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Data fra medlemsbedrifter i fire bransjeforeninger i BNL, høst 2007

3. Hva forteller de to nye datasettene?

3.3 Data fra medlemsbedrifter i fire bransjeforeninger i BNL, høst 2007

Falar de textualização, ou de textualidade, no sentido que pretendo dar ao termo, é remeter a um objeto, o texto, naturalmente, que pode ser abordado de 4 pontos de vista complementares, ainda que várias sejam as propostas que ficam a meio caminho entre esses níveis, que não apenas teóricos, mas da ordem do próprio objeto “texto”. Esses pontos de vista são

(1) sua materialidade de seqüência organizada de sinais convencionais;

(2) seu estatuto de espaço de articulação de elementos estritamente lingüísticos (que vão até o nível da frase e da junção de frases);

(3) sua natureza de unidade estruturada de segmentos lingüístico-semióticos ligados à produção de um sentido que vai além da estruturação sintática das frases, sentido vinculado com os mecanismos de textura: a coesão, a coerência etc.;

(4) seu estatuto de unidade potencial de sentido produzida - a partir das restrições do uso de sinais, da combinação de elementos lingüísticos e dos mecanismos de criação de textura etc. - por sujeitos concretos, objetivados, isto é, transformados em sujeitos de discurso, numa dada situação histórico-social que sempre vai além da interação imediata, visto que aí se faz presente a soma total das relações e vivências sociais dos envolvidos, incluindo sua consciência individual (que também é histórico-social, mas não menos individual), relações entre grupos, classes, culturas e mesmo épocas, o que envolve as várias mediações institucionais, informais, ou do cotidiano, e do âmbito formal, estatal e de outros tipos.

No primeiro caso, os sinais – também eles! - se organizam de maneiras social e historicamente condicionadas e, portanto, mutáveis, ainda que conservem ao longo do tempo certo núcleo básico necessário à compreensão e que reflete, refratando, o elemento mais constante da sociedade e da história, bem como dos sistemas humanos de simbolização. No segundo, a lingüística não textual, porém mesmo algumas vertentes textuais, identifica padrões de seleção e de combinação de morfemas, palavras e frases, e as combinações de frases são entendidas em

termos frasais ou no máximo transfrásticos, o que implica a manutenção da frase como unidade. .

No terceiro caso, há o que recebe o nome de “textura” - e estamos no plano de mecanismos como a coesão e a coerência textuais, etc., cuja consideração supera certas limitações da abordagem frasal, mas ainda não alcança a unidade de sentido do texto, mesmo quando têm cunho discursivo – e aqui critico várias teorias que, se incorporam algo chamado contexto, tomam-no como demasiado textual – ou demasiado sociológico – para dar conta da complexidade do fenômeno.

Da perspectiva de uma translingüística, todos os elementos considerados pelas outras três são considerados pertinentes e relevantes. Não obstante, essa perspectiva mostra que faltam a todos esses modos de ver a textualidade, o texto, dois elementos cruciais para o entendimento do processo de produção textual de sentido: em primeiro lugar, a situação de produção do texto, da textualidade, da superfície textual, no âmbito do enunciado, do discurso, e, em segundo, como conseqüência lógica, os interlocutores aí envolvidos em termos de suas interrelações sócio-historicamente possíveis.

Um texto é um objeto material que, ao ser tomado como o texto produzido por um sujeito, torna-se um enunciado, algo proferido em contexto. Logo, os sujeitos e os contextos se acham, nessas perspectivas aqui criticadas, subsumidos pelo texto, que se vê tomado praticamente como unidade autárquica transferível in toto de um conhecedor a um desconhecedor, um texto em que já há sentidos, não um texto como materialidade em que são criados sentidos a partir da discursivização, esta sim a instância plasmadora da transformação de frases em enunciados e da criação de grandes enunciados chamados textos, sempre no âmbito dos gêneros e de suas esferas.

Faço essas considerações para apontar que hoje, depois de tantos estudos de gênero, há casos de recuo histórico que levam algumas perspectivas para um momento anterior à postulação dos conceitos associados de “tipos de discurso” e “funcionamentos discursivos”, que têm em Maingueneau um importante desenvolvedor. A textualidade e a discursividade no âmbito de uma teoria bakhtiniana do gênero, de uma translingüística, são vistas em sua complexidade, sem se negar que o texto-objeto é a matéria de que são feitos os sonhos dos analistas.

Essa proximidade entre analista e objeto analisado – ou entre os interlocutores e o texto – faz por vezes que a textualidade, com todos os aspectos estudados pelas outras perspectivas, seja elevada ao estatuto de discurso e, mais do que isso, de gênero. E discurso e gênero se tornaram em alguns casos “tipos de texto”, perdendo-se com isso a flexibilidade dos chamados “funcionamentos discursivos”, conceito que procura (como já apontei: Sobral, 1982, 1999), dar conta das estratégias particulares que se manifestam nos discursos numa dada situação caracterizada pela natureza particular de um dado conjunto de práticas.

Não se postulam com a distinção “tipo de discurso”/”funcionamentos discursivos” estratégias-tipo nem isomorfismos estratégias-situações, ou texto- contexto, funções textuais-funções contextuais, termos e expressões que, embora explicáveis pelo contexto em que nascem as teorias que as propõem, acarretam o mais das vezes dificuldades metodológicas graves que acabam por diluir quase completamente a idéia de gênero.Pelo visto, o que está próximo (o texto) acaba por tornar-se tão invisível quanto o que parece distante (o gênero) quando se vêem esses dois planos como estando dissociados ou como se se identificassem.

A noção de “funcionamento discursivo”, fruto de uma etapa anterior ao conceito de gênero do Círculo (quer dizer, anterior porque este ainda não era conhecido), se refere à modulação da inserção do discurso em uma dada prática, inserção que lhe caracteriza o tipo. Isso implica afirmar que as particularidades dessa inserção determinam a estrutura argumentativa, as estratégias etc., do discurso, o que dá conta da dinâmica social, visto que a estrutura do discurso daí advinda varia segundo o modo particular de relacionamento dos vários condicionantes das práticas sociais, ideológicas e discursivas. Os “tipos de discurso” são entendidos como as formas de inserção (que não são apreendidas transparentemente) dos textos em determinadas práticas sociais ligadas a diferentes “regiões” ideológicas e, por conseguinte, aos aparelhos ideológicos (que nem sempre são “de Estado”, dado que nem toda instituição é parte do aparelho jurídico-político).

Essa inserção dá conta das condições de produção “em geral” dos discursos, visto que os aparelhos ideológicos atendem a demandas sociais especializadas, manifestas como contradições, de que decorrem as determinações “particulares” das práticas de produção/reprodução de sentido das formações ideológicas que participam da constituição das formações discursivas. Logo, a noção de tipo está

vinculada com a pertinência das formações discursivas às práticas sociais, sendo definida a partir da natureza particular dessas práticas. Não se trata evidentemente de uma proposta taxionômica – que sempre corre o risco do apagamento da especificidade – mas de uma definição voltada para a natureza e ação dos elementos relativos ao modo como os discursos podem inserir-se nas práticas sociais, o que implica considerar essa inserção não como algo dado de uma vez por todas, porém sujeita a variações na sociedade e na história.

Da perspectiva de uma proposta translingüística de estudo do gênero, todos os elementos considerados são pertinentes e relevantes. Não obstante, faltam a todos esses outros modos de ver a textualidade, o texto, dois elementos cruciais para o entendimento do processo de produção textual de sentido: em primeiro lugar, a situação de produção do texto, da textualidade, e, em segundo, os interlocutores aí envolvidos. Como os elementos considerados nas abordagens descritas não são capazes de explicar (nem é essa sua intenção, ou ao menos não deveria ser) por que um texto que parece dizer “o mesmo” pode produzir sentidos distintos daqueles que “seria de esperar”, caso o texto tivesse por si só coisas estabelecidas a dizer, o estudo do texto, da textualidade, da textualização, pelos mais diversos campos e com as mais sofisticadas metodologias, que o considerar apenas até o ponto do terceiro caso acima descrito, mesmo no âmbito de algumas lingüísticas textuais um tanto mais avançadas, explica o objeto aqui chamado de texto apenas de modo parcial, ainda que essa explicação parcial seja tanto legítima quanto fundamental para os estudos lingüísticos em seu sentido amplo e constituam um material auxiliar de estudos voltados para entender a complexidade do objeto chamado texto.

3.6 A fase parasitária do gênero de auto-ajuda: as estratégias