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trada em bebida no enfermo de sezões na ocasião dos frios, param estes imediatamente, e muitas vezes se têm visto sararem as sezões da primeira vez que se usa deste remédio; continuando, se repetirá o uso dele, que com duas ou três vezes ficará extinta esta moléstia. O cozimento da sua raiz bebido em jejum com açúcar branco é contra febres: afirmam que esta erva é refri- gerante, sudorífera, aperente e vulnerárea.

É contraveneno. O seu cozimento para os impedi- mentos de urinar. É singular para lavatório de qual- quer ferida. Este pau cozido em vinho é preservativo para a hidropesia. Cozido e bebido em água morna, alivia a cólica. Tomado em pó, como tabaco, alivia a cabeça, preserva da parlesia, da gota-coral e de pesa- delos, conforta os miolos, relaxa os cozimentos, de- sentope o nariz e é contra a terícia dos olhos. Bebida em pó, cura todas as enfermidades frias do estômago, desopila o fígado e conforta os espíritos vitais. 44 Páo Santo: o pau, casca e goma que deita são su- doríferos, purificam o sangue, resistem aos venenos, fortificam as juntas, aplicam-se aos males venéreos, ou reumáticos, e gota, em cozimento bebido ou em pó. A goma tem virtude mais ativa. Costuma-se fazer este cozimento rachando-se o pau em pequenos pedaços ou raspando-o em miúdos farelos.

45 Páo de carne: a raiz desta árvore se faz purgante, do seu entrecasco raspando-se e deitando-se raspa a secar ao vento; e depois de bem seca e bem pisada e passada em uma peneira, do pó que deitar se dará uma colher de prata por porção de qualquer purgan- te em leite, mel, caldo de galinha. Algumas pessoas usam de fazer este purgante raspando e pisando o entrecasco da raiz e deitando-se na água, onde larga uma espécie de goma.

Esta goma, enxuta ao vento, se faz igualmente purgante e, dizem, obra mais eficácia, e por isso se dá em menos quantidade: ela se aplica a todas as enfer- midades venéreas, e se tem experimentado neste país melhores efeitos que com o azougue.

Há pouco tempo aconteceu nesta terra ter um ho- mem uma grande ferida em uma perna, e tendo no decurso de um ano tomado todos os remédios que lhe aplicavam os cirurgiões, desenganado de ficar bom, por ver que a cada dia a chaga aumentava mais, com grande inchação na perna, se retirou para o mato,

onde tinha a sua casa. Depois de lá estar vários tem- pos lhe aplicaram este purgante. Logo que tomou o primeiro, desinchou a perna e conheceu alívio na fe- rida, e repetindo o segundo purgante, ficou esta sã, como se nunca tivesse padecido semelhante achaque.

Eu vi a medonha ferida que tinha este sujeito, e o pouco que lhe aproveitavam os remédios que lhe aplicavam os cirurgiões; e vendo-o ao depois bom, me afirmou ele que só com os purgantes acima ditos fi- cara livre de tão enfadonha e impertinente moléstia. 46 Parreira Braba: da sua raiz é bem conhecida a sua virtude: neste país se usa ela em diferentes mo- léstias do seguinte modo.

Desfeita pois a dita raiz em ralo, e desfeita em água ou aguardente, nesta se ensopam panos e se deitam sobre as inchações para resolvê-las.

Outros a bebem deste modo para desfazer as opilações, e muito principalmente as mulheres que por causa do mênstruo têm dores e desconcerto no ventre, e também para isso se lhe ajuntam mel de abelhas.

A mesma raiz, aplicada em cozimento, cura hi- dropesias. Desfeita em massa grossa e aplicada aos olhos, preserva a estes de bexigas.

O pó, desfeito em aguardente, cura entrepes, e bebido faz lanças as páreas e desfaz o sangue coa- lhado, aplicado em emplastros, cura pontadas e fla- tulências, e bebido com água cura esquentamentos, ajuntando-lhe algum vinagre.

Bebido com limão, provoca a urina e expulsa areias e pedras. Sendo ralada e posta de infusão três horas, sendo ao depois bebida ao princípio de sezão, cura. Ralada com vinagre cura cobreiros, e mistura- da com água rosada alivia as dores de cabeça.

Bebida com vinho serve para dores do ventre, có- lica, ventosidades, inflamação do baço, purgações; para provocar a conjunção parada, apostemas in- teriores, mordeduras de cobra, hérnias ventosas e aquosas. Finalmente, dizem que bebida com vinagre e aguardente de cana cura [...] e esquinências, un- tando-se juntamente por fora.

47 Guandú: o cozimento desta erva aplicado em bebi- da [...] para a enfermidade de tísica causa alívio, mui- tos têm sarado.

Esta mesma erva costuma deitar uns feijões, os quais se costumam cozinhar sem [...] se dão a comer aos enfermos da mesma tísica e o [...] é bebido.

Os olhos mastigados e comidos crus, dizem estan- cam o sangue da boca e veias rotas; e, mastigados e postos sobre as feridas, também estacam o sangue.

48 Quinaquina: a sua casca é bem conhecida pela sua virtude [...] neste país. Costumam pisá-la e dar de be- ber em água a quem tem febre maligna.

Os índios curam também as suas diarréias de san- gue, com a mesma casca pisada e bebida.

49 Relogio: esta erva bem fervida, o seu cozimento bem quente se dá a beber a quem foi atacado de alguma dor repentina no estômago ou no ventre, e certamente ex- perimentará um grande alívio.

Se bebendo uma só vez não se extinguir a dor, con- tinuará a beber por mais vezes, pois só com o uso deste remédio se tem visto neste país prodigiosos efeitos, ain- da a aqueles que por causa da mesma dor ficam sem fala. 50 Sanambaia: Pisada para se por sobre as quebra- duras do umbigo, grão e virilha, tem virtude de as fa- zer sarar, usando-se com frequência deste emplastro em cima das partes quebradas.

Dizem ter a mesma virtude para recolher as que- braduras, pondo-se a mesma samambaia pisada em volta do grão com algum pano que o suspenda, e sem mais outro adjutório sarará a mesma quebradura.

51 Sipó Cururu-apê: o seu cozimento é aprovado re- médio para fazer sarar boubas, bebendo por tempo de um mês e lavando-se com a mesma água. Pisado e dei- tado em água, desta desce certa qualidade de goma, a qual, enxuta ao vento, se polvilha com ela as bolas. E quando este eficaz remédio não produz efeito se faz neste país o seguinte: folhas de caroba ou a sua raiz reduzida a pó, a raiz de janapicanga bem pisada e re- duzida também a pó, a raiz de jurubeba, e cururu-apê igualmente reduzidas a pó se farão partes iguais que ao depois se unirão, como por exemplo meia oitava de cada coisa; com mistura de meia oitava de açúcar branco fino se tomará diariamente por espaço de trinta até quarenta dias.

Depois de passado o referido tempo se beberá o co- zimento da água de japicanga, ou da sua raiz, fazen- do a cada três dias novo cozimento para não azedar, tendo o enfermo algum resguardo no referido tempo, ainda depois do uso do próprio remédio.

Com ele certamente sararão as boubas, dores pe- las juntas e toda a qualidade de humor venéreo que costuma atacar os corpos humanos. O cozimento des- te cipó bebido com açúcar mascavado faz sarar aos que têm os grãos inchados por causa de alguma pur- gação ou esquentamento recolhido.

52 Serrote: o cozimento das folhas desta erva, toma- do em suadores continuados, dizem ser eficaz e apro- vado remédio para sarar os entrevados. A sua raiz, pisada e dada de beber com água, é igualmente apro- vado remédio para sarar os mordidos de cobra casca- vel e de toda a mais qualidade de bichos peçonhentos. Da sua raiz, pisada com casca e posta de infusão por umas poucas de horas, se fazem excelentes purgantes para toda a qualidade de moléstias venéreas, e afirmam ser de igual préstimo como os de pau de carne.

Adverte-se que esta explicação pertence à erva velame.

53 Sipó Guardião: rachado em miúdos pedaços e deita- dos de infusão em quantidade de dois púcaros de água, conservado assim toda uma noite, no seguinte dia de manhã cedo se põe ao fogo a ferver, tendo consumido metade da água, a que ficar se dá em cristéis a todo o enfermo que for atacado de mal venéreo e recear ter algum apostema dentro.

Este purgante é todo semelhante ao do cabacinho, e certamente o azougue não produz melhores efeitos do que qualquer deles.

A sua demasiada obra faz com que o enfermo almoce primeiramente, e para parar deve tomar uma colher de açúcar branco, ou maior porção se necessário for.

A amostra que remeto deste cipó vai em diferen- tes molhes pequenos, e cada um deles é porção de um cristel.

54 Sipó de chumbo: o seu cozimento é aprovado