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Por que traçar um perfil dos sujeitos na pesquisa? Qual a importância dessa caracterização na pesquisa do tipo etnográfica? Por que é pertinente essa caracterização para

as pesquisas no campo da formação continuada? Qual relação há entre os dados de caracterização das professoras com suas necessidades de formação? Essas perguntas orientadoras dessa breve apresentação elucidam, em parte, minha preocupação em ressaltar a importância da caracterização dos sujeitos para além de um momento estático na pesquisa em que esses dados parecem, em nada ou muito pouco, relacionar-se com o contexto da abordagem e da interpretação realizada. E, sobretudo, destacar que o conhecimento acerca dos sujeitos para os quais a formação visa atingir, faz-se uma das condições para promover com mais eficácia as propostas formativas, tendo em vista que, como disposto por outros autores (TARDIF, 2004; TARDIF e RAYMOND, 2000; LOPES, 2007), é íntima a relação que se estabelece entre o ser pessoal e o tornar-se profissional. As experiências pré- profissionais constituem elementos que, somados aos saberes adquiridos na formação profissional e as vivências profissionais, formam a base para a própria atuação pedagógica do professor, oferecendo-lhe elementos nos quais se recorre para atuar frente às demandas do trabalho.

Somada a essa premissa e ligada a ela, sabe-se ainda, que a origem cultural dos professores influencia o modo de agir, profissionalmente, na operação de conhecimentos curriculares e culturais, tendo em vista sua própria experiência escolar, cultural e social que o formou e ofereceu elementos de validação desses sobre a aprendizagem do outro (o aluno). Sendo assim, pode-se dizer que na medida em que o professor se vale dos bens culturais ele o apropria e transforma em ação educativa, em práxis, de uma forma direta e aplicada ou indireta somando e articulando esses conhecimentos que a princípio não constituem seu foco de ensino mas que mantém implicação na medida em que o professor consegue estabelecer relações com os conhecimentos curriculares e/ou oculto da escola.

Ora, se o professor se vale de experiências anteriores à formação e, se estas cristalizam saberes profissionais, e ainda, se o professor a partir do meio cultural e social que vive e que estabelce continuamente relações, se forma e é ao mesmo tempo formado por ele, ao ponto dessa experiência determinar, em certa medida, o seu próprio fazer pedagógico, faz sentido conhecer o perfil de formação adquirido pelo professor. Formação essa, assumida como: aspectos da vida pessoal (como dados de ocupação profissional e nível de escolaridade dos familiares com quem convive; gostos culturais e de lazer) e aspectos da vida escolar que são reavivados pela memória das professoras, e podem ser considerados importantes momentos de sua formação escolar e profissional, bem como elucidar o “lugar” da formação profissional para os professores, de modo a ter elementos de inferência acerca dos conhecimentos técnicos que possuem e que os instrumentalizam no saber docente.

Nessa perspectiva de valorizar, a princípio, tudo o que as professoras relataram sobre si no que se refere às suas vidas escolares, reuni histórias distintas na sua expressão e linguagem, conteúdo e forma, pois como se sabe, os sujeitos falam de acordo com seus referentes, suas histórias, suas impressões e experiências que se destacaram ou não84 e que oferecem elementos de sentido e significado e que, portanto, caracterizam esses sujeitos e os formam85. Sendo assim, passo a apresentar as doze professoras86 que fizeram parte desse estudo:

Professora 1

Tem quarenta e dois anos de idade, é solteira, não tem filhos. Vive na casa dos pais em moradia própria da família na cidade de Araraquara, tem vencimentos de 1600,00 reais, como professora do primeiro ano do primeiro ciclo na rede municipal e declarou como renda familiar três mil e seiscentos reais – sendo esta a renda mais alta entre as professoras entrevistadas. É professora na rede há 16 anos. Cursou Magistério na Escola Estadual Bento de Abreu – EEBA (centro de Araraquara) entre 1984 a 1987. Com a finalização do curso, ingressou na rede municipal atuando junto ao Pré escolar em classe regular de atendimento a crianças com seis anos e para a qual o enfoque de trabalho centralizava a leitura e a escrita como preparação para o ingresso às séries iniciais do Ensino Fundamental, permanecendo nesse âmbito da Educação Infantil por oito anos. Após treze anos do término de sua formação profissional, retorna aos bancos escolares para cursar a formação em nível superior, já sob imposição legal (BRASIL, 1996) do município que passa a oferecer o curso de Pedagogia aos professores em serviço mediante parceria com o governo do estado, na modalidade semi presencial em dois anos e meio. O referido curso denominado de Pedagogia Cidadã oferecido em todo estado de São Paulo teve como instituição responsável a Universidade Estadual Paulista em 2005, com a finalização do curso Pedagogia Cidadã. Tendo cursado a graduação em serviço, buscou formação em nível de pós-graduação no curso de Psicopedagogia Institucional junto a Faculdade São Luiz de Jaboticabal – SP, localizada há 73km de distância de Araraquara, percurso realizado com carro próprio todos

84 A esse respeito ver Tardif (2004) e Tardif e Raymond (2000).

85 Aqui a palavra assume o seu sentido ampliado, de uma formação ao longo da vida, portanto que tem início desde as experiências escolares, no caso dos professores.

86 A partir desse momento passo a referenciar as professoras como professora 1, professora 2... professora 12 ou ainda como P1, P2, P3...P12.

os sábados com encontro presencial – momento em que as leis municipais para a carreira docente favorecia em termos de remuneração, os professores em função da titulação que apresentavam.

No que se refere às experiências escolares, cita que entrou na escola aos sete anos, na cidade de São Paulo, permanecendo na mesma até a ocasião de mudança da família para o interior do estado (Araraquara) por motivos de emprego do pai na empresa Telesp. Nas suas palavras:

“Iniciei com sete anos o primeiro ano em escola municipal em São Paulo, zona Sul, cidade Ademar. Lá eu fiz da primeira a oitava série. Me lembro da professora H., gostava muito dela, tinha um jeito tranqüilo... ela ficou dois anos com a nossa turma. Adorei a professora de Matemática, a Z., na quinta série, por incrível que pareça! [rs]. Para acompanhar precisava prestar muita atenção, ela usava giz e lousa. Só! O jeito dela de expor, eu acho, ah não sei, nem sei porque gostava dela... A professora S. também, uma japonesa. Deu aula da quinta a oitava série, conhecia muito bem os alunos, conhecia todos. Imagine na adolescência saber da vida dos alunos e conversar com todos?! Era ela! [...]. Meu rendimento escolar era “bom”, não tinha nota máxima, mas passava, era aluna média. Os meus pais, participavam da escola, eles iam nas reuniões... só... naquela época não tinha essas coisas diferentes que têm nas escolas hoje para os pais, comemoração disso, daquilo... Minhas férias eram ótimas, sempre em julho e janeiro ia para casa da minha avó no interior, em Matão- SP. Sempre! Eu adorava...casa de vó né.... De formaturas, assim, eu participei no oitavo ano, que foi a despedida da turma. No Magistério, e na Pedagogia Cidadã. É, eu participei de todas...[rs].[...] Amizades de São Paulo ficaram poucas, uma vez por ano a gente se fala para desejar boas festas essas coisas ou no aniversário quando lembra. No Magistério os professores davam muitas aulas práticas e mesmo a Pedagogia Cidadã já era diferente..., mas eu já entendia, já sabia, já tinha feito muito curso, o que mais contribuiu foi a parte de Leis e Filosofia que se vê pouco em outros momentos”. (P1, entrevista) – Grifos meus

No âmbito das relações que ela estabelece com a família diz ser positiva, sendo destacado que os membros a requisitam e a consultam com frequência em ocasiões de planejamento de festas familiares, viagens e passeios, pois ela costuma cuidar dos preparativos e também dos sobrinhos para fins de compromissos dos pais destes e períodos de férias escolares. E também porque efetivamente é ela quem cuida dos pais, já idosos, sendo o pai aposentado do comércio e a mãe do lar – ambos com ensino fundamental incompleto. Os três irmãos que possui têm ensino superior, sendo que uma delas cursou Licenciatura em Pedagogia e os outros dois cursaram Ciências da Computação. Todos atuam na área de formação.

No que se refere as suas experiências de lazer e cultura e os desejos pessoais relata que gosta de ler mas não tem o costume de ler todos os dias. Dentre os livros e autores que recorda, cita: Chalita, Ligia Fagundes Teles... Romances, crônica, ficção, sendo o último livro lido: “Os dez mandamentos da ética”. Costuma viajar nas férias (porém, há dois anos

não viaja) e em feriados passeia na casa de amigas ou junto delas. Gosta de ir aos shopping e cinema, cozinhar. Almeja um namorado e viajar para Machu Picchu.

Professora 2

Tem trinta e dois anos de idade, é casada e mãe de 2 filhos com idades de 7 e 12 anos e frequentam escola pública. Seu conjuge tem o Ensino Médio completo e exerce a função de porteiro em um Edifício em Araraquara. Mora em casa alugada com a família na mesma cidade que trabalha. Tem vencimentos de 1500,00 reais como professora do primeiro ano do primeiro ciclo na rede municipal, e declarou como renda familiar 2.500,00 reais – o que leva a inferir que ela, como professora, ganha mais atuando em 30h semanais do que o marido em jornada completa de 40h semanais. Cursou Magistério na Escola Estadual Bento de Abreu – EEBA (centro de Araraquara). O ingresso na rede municipal de Araraquara se deu por meio de concurso público primeiramente ocupando a função de Agente Educacional durante 7 anos anteriores à docência. Com as mudanças legais (BRASIL, 1996) o município passou a oferecer o curso de Pedagogia Cidadã também para os profissionais do ensino (além dos professores, como o Projeto inicialmente previa), momento fortuito que a favoreceu, possibilitando obter curso de formação profissional em nível superior entre os anos de 2005 a 2007. A obtenção da titulação possibilitou a entrada no magistério municipal no Ensino Fundamental, sendo a maior motivação para tal mudança a categoria profissional (docente), o salário e carga horária (que passaria de 40h/semanais para 30h/semanais). Atuante há 3 anos como docente, está terminando (2009-2010) uma pós-graduação, nível de especialização, em Psicopedagogia pelo Método FINON (semi presencial, aos sábados, em Araraquara), realizando um Trabalho de Conclusão de Curso sobre “Motivação Docente” – impulsionada pelos desafios que encontrou ao iniciar-se como professora. Sua experiência escolar:

No âmbito das relações que ela estabelece com a família diz ser ótima, apesar de sentir-se sobrecarregada com os afazeres do lar, como mãe, esposa, estudante e professora. Os pais já aposentados possuem Ensino Fundamental incompleto (4ª série) e os irmãos Ensino Médio: secretariado – a irmã, mas atua no lar, e tornearia mecânica – o irmão, atuante como agente de produção em empresa.

Suas experiências de lazer são em programa familiares: passeia com filhos e esposo em casa de parentes (mãe e sogra). Costuma ir ao centro da cidade, supermercados e, às vezes ao shopping na companhia destes, e viaja de uma a duas vezes ao ano para Poços de Caldas (Mina Gerais), ficando hospedados em hotel. Gosta de ler romances, mas tem se dedicado a leitura técnica por causa do TCC, estudando três vezes por semana à noite. Gostaria de frequentar teatro e consertos musicais. Como sonho pessoal deseja adquirir um carro para uso próprio para fins de trabalho.

Professora 3

Tem trinta e oito anos de idade, é casada e mãe de uma filha de sete anos. Seu cônjuge é formado em Administração de Empresas (pela UNIARA), nível superior, mas atua na função de representante comercial. Mora com a filha e o marido na mesma cidade. Tem “Não fui para a educação infantil quando era criança. Eu ficava com minha mãe em casa. Fui para o pré escolar em escola de ensino fundamental. Foi uma frustração! Na escola não tinha parque, era só atividade em sala de aula. A minha irmã que fez seu pré escolar em outra escola, eu ficava encantada quando via o playground quando ia buscá-la com minha mãe... mas na minha escola, que era perto de casa, não tinha nada disso... As minhas professoras ... A Dona A., professora do primeiro Ano marcou bastante. Ela era meiga, doce, era como se fosse uma vovozinha que eu tinha. Mandava os cadernos para o diretor carimbar... mas apenas os bonitos. E o meu ia [risos]. Sempre fui muito boa aluna, sempre encapei todos os meus cadernos. Aprendi na Cartilha tradicional. Hoje se ouve muitas críticas para usar a cartilha [...]. Minha ortografia é perfeita, mas tenho dificuldade em produção de texto (percebi isso agora que estou tendo que escrever o TCC) e a oralidade também – que é o que a gente como professora trabalha mais, né. [...] Os meus pais nunca iam nas reuniões, eu era boa aluna, não precisa ir... Estou odiando o curso que eu estou fazendo. Estou sentindo saudade da Pedagogia Cidadã [rs]. Esperava mais dele, esperava que fosse bem melhor o tipo de ensino, por ser pós.... Os professores não trazem nada de novo, repetem coisas que aprendi no Magistério! Não tem acrescentado nada...é uma pena. [...] Participei da formatura da faculdade na ocasião de Colação de Grau, já da escola não participei porque era na Igreja Católica. As matérias que eu mais gostava na escola era de Matemática, no Magistério tive aula com um engenheiro, explicava bem, mas eu nunca gostei muito da matéria, não ia bem na escola... eu participava da escola sim. Eu me lembro que arrumava a biblioteca do Chicão no período contrário a aula. Eu adorava. Amizades? Tenho amigas no trabalho, algumas é da época que cursou graduação e pós juntas. Mas a maioria das amigas de escola seguiram caminhos diferentes. Elas foram fazer colegial e eu Magistério porque eu já gostava da profissão e meus pais não podiam pagar faculdade. O Magistério era a opção que eu tinha para ter uma profissão em nível médio”. (P2, entrevista)

vencimentos de 1425,00 reais como professora do segundo ano do primeiro ciclo na rede municipal, e declarou como renda familiar aproximada 2.500,00 reais – o que leva a inferir que o marido tem vencimentos inferior ao dela. Cursou Magistério (1987-1989) na Escola Estadual Bento de Abreu – EEBA (centro de Araraquara), seguido de graduação em Ciências Sociais (1990-1994) na Faculdade de Ciências e Letras – UNESP-Araraquara, no período noturno enquanto atuava como secretária em escritório médico no centro da cidade. Desde então não procurou mais formações institucionais, realizando alguns cursos de formação continuada pela Secretaria Municipal de Educação. O ingresso na rede municipal de Araraquara se deu por meio de concurso público, atuando há nove anos na docência no Ensino Fundamental. Sua experiência escolar:

“Marcante foi a professora da primeira série. Relembro até o modo da professora dar aula. Ela dava livrinhos para levar pra casa, incentivava a leitura, sabe? A professora da terceira série era muito amorosa e carinhosa com os alunos. Essa, me recordo... Na oitava série, participei do Coral como primeira voz, viajava para fazer apresentações...era muito gostoso. Mas depois tinha que investir na carreira, tinha que ir pra escola de musica mesmo, estudar em casa... minha família não podia pagar esse investimento e eu parei. Não fui mais atrás. Também tinha uma professora de Ciências que eu gostava muito, tinha afinidade com ela, ela dava uma boa aula. Quanto às escolas? Ah... Odiei estudar no Chicão! Tirei a primeira nota vermelha que ficou no boletim, me recordo que só chorava! Era a primeira letra “D” , estava no primeiro colegial, que foi em Física e Química. Depois eu fui para o EEBA e fiz o Magistério. Gostei de fazer os estágios em sala de aula. Acho que foram bons, importante para dar uma base para o professor. [...] A indisciplina foi o que mais me chamou a atenção nos estágios. Era outro comportamento...As dificuldades de aprendizagem dos alunos também...! Engraçado, a mudança de posição do olhar de aluna para professor! A gente vê além daquele mundinho. Isso é bom, é o que fica. O meu pai me levava e me buscava na escola, participava de reuniões de pais. Eles eram chamados [rs] por causa da conversa... eu gostava de ajudar a aluna que sentava atrás. Daí os professores chamavam mesmo...[rs] mas eu era assim, não tinha jeito. Participei da formatura da oitava série, do Magistério, da faculdade em Ciências Sociais participei só da Colação de Grau, mas eu fui. O curso você sabe, não tem a prática de fazer formatura... [rs] nem me lembro se teve alguma coisa assim. [...] Da época de estudante cultivei Uma amizade! Da sétima série...e uma outra da faculdade...as pessoas se dispersam, né. Quanto às disciplinas e materiais que eu gostava, sempre fui bem em Português, mas também gostava de História e Geografia. Mas hoje eu gosto de Matemática [rs]”. (P3, entrevista)

Caracteriza como boa as relações que ela estabelece com a família. Os pais apresentam ensino Fundamental incompleto, sendo o pai aposentado do comércio e a mãe do lar. Os irmãos possuem Ensino Médio, sendo que um atua no comércio de ferragens e o outro como corretor de seguros de autos e vida.Relata que em momentos de lazer descansa, assiste filme na TV aberta com a família em casa, cuida das plantas e do jardim. Costuma ir mensalmente ao shopping, quizenalmente a restaurantes e às vezes, em sessões de teatro abertas promovidas pelo SESC. Gosta de ler romance, suspense, poesia e auto-ajuda, e realiza essa atividade à noite, antes de dormir. Não aprecia leitura de livros técnicos na área

de Educação. O último livro lido foi “Adolescentes”, de Içami Tiba. Apresenta desejo de ir ao cinema e fazer viagens, posto que são atividades que não realiza. Como sonho pessoal destacou fazer uma “viagem especial” para Natal ou Rio de Janeiro.

Professora 4

Tem vinte e nove anos de idade, é casada, reside com o marido em Araraquara, sendo este o primeiro ano na cidade. Não tem filhos. Seu cônjuge é formado em Turismo (UNIARA) e atua como bancário. Apresentou o vencimento mais baixo do grupo de professoras que participaram da pesquisa, com salário de 983,00 reais, apesar de possuir formação em nível superior – fato que se dá porque a mesma não fazia parte do quadro de funcionários da educação da prefeitura e a entrada na docência prevê que, durante três anos, de estágio probatório, o salário base da categoria docente permanece o mesmo piso inicial independente do nível de formação apresentado pelo professor. Atuou três anos como auxiliar de classe e serviços gerais em institutição privada de ensino e sete anos em sala de aula, primeiramente como professora da Educação Infantil junto à rede municipal de Matão- SP, e há apenas um ano em Araraquara no primeiro ciclo do Ensino Fundamental. Anteriormente a experiência na educação, ocupou cargo de serviços gerais. Declarou como renda familiar aproximada 2500,00 reais – o que leva a inferir que o marido apresenta vencimentos pouco acima do dela. Sua formação profissional se deu em curso superior no ITES (Taquaritinga-SP) no período de 2000 a 2003. Buscou ainda formação em pós- graduação, cursando a especialização em Psicopedagogia Institucional na Faculdade São Luiz de Jaboticabal –SP em 2006. Participou do Grupo de Estudos de Filosofia para Crianças (da Faculdade de Ciências e Letras – UNESP-Araraquara) o qual deseja retornar a participação. Quanto a sua experiência escolar, destaca:



“Sempre gostei de estudar. No Ensino Fundamental, uma professora da quarta série, C., apresentou com muito amor o ensino. Sempre me espelhei nela para ser professora. Estudei a noite da quinta série do ensino fundamental até a oitava serie e o grupo de alunos não se interessava. No ensino fundamental 1, tenho lembranças de quando estava na segunda série. Eu adoro falar, mas um acontecimento me causou insegurança: a professora ridicularizou uma escrita do caderno de um colega da classe. Ele tinha usado muito a palavra “ele” no texto. A professora achou que o caderno fosse meu e depois disso eu sempre fiquei insegura para mostrar minhas produções de texto. Da quinta a oitava fui estudar à noite e o bairro era de periferia, os alunos não tinham interesse; tinha que sentar na frente se quisesse aprender. Recebia apelidos por causa disso, CDF, puxa-saco. [...] Uma professora da quarta série era muito carinhosa. Fazia tudo com muito amor. Tive ótimos professores no Magistério que foram importantíssimos para minha formação, eram preocupados com a formação do professor, em sair bem preparados para conciliar teoria e prática, porque teoria é

uma coisa e prática é outra. Eu tive essa proteção, esse amparo com relação a essa questão.