcas gráficas: (A) Colégio I.L.Peretz, (B) Escola Beit Yaacov, (C), Colégio Renascença. (D) Declaração acerca da educação judaica no Peretz e (E) site do

Renascença. Fontes no rodapé54.