CHAPTER VI DISCUSSION AND CONCLUSSION
6.3 Quality and robustness .1 Internal
6.3.1.2 Data quality and assumptions .1 Petrochemicals
Para levantar a opinião do gestor sobre as particularidades da política de atendimento escolar de estudantes com deficiência no DF, lhe foi questionado quais são, as características específicas da educação especial no DF. Em resposta foi dito:
“Bom, nós temos um trabalho tradicional de parceria, já há bastante tempo, com as ONGs: APAE, Pestalozzi, Ampare, Amprev e etc, que não tem razão de acabar... Essas instituições conveniadas são parceiras do GDF, como têm outras parceiras pelo país inteiro e que
não justifica acabar, porque elas fazem aquilo que o Estado não dá conta. O Estado não dá conta nem da metade que deveria dar conta, então as instituições estão lá fazendo um trabalho interessante e vão continuar, porque na verdade são trabalhos especializados, trabalhos bons... Não só dentro, mas como encaminhamento pro mercado de trabalho e essa coisa toda. A Pestalozzi, por exemplo, faz um trabalho muito interessante com deficientes em situação bastante grave. Aquele ali, que não tem pra aonde ir, eles vão e gostam é da PESTALOZZI. Então, eu não vejo essa, como diria Deputada XXXX, esta inclusão à força da forma como é empregada, onde você tem, por exemplo, o caso dos autistas clássicos que o pessoal chama autistas graves. Quem deveria trabalhar com eles, basicamente, seria a área da saúde, em prevenção. Aí é mais terapêutica do que educacional, do que pedagógica. Então, é, tem toda uma... Existe distorções na proposta dessa inclusão plena que precisa ser corrigida, que eu tô te falando a questão do autista, do autista clássico, que é, ele tem que passar não é que eles não vão pra educação, mas ele tem que passar em primeiro lugar, pra você obter sucesso na intervenção pedagógica, precisa que o indivíduo seja curado, ou pelo menos melhorar sua situação... Melhorar a situação clínica dele pra que, depois, ele venha a receber uma interação pedagógica - que é a ponte pra uma consolidação, colégio ou qualquer coisa parecida. Não dá pra eu jogar um aluno em sala de aula, um estudante com deficiência em
sala de aula, só pra mostrar pro mundo que existe deficiente (...)”
(TRECHO DE ENTREVISTA. Gestor da Educação Inclusiva da SEDF. Brasília, junho de 2013).
Uma análise aprofundada desse discurso, transcrito apenas em parte, poderia suscitar variados tipos de interpretações. Aqui, não se tem por intenção fazer julgamentos morais a respeito do que foi dito. O que se pretende desvelar são os elementos do discurso que eventualmente possam explicar a atual conformação da política de educação especial do DF, sobretudo para identificar quais são as características que a aproximam ou distanciam das diretrizes declaradas na PNEEI.
Desse modo, nas palavras do gestor, a educação da pessoa com deficiência no DF tem especificidades e, apesar de haver uma diretriz nacional para que os estudantes com deficiência sejam atendidos nas classes regulares de ensino, convivendo e aprendendo no mesmo espaço, o sistema público do DF não tem apenas um modelo único de atendimento, mas um conjunto de alternativas que variam de acordo com as necessidades específicas dos estudantes com deficiência, podendo este, inclusive, ser atendido nas ONGs e instituições parceiras do Estado nessa tarefa.
O apoio das ONGs, com as APAE e Pestalozzi, já é uma tradição e, ao que parece, muito bem-vinda pela SEDF. Como dito pelo gestor “elas estão
onde o Estado não consegue estar”, ou seja, suprem as demandas que não conseguem ser atendidas na rede pública de ensino. Assim, o Estado ao repassar recursos a essas instituições, por meio de convênios, se faz presente de algum modo nesse atendimento especializado.
O gestor também reclama em seu discurso que a educação inclusiva não pode ser a “feita à força”, e que o modelo que está sendo apregoado tem equívocos: “existe distorções na proposta dessa inclusão plena que precisa
ser corrigida...” Mas adiante, complementa: “Não dá pra eu jogar um aluno em sala de aula, um estudante com deficiência em sala de aula, só pra mostrar pro mundo que existe”. O contexto dessa fala tem sua origem na condição
especial atribuída aos estudantes com espectro autista, mas pode ser estendida a todos os estudantes que possuem deficiência severa e, por isso, atualmente demandam atendimentos especializados, os quais não são muitas vezes encontrados nas classes comuns do ensino regular. Para o gestor da COEDIN, alguns alunos precisam receber intervenções e apoio da área da saúde, antes de seguirem suas trajetórias escolares. Falta também, segundo ele, uma política com um “olhar sistêmico” de atendimento:
“Agora também, tem a questão do Centro do Ensino Especial, que tem um trabalho muito interessante que é feito também com pessoas com deficiências graves, e que infelizmente a escola acaba tendo que fazer o que a saúde deveria fazer, o que o esporte deveria fazer, o que a cultura deveria fazer, o que a ação social a (SEDEST) deveria fazer, e assim por diante. Então, enquanto não houver, digamos, uma preocupação sistêmica, vamos dizer, do Estado, no sentido de prestar o serviço, conforme a necessidade das pessoas, a educação infelizmente vai responder por esse atendimento, e é aí onde entra o papel não só das ONGs propriamente ditas anteriormente, como também o papel do Centro de Ensino Especial (...). Falta um olhar sistêmico, vamos dizer, do Estado, no sentido de prestar outros serviços, que é aí que o indivíduo acaba ficando dentro da escola e aí é onde favorece aquele discurso que é depósito, que é isso que é aquilo, mas que na verdade a falha é do sistema, que na verdade a escola é um espaço de passagem e tem que ser, porque senão não é escola. E aí o papel do centro de ensino especial no sentido de dar o atendimento possível porque as pessoas não podem ficar confinadas dentro de casa, porque se elas ficarem confinadas dentro de casa aí sim, que elas (inaudível) por isso a opção por esse tipo de atendimento, traz as pessoas graves. Agora, além disso, tem o trabalho feito através da sala de recurso é... ele é feito como em todo estado do Brasil, a gente só acrescenta o papel das ONGs e o papel dos centros de
ensino especial”. (TRECHO DE ENTREVISTA. Gestor da Educação
Ao final do trecho transcrito anteriormente, o gestor menciona que, apesar de algumas particularidades, o atendimento aos estudantes com deficiência no DF ocorre nas SRM e em outros espaços, assim como nos demais estados brasileiros.
Em outros momentos da sua fala, também destaca sua opinião sobre o atendimento que atualmente é ofertado nas Classes Especiais, no âmbito das escolas de ensino regular:
“(...) eu tô te falando é, da classe especial, classe especial na verdade é, por mais que o pessoal condene o centro de ensino especial, mas a classe especial é na verdade a extensão do centro de ensino especial. Você tem, por exemplo, a escola classe XXX, na Asa Sul, que é uma escola pequena com dez classes especiais dentro da escola, quer dizer... É centro de ensino especial.(...) Se você for na XXX Sul, escola classe XXX, você vai ter lá uma espécie
de CEEDVzinho75 lá dentro. Então eu pergunto: que inclusão é
essa? (TRECHO DE ENTREVISTA. Gestor da Educação Inclusiva
da SEDF. Brasília, junho de 2013).
6.4.5. Sobre a percepção do gestor acerca do papel das