3. Metodisk tilnærming
3.4 Dataanalysefasen i en fenomenologisk studie
Devido à singularidade do objeto de pesquisa - compreender o significado atribuído à experiência humana feminina vivenciada – optamos pela abordagem qualitativa que, para Biasoli-Alves (2004), caracteriza-se como sendo uma abordagem que procura descrever a cultura e o comportamento do ponto de vista daqueles que estão sendo estudados - na perspectiva êmica - colocando ênfase em uma compreensão do ambiente social no qual a pesquisa está sendo conduzida, tomando por base uma estratégia de investigação que é flexível.
Com seus métodos qualitativos, a disciplina de Antropologia desenvolveu a chamada Etnografia, cuja revolução ocorreu nos anos 20 com
as publicações de Malinowski. Desde então, a história da ciência atribuiu-lhe o pioneirismo na Metodologia Científica qualitativa, já que ele procurou descrever sistematicamente como havia obtido seus dados e como ocorria a experiência de campo.
A opção pelo método etnográfico, deve-se ao fato de ser esse o que procura uma explicação descritiva da vida e da cultura em um dado sistema social, baseado em observação detalhada do que as pessoas de fato fazem (Johnson, 1997). Segundo Victoria, Kanuth e Hassen (2000: 53), a etnografia "se constrói tomando como base a idéia de que os comportamentos humanos só podem ser devidamente compreendidos e explicados se tomarmos como referência o contexto social onde eles atuam”.
A etnografia, em seu sentido mais amplo, consiste no processo sistemático de observar, detalhar, descrever, documentar e analisar o estilo de vida ou modelos específicos de uma cultura ou subcultura, para apreender o modo de viver no seu ambiente. Para Helman (1994), o objetivo do estudo etnográfico é observar como o mundo é considerado, na perspectiva do agente social daquela sociedade.
Segundo Gualda (2002), a Etnografia é um dos métodos qualitativos sendo, das Ciências Sociais, o mais antigo e da Antropologia Cultural, o essencial. Nesse sentido, a Etnografia é a descrição de um sistema de significados culturais de um determinado grupo de pessoas. E já é, há algum tempo, amplamente utilizada entre antropólogos e sociólogos em suas pesquisas e em estudos de outras esferas do saber, dentre estas, a Enfermagem. Nesta área, tem como objetivo compreender o fenômeno saúde- doença, a partir do ponto de vista e do contexto dos informantes e, por esta
razão, envolve uma atitude de aprender com eles (Gualda, Merighi, Oliveira; 1995).
Para Morse e Field (1996), a Etnografia, na área da saúde, foi incorporada ao cuidado por enfermeiras antropólogas com o propósito de compreender como as crenças, os valores e as práticas populares, interferem no processo saúde-doença. A OMS aponta que, embora as pesquisas etnográficas consumam tempo, são necessárias para que se compreenda a menopausa para mulheres, a partir do seu contexto sociocultural.
Para Hammersley (1998), o naturalismo, a compreensão e a descoberta são os princípios norteadores dos estudos etnográficos e referem- se, respectivamente, ao fato de apreender os fatos e/ou comportamentos humanos nos contextos onde ocorrem; a necessidade de considerar a perspectiva cultural ao se empreender uma interpretação de estímulos e a construção de respostas e, por fim, pela característica de ser um processo indutivo ou baseado na descoberta ao contrário dos que testam hipóteses.
Segundo Geertz (1989), o fazer etnográfico pressupõe uma "descrição densa" da interpretação própria que cada indivíduo faz das coisas, dos acontecimentos, dos fatos, dos fenômenos; estando todos estes elementos assentados no pano de fundo cultural. Assim, a Etnografia busca o significado do fenômeno e tem como ponto de partida a investigação de condutas socialmente modeladas (Costa, 2004). Neste sentido, em toda obra de Geertz é marcante o desejo de interpretar significados e não decifrar códigos. Tendo como viga mestra a cultura, a etnografia não busca apontar a coerência, mas, acima de tudo, revelar as diferentes interpretações culturais manifestas pelas colaboradoras, a partir dos pressupostos da antropologia cultural interpretativa.
A escolha deste método justifica-se, porque, conforme Victoria, Kanuth e Hassen (2000), o comportamento humano é norteado por regras nem sempre explícitas, que refletem o conteúdo cultural do indivíduo. Além do que, para se compreender mais inteiramente a complexa experiência e o significado da menopausa, é necessária uma pesquisa qualitativa na perspectiva etnográfica.
Para Costa (2004), empreender, uma pesquisa etnográfica, implica, de um lado, o aguçar da sensibilidade, a atenção meticulosa a tudo o que diz respeito à vida dos colaboradores da pesquisa e, de outro, o desvendamento correlato dos contextos em relações aos quais se situam as perspectivas e o conjunto de valores do próprio pesquisador. Este tipo de pesquisa impõe como grandes desafios, o confronto contínuo do pesquisador com o seu horizonte teórico e o exercício permanente de sua auto-reflexão e sua crítica. O pesquisador pode, não raras vezes, encontrar dificuldade para incorporar as vozes e as reais motivações dos parceiros do diálogo – os colaboradores - que se inicia com a pesquisa.
Minayo (1998a: 37) define Etnografia como
método pelo qual se busca descrever a questão da saúde, da doença e/ou do cuidado, dentro de um universo amplo e complexo de relações sociais, políticas, econômicas, domésticas e cosmológicas, onde as compreensões da saúde e doença, dos sistemas médicos e das práticas de saúde compõem o quadro geral e da ordem social.
TRAJETÓRIA
METODOLÓGICA
C
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4
4TRAJETÓRIA METODOLÓGICA
Nesta seção, passamos a discorrer sobre o percurso trilhado para a inserção na realidade e desenvolvimento do estudo. Para apresentação da trajetória metodológica seguiremos as etapas propostas por Hammersley e Atkinson (1994) para realização de uma investigação, sob a abordagem do método etnográfico: a escolha da situação social, o trabalho de campo e a análise dos dados.